quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

SOPONATA - Quando Portugal tinha Marinha Mercante

  Em 1 de Setembro de 1939, quando teve início a Segunda Guerra Mundial, a Marinha de Comércio Portuguesa não dispunha de um único navio-tanque, (vulgo petroleiro), o que colocou sérios problemas ao nosso País em termos de abastecimento de combustíveis líquidos.
Foi então cometida ao Instituto Português de Combustíveis a espinhosa missão de assegurar o transporte de petróleo e seus derivados para Portugal, missão essa, extraordinariamente complicada pelo facto do mundo se encontrar em guerra o que tornava os combustíveis preciosos e mesmo vitais para as nações beligerantes.
A solução foi recorrer-se ao afretamento de navios-tanque estrangeiros, geralmente de países neutros, onerosos e difíceis de conseguir pois os que os possuíam necessitavam deles para as suas próprias importações.
Apesar de tudo, o Instituto Português de Combustíveis conseguiu afretar alguns navios-tanque estrangeiros, nomeadamente suecos.
Por outro lado, em 9 de Janeiro de 1943, entrou ao serviço o primeiro navio-tanque Português, o "SAM BRÁS", que foi construído, no Arsenal do Alfeite, por encomenda da Armada Nacional, e que veio trazer uma prestimosa ajuda ao abastecimento do País.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial as coisas começaram a normalizar-se.
O despacho nº 100, de 10 de Agosto de 1945, promulgado pelo Ministro da Marinha, Capitão-de-mar-e-guerra Américo de Deus Rodrigues Thomaz, visando a reorganização e a renovação da Marinha de Comércio Portuguesa, deu origem à construção de catorze navios de passageiros e de trinta e seis cargueiros e preconizava ainda quatro navios-tanque, sendo dois de 10.000 toneladas de porte bruto atribuídos à Companhia Colonial de Navegação e dois de 12.000 toneladas a atribuir, um à Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes e o outro à Companhia Nacional de Navegação. Porém o despacho nº 150, de 24 de Novembro de 1945, do mesmo ministro, veio introduzir alterações ao despacho nº 100, determinando a constituição de uma nova empresa armadora que operasse todos os navios-tanque nacionais por se ter reconhecido que, desse modo, os interesses do País ficariam melhor acautelados.
Constituída pelas três principais companhias de navegação:
Companhia Colonial de Navegação;
Companhia Nacional de Navegação;
Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes e
por cinco empresas que operavam em Portugal como importadoras e distribuidoras de combustíveis líquidos:
Shell Company of Portugal, Ltd.;
Socony-Vacuum Oil Company;
Companhia Portuguesa dos Petróleos – Atlantic;
Sociedade Nacional de Petróleos – Sonap – e Sacor (Sociedade Anónima Concessionária da Refinação de Petróleos); nasceu, por escritura de 13 de Junho de 1947, a Sociedade Portuguesa de Navios Tanques, SA, abreviadamente designada por SOPONATA.

Os seus primeiros navios foram os petroleiros suecos "GLOMDAL", "KALMIA" e "GLIMINGEHUS", adquiridos ao instituto Português de Combustíveis, em 7 de Agosto de 1947, e rebaptizados "AIRE", "GEREZ" e "MARÃO", respectivamente.

