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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pais em dificuldades estão a 'entregar' os filhos

2731 famílias pediram ajuda, alegando carências e falta de controlo. 

"Já não consigo fazer nada. Por favor, tome conta dela." Foi com este desabafo que a mãe, cansada de ver a filha ausentar-se de noite para sair com más companhias e de não ter controlo sobre ela, foi à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Lisboa/ Centro (CPCJ) "deixar" a filha adolescente. O mesmo fez o pai de duas meninas, de dois e quatro anos, após concluir que não tinha condições financeiras para cuidar delas. "Trouxe-as pela mão e disse: 'já não as quero'." , contam ao DN.
Teresa Espírito Santo, presidente da CPCJ de Lisboa/Centro, diz que só nos últimos dois ou três meses, chegaram cerca de dez casos destes.

In: DN

Cristo, o que está a acontecer a nossa sociedade? Pais que "entregam" os filhos como se de uma casa (hipotecada) se tratasse? Pais que ficaram desempregados e não conseguem suportar as despesas dos filhos... Mães que não suportam a rebeldia das filhas... enfim! Que sociedade é esta em que vivemos? Onde estão os valores? 

Penso que desde que se destruiu o conceito de família nuclear como base da sociedade, este tipo de fenómeno se tornou cada vez mais rotineiro. Sem os valores que antigamente eram transmitidos no seu da família, é óbvio que a sociedade se tornou mais desumanizada, mais egoísta  e sem valores.

O resultado está a vista...

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

terça-feira, 31 de maio de 2011

Desemprego atingiu novo máximo histórico de 12,6 por cento

A taxa de desemprego em Portugal atingiu novo máximo histórico de 12,6 em Abril, tal como terá acontecido já em Março, segundo o valor revisto anunciado também hoje pelo Eurostat.
 
O valor hoje divulgado faz Portugal saltar de décimo para oitavo país com maior taxa de desemprego na UE, mantendo a sexta posição na zona euro. O aumento do desemprego terá sido mais sentido entre os jovens com menos de 25 anos, cuja taxa está já claramente acima de 27 por cento desde Março.

O valor mais elevado até agora divulgado para o desemprego em Portugal tinha sido o do INE relativo ao primeiro trimestre do ano, de 12,4 por cento, reflectindo um salto devido a uma alteração no método de recolha de informação por inquérito. No trimestre anterior, tinha sido de 11,1 por cento.

O salto de valores registado pelo INE com a alteração de método justifica também que nos dados hoje divulgados o Eurostat proceda a uma revisão em alta, numa amplitude maior do que é habitual, dos seus valores para o primeiro trimestre. Para Janeiro, Fevereiro e Março, os seus valores passaram de respectivamente 11,2, 11,1 e 11,1 por cento para 12,2, 12,5 e 12,6 por cento – o mesmo valor de Abril.

O valor hoje anunciado para Abril e Março constitui um novo máximo alguma vez registado para a taxa de desemprego em Portugal, quer desde que o INE acompanha o desemprego (segundo trimestre de 1983), quer desde que há registo nas séries longas do Banco de Portugal, que no caso do desemprego remonta a 1953 e utiliza um conceito mais lato que o actual.

Além de reflectir as alterações no método de recolha de informação introduzidas pelo INE, a forte subida registada entre o final de 2010 e o início deste ano decorre também da deterioração da actividade económica na sequência das medidas de austeridade que entraram em vigor no início do ano. Quando divulgou a taxa para o primeiro trimestre com a nova metodologia, o INE anunciou também que, pelo método anterior, a taxa teria subido de 11,1 por cento no último trimestre do ano passado para 11,4 por cento.

As previsões do Governo apontavam para que o desemprego continuasse a subir pelo menos até 2013, para 13 por cento, valor que afinal poderá ser ultrapassado, atendendo à subida já registada ainda antes de entrarem em vigor as medidas de ajustamento orçamental decorrentes do Memorando de Entendimento com a UE e o FMI.

No conjunto dos 17 países da zona euro a taxa de desemprego em Abril manteve nos 9,9 por cento que se registam desde Fevereiro, enquanto nos 27 da UE desceu uma décima, para 9,4 por cento em Abril. A Espanha, que tem o valor mais elevado, mantém uma taxa de 20,7 por cento,

Os dados do Eurostat devem ser encarados com prudência, pois têm por base os de cada país, que são depois tratados com uma metodologia que visa harmonizá-los, sendo frequentemente sujeitos a revisões, ainda que geralmente de poucas décimas, em função dos dados novos que vão sendo divulgados pelas autoridades de cada país. No caso português, o Eurostat utilizada os dados do inquérito ao emprego do INE e os do IEFP, relativos aos inscritos nos Centros de Emprego.

Caros amigos,
 
A manter-se esta tendencia, poderemos igualar a Espanha em valor percentual até ao final do ano!
O ajustamento vai ser doloroso!
 
Cumprimentos cordiais

Luís Passos

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Desempregados sem subsídio são já 54 por cento dos inscritos

De repente, Portugal tornou-se num país com uma situação social mais degradada. Fruto da nova metodologia seguida pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no seu Inquérito ao Emprego, o número de empregos caiu e o desemprego subiu.


A taxa de desemprego saltou de 11,4 para 12,4 por cento. E subiu a fatia dos desempregados que procuram um novo emprego sem receber qualquer subsídio de desemprego. No primeiro trimestre de 2011, eram 54 por cento desse grupo quando no trimestre anterior eram tidos como sendo 48 por cento.

