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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Passos Coelho: "É o chamado murro no estômago"

Passos Coelho classificou hoje como um "murro no estômago" a decisão da Moody´s de cortar em quatro níveis o 'rating' de Portugal. 

"É o chamado murro no estômago", afirmou Pedro Passos Coelho, numa declaração transmitida pela RTP.
Esta afirmação do primeiro-ministro foi proferida durante o período de recolha de imagens que antecedeu as reuniões com a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e a Confederação Espanhola de Organizações Empresariais.

No final do encontro e questionado sobre o estado de espírito que encontrou junto do primeiro-ministro em relação a esta decisão, o presidente da CIP, António Saraiva, respondeu: "Mostrou-nos, obviamente, uma desagradável surpresa - o murro no estômago é [uma expressão] do senhor primeiro-ministro".
Antes, António Saraiva também tinha utilizado esta expressão para comentar a decisão da agência.
A agência de notação financeira Moody's cortou na terça-feira em quatro níveis o 'rating' de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país na categoria de 'lixo' (junk).


Nota do Faro é Faro:
Em relação à classificação da Moody´s em relação a Portugal, como já tenho vindo a referir em posts anteriores, nunca  me surpreendeu, nem a mim nem a muitos Economistas Nacionais e Estrangeiros. O que eu gostaria de recordar, principalmente àqueles que têm Memória curta, é que quando as Taxas de Juro começaram a aumentar para o DOBRO em reacção ao chumbo do PEC IV, alguns "personagens" do PSD ou próximas do PSD, nomeadamente o actual Primeiro-Ministro, então líder da Oposição, vieram a público afirmar que tal desiderato se devia à falta de Credibilidade do Governo e principalmente do então Primeiro-Ministro José Sócrates e que os Mercados iriam reagir positivamente e inverter a tendência logo que o PSD fosse Governo. O juro a 10 anos antes do chumbo do PEC IV estava nos 4%, agora está em 14%!!!!!!!!.
Se a questão tem a ver com a Credibilidade do governo... não era por ai!

Obviamente o problema português, e penso que foi isso que esteve na base do corte, é que pura e simplesmente não tem economia. E sem economia não consegue gerar receita para pagar o que deve e distribuir. Basta ver que segundos alguns especialistas a nossa situação é bem pior que a grega, dado que apesar da grega ter um deficit pior, contabilidade criativa e muita má gestão, se tiver gente com juízo vai lá, porque tem uma economia que cresce a 4, 5% ao ano. Portugal não tem nada, não produz nada, importa tudo o que consome... 

Assim... não vamos lá!

sábado, 2 de julho de 2011

Passos: cortar no subsídio? «Isso é um disparate»

O primeiro-ministro garantiu, alguns meses antes das eleições, que não iria cortar no subsídio de Natal. Na medida agora apresentada não há um corte específico sobre o 14º mês, mas o imposto extraordinário tem como referência 50 por cento desse valor.

Pedro Passos Coelho garantiu a 1 de Abril deste ano, numa visita a uma escola, que caso fosse primeiro-ministro não iria cortar o subsídio de Natal. Esta quinta-feira, na sua estreia como primeiro-ministro no Parlamento, foi exactamente sobre o valor-referência do 14º mês - o equivalente a 50 por cento deste - que incidiu a sua primeira medida de austeridade extraordinária.

Durante uma visita à Escola Secundária de Forte da Casa, no concelho de Vila Franca de Xira, o presidente do PSD foi abordado por duas estudantes que lhe perguntaram: «Vai tirar os subsídios de férias aos nossos pais?». Passos Coelho respondeu à criança: «Eu nunca ouvi falar disso no PSD. Eu já ouvi o primeiro-ministro dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com muitas coisas e também com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate». As duas jovens concordaram: «Pois, também nós achamos». «Isso é um disparate», reforçou Passos Coelho.

Nesse mesmo dia, quanto a um eventual aumento de impostos, o presidente do PSD disse ainda que, numa situação extrema», numa «situação limite», se tiver de optar, prefere «mil vezes olhar para os impostos sobre o consumo do que estar a ir às pensões das pessoas que têm 200 e tal ou 300 e tal euros».

Esta quinta-feira, o primeiro-ministro anunciou um imposto extraordinário equivalente a 50 por cento do subsídio de Natal, em sede de IRS, para valores acima do salário mínimo nacional, ou seja, 485 euros.

Passos Coelho prometeu pormenores sobre a aplicação deste imposto, que irá render 800 milhões de euros aos cofres do Estado, para as próximas duas semanas.


Ahhh... pois é!!! Bela boca morre o peixe! 

Cumprimentos cordiais
Luís Passos

sábado, 18 de junho de 2011

Constituição do Novo Governo

Novo Governo





  1. Primeiro Ministro - Pedro Passos Coelho
  2. Ministro Negócios Estrangeiros - Paulo Portas
  3. Ministro das Finanças - Vítor Gaspar
  4. Ministro da Economia - Álvaro Santos Pereira
  5. Ministro da Educação - Nuno Crato
  6. Ministro da Saúde -  Paulo Macedo
  7. Ministro da Segurança Social - Pedro Mota Soares
  8. Ministro da Agricultura, Ambiente e Território - Assunção Cristas
  9. Ministro da Defesa - Aguiar Branco
  10. Ministro da Justiça - Paula Teixeira da Cruz
  11. Ministro da Administração Interna - Miguel Macedo
  12. Ministro dos Assuntos Parlamentares - Miguel Relvas
  13. Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros - Marques Guedes
  14. Secretário de Estado adjunto do PM - Carlos Moedas

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Eduardo Catroga na Economia

 
Eduardo Catroga deverá ser o próximo titular da pasta do super-ministério da Economia, que vai agregar as Obras Públicas, Transportes, Telecomunicações e Emprego, apurou o i.
A ideia desta fusão é agregar sob a mesma responsabilidade as diferentes áreas produtivas.
Um dos primeiros dossiês deste ministério será a privatização da TAP, que deverá estar concluída até ao final de 2011. 
Aquele que foi o enviado do PSD às negociações com a troika e coordenou o programa eleitoral do Partido Social Democrata não irá assim voltar à pasta das Finanças, que ocupou há 16 anos no governo de Cavaco Silva.
Eduardo Catroga tem como principais vantagens o conhecimento do mundo empresarial e ter experiência governativa.
 

