segunda-feira, 4 de abril de 2011

Italian Line TN Michelangelo - O FERRARI DOS MARES

Caros,

A propósito do post Ferrari of the Seas publicado no blog Ships & the Sea - Blog dos navios e do Mar, de Luis Miguel Correia, sobre o navio Transatlântico italiano Michelangelo, resolvi adicionar umas coisinhas porque gosto muito do navio em questão.



Este navio tinha um irmão gémeo, o Raffaelo. Foram os ultimos paquetes construídos em Itália exclusivamente para o transporte de passageiros no Atlântico Norte. Construídos nos anos 60, já com o Boeing 707 a operar comercialmente, foram um fiasco do ponto de vista económico. No entanto, são de um exemplo perfeito de exercício de estilo e arte.

Assim, deixo-vos um vídeo com uma visita guiada ao grande paquete e ainda o vídeo de uma travessia do Atlântico Norte.


Um video de uma travessia do Atlântico a bordo do Michelangelo em 1965


Um pouco de historia:

SS Michelangelo foi um transatlântico italiano construído em 1965 para a Italia Line, pelos Estaleiros Ansaldo di sestre Ponente, Génova. Ele foi um dos últimos navios a serem construídos principalmente para o serviço de linha regular em todo o Atlântico Norte. Seu irmão Gémeo foi o Raffaello.

A Italia Line tinha começado a desenhar os novos navios em 1958. Originalmente era  para ser apenas um e ligeiramente maior do que o SS Leonardo da Vinci, que ainda estava a ser construído, mas os aviões a jacto ainda não tinham efeito sobre a área do Mediterrâneo à época e um par de supertransatlânticos verdadeiros parecia ainda ser uma ideia atraente, não do ponto de vista comercial, mas também do ponto de vista da criação de trabalho para os marinheiros e trabalhadores do estaleiro. Por isso, foi decidido que os novos navios seriam os maiores a ser construído em Itália desde o SS Rex em 1932.

Foi decidido que os navios seriam verdadeiros transatlânticos, sendo as acomodações divididas em três classes. Por alguma razão, foi também decidido que os três decks para passageiros mais inferiores não teriam aberturas para o exterior (vigias). Alegadamente, sem as vigias o casco pareceria mais "streamlined", mas isso parece improvável dado que navios de comprimento similar / largura foram construídos com janelas ao longo de todo o casco. Independentemente das deficiências na sua concepção inicial,estes navios estavam muito avançados no campo tecnológico. A característica mais marcante no navio eram as suas chaminés concebidas pelo Instituto Politécnico de Turim, que consistiam numa tubagem intrincada em treliça (em vez da superfície tradicional) para permitir que o vento passe pela chaminé e empurre o fumo junto ao deflector de topo
. Embora muito criticado, o modelo de chaminé provou ser altamente eficaz na manutenção do fumo longe dos decks da popa. A utilização de deflectores de fumo tornou-se popular na concepção de navios durante os anos 1970 e 1980. A ideia  de utilizar o vento a passar por dentro da chaminé foi novamente utilizada no final de 1980 e é quase a norma da construção naval moderna.

Os interiores do Michelangelo foram projetados por arquitetos navais Nino Zoncada, Vincenzo Mónaco e Amedeo Luccichenti, que deu a um navio um ar mais tradicional do que o seu navio gémeo Raffaello.

Depois de diversos atrasos o Michelangelo, sob o comando do Comandante Mario Crepaz, estava finalmente pronto para o serviço em Maio de 1965. Durante os testes no mar foram detectadas algumas vibrações na popa do navio. Michelangelo foi colocado em doca seca em Dezembro de 1965 e recebeu novos hélices e algumas modificações na transmissão. Ele registou 31,59 nós durante sua ensaios pós-remodelação, fazendo dele o quinto navio de passageiros mais rápido do mundo na época.


Em abril de 1966 Michelangelo, sob o comando do Comdt. Giuseppe Senior Soletti, foi atingido por uma onda gigante durante uma grande tempestade no meio do Atlântico, que provocou o colapso da  parte da frente de sua superestrutura. Dois passageiros caíram ao mar. Um membro da tripulação morreu  e mais de 50 pessoas ficaram feridas. Quando as reparações foram realizados, o revestimento de alumínio na superestrutura foi substituído por placas de aço. Reparação semelhante foi realizada no Raffaello e outros navios contemporâneos, tais como SS United States e SS France.