 (Navio Tanque "Aire")
Navio Tanque  "Sameiro"
Seguiu-se-lhes o "SAMEIRO", que foi lançado à água, no Arsenal do Alfeite, no dia 28 de Agosto de 1946, ainda com a bandeira da Companhia Colonial de Navegação à qual foi comprado pela SOPONATA em 29 de Janeiro de 1948, tendo iniciado a primeira viagem em 8 de Fevereiro, a Aruba.
A quinta unidade foi o navio-tanque "ALVELOS", consideravelmente maior que o "SAMEIRO" e a primeira construída propositadamente para a SOPONATA. A sua construção teve lugar no estaleiro belga John Cockerill SA, em Hoboken onde, no dia 20 de Maio de 1950, foi entregue à empresa armadora.
O "SÃO MAMEDE", navio-tanque gémeo do "SAMEIRO", igualmente construído no Arsenal do Alfeite e também, inicialmente, destinado à Companhia Colonial de Navegação, entrou ao serviço em 27 de Julho de 1951, indo aumentar a frota da SOPONATA.
Navio Tanque "Claudia"
Em 17de Agosto de 1951 a SOPONATA adquiriu, em segunda mão, a uma companhia de navegação das Honduras, um pequeno navio-tanque de nome "CLÁUDIA" que havia sido construído nos Estados Unidos, em 1944, para a Marinha Norte Americana, sob a designação Y80.
Afretado pela Sacor Marítima, Lda. em 1951 acabou por lhe ser vendido a 31 de Janeiro de 1961.
Tanto a SOPONATA como a Sacor Marítima mantiveram-lhe o nome "CLÁUDIA".
Navio Tanque Bornes
Seguiram-se-lhe o "BORNES", o "CERCAL" e o "DONDO", navios gémeos do "ALVELOS" e construídos no mesmo estaleiro belga. Entraram ao serviço da SOPONATA em 1951, 1952 e 1955 respectivamente.
O "FOGO" foi a décima segunda unidade a integrar a frota da SOPONATA. Também foi construído no citado estaleiro belga sendo porém substancialmente maior que os navios da classe "ALVELOS".
O quinto e último navio daquela classe foi o "ERATI" que, ao contrário dos seus quatro irmãos mais novos, foi construído em Portugal, no Arsenal do Alfeite, sendo à data o maior navio construído no nosso País, como anteriormente já o tinham sido os gémeos "SAMEIRO" e "SÃO MAMEDE" e, antes deles o já citado navio-tanque da Armada, o "SÃO BRÁS" (1). O "ERATI" entrou ao serviço em 1958.
Gémeo do "FOGO", mas construído em Portugal, mais uma vez no Arsenal do Alfeite, surge o "GERÊS" que com os seus 191,65 metros de comprimento de fora a fora e o porte bruto de 27.418 toneladas, foi até 1979, o maior navio construído em estaleiros Portugueses. Entrou ao serviço em 30 de Outubro de 1962.
Seguiu-se um par de gémeos o "HERMÍNIOS" e o "INAGO" construídos no estaleiro Kawasaki Dockyard em Kobe, no Japão. Entraram ao serviço em 1960 e 1963 respectivamente. Tiveram a particularidade de serem os últimos navios-tanque da SOPONATA a terem a superstrutura que integra a ponte de comando localizada a meio-navio, como todos os que os antecederam (2) , acontecendo que a unidade seguinte, o "JECI", e todas as subsquentes passaram a apresentar a ponte de comando englobada numa única superstrutura, situada à ré, e da qual continuou a emergir a chaminé.

O "JECI", que não teve nenhum gémeo na SOPONATA, foi também construído em Kobe no estaleiro Kawasaki Dockyard e entrou ao serviço em 2 de Junho de 1966.
Navio Tanque "Larouco"
A unidade seguinte, o "LAROUCO", foi encomendada ao estaleiro da Lisnave, na Margueira mas, a construção do casco foi subcontratada no estaleiro A.G. Weser, em Bremen, Alemanha. Foi baptizado na Margueira em 23 de Junho de 1969, e entregue à SOPONATA em 10 de Julho do mesmo ano. Foi um outro caso de "filho único".
Seguidamente foi incorporado na frota em 17 de Abril de 1973 o "ORTINS BETTENCOURT" construído em Kobe, Japão e primo muito próximo dos três gémeos "MARÃO", "MONTEMURO" e "MAROFA" construídos na Suécia. Entraram ao serviço da SOPONATA também em 1973, excepto o último que entrou em 1974.

 (Navio Tanque "Montemuro")
Navio tanque "São Mamede"
Em 1977 e 1978 foi a vez de serem incorporados na SOPONATA um segundo "SAMEIRO" e um quase gémeo que foi baptizado "S. MAMEDE" (3) ambos construídos em Itália.
Vieram depois os três gigantes "NEIVA", "NOGUEIRA" e "NISA" que com os seus 346 metros de comprimento de fora a fora e o porte bruto de 323.000 toneladas foram os maiores navios Portugueses de todos os tempos. Entraram ao serviço em 1976, 1979 e 1983 respectivamente.