Enfim.. estava a espera de ver este senhor nas finanças, não na economia, mas pelo que estou a ler isto vai ser um fartar de vilanagem com privatizações à fartazana, eventualmente feitas em cima do joelho e se calhar já com "destinatário". Vamos lá ver o que isto vai dar...  misturar Transportes, Obras Publicas, telecomunicações, Economia e Emprego... cheira-me que isto vai dar bronca da grossa.  Oxalá me engane.
Cumprimentos cordiais
Luís Passos

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Passos quer criar "autoridade orçamental independente"

O líder do PSD, vencedor das eleições legislativas de domingo, pretende avançar com a criação de uma "autoridade orçamental independente" do Governo, que integrará personalidades independentes, nacionais e estrangeiras, para dar total transparência à consolidação orçamental. 
 
Em entrevista ao jornal francês Les Echos, Pedro Passos Coelho indica que esta nova instituição será criada pelo Banco de Portugal e pelo Tribunal de Contas.
"Será composta por personalidades independentes, incluindo estrangeiras, para ser totalmente transparente sobre a consolidação orçamental, mas também sobre as finanças das empresas detidas pelo Estado, das regiões e das autarquias. Terá poderes muito amplos", afirma Passos Coelho.
A criação de um Conselho das Finanças Públicas fez parte do acordo entre o Governo e o PSD para aprovação do Orçamento de Estado de 2011.
No entanto, no seu programa eleitoral, os sociais-democratas comprometem-se a proceder "à reforma do processo orçamental e do sistema de controlo orçamental com carácter de urgência", dando "máxima prioridade" à criação do Conselho das Finanças Públicas.
Esta entidade terá como "funções principais", entre outras, avaliar "os cenários macroeconómicos preparados pelo Governo", "as previsões de receita e de despesa disponibilizadas pelo Governo", assegurar que "as diferentes entidades do setor público cumprem as regras contabilísticas em vigor", "analisar a sustentabilidade das Finanças Públicas e a dinâmica da dívida pública e publicar anualmente o respetivo relatório" e "acompanhar permanentemente a execução do Orçamento".

Na entrevista, Pedro Passos Coelho defende ainda que o PSD será "muito ambicioso" nas reformas estruturais, "muito além do que está previsto no acordo" de ajuda externa, apontando como exemplo o sector das privatizações, nomeadamente o sector público da comunicação social.
Questionado se teme que Portugal possa viver uma situação semelhante à da Grécia, o líder do PSD afirmou: "Espero que a nossa acção, mais do que as nossas palavras faça a diferença entre Portugal e a Grécia".
O PSD venceu as eleições legislativas de domingo com 38,6 por cento, elegendo 105 deputados, o PS obteve 28 por cento (73 deputados), o CDS-PP 11,7 por cento (24 deputados), o PCP 7,9 por cento (16 deputados) e o Bloco de Esquerda 5,2 por cento (oito deputados).
O Presidente da República incumbiu na segunda-feira o líder do PSD de "desenvolver de imediato diligências" para "propor uma solução governativa" com apoio parlamentar maioritário, a ser comunicada ao Chefe de Estado "antes da publicação do mapa oficial" dos resultados eleitorais.

IN: DN

Não existe já um Tribunal de Contas em Portugal? Ainda não tomou posse e já começa a reformar o aparelho do Estado criando mais uma Entidade para enrolhar o País. De repente parece que o mais importante nesta crise é começar a arranjar tachos para os amigos. Tenha juízo e faça o que prometeu aos Portugueses, não se transforme em mentiroso, já basta!!!!
 
Cumprimentos cordiais

Luís Passos

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Passos ambíguo sobre condições em que forma Governo

Líder do PSD apela ao eleitorado para que não crie cenários de vitória do PS com maioria de direita na AR.
 
 
 
Passos Coelho recuou nas condições em que aceita formar (ou não formar) Governo. Ontem à noite, à saída do frente-a-frente com Francisco Louçã na TVI, foi categórico:"Seria muito estranho se um partido ganhasse e não formasse Governo. Eu só formarei Governo se ganhar as eleições." Hoje, entrevistado no Forum da TSF - emitido a partir de Quarteira, no Algarve, onde o líder do PSD se encontra em campanha - fez afirmações dissonantes entre si. Por um lado mantendo o que disse ontem: "Eu não quero ser primeiro-ministro se não for claramente escolhido pelos portugueses." Por outro, suavizando, passando de uma recusa categórica para uma aceitação contrariada: "Eu não gostaria de formar um Governo em que os eleitores não me dissessem claramente que deveria liderar."

O líder do PSD tentou, ao mesmo tempo, desvalorizar um cenário em que o PS ganhasse "no foto finish" mas o PSD e o CDS fizessem maioria no Parlamento: "Tende para o zero", afirmou, A "posição natural" do Presidente, disse, será indigitar o primeiro-ministro do partido vencedor. Ao mesmo tempo "alertou" o eleitorado para que crie nas eleições as condições que propiciem um "governo forte". E a reafirmou uma recusa absoluta em aliar-se depois no Governo com os socialistas: "Eu não vou formar Governo com o PS."