Durante os anos seguintes o número de passageiros nas rotas transatlânticas diminuíram de forma constante devido à concorrência dos aviões, e cada vez mais navios eram retirados de serviço. O Michelangelo passou mais tempo viajando para águas mais quentes. Nunca foi um bom navio de cruzeiro pois tinha cabines sem janelas e layout de três classes. Tinha  grandes "decks lido" que eram superiores aos dos navios de cruzeiro, mas isso não foi suficiente para compensar as deficiências do navio, e a Italia Line não dispunha de  recursos para reconstruir o navio para torna-lo em navio de cruzeiro. Para além disso, ele foi à época considerado grande demais para ser um navio de cruzeiro.

O navio mais emblemático de Itália, o SS Michelangelo fez Atlântico última travessia em Julho de 1975, sob o comando do Cmdt.Claudio Cosulich Senior. Depois foi atracado em La Spezia juntamente com o seu irmão Raffaelo. Vários compradores (incluindo Knut Kloster da Norwegian Cruise Line) inspeccionaram os navios, mas ninguém quis comprá-los devido aos custos necessários para modernizá-los de acordo com as normas aplicáveis. Houve um comprador, a Home Lines, que desejava comprar os navios e mantê-los sob bandeira italiana para cruzeiros nas Caraíbas. A linha italiana recusou vender, alegadamente porque sentiram mantendo a bandeira italiana teria a empresa Italia Line o cunho de "perdedores de dinheiro" por não terem aproveitado a oportunidade. É o típico não faz nem deixa fazer.

Em 1976 foi encontrado um comprador que concordou com os termos da venda impostos pela Italia Line.
  O do Irão comprou a navios, para serem utilizados como quartel flutuante. Os navios que custaram $ 45 milhões cada e foram agora vendidos ao preço de US $ 2 milhões por navio. O Michelangelo terminou a carreira em Bandar Abbas, onde foi passar os próximos quinze anos.


Em 1978, foram feitos planos para reconstruir o navio como o luxuoso navio de cruzeiro Scia Reza il Grande (em homenagem ao Xá Reza). No entanto, uma equipa de peritos enviados da Itália para inspeccionar o navio chegou à conclusão de que ele estava em muito mau estado. Deteriorou a ponto de tornar a reconstrução uma opção inviável. Planos semelhantes foram feitas novamente em 1983, mas também ficaram em "banho Maria". Finalmente, em Junho de 1991, pôs-se termo ao sofrimento do Michelangelo, quando ele foi abandonado no Paquistão para demolição.


Ficha Técnica
Tipo:Transatlântico
Deslocamento:45,911 GRT

9,192 metric tons deadweight (DWT)
Comprimento:275.81 m (904 ft 11 in)
Boca:31.05 m (101 ft 10 in)
Calado:10.40 m (34 ft 1 in)
Motores:4 × Ansaldo steam turbines
combined 64902 kW
Velocidade:26.5 kn (49.08 km/h; 30.50 mph)
Passageiros:1775 passengers
(535 1st Class, 550 Cabin Class, 690 Tourist Class)
Tripulação:725
Notas:Irmão Gémeo SS Raffaello

Fontes: Youtube e Wikipedia

Juros das obrigações portuguesas renovam máximos históricos

A taxa de juro que os investidores exigem para deter obrigações portuguesas encontra-se em máximos históricos na maturidade de 10, cinco e dois anos. 

 A taxa de juro da dívida a dois anos continua acima da remuneração das obrigações com maturidade a 10 anos. Um sinal de que existem receios de que Portugal incumpra o pagamento da dívida e algo que já acontecia desde 2004 com a dívida portuguesa.

Nas obrigações a 10 anos os juros avançam sete pontos base para 8,583% e fixaram hoje um máximo histórico nos 8,603%. Na maturidade de dois anos a “yield” sobe 10,7 pontos base para 8,811%, segundo as taxas de juro genéricas da Bloomberg.

Os juros da dívida a cinco anos apreciam 11,6% para 9,858% e encontram-se próximo do máximo de 9,878% registado esta manhã.