 
  (navio tanque "Nisa")



(Navio tanque "Neiva")

Integraram a frota em 1980, 1987 e 1988 um segundo "ALVELOS", um segundo "AIRE" e um segundo "CERCAL", comprados em segunda mão.
Encomendados aos Estaleiros Navais de Setúbal Setenave/Salisnor um segundo "BORNES", um segundo "ERATI" e um segundo "INAGO", entraram ao serviço em 1990, 1992 e 1993 respectivamente.
Em 1996 integrou a frota da SOPONATA uma unidade que, ao contrário de todas as anteriores, não era um navio-tanque. Tratou-se dum porta-contentores comprado em segunda mão, ao qual foi dado o nome de "SONGO" e que operou em serviço de cabotagem na costa de Moçambique até 2001, posto o que foi vendido.
Navio Tanque "Portel"
Posteriormente entraram ao serviço da SOPONATA os navios-tanque "JECI" e "GERES" em 1999, "SINTRA" em 2000, "PENEDA" em 2002 e "PORTEL" em 2003. 
Este segundo "JECI" foi vendido em 2003 enquanto que os quatro restantes, bem como o segundo "BORNES", o segundo "ERATI" e o segundo "INAGO", já atrás mencionados, constituem a frota actual.
Navio Tanque "Peneda"
Esta é, em traços muito breves, uma extremamente sucinta enumeração dos trinta e oito navios que, durante os seus cinquenta e seis anos de vida, têm integrado a frota da Sociedade Portuguesa de Navios Tanques, SA.
Aqui lhe auguramos um brilhante e próspero futuro uma vez que, das seis empresas armadoras Portuguesas (4) , com alguma expressão, que existiam, quando em 1956, abraçámos a carreira do mar, a SOPONATA é, hoje em dia, como honrosa excepção, a única sobrevivente.




José Ferreira dos Santos
Capitão da Marinha Mercante
Membro Efectivo da Academia de Marinha

NOTAS:
(1) Os navios-tanque "SAM BRÁS", "SAMEIRO", "ERATI" e "GERES", construídos todos no Arsenal do Alfeite, com os comprimentos de fora afora de 108,75, 138,50, 163,72 e 191,65 metros, respectivamente, foram sucessivamente, às datas das suas construções, os maiores navios construídos em Portugal. Em 1979 foi construído em Setúbal, pela Setenave, o navio-tanque "NOGUEIRA ", que com os seus 346 metros de comprimento fora-a-fora e 323.000 toneladas de porte bruto, continua a ser, até hoje, o maior navio construído no nosso País
  (2) Excepção feita ao pequeno "CLÁUDIA ", comprado em segunda mão, e que devido à sua pequenez apenas podia ser utilizado em serviço costeiro e tráfego local, ao passo que todos os restantes navios-tanque da SOPONATA eram unidades oceânicas.
  (3) É curioso notar que a ortografia do nome do " SÃO MAMEDE" de 1951 difere da do "S. MAMEDE" de 1978. Também a ortografia do nome do "GEREZ" de 1947 é diferente da do segundo e do terceiro "GERES", de 1962 e 1999, respectivamente.
(4) As cinco empresas de navegação já desaparecidas eram a Empresa Insulana de Navegação, a Companhia Nacional de Navegação, a Companhia Colonial de Navegação, a Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lda. e a Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos.

Fotos: http://lmcshipsandthesea.blogspot.com/
          Google
          http://navios.no.sapo.pt/naviost.html

Caros, 

Cada vez que estudo a história do nosso passado recente tenho mais orgulho no nosso pais, só me envergonho do nosso povo quando vejo que estamos a ser (des)governados por uma corja que tem destruído os nossos sectores produtivos e o nosso povo aceita tudo isto de bom grado. Triste povo este sem memória!


Um povo sem memória é um povo sem futuro.

Cumprimentos cordiais



Luís Passos

39 comentários:

  1. Eles vendem tudo , eles vendem tudo e não deixam nada , Portugal não tem empresários sim patrões e não prestam para nada.

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  2. É bom recordar, fiz algumas viagens com o meu pai a bordo de alguns destes navios, Larouco, Montemuro, Inago, Herminios, etc, o meu pai fez parte da tripulação que foi há Suécia buscar o navio tanque Neiva, primeiro super petroleiro Português.

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    1. Desconheço qual a data em que diz ter andado embarcado no "Herninios".
      Também lá andei no ano de 63, cujo comando se encontrava então chefiado pelo excelente comandante Sr. José Matos.

      Não só nesse petroleito como em alguns outros, deram-me a conhecer que desde a oficialidade ao restante pessoal que fazia parte da tripulação, todos eram competentissimos, não só nas suas obrigações como nas responsabilidades assumidas.