In: DN

De facto o Passos Coelho parece um cata-vento, ora agora afirma uma coisa, ora depois afirma outra diametralmente oposta. Elementos do PSD, ora agora dizem uma coisa, ora agora dizem outra... Catroga por exemplo, que foi "exilado" à força no Brasil porque já andava a falar demais.

O que é certo é que Francisco Louçã deu uma banhada a Passos Coelho no debate, e agora trazendo estas pessoas pouco recomendáveis como Dias Loureiro para seu conselheiro... enfim...


Para juntar a festa... a questão da taxa de juro do Emprestimo do FEEF/FMI, os tais 5,7% Com uma taxa de crescimento económico na ordem de 1 a 2% e com uma inflação de 4%, é completamente impossível a um pais como Portugal pagar este empréstimo. O que vai acontecer a Portugal daqui a 2 anos e que a divida actual vai aumentar, ou seja, vamos pedir emprestado e ainda vamos ver a divida aumentada, devido aos efeitos da inflação e da contracção económica em Portugal.

Neste momento seria preferivel a renegociação da divida, com perdão parcial desta e reescalonamento dos pagamentos. Assim, mais tarde ou mais cedo iremos ter de pedir mais dinheiro emprestado, e como não temos economia, nunca iremos conseguir pagar...



Este pais está perdido... não há hipótese. Penso que existe ai a circular na net uma petição para um referendo sobre o empréstimo, mas isso é inútil, porque os protocolos já foram assinados, alias os nossos governantes criminosos assinaram o protocolo de cruz sem conhecer a taxa de juro. Agora vamos todos pagar a crise.


Só há agora uma saída para esta crise:  - VOTAMOS TODOS EM BRANCO

Só o voto em branco garante que esta canalha seja toda corrida daqui para fora, e que o povo português rejeita o acordo que estes senhores fizeram nas nossas costas!


Vote em branco... pelo futuro de Portugal!


Cumprimentos cordiais


Luís Passos

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Passos quer manter IVA intermédio, Catroga admite que não

Pedro Passos Coelho nega que o PSD queira acabar com a taxa intermédia do IVA, de 13 por cento, aplicada actualmente à restauração, conservas, vinho, margarinas e café. Mas Eduardo Catroga, coordenador do programa eleitoral do PSD, sugere que a taxa intermédia devia acabar para compensar a redução da Taxa Social Única.

No debate realizado na TVI frente a Jerónimo de Sousa, Passos Coelho reagiu às acusações de José Sócrates. "O primeiro-ministro acusou-nos hoje de querer acusar com o IVA intermédio para a restauração o que é absolutamente falso", assegurou o candidato a primeiro-ministro.

O discurso de Passos Coelho contradiz o que Eduardo Catroga afirma hoje em entrevista ao PÚBLICO: “A taxa intermédia do IVA. Quem a criou foi o engenheiro Guterres. No meu tempo havia apenas a taxa mínima e a máxima, tal como na maior parte dos países. Na discussão do OE já quisemos definir o cabaz básico [a que se aplica a taxa mínima], mas o PS não deixou. A taxa intermédia serve para quê? Há aqui um grande potencial de aumento de receita. Tal como há no aumento do IVA da electricidade, são cerca de 400 milhões de euros...”

O PSD, que no seu programa se compromete a não aumentar o IVA, prevê que a alteração das taxas aplicadas a alguns produtos pode dar “alguma margem de manobra: “Não podemos aumentar mais a taxa do IVA, porque o PS o usou para financiar a gordura do Estado - e mesmo assim não chegou. A margem de manobra que temos agora é reestruturar os mixes de produtos das várias taxas do IVA. Temos muitas simulações e Passos Coelho está a estudar isso há meses”, defende Catroga.

À taxa intermédia estão sujeitas as conservas de carne, peixe e frutas assim como o vinho, as margarinas, o café e os serviços relacionados com alimentação e bebidas, normalmente restaurantes e cafés.

As restantes taxas são a mínima, de 6 por cento, essencialmente para produtos de primeira necessidade, e a máxima, actualmente de 23 por cento.
 

Ainda a pouco estava a ouvir o Jornal da 1, e  ouvi o Passos coelho dizer a seguinte piadola:
 - "Não vamos mexer nas taxas nem aumentar o IVA, porém alguns produtos é que poderão mudar de escalão!"
 
DAAAHHHH!!!! Sr. Passos Coelho, se isto não é um aumento encapotado de impostos é o que? Vocês são muito espertos... devem achar que o povo é burro!!!! Merda para vocês! O meu voto não levam!

Cumprimentos cordiais
Luís Passos

domingo, 24 de abril de 2011

Passos Coelho, o homem apaixonado e que faz boas farófias, entrou no mundo cor-de-rosa


Passos Coelho está cada dia mais parvo, o artigo que saiu numa revista cor-de-rosa é uma idiotice de A a Z.
Penso que a ideia que está subjacente é tentar penetrar no eleitorado de classe Média, Média-Baixa, sobretudo ali naquela zona mais familiar e tradicional.

O artigo é uma idiotice pegada, nunca pensei que a politica descesse tão baixo, mas enfim... 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Passos Coelho: "Preferiria mexer no IVA a ter que cortar pensões e reformas"

Passos Coelho garantiu que fará tudo para evitar subidas de impostos e quer a economia a crescer mais de 3%. 
 