A taxa de juro das obrigações gregas está hoje a subir, depois de o jornal alemão “Der Spiegel” ter divulgado que o Fundo Monetário Internacional (FMI) está a pressionar o governo de Atenas a reestruturar a dívida pública.

A taxa de juro das obrigações alemãs está em alta pela oitava sessão consecutiva. A pressionar o preço das “bunds” (cujo preço oscila em sentido contrário ao dos juros) está a expectativa de que o Banco Central Europeu ()BCE aumente as taxas de juro de referência para a Zona Euro, o que pressiona o valor das obrigações no mercado.

Isto depois de o presidente do BCE ter sinalizado uma subida dos juros no dia 3 de Março e de ter sido divulgado, hoje, uma subida anual de 6,6% nos preços cobrados à indústria, segundo os dados da Comissão Europeia. Um ritmo de subida dos preços que é o mais elevado desde Setembro de 2008. 


As coisas estão negras para o nosso lado...

Quem poder emigrar que o faça agora!!!
Cumprimentos

Luís Passos

Ernst & Young: Portugal vai entrar em recessão e deverá pedir ajuda externa antes de Junho

Portugal vai enfrentar uma recessão este ano, com uma quebra de 1,1% do PIB, e deverá pedir ajuda externa antes do mês de Junho, prevê a Ernst & Young num relatório hoje divulgado.

Segundo as previsões de primavera do "Ernst & Young Eurozone Forecast", o relatório trimestral que efectua a previsão da evolução macroeconómica em todos os países da Zona Euro, a demissão do primeiro-ministro, José Sócrates, no final de Março demonstra que "o país vai precisar de recorrer à ajuda externa, seja do Fundo Monetário Internacional (FMI), seja do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) antes de Junho, a data mais crítica nos reembolsos de dívida".

A Ernst & Young considera que, até ao momento, "os esforços para acalmar os mercados não têm tido os benefícios esperados", uma vez que a República Portuguesa terá de devolver ao mercado 10 mil milhões de euros, até Junho.

Apesar de as medidas de austeridade "começarem a dar sinais de melhoria das finanças públicas, é mais que provável que Portugal entre em recessão este ano", prevê a Ernst & Young, que estima uma queda do PIB de 1,1% este ano.

De acordo com a estimativa, o PIB português só deverá dar sinais de recuperação em 2012, ano em que deverá situar-se nos 0,7%. Em 2013, deverá crescer 1,4%, em 2014 1,6% e, em 2015, deverá subir 1,8%, de acordo com as previsões dos analistas.

Tal como aqui tinha previsto, muito provavelmente antes de Junho o pais vai bater na parede, dado que não há capital disponível para pagar os encargos da divida que vence no inicio de mês de Junho. Foi dinheiro que pedimos emprestado e que agora vamos ter de pagar.

Muito provavelmente com a instalação do FEEF/FMI aqui em Portugal, vai-se verificar um corte muito duro e cego na despesa publica bem como outras restrições que vão gerar acções recessivas. Espera-se um aumento da taxa de desemprego... muito em breve.

Quem puder... que vá já fazendo um pé de meia.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos
 

Doze nomeações publicadas por dia em DR desde demissão

O ministro da Administração Interna fez oito nomeações, no dia antes de o primeiro-ministro apresentar a demissão a Cavaco Silva. Rui Pereira é o recordista das nomeações e promoções publicadas na última semana em "Diário da República", mas os restantes elementos do executivo também contribuíram para as 85 nomeações e 71 promoções já publicadas. O Governo sublinha que só foi feita uma nomeação após a demissão e o resto são publicações.

Diretores-gerais, adjuntos de gabinetes e diplomatas estão entre os 156 nomeados e promovidos, cujas indicações foram publicadas desde 24 de março. As contas foram feitas pelo “Diário de Notícias” e são apresentadas na edição deste domingo.

O jornal concluiu que a média de nomeações por dia, 12, é superior às nove nomeações diárias efetuadas após a aprovação do PEC III. Entre as 85 nomeações, apenas 27 são "em regime de substituição”. O ritmo de nomeações é superior ao do primeiro mandato de José Sócrates e ao dos governos de Durão Barroso, Santana Lopes e António Guterres.

O "Diário de Notícias" nota que não está a ser aplicada a regra definida para as substituições na administração pública: “saem dois, entra um”.

O Governo demissionário não teve dúvidas sobre a legitimidade das nomeações e garante que as nomeações já estavam previstas.