      Em suma, posso dizer que, na prática, Portugal possuiu uma M.Mercante excepcional!

      Grato pela atenção

      Fernandes

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. O meu pai era tripulante da soponata viagou no Gerês Hermínios Larouco e por fim S.Mamede foi uma grande empresa de nome internacional!!! Foi-se!!!Pois somos um país de marinheiros mas sem navios!!!
      É uma pena!!!

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  3. OLA, POSSO PERGUNTAR QUEM E O SEU PAI E POSTO QUE OCUPAVA PORQUE O MEU TAMBEM ERA DA SOPONATA E TAMBEM ESTEVE NA SUECIA

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  4. Adorei,realmente é vergonhosa a corja que temos............ O meu pai esteve no Neiva em 81 82 no estaleiro Asry no Bharain o meu pai trabalhava nesses estaleiros.
    Um Abraço

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    1. Meu pai foi tripulante no Gerês,Hermínios,Larouco,S.Mamede este último foi onde terminou a sua carreira.

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    2. Meu pai foi tripulante no Gerês,Hermínios,Larouco,S.Mamede este último foi onde terminou a sua carreira.

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  5. interessado em enviar um comentario mas primeiro necessito saber se ele e enviado.
    C. Fernandes

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  6. Gostaria de apresentar o meu comentario mas, primeiro preciso de saber se ele será publicado.

    CFernandes

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    1. Tenho tentado entrar em contacto com um ou outro comentarista mas... meus comentários - por razões que desconheço - não são publicados.

      Algum erro meu?

      Fernandes

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  7. Grandes navios, grande empresa! Tenho boas recordações! Cumprimentos para tds! João Sabino

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  8. Por acaso não têm fotos do GEREZ?

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  9. O meu marido foi buscar o Neiva à Suécia para vir ser inaugurado em Lisboa. Eu fui de lancha mas não consegui subir, era tão alto? porque afundou.Tenho boa memória. Toda a gente roubava. A comida era melhor que no melhor hotel de luxo. O wisque corria como um rio. Não escapava nada. Ferramentas, luvas, cobertores, latas de fruta em calda, cabides de pendurar a roupa. então os dispenseiros e afins que me desculpem mas para eles era A MINA DO ZÉ GRANDE...

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    1. O seu marido era um santo não gamava nada ? Gostava de saber quem era o seu marido.

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    2. O meu marido não bebia café ou álcool.Nunca fumou
      Lutou muito pelos direitos dos colegas. Já me não lembra qual foi o navio que avariou ao fim de 2 ou 3 dias de viajem. Voltou para trás e ficou fundeado em Alcântara. O pessoal da cozinha e dispensa foram todos para casa mas levaram tudo quanto puderam, por isso cada dia ia um à lota da Ribeira comprar peixe e dividiam a despesa por todos. Fui quase sempre eu a cozinheira, mas todos ajudavam. Estávamos em casa da minha irmã. O meu marido Lamentava-se que até os chefes que deviam dar o exemplo eram os primeiros a levar chaves de fendas, martelos limotes e muitas outras ferramentas incluindo luvas cobertores da cama e cabides e AINDA por cima lhe ordenavam que os ajudasse a levar a tralha para o carro próprio ou da esposa, do cunhado ou da C**a da tia.Esteve lá poucos anos. teve 3 acidentes e depois adoeceu de cancro aos 32 anos; morreu com 33. Chamava-se António Manuel MARQUES e era Chegador por opção pois, como era epiléptico tinha que tomar a medicação e fazer o sono seguido e não podia trabalhar por quartos. O que realmente aproveitamos foi aquelas pequenas traficâncias dos relógios seikos e das chicletes na Rússia que tínhamos que gastar lá. Trouxe Longplys de orquestras maravilhosas trouxe umas machadinhas para limpar o eucalipal do meu sogro, umas tesouras para vindima ou jardinagem, um ferro a vapor, um aspirador tipo industrial, 2 cadeiras de praia em lona. Não o meu marido não gamava nada nem sequer permitia que eu tivesse uma caixa de bolos sortidos para mim e meu filho no camarote.Foi devolvê-la a quem ma facultou.

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    3. António Manuel dos Santos MARQUES. Mosteiros Caldas da Rainha (chegador). adoeceu de cancro aos 32 anos, morreu com 33.

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    4. Maria Teresa, deixe-me que lhe diga: é um prazer lê-la. escreve quase com um Camilo! :-)

      Beijinhos e bem haja!