O líder do PSD esteve ontem no Clube dos Pensadores, em Gaia, tendo, após as questões do público, voltado a falar da situação fiscal do País.
"A resposta dos impostos torna-se inevitável quando mais nada resulta - não foi por acaso que um dia tive que condescender em dar ao Governo essa possibilidade - mas ela não pode transformar-se, como resposta emergente, na resposta normal e contínua", criticou.
Para Passos Coelho quando esta se transforma numa resposta normal e contínua "significa que os governos não fazem aquilo que é necessário e portanto estão sempre na última instância de ter que fazer o que não deviam".

"Eu preferiria mil vezes - é que nem tenho nenhuma hesitação - em mexer na estrutura do IVA a ter que cortar pensões e reformas. O Governo tomou uma opção inversa", afirmou.
O líder do PSD explicou que "estando a falar de pensões tão baixas, de pessoas que já vivem de rendimentos tão baixos" preferiria "se tudo mais falhasse e a ter que fazer qualquer coisa", poupar as pensões e as reformas e mexer na estrutura do IVA, realçando que não alteraria o IVA nos bens essenciais.
"Vai ser necessário ou não? Eu espero que não. Mas para não me fazerem a critica - que têm feito aos outros, de dizer que não e chegar lá e ver que isto afinal está muito pior, portanto vamos ter fazer - prefiro dizer hoje, com todo o inconveniente que isto possa representar, prefiro ser hoje honesto e dizer não sei, não sei", realçou.
Passos Coelho garantiu ainda que fará "tudo para o evitar".
Governo de "dimensão historicamente pequena" e nomeações na internet

O líder do PSD assumiu ainda o compromisso de, caso seja primeiro-ministro, publicar, na internet, todas as nomeações, uma das medidas de transparência que quer implementar num Governo que será de "dimensão historicamente pequena".
Passos Coelho salientou que, caso vença as eleições a 5 de Junho, um dos seus primeiros compromissos "é apresentar um Governo com uma dimensão historicamente pequena".
"O Governo com menos membros em ministros e secretários de Estado de que há memória em Portugal", sublinhou.

Para o presidente social-democrata é ainda preciso "deixar claro que os membros do Governo não podem recrutar ilimitadamente uma espécie de administração paralela nos seus gabinetes".
"Um membro do Governo tem direito a escolher um chefe de gabinete, uma ou duas secretárias de confiança, um ou dois adjuntos. Acabou. O resto que tiver que recrutar tem que recrutar na administração", avançou.
Para Passos Coelho, "as pessoas que estão no Governo têm que se habituar a dar o exemplo, a andar no seu carro e de transportes públicos".

"Porque todas estas coisas virão no Diário da Republica mas esse não é o jornal que os portugueses mais consultam, nós assumimos o compromisso de publicarmos, todos os meses, com toda a transparência, na internet, todas as nomeações que forem feitas, explicando quem é aquela gente, de onde vêm, que habilitações têm, o que vão fazer e o que vão ganhar. Transparência", explicou.
O líder social-democrata tinha sido questionado pelo fundador do Clube dos Pensadores, Joaquim Jorge, qual seria uma diferença entre ele e o primeiro-ministro demissionário José Sócrates.
"Uma diferença para José Sócrates? Esta", respondeu, depois de avançar com as políticas de transparência.

Crescimento económico de pelo menos 3 a 3,5% é decisivo 

O líder do PSD disse ser decisivo um crescimento económico de pelo menos "3 a 3,5% nos próximos dois, três anos", alertando que sem isso "não há pacotes de
austeridade que valham".
Passos Coelho considerou ser "preciso apostar no crescimento da economia".
"E para pôr a economia a crescer temos que olhar para as PME (pequenas e médias empresas), para as condições de canalizar recursos financeiros para essa actividade, e fazer a aposta no empreendedorismo, valorizar o mérito, pôr de lado a batota e dar
incentivo quer à entrada de capitais externos mas depois queremos que aqueles que estão cá possam ser bem sucedidos", explicou.


Desta entrevista só posso concluir que Passos Coelho ou é um louco ou não percebe nada de economia. Vamos por partes: 
 - Mexer no IVA implica uma subida de preços em todos os produtos, criando medidas recessivas e fazendo retroceder a economia. Além disso é uma medida que é aplicada a todos, ricos ou pobres, não havendo justiça social na sua aplicação. Fazer quem mais recebe pagar um pouco mais é muito mais justo (por exemplo quem tem reformas acima de 1000 euros) do que fazer repercutir a subida do IVA por todos. Aqueles que tem reformas de 150 e 200 euros viam o seu poder de compra diminuir imenso. E nem se pode dizer que haveria vantagem económica, porque mesmo que as pessoas fizessem uma retracção no consumo, os bens essenciais iam ser sempre taxados. 
 - Para quem quer uma taxa de crescimento de 3 a 3,5% ao ano não é com uma taxa de IVA elevada que o vai conseguir. Para além disso, onde está a industria exportadora que consiga gerar emprego, e exportar em quantidade para conseguir esse crescimento? Como e que ele vai conseguir crescimentos de 3,5% se nos ultimamente nem 1% conseguimos crescer? Isto é uma loucura, andamos a fazer cálculos irrealistas. Nos não conseguimos competir com a China nos produtos da gama baixa, não conseguimos competir com paises como a Alemanha ou Japão na tecnologia de ponta, portanto é necessário achar o nicho de mercado em que consigamos ser competitivos.
 - Temos de voltar a agricultura, produzir o que consumimos, se não nunca vamos diminuir o deficit externo.
 - Apostar nos sectores tradicionais, industria extractiva, apostar nos transportes marítimos e construir uma linha férrea em bitola standard de Portugal para IRUN-HENDAYE, para conseguirmos importações baratas e conseguirmos colocar os nossos produtos na europa a baixo custo e potenciar o investimento estrangeiro.
 - Remodelar o sistema de justiça português... Assim como está não vamos lá... a Justiça é cara e ineficiente, e assim ninguém quer vir investir aqui.