Aos jornalistas, convocados pelo secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros é sublinhado que "muitas das nomeações foram feitas em janeiro, em fevereiro, e apenas foram publicadas após 23 de março".

"É completamente falso que essas nomeações tenham sido feitas depois do pedido de demissão do primeiro-ministro", faz questão de esclarecer João Tiago Silveira, que remete para as datas da nomeação indicadas no "Diário da República".

"A única exceção corresponde ao coordenador nacional de saúde mental, que é um cargo não remunerado", acrescenta, sobre a nomeação de Álvaro de Carvalho. 

Entre os nomeados citados pelo "Diário de Notícias" estão adjuntos dos secretários de Estado do Orçamento, da Administração Local, Administração Interna e Administração Pública, bem como diplomatas para a Representação Portuguesas na União Europeia (REPER) e elementos para as comissões da Igualdade de Género e Planeamento de Emergência no Transporte Marítimo.

O ministério da Administração Interna foi o recordista nas nomeações, com 19 novos elementos e 47 promoções, todas na Guarda Nacional Republicana. O ministro da Administração Interna assinou os despachos de nomeação a 22 de março, o dia anterior ao primeiro-ministro anunciar o pedido de demissão.

Na lista dos que mais nomearam segue-se a Presidência do Conselho de Ministros, com 13 designações, e o ministério da Defesa, com nove nomeações e 24 promoções.

Com as eleições marcadas para 5 de junho, algumas nomeações como a de um elemento do gabinete da ministra da Cultura, referem que esta vigora enquanto a ministra Gabriela Canavilhas se mantiver no cargo.

O ministério da Justiça foi o único a não fazer qualquer nomeação.

 In: RTP

Entrevista a Sócrates inaugura direcção de Informação de Nuno Santos na RTP

Uma entrevista ao primeiro-ministro, José Sócrates, na próxima segunda-feira, vai inaugurar o mandato de Nuno Santos à frente da direcção de Informação da RTP.
 
Esta entrevista será conduzida por Vítor Gonçalves, o novo director adjunto de informação diária, e por Sandra Sousa e marca o início de uma série de entrevistas políticas previstas para o período que antecede as eleições antecipadas, com todos os líderes partidários.

Toda a prioridade para a informação na RTP foi hoje anunciada, em conferência de imprensa por Nuno Santos que apresentou a equipa que com ele trabalhará na direcção.

Além de Vítor Gonçalves, três membros transitam da anterior direcção: José Manuel Portugal, Luis Costa e Miguel Barroso. A direcção integrará ainda dois novos elementos, Luis Castro e Rosário Domingos. Manuel da Costa será o responsável pela Produção.

Sobre a mudança que está a gerar contestação a norte, a integração da RTP N na direcção de informação, em Lisboa, Nuno Santos revelou que se vai encontrar ainda hoje com o responsável do canal do Porto, José Alberto Lemos, para lhe transmitir a sua perspectiva sobre "o que deve ser a RTP N", reservando mais informações sobre o assunto para depois mas garantindo, desde já que serão feitas "muitas horas de emissão do Porto".

Em véspera de eleições, Nuno Santos anunciou ainda a realização de um programa de entrevistas de 25 minutos, a dez individualidades, conduzidas por Fátima Campos Ferreira. Mário Soares será o primeiro convidado. Entre os outros destacam-se o cardeal patriarca D. José Policarpo, Belmiro Azevedo, Ramalho Eanes, Ricardo Salgado, Jorge Sampaio e Carvalho da Silva.

Sob o lema de "Portugal e o Futuro" será ainda realizado um programa no Convento do Beato, em Lisboa, no qual se pretende "tomar o pulso ao país". Fátima Campos Ferreira e Adelino Faria vão ouvir banqueiros, economistas e políticos acerca do rumo que deverá ser dado ao país.
Repórteres em directo de vários pontos de Portugal farão o retrato da sociedade e correspondentes darão o contributo para o debate em diversos países, num olhar "de fora para dentro".
O novo director de informação disse ainda que tenciona "voltar à antena", mas não de forma regular.

 
 Bem, lá vamos ver o nosso PM a vitimizar-se e dizer que não o deixaram governar, (o que até certo ponto não deixa de ser verdade, o chumbo do PEC IV foi uma bazucada nos dois pés para o país) mas, importante será ouvi-lo dizer quais as soluções e projectos que tem para nos tirar do pântano caso ganhe novamente as eleições.