      Sara.

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    5. Maria Teresa, lembro-me bem das "pequenas traficâncias dos relógios seikos e das chicletes na Rússia ", o meu pai chamava-se José Almeida Pereira e era empregado de Camaras.

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  10. o meu pai tambem esteve na suecia. foi buscar o neiva e eu conheci muitos dos navios pois tambem andei muitos anos neles e tenho boas recordaçoes foi pena acabarem as tripulaçoes portuguesas. Brito

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    1. O Meu pai chamava-se José Almeida Pereira era emp. de Camaras.
      Faleceu em Janeiro de 1998

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  11. boas eu sou neto de um padeiro de bordo o nome e joao baptista fernandes ribeiro

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  12. bom dia,nao sei se alguem esta lembrado do algarvio,,
    do Nunes o fogueiro de serviço,e meu pai e gostava que ele comunicasse com velhos amigos,obrigado

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  13. O MEU PAI TRABALHOU DURANTE 30 ANOS NA SOPONATA ERA CARPINTEIRO,CHAMAVA-SE RUI DE OLIVEIRA. ANDOU MUITOS ANOS NO CERCAL, LEMBRO-ME DAS FESTAS QUE A COMPANHIA FAZIA PARA OS FILHOS DOS EMPREGADOS E EM ESPECIAL O MOMENTO MAIS AGUARDADO AQUELE EM QUE NOS ENTREGÁVAM OS BRINQUEDOS E OS DOCES, TAMBÉM ME LEMBRO DE IR A PÉ A ACOMPANHAR O NAVIO DESDO DO TERREIRO DO PAÇO ATÉ CABO RUIVO. QUANDO O CERCAL FOI ABATIDO AO ACTIVO ELE FOI PARA OUTROS NAVIOS FOI TAMBÉM A SUÉCIA BUSCAR O MAROFA, QUANDO ERA MIUDO O MOMENTO MAIS AGUARDADO ERA QUANDO O MEU PAI CHEGAVA DA VIAGEM.
    EDUARDO OLIVEIRA

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    1. Bom dia,tarde ou noite..
      Meu nome e;Jose Caetano,fui empregado de cameras no CERCAL,francamente nao me lembro do Rui Oliveira...
      Passei por diversos navios da SOPONATA,o ultimo foi o Sao Mamede,quando desambarquei em Julho de 1973.
      Sao muitas e boas as recordacoes que guardo desses tempos.
      Felizmente que no passado mes de Junho,2013,pude fazer-me presente no almoco organizado pelo Sindicato de Cameras que se realizou no ViaMar/Alfeizerao,onde houve reencontros com velhos colegas da Escola da Marinha Mercante em Caxias...Fantastico!..Cinquenta anos se passaram ao longo dos quais ja muitos dos nossos colegas partiram para outro mundo(Por eles um minuto de silencio),mas na minha mente eles perduram para sempre..Entre outros ali pude reencontrar o;Amilcar e Jose Guinada do Valado de Santa Quiteria/Alcobaca..O;Jose M. Zurrinha de Quarteira/Algarve e o inesquecivel;Jose de Alcantara..Foram momentos de raro convivio e amizade..Todos velhotes,mas todos jovens no sonho e na vivencia..Obrigado por existirem..

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    2. Ex;Soponata.
      Ex;Empregado de Cameras.
      Jose Luis Santos,e caso para dizer(Adeus tudo).
      Portugal,em vez de ter progredido depois do 25 de Abril,1974.
      A nivel de marinha mercante e nao so praticamente desapareceu..
      Costuma dizer-se que"Vao os aneis,mas ficam os dedos",porem a continuar desta forma,a caminhar por este caminho,nem os dedos vao escapar.
      O povo nunca foi aquele que maies ordena"Isso nunca passou de um slogan"..
      Portugal!..
      Nao merece ser tao mal tratado.
      Ate quando?
      ZePerlengas

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    3. Boas Zé, o meu pai também era empregado de câmaras, chamava-se José Almeida Pereira, faleceu em 1998.

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  14. Viva o seu marido era um santo, sou filho de um empº de cameras que andou bastante tempo na soponata e vi bem os santinhos que por lá andavam.