Enfim... o pais precisa de levar uma volta de alto a baixo... não me parece que Passos Coelho tenha agilidade para tal... mais parece um Socrates II.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

sábado, 2 de abril de 2011

Vale a pena ler isto!

Campos e Cunha, antigo ministro das Finanças de José Sócrates, diz que "esta crise governamental foi desejada e planeada pelo Governo".
O professor universitário escreve hoje no Público que "há várias semanas que o Governo adivinhava o final desta semana e antecipou- se".
 Diz Campos e Cunha que "como o Governo sabia antecipadamente o que iria acontecer às contas de 2010 e quis precipitar a crise antes do descalabro final; assim, negociou e ajustou um conjunto de medidas (vulgo PEC- 4) apenas e só com os nossos parceiros europeus. Nesse pacote estava tudo o que o PSD tinha vetado em negociações anteriores (PEC- 2 e PEC- 3). Apresentou essas medidas, num primeiro momento, como inegociáveis. O PSD, orgulhoso da sua posição disse um "não" também inegociável.
No dia seguinte, o Governo, dando o dito por não dito, afirmou- se disposto a negociar. Mas o PSD caiu que nem um patinho e o Governo caiu como o próprio queria e planeou".
A partir de agora, continua Campos e Cunha, para Sócrates as culpas são do PSD: "A queda brutal dos ratings, a subidas das taxas de juro, o descalabro das contas públicas serão tudo culpa do PSD (...) que vai passar o tempo a justificar- se, ou seja, perdeu a discussão. Pode não ter perdido as eleições, a ver vamos, mas pode perder a maioria absoluta".
Para o antigo ministro de Sócrates, "estamos a viver um filme de terror em que o drácula culpa a vítima de lhe sugar o sangue. Estamos a viver o malbaratar dos dinheiros públicos durante muitos anos, com especial relevância nos últimos cinco. Estamos a sofrer as consequências da dita política keynesiana de 2009 que teria
permitido que a recessão fosse apenas de 2,6%. Muitos defenderam tal irracionalidade, mas também houve quem chamasse a atenção da idiotia de tal abordagem numa pequena economia, sem moeda própria e sem fronteiras económicas".
"A situação económico- financeira é de tal descalabro que não pode haver eleições antecipadas sem haver uma crise política, económica e financeira de acordo com vários ministros, começando pelo primeiro.
É a constituição e a democracia que está em causa", alerta o mesmo responsável.
Campos e Cunha deixa um alerta aos portugueses: "tudo isto tem um rosto e um primeiro responsável.
Lembrem- se disto no dia do voto e não faltem, nem que seja para votar em branco", conclui.

Recebido por Email

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Bem diziam os Romanos - No sul da peninsula há um povo que não se governa nem se deixa governar

 O Presidente da República entende que o Governo pode pedir ajuda externa, a Comissão Europeia há quinze dias que faz saber que o Governo, do ponto de vista de Bruxelas, pode pedir ajuda externa, a conselheira do FMI acha que só um milagre poderia evitar a necessidade do recurso à ajuda externa, o presidente do Eurogrupo considera que é uma questão de Lisboa definir quem é competente para pedir ajuda externa, o BCE julga que é "uma decisão que só Portugal pode tomar". "Portugal", porém, acha que não tem

- "legitimidade";
- "condições";
- "poder";
- e "a credibilidade que é necessária para poder merecer a confiança que é necessária por parte das entidades externas que nos podem ajudar".

Está finalmente claro por que razão o "Portugal" enterrou, no exacto momento em que enterrou, Portugal numa crise política?


Via Cachimbo de Magritte

Esta frase foi escrita por um general romano em serviço na Ibéria em carta enviada ao Imperador. É atribuída ao General Galba, que teria sido um dos primeiros governadores romanos na península, no Séc III antes de Cristo.

Referia-se o general romano aos Lusitanos, uma tribo guerreia que habitava também uma parte do actual território nacional. Não foi fácil às legiões romana dominarem os Lusitanos que ofereceram acesa resistência. Lembremos um dos seus chefes: Viriato.

Parece que a célebre frase aplicada aos nossos antepassados se pode igualmente aplicar aos portugueses da actualidade. Não nos governamos nem queremos que nos governem.

Num país endividado até ao tutano a quem não faltará muito os credores deixarão de emprestar dinheiro ou então fá-lo-ão com juros incomportáveis, os portugueses continuam a soprar para o lado:
- No Natal de 2010, os portugueses gastaram mais dinheiro do que no ano transacto.
- Ao contrário do que se verifica na Europa, em Portugal acelerou a compra de carros novos no último trimestre de 2010.
- Tudo o que era local de passagem de ano e tudo o que era avião pejou de portugueses.

Poupança? Prevenir o futuro? Investir? Nada disso. Gastar, gastar, gastar. Parece que o pensamento de muita gente anda por aqui: quem vier depois de nós que feche a porta, isto é, que pague as dívidas. Que direito temos nós de fazer pagar às gerações futuros as dívidas que elas não contraíram?

Existe uma burguesia média e média-alta citadinas para quem a máxima é gozar a vida, sem horizontes nem amanhãs. Parece que três deuses enchem por completo o coração desta gente: prazer, ter, e poder. Valores? Que valores? Cada um que se safe! Egoístas até ao fundo, só pensam no seu próprio bem-estar, o resto é paisagem.
E se pensarmos que é esta gente que, através de lobbys bem organizados e pouco ou nada transparentes, está por trás dos decisores políticos, económicos e jornalísticos, compreendemos que estamos bem entregues... A crise começa na ausência de valores, derivam muito daqui as crises económicas e sociais.