Ou muito me engano, ou Socrates não quer ganhar as eleições,  e deixar a batata quente para Passos Coelho, ou este debate vai ser um total vazio em termos de ideias e projectos, sendo apenas uma sessão de choradinho do tipo.... "ai mãeee... aquele moço bateuuu-meeeee!".

Vamos la ver então o que vai sair dali.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

Portugal tem mais de 800 mil eleitores-mistério

Emigrantes, mortos e duplicação de registos explicam a diferença entre a base de dados eleitoral e a população portuguesa
Em Portugal estão registados nos cadernos eleitorais 9,6 milhões de portugueses, mas de acordo com as contas feitas pelo i com base em números oficiais só existem pouco mais de 8,54 milhões de portugueses com idade superior a 18 anos. Descontando emigrantes registados, há ainda cerca de 879 mil eleitores que estavam inscritos na base de dados do recenseamento eleitoral (e que contaram para os números finais da abstenção das eleições presidenciais de domingo) de que não se conhece o paradeiro.

Os números ganham outros contornos se se fizer contas aos resultados das presidenciais. São mais os eleitores-mistério do que o número de votos alcançados pelo candidato apoiado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda, Manuel Alegre.

A diferença entre o número de eleitores registados na base de dados da Direcção Geral da Administração Interna (DGAI) e os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) - que apenas estima a população residente com idade superior a 15 anos - demonstram uma diferença de cerca de 600 mil pessoas. A estes dados, o i foi buscar o número de alunos inscritos no ensino secundário em 2009 com idades entre os 15 e os 18 anos (ver números ao lado) que não estão ainda nos cadernos por não terem idade de votar e acrescentou mais 23%.

De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, apenas 77% das crianças nessa idade estão matriculadas, o que aumenta ainda mais o fosso dos dados eleitorais. Pesa do outro lado da balança os eleitores inscritos no estrangeiro, 209 mil pessoas.

São sobretudo os emigrantes que contribuem para as diferenças abissais entre os números. Rui Oliveira e Costa, da empresa Eurosondagem, explicou ao i que a grande disparidade é justificada por três factores: "Os eleitores que já morreram, os que emigraram e a duplicação de registos que às vezes acontece". Estes últimos, explicou "são uma percentagem residual".

A mesma justificação é dada pelo porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, Nuno Godinho de Matos: "A explicação tem a ver com os emigrantes. Não são residentes em Portugal mas estão cá recenseados. Regra geral têm o grande cuidado de ter a documentação portuguesa em dia".

O investigador Pedro Magalhães, do Instituto de Ciências Sociais, não é tão peremptório. Para o especialista, os dados do INE "não correspondem exactamente à população real" e por isso é necessário "o recenseamento da população [os Censos deste ano], que vai ajudar a perceber" a situação dos cadernos eleitorais portugueses.

Rui Oliveira Costa tem os números do INE em boa conta. "O Parlamento Europeu, quando atribui o número de deputados a cada país, atribui com base nos números do INE, que são mais credíveis, e não com base nos cadernos eleitorais que são sempre inflacionados."

Com o registo automático dos eleitores que tiram o cartão do cidadão, o recenseamento passou a ser "online, automático e permanente", explicou Godinho de Matos. E a limpeza dos registos dos mortos? "É feita mais ou menos em permanência, mas há uma eliminação automática de eleitores com mais de 110, 115 anos."

O aparecimento de pessoas que já morreram nos cadernos eleitorais continua a ser uma realidade apesar de a limpeza ser feita constantemente; mesmo assim, diz Rui Oliveira Costa "ainda não se conseguiu a eficácia satisfatória nesta situação".

Abstenção Técnica A existência de uma diferença entre os registos - a chamada abstenção técnica - é natural para os investigadores. "A abstenção técnica toma forma nas pessoas que estão nos cadernos eleitorais mas não residem no país" - o que na Europa é considerado "razoável se atingir 3%", diz Rui Oliveira e Costa. O problema, explica o director da Eurosondagem é que "parece-me que em Portugal é superior a isso". Um estudo feito há cerca de dez anos mostra que a "abstenção técnica era de cerca de 10%".
 