Ainda não se conhece inteiramente por que razão técnica os "novos" números do mercado de trabalho sofreram esta evolução. Mas possivelmente tem que ver com as lacunas dos números anteriores.

Em Janeiro passado, os responsáveis do INE já tinham alertado para as alterações. Apesar da perturbação que cria sempre uma quebra de série - por impedir a comparabilidade dos números históricos -, a alteração foi tida como "necessária", à semelhanças das ocorridas em 1983, 1992 e 1998. Alegou-se que era algo que já estava em estudo desde 2006 e que seria menos intrusivo para a vida das famílias inquiridas por ser feita por telefone. Isso reduziria os tempos de recolha e, por isso, diminuiria em 40 por cento os custos para o INE (800 mil euros anuais). Mas também uma melhoria das taxas de resposta: dos actuais 60-70 para 80 por cento.

Ontem, a nota do INE descreveu a nova metodologia: "A primeira entrevista é feita presencialmente e as cinco inquirições seguintes por telefone", quando a familía inquirida o autorizar. Nada mais muda, nomeadamente "os objectivos, periodicidade, amostra, esquema de rotações, classificações, conceitos e idade de referência da população activa".

Mas se assim é, como é possível que apenas uma forma diferente de inquirição à mesma amostra resulte numa descida de quase 80 mil pessoas empregadas (de 4945,7 para 4866 mil) e uma subida de 55,6 mil desempregados (de 633,3 mil para 688,9 mil), fazendo a taxa de desemprego saltar um ponto percentual? O INE não soube esclarecer esta dúvida do PÚBLICO. A resposta que enviou repetiu a metodologia descrita.

Recibos verdes são 129 mil

Quando é alterada a metodologia, verifica-se uma quebra da série histórica e os números deixam de ser comparáveis com os do passado. O INE comprometeu-se a assegurar a comparabilidade com os dados passados, mas ontem só foi fornecido o número de empregados, dos desempregados e a taxa de desemprego estimada com as duas metodologias. Por isso, apenas é possível traçar a nova fotografia do mercado de trabalho no primeiro trimestre de 2011.

Dos 5554,8 mil activos (menos 0,4 por cento que no mesmo período de 2010), havia 688,9 mil desempregados (mais 6,9 por cento de variação homóloga). Daqui resulta uma taxa de desemprego de 12,4 por cento, muito próxima já dos 13 por cento estimados pela Comissão Europeia para 2012.

A subida do número de desempregados situa-se sobretudo no escalão mais jovem. "Antes", no quarto trimestre de 2010, havia 95,5 mil desempregados até 24 anos; "agora", passou-se para 123,9 mil. A taxa de desemprego entre os jovens passou de 23 para 27,8 por cento. Mas o "novo" desemprego pesou também entre os desempregados com idades entre 35 e 44 anos - de 139,4 mil para 160,4 mil.

Os desempregados de longa duração são já 53 por cento do universo. Dos que procuram um novo emprego, são mais de 56 por cento os que o esperam há mais de um ano, mas apenas 46 por cento deles recebe subsídio de desemprego. Mas caso se conte com os que procuram um primeiro emprego, então apenas 31 por cento dos desempregados recebe subsídio. Haverá ainda que contar com 173,9 mil pessoas que gostariam de trabalhar mais horas. Esse "subemprego visível" situou-se em 3,6 por cento.

Mas a fotografia dos que tinham emprego não parece ter melhorado. Até 2010, os números estimados pela anterior metodologia mostravam que, de Junho de 2008 ao final de 2010, a crise "fechou" 262 mil postos de trabalho no sector não público, enquanto o emprego no Estado subiu até 42 mil pessoas. No primeiro trimestre de 2011, o emprego caiu 1,3 por cento face ao mesmo período de 2010.

Não há base de comparação, mas Portugal ainda era um país essencialmente de serviços. Mais de 62 por cento dos empregados trabalhavam nos serviços. A maioria estava no comércio (23 por cento), na educação (12,6 por cento), saúde e apoio social (11,6 por cento) e na administração pública (10,3 por cento). Havia apenas 17 por cento na indústria e 9,2 por cento na construção, contra dez por cento na agricultura e pescas.

A maior fatia - 62 por cento - tinha o ensino básico. A esses, soma-se os que tinham o ensino secundário - 19 por cento. A mão-de-obra jovem é diminuta - 6,6 por cento. A maior fatia tinha idades superiores a 45 anos - 41,8 por cento. Uma matriz de habilitações que não protege do desemprego.

Os trabalhadores por conta de outrem representavam 78 por cento do total de 4,866 milhões de empregados. Cerca de 22 por cento tinham um contrato a prazo. E, entre esses, havia 129 mil que eram prestadores de serviços (como os falsos recibos verdes).


A situação está negra, 54 por centro dos desempregados já perderam o apoio social. Um dos indicadores para medir bem a situação é o numero de casas que as famílias vão começar a entregar aos bancos. Como não têm dinheiro para pagar as prestações, vão perder as casas.

Outro bom indicador é o numero de pessoas a procura do primeiro emprego, ai também se poderá medir a taxa de absorção laboral e em que áreas é que a absorção é maior e menor.
Penso que até ao final do ano devemos chegar aos 800 mil desempregados e isso é péssimo, porque temos uma economia rastejante na ordem do 1%, inflação de quase 4% e temos taxas de juro do emprestimo do FMI a 5.7%. Como é que vai ser?

Cumprimentos cordiais

Luís Passos