Há ainda a célebre mania nacional do dar nas vistas. Da primazia do parecer sobre o ser. "Se o meu vizinho goza, eu também tenho do gozar." Não interessa como, não interesse o futuro que se hipoteca...

Depois queixamo-nos dos políticos. É certo que, na maioria das vezes, com razão. Mas os políticos emergem do povo que somos, são portugueses como os outros. Se os políticos são fracos, é porque nos tornamos num povo fraco.
Ainda não nos habituamos a castigar nas urnas os mentirosos e falsos e a premiar quem nos diz a verdade, mesmo quando esta não nos é agradável. Vejamos o caso das últimas eleições legislativas. Quem é que o povo escolheu? Sócrates. Exactamente aquele que todos já sabiam que não cumpre o que promete, aquele que hoje diz uma coisa e daqui a dias o contrário...

Há ainda uma mentalidade dependentista na sociedade portuguesa. Parece que as Câmaras e o Estado é que têm de fazer tudo. Não queremos o comunismo, mas depois acabamos por proceder como se vivêssemos num estado comunista. Não há emprego? Culpa do Estado e das Câmaras. Não há empresas? Culpa do Estado e das Câmaras? Há pobres? O Estado e as Câmaras que resolvam...
Precisamos de despertar para a cidadania plena, tanto na reivindicação, na vigilância aos governos, na manifestação dos nossos pontos de vista, como na realização, na iniciativa, na solidariedade...
Quanto menos precisarmos dos políticos, menos dependência deles teremos, mas servidores os tornaremos, menos corrupção existirá...

Às vezes parecemos um povo infantil: só causas concretas e imediatas nos movem. Somos capazes de fazer uma manifestação porque na cantina de uma escola foi encontrada uma lagartixa na sopa, mas nunca nos movimentamos por valores.
Como é que um povo sente uma minoria de privilegiados (gestores, boys e muitos ricos) a ganhar loucuras e não se revolta, não se manifesta quando no mesmo país há reformas que não dão sequer para os medicamentos?
Via Viriatus15 
    
Realmente depois deste Carnaval todo... este pais não se governa nem se deixa governar.
O presidente da Republica é o grande culpado da situação actual, com os seus paninhos quentes, "cooperação estratégica" e falinhas mansas isto chegou onde chegou.
 
Neste momento o que Portugal precisa é que o  mais alto magistrado da nação tome as rédias e o pulso do pais no sentido de na ausência do governo tornar o pais governável e evitar um conflito institucional, bem como assegurar o regular funcionamento das instituições.
   
Nada disso está a acontecer, o pais está a partir-se aos bocados, provavelmente a assembleia da republica vai polarizar-se após as eleições, com os votos dispersos pelos partidos não sendo possível fazer compromissos à esquerda e à direita. Em resumo... é o caos completo.
     
O que era necessário era um entendimento entre partidos, a criação de um governo de salvação nacional, em que todos os partidos irão assumir a responsabilidade pelas medidas que irão ser necessárias de forma a tirar-mos o pais da situação actual.
    
De outra forma, como os partidos governam para as clientelas e para as eleições, não se vão fazer as reformas estruturais e vai-se empurrar com a barriga, excepto se conseguirem diabolizar uma entidade externa, como o FMI por exemplo e dizer... Vamos fazer isto mas é porque eles nos impõem, caso contrário... irá ficar sempre tudo na mesma. 
  
Portugal hoje precisa desesperadamente de um estadista, alguém com capacidade de gerir o problema institucional e com enorme sentido de estado. Cavaco não é nada disto. Quem quer não pode e quem pode não quer...
  
Assim vai Portugal!!!
   
Cumprimentos cordiais


Luis Passos 

 

Financial Times: - Portugal apenas ganhou tempo

Caros,
Este excelente artigo de hoje no Financial Times, assinado por Peter Wise, explica como Portugal apenas conseguiu ganhar tempo até as próximas eleições. A ajuda internacional terá de vir mais tarde.
Começo a pensar que Sócrates se vai candidatar as eleições para as perder, e que isto foi tudo um teatro, ou seja, Socrates não quer ganhar estas eleições! Como o pais está na bancarrota e o estado não tem mais dinheiro, provavelmente até poderá haver um colapso total, caso falte dinheiro para fazer face as despesas primárias, Socrates e o PS fizeram as asneiradas e agora saem de fininho, culpando os partidos da oposição da hecatombe causada pela sua acção de fazer cair o governo. Mais sabe ele que as hipoteses de ser reeleito são diminutas.
Realmente Socrates é ainda mais maquiavélico que o que se pensava. Agora não sei o que será melhor, se dar a governação a Passos Coelho para ele vir "assaltar o orçamento" (se é que ainda há orçamento) com os seus boys e continuar o mesmo regabofe, ou recolocar Socrates de novo no governo e fazê-lo pagar o odioso de ter de aguentar o barco em período do crise.
De qualquer modo, Portugal já perdeu a soberania há muito tempo, e estamos a ser governados de Bruxelas. Entre ter uma marioneta Socrates ou uma Coelho, é apenas uma questão de estilo.
Aqui vos deixo o artigo do FT.

“Portugal has gained time with this auction,” said Filipe Silva, head of debt trading with Banco Carregosa. “The operation was a success in that the government was able to borrow at below the market rate. But it’s still paying too high a yield for short-term debt”. 