Liliana Valente

Depois de ler este texto, é legitimo perguntar... será que temos eleições livres e justas em Portugal? Será que não aldrabice na contagem dos votos? Será que resultados eleitorais já não foram adulterados com base em expedientes utilizando estes "fantasmas"?
 
Historias já tenho ouvido algumas, mas nunca lhes dei crédito, porque sempre achei que o nosso sistema de contagem de votos no fecho da urna e com elaboração de relatório, selagem dos votos e e envio de resultados online era infalivel e a prova de corrupção.
Agora já não sei se é!... 
 
Cumprimentos cordiais
Luís Passos

Faro: Tribunal da Relação anula despejo da Associação de Músicos

O sector do comércio em Portugal, que emprega cerca de 750 mil pessoas, perdeu nos últimos cinco anos 50 mil empregos com a crise económica. Algarve é das zonas mais críticas. 

O Tribunal Judicial de Faro considerou a 1 de Outubro de 2010, seis meses após ter sido contestada ação, não existir necessidade de julgamento para que se efetivasse o despejo dos armazéns junto à estação da CP de Faro, onde a empresa imobiliária Cleber,SA pretendia erigir um condomínio de luxo, no local onde está a funcionar a sede da Associação Recreativa e Cultural de Músicos (ARCM).

Não é esse o parecer do Tribunal da Relação, instância superior para a qual os músicos recorreram, invocando que o contrato de arrendamento entre a associação e a anterior senhoria do espaço fora renovado a 1 de novembro de 2007 e por 5 anos, por não ter sido denunciado dentro do prazo legal.

Os argumentos da ARCM para discordar dos fundamentos da sentença e pondo em causa alegadas “fragilidades” da decisão do Juiz de 1ª instância de Faro foram aceites pelo Tribunal da Relação de Évora.
Em acórdão de março de 2011 a Relação acolhe os argumentos da ARCM, ordenando a anulação dos autos a partir da altura da entrada da a contestação dos mesmos e, ainda, que se realize o julgamento que o tribunal de Faro considerara desnecessário.

A CLEBER,SA, actual proprietária do espaço, vai ter agora de apresentar provas em julgamento contra a inquilina ARCM para que o despejo se concretize.
Para a associação, a ação de despejo põe em risco a continuidade deste trabalho e lembra que, “apesar dos esforços desenvolvidos junto das diversas entidades responsáveis e com competências nas áreas em que a ARCM desenvolve actividade, nomeadamente juventude e cultura, ainda não foi encontrada uma solução de realojamento definitivo”, refere o comunicado da ARCM.

Assim, a direção da ARCM congratula-se pela decisão do Tribunal da Relação e espera que o julgamento traga a possibilidade de se defender e "permita o esclarecimento sobre o direito de, enquanto inquilina, continuar a ocupar as atuais instalações e desenvolver as suas atividades, enquanto não houver solução alternativa de realojamento garantida".

A ARCM acolhe em 18 salas de ensaio, 31 bandas que juntam mais de 150 músicos de todos os estilos de música, infraestrutura que também serve de espaço de apoio a mais de 500 sócios, assim como grupos de dança, teatro, coletivos de DJ’s e outras associações que, por falta de espaço próprio, desenvolvem ali as suas atividades.

Ao longo de todo este processo a ARCM realizou uma série de acções, seja para sensibilizar a população para a importância do trabalho que desenvolve há 20 anos, entre elas ensaios de rua com o lema “sem casa os músicos tocam na rua” e uma manifestação silenciosa com cerca de um milhar de pessoas.
Houve ainda na sua sala de espetáculos, diversos concertos para a angariação de fundos, visando a construção da nova sede. 

A ARCM reivindica estar a desenvolver um projeto sem fins lucrativos, mas financeiramente autossuficiente que "serve transversalmente a comunidade farense, a cultura da região e cria as condições necessárias à liberdade criativa e de expressão".


domingo, 3 de abril de 2011

Zapatero anuncia que não será candidato em 2012

MADRID — O presidente do governo espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, anunciou neste sábado que não será candidato nas eleições gerais de 2012, num contexto de crise economica que minou a popularidade do governo após as duras medidas de austeridade adotadas.
"Não vou ser candidato nas próximas eleições gerais", afirmou em um discurso no comitê federal do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) em Madrid.
O chefe de Governo pediu ao partido que inicie o processo de primárias para designar uma nova pessoa à frente da formação para as próximas eleições.
Zapatero, 50 anos, foi eleito presidente em 2004 e reeleito em 2008.
Ele afirmou que com o anúncio pretende acabar com o que percebia como uma incerteza de vários meses. Segundo Zapatero, não vale a pena "esperar até o fim nem prolongar de modo desnecessário a especulação".
"Eu pensava do mesmo jeito há sete anos: dois mandatos são suficientes", completou.