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  15. Tambem andei na soponata,e mal que lá pus os pés chamaram-me de páraquedista,porque não era efectivo da empresa,e nessa altura já não havia as abençoadas lagostas,e outras coisas que iam prá mesa,antes tinha andado em navios da carga geral CTM,e quando essa CTM acabou,a que foi o balão de ensaio para acabar com a nossa marinha mercante,lá fui eu bater á porta da soponata,e assim entrei como páraquedista,fui Artífice Torneiro Mecanico,na altura eram 4 Artífices,depois passaram-nos para Mecanicos de Bordo,a partir daí dos 4 só ficou um Mecanico,e de preferência o Torneiro,e que depois fez o trabalho de todos,mas o ordenado era o mesmo,no caso do dispenseiro foi corrido e ficou o cozinheiro a fazer as funçôes cozinheiro/dispenseiro,e a receber mais alguma compensação do cargo,o mecanico ficou a fazer o trabalho de mais tres,e não recebeu mais por isso,e é assim que vamos para a beira do mar já reformados e não se vê um navio a subir ou descer o rio tejo a não ser os navios de passageiros. ( josé luis santos )já na reforma ex Artífice torneiro mecanico/Mecanico de bordo 1976-2006

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  16. Também fui tripulante na SOPONATA, com a categoria de Fogueiro.
    Naveguei em diversos navios, desde o Erati (antigo), passando pelo Jeci, Hermínios, Montemuro, Marofa, Nisa, Alvelos e Aire.

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  17. Eu fiz ,uma viagem,mas vi kuase todos gamarem,ate eu uns comprimidos,tudo muito santinho...tenham honra de serem modestos,meus amigos....

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  18. Boa noite,sou neto do Ferreira da Silva (Jose Duarte Ferreira da Silva). Ele faleceu em Dezembro de 2012 e agora vi este blog e despertou-me a atençao. Ele andou no Herminios,Gerez e nao me recordo de mais que ele me tenha dito.Alguem aqui o conheceu? Ouvi dizer que ele era duro de roer! Cumprimentos a todos. Jaime Gonçalves

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  19. andei 36 anos na marinha mercante só a raia miúda e que gamava nunca entendi porque se fala das suspeições porque ver não viam era cozinheiro e o saco da roupa suja que levava eram sempre coisas gamadas era tempo tao enriquecedor para se em ninharias não vi ninguém com pelos nas palmas das maos

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  20. A PROPÓSITO DA REVISTA «CLUSTER DO MAR»
    No facebook pedem-se «likes» ou «gostos» para um conjunto de páginas, algumas de inegável interesse a valer pela aparência.
    Hoje, pediram-me para gostar da revista «Cluster do Mar»... O Mar como novo Desígnio Nacional.
    Ora, como nasci ao lado dele, e vivi, tantos dias e meses, sobre ele, por via da generosa e honrada profissão de meu Pai. Como compreendo a maledicência que a luta dele – do meu Pai, o António Carlos Barreto - provocou por diversas vezes no seio dos mais variados poderes.
    Como agora apreendo quanto a sua saúde ficou debilitada para sempre, como resultado de um duelo desigual ao pugnar pela causa da defesa do mar e do transporte marítimo moderno, tantas vezes defendido pelos mais prestigiados colegas estrangeiros. Como vivo, o mal que o Mar lhe acabou por fazer. Como sei que o seu nome ficou apenas registado nos compêndios mais prestigiados e escritos em inglês, apeteceu-me escrever o ‘post’ que se segue e publicá-lo com o meu ‘like’.
    Naturalmente que o Mar não se confina apenas a uma «estrada» imensa para o transporte de mercadorias.

    O MAR DAS NOSSAS SOMBRAS

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    1. O meu pai tambem trabalhou na Soponata nos navios:Sameiro Alvelos cercal e entre outros como Comandante ,Oficial,Imediato chamava-se Renato Andrade Araújo nos anos 50,60,e 70 alguem conheçeu?

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  21. Olá pessoal
    Gostava de obter fotos dos "Erati" "Fogo" e "Jeci"
    Alguém me arranja?
    Obrigado
    Agradeço o envio para o seguinte email: 661503@gmail.com

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  22. Boa tarde a todos. O meu pai trabalhou na soponata durante varios. Nome Antonio Durães. Agradeço que quem teve contacto que me comunique. Nuno Durães.

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  23. Boa tarde a todos. O meu pai trabalhou na soponata durante varios. Nome Antonio Durães. Agradeço que quem teve contacto que me comunique. Nuno Durães.

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