Cumprimentos cordiais
Luís Passos

segunda-feira, 28 de março de 2011

Standard & Poor"s corta rating a 5 bancos portugueses e ameaça com novo corte a Portugal

A Standard & Poor's cortou, esta segunda-feira, o rating de cinco bancos portugueses e duas subsidiárias, na sequência do corte aplicado à nota de Portugal, e alertam que novo corte ao rating da República pode chegar ainda esta semana.
No comunicado divulgado esta manhã, a agência que cortou o rating de Portugal para BBB -- deixando Portugal apenas dois níveis de sair da escala de investimento - no dia seguinte ao pedido de demissão de José Sócrates, decidiu, esta segunda-feira, cortar o rating de cinco bancos portugueses, deixando ainda as suas notas de longo prazo sob revisão para possível novo corte.
O Santander Totta passa assim de A/A-1 para BBB/A-3, a Caixa Geral de Depósitos passa de A-/A-2 para BBB/A-3, o BES e o BESI de A-/A-2 para BBB/A-3, o BPI de A-/A-2 para BBB/A-3, o BCP de BBB+/A-2 para BBB-/A-3.
A agência explica ainda que retirou as notas de curto prazo destes bancos, com excepção do BCP, de avaliação para possível corte, mas manteve a reavaliação das notas de longo prazo, para possível nova redução.
A explicar o corte dos bancos está a redução aplicada ao rating da República na sequência da recusa da actualização de 2011 do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) pelos partidos da oposição no Parlamento e o consequente pedido de demissão do primeiro-ministro.
Segundo a Standard & Poor's, a demissão do primeiro-ministro "aumentou a incerteza política e aumenta o risco de refinanciamento de Portugal", alertando que as notas dos bancos continuarão em avaliação para possível corte, ficando a "aguardar o anúncio oficial do Mecanismo Europeu de Estabilização".

IN: Jornal de Noticias (JN)

Devido a situação do rating da republica, os bancos levaram por tabela e apesar de apresentarem testes de stress satisfatórios, viram a sua classificação diminuída.

Neste momento Portugal já é considerado LIXO em termos de investimento e isso terá um impacto muito negativo nas nossas taxas de juro me médio-longo prazo.

É mesmo caso para dizer... OBRIGADO PSD, por teres chumbado o PEC... olha só para a merda de trabalho que vocês fizeram... com a vossa gula e sede de poder deixaram o pais e todos os portugueses à rasca. E isto ainda não é nada... é apenas o começo da festa, Portugal está sem governo, anda a deriva, e com uma classe politica de meter nojo.


Isto faz-me lembrar um brulote em chamas (Portugal) que vai completamente desgovernado pelo rio abaixo, incendiando todos os barcos e vegetação que vai encontrando... 


Assim vai Portugal.

Cumprimentos cordiais


Luís Passos

sábado, 19 de março de 2011

O caldo vai entornar!!!! LOL


Primeiro que tudo é bom sabermos onde estamos. E onde estamos é simples de definir: não há memória de um governo ter conduzido o país a uma situação tão desesperada. Nunca, nos últimos 160 anos, a dívida pública, em percentagem do PIB, foi tão elevada. E a dívida externa é a maior dos últimos 120 anos, isto é, a maior desde que o país declarou bancarrota em 1892. Nunca, nos últimos 80 anos, o crescimento potencial da economia foi tão baixo (temos de regressar aos anos da I Guerra para vermos números tão maus). Nunca o desemprego foi tão elevado, nunca houve tantos desempregados de longa duração, nem tantos desempregados qualificados. E desde o início da década de 1970 que não se emigrava tanto, e só o rápido aumento do número dos que abandonam Portugal tem evitado uma taxa de desemprego ainda mais estrastrosférica. Tudo isto sucede depois de vários anos a divergir, de novo, da Europa e de, na “década perdida” de 2000-2010, Portugal ter sido o terceiro país do mundo crescer menos.
Convém ter estes dados bem presentes sempre que nos vêm com a ladainha da “crise internacional”: esta só agravou o que já estava muito mal, esta só permitiu a acumulação de novos erros (como os dos orçamentos eleitoralistas de 2008 e 2009). É por isso que, ao contrário do que sugere José Sócrates (repetiu-o na entrevista à SIC), não é verdade que “o que se passa no nosso país passa-se nos outros países europeus”, pois não há dificuldades semelhantes na Alemanha, na Holanda, na Áustria, na Dinamarca, na Suécia. A situação de Portugal só tem comparação com a da Grécia, em parte com a da Irlanda, e lá, como cá, tem a mesma justificação: governos irresponsáveis que fragilizaram os respectivos países ao ponto de estes ficarem à beira da bancarrota, quando estalou a crise internacional. Mas se esta não tivesse chegado, as crises grega, irlandesa e portuguesa não deixariam de ocorrer: estavam escritas nas estrelas da desgovernação.
O facto de existirem governos maus ou muito maus não é, em democracia, razão suficiente para se interromperem ciclos políticos. Mas já é se esses governos colocarem em causa aquilo que a nossa Constituição define como “regular funcionamento das instituições”. Ora Portugal foi conduzido a um desses impasses por obra e graça da actual maioria e do seu chefe, um José Sócrates que tem da democracia uma visão instrumental em tudo semelhante à dos líderes autoritários. Isso voltou a ficar patente nos últimos dias, em que construiu mais uma teia de mentiras e de logros que um PS amestrado se tem apressado a repetir.
A primeira mentira é que Portugal não precisa de ajuda externa. Não só precisa, como já está a recebê-la. Se não fosse o Banco Central Europeu a emprestar aos bancos portugueses, estes já teriam secado. Se o mesmo BCE não tivesse andado a comprar títulos da dívida portuguesa no mercado secundário, esta não estaria entre os sete e os oito por cento, mas muito acima, talvez acima da Irlanda.
A segunda mentira é que Portugal não negociou o apoio externo, porque não o pediu. Na verdade, foi exactamente isso que o Governo português esteve a fazer nas últimas semanas, e, se não chegaram a Lisboa os senhores do FMI, estiveram por aí técnicos da Comissão Europeia e do BCE. Foram-se esses técnicos que se foram embora poucas horas antes de Teixeira dos Santos anunciar o PEC IV.
A terceira mentira é que Portugal decidiu “antecipar-se” e apresentar o PEC IV na cimeira de sexta-feira. Não foi isso que aconteceu. O que aconteceu foi que a missão da Comissão e do BCE detectaram um buraco nas contas de 2011 e preparavam-se para o reportar ao Eurogrupo. Foi para evitar que isso sucedesse que Sócrates se precipitou. Tudo porque, como reconheceu na SIC, os cenários macroeconómicos do Banco de Portugal, do BCE e da Comissão “não eram tão bons” como os do Governo. Pois não: eram apenas realistas.
A quarta mentira é que o Governo está disposto a negociar as medidas, tal como esteve disposto a negociar uma coligação em 2009. Só que o que então foi uma farsa encenada é agora uma tragédia pontuada por proclamações grandiloquentes. Sócrates não quis negociar nessa altura, como tentou sabotar a negociação do Orçamento do Estado, como não quer negociar agora. Primeiro porque, como se assinala nos telegramas do WikiLeaks, não sabe partilhar o poder, nem sabe negociar. Depois, porque não suportaria ter de voltar a ceder ao PSD e ver este partido reivindicar pequenas vitórias. Finalmente, porque teme que por cada semana que passe seja maior a irritação do eleitorado e maior o futuro desastre eleitoral. Como sempre, é calculista.
A quinta mentira é que Portugal ficaria pior, se recorresse formalmente à ajuda externa. Porém, não ficaria pior nos juros que é obrigado a pagar, pois tanto a Grécia como a Irlanda já estão a pagar juros mais baixos. Também não é certo que ficasse pior nas medidas a tomar, pois Portugal já adoptou um ritmo de consolidação orçamental mais rápido do que o exigido a esses países. Por fim é até provável que ficasse melhor, pois não andaria de PEC em PEC e teria uma política mais coerente e não feita de ilusões entremeadas com sobressaltos.
A sexta e maior mentira de todas é a de que o nosso problema é a confiança dos mercados. Não é: o nosso maior problema é a incapacidade da nossa economia de crescer. Os mercados pedem juros mais elevados porque sabem que, continuando a crescer ao ritmo anémico da última década, Portugal não terá qualquer hipótese de pagar os juros da dívida, quanto mais de começar a amortizá-la. Os mercados sabem que emprestar a Portugal é muito mais arriscado do que emprestar à Alemanha, ou à Holanda, ou à República Checa, e não custa perceber porquê.

Pode-se viver muito tempo com mentiras destas, se elas não significarem o sistemático torpedear do funcionamento da democracia. Ora sucede que, para José Sócrates, a democracia não é o que devia ser – “regras que estabelecem como chegar à decisão política e não o que decidir”, como escreveu Norberto Bobbio -, antes uma formalidade com que o seu formidável ego tem de transigir. As manobras dos últimos dias são apenas os mais recentes atropelos ao normal convívio institucional e tão-somente mais uma demonstração de que, nele, nunca é possível confiar. Não é possível selar um acordo com um aperto de mão, porque no minuto seguinte já o está a trair. Não é possível estabelecer princípios comuns, porque não tem princípios. Não é possível conversar porque só sabe gritar, uma sua especialidade parlamentar.
Nas últimas semanas têm-se sucedido situações que, só por si, teriam feito cair ministros, desde o episódio dos cartões únicos no dia das eleições até às condições em que a mulher do ministro da Justiça viu serem-lhe pagos, pelo ministério, 72 mil euros, passando por uma demissão por razões de perseguição política numa direcção regional do Ministério da Educação. Mas com Sócrates nada se passa. Há muito que, fiéis seguidores do “chefe”, os seus ajudantes perderam qualquer noção de ética. E o pior é que esta degradação dos costumes políticos parece contaminar o país, onde já ninguém se indigna ou sobressalta.
Ao fim de seis anos o país não está só economicamente de pantanas – começa a estar moralmente corroído, começa a achar normal o que é anormal, começa a tolerar, ou mesmo a compreender e a justificar, comportamentos que qualquer democracia adulta rejeitaria com indignação. O estilo de Sócrates, a sua “combatividade” sem regras nem princípios, é a projecção no terreno da política dos métodos do projectista da Guarda, do licenciado da Independente e do ministro do Freeport. É um estilo que contamina tudo em redor e reduz a discussão pública às dicotomias tipicamente caudilhistas do “ou eu ou o caos”.
É também por isso que, esgotada qualquer legitimidade, cortadas por vontade própria todas as pontes, a política portuguesa necessita de abrir as janelas e permitir a renovação do ar contaminado. Ao contrário do que parece conveniente dizer, nem todos são iguais e nem Sócrates é apenas mais um “entre eles”. Tem de se regressar a uma política mais respirável, a um espaço público menos condicionado por jogadas baixas e jogos de spin, mas os tempos de crispação que vivemos só se ultrapassam removendo a infecção. Como no PS só Mário Soares parece ainda vivo, o acto higiénico passa por dar a voz aos eleitores. Todo o tempo que passar até lá é tempo perdido.
 
IN: Publico Via Blasfémias