In: Google

Documentário: INSIDE JOB

Caros,

Para quem quiser saber mais sobre a actual crise económica e perceber o que aconteceu nos Estados Unidos com a bolha dos derivados (CDS) e do imobiliário, recomendo que veja o filme "Inside Job" que recentemente estreou nas salas de cinema.

Deixo-vos aqui o trailer do filme:

 
Se gostaram do trailer e quiserem ver o filme completo aqui tem um link para um site de filmes gratis:

Se o filme parar a meio, desligem o router, voltem a ligar e continuem do momento onde pararam.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

sábado, 2 de abril de 2011

CONCORDE: Thank you for 27 supersonic years


A mais fabulosa maquina jamais construída, o Concorde representa um enorme avanço. A altitude que ele voa, entre os 54 e os 58 mil pés, é como mandar um astronauta para fora da atmosfera terrestre sem fato espacial. Este avião representa de facto um enorme avanço tecnológico, porém o preço do petróleo inviabilizou a sua operação comercial.
Não há nada a fazer, não temos dinheiro para operar um avião deste tipo comercialmente, agora é peça de museu... Como disse Jeremy Clarkson - "I fear I may have written much of it myself, saying the decision to can it was one giant leap backwards for mankind.", foi de facto um passo de gigante para trás que e humanidade deu. 

Nem tão cedo iremos construir outro similar e entretanto perdemos a habilidade e conhecimento para construir outro... tal como aconteceu com os grandes navios transatlânticos nos anos 70. Quando a Cunnard decidiu construir o QM2, ninguem sabia como construir um verdadeiro transatlântico...  

Eu pessoalmente não considero o QM2 um verdadeiro transatlântico, mas um hibrido de transatlântico com navio de cruzeiro, ou seja, já faz parte de uma nova geração de navios, mas isso já é assunto para outro post.

O Concorde visitou o aeroporto de Faro por 2 vezes, pelo menos numa delas ficou documentado em fotografia que podem ver neste post Concorde em Faro - Fevereiro de 1990 publicado aqui no Faro é Faro em Outubro de 2010.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

A VERGONHA A QUE CHEGAMOS

António Nogueira Leite, hoje, no Correio da Manhã:

Vergonha

O país político definitivamente enlouqueceu. Parece que ninguém é culpado de nada. A Dívida Pública directa que era de 100 mil milhões em 2006 passou para 150 mil milhões em 2010, isto é, aumentou 50%.

O sector público administrativo (SPA) acumulou entre 2001 e 2005 défices de 26 mil milhões de euros, mas com o actual ministro das Finanças já acumulou 41 mil milhões de euros, ou seja, mais 57%. A despesa pública do SPA, que era em 2003 de 60 mil milhões de euros, já atingiu mais de 82 mil milhões de euros, ou seja, registou um aumento de 37%. O grande aumento nas prestações sociais – de 20 para 38 mil milhões – não resulta dos aumentos dos abonos às famílias pobres e numerosas ou das pensões mínimas.

Ou seja, criámos um estado insustentável num país que não cresce e que mantém enormes níveis de desigualdade. Eu, que tenho a sorte de ter rendimentos para pagar cada vez mais impostos, pergunto para onde vai esse dinheiro. E como eu, muitos outros cidadãos que cumprem e não têm a satisfação de ver esse cumprimento resultar em mais justiça. Só no aumento do malfadado pote!

Enquanto isto, o principal responsável pelo caos tem a ousadia de dizer que anda a defender Portugal e outros apenas sonham em exaurir o que resta do nosso pote colectivo. Uma vergonha!

Preço da gasolina deverá registar nova subida já na segunda-feira

A gasolina deve registar um novo aumento a partir de segunda-feira, para 1,6 euros, face à subida do preço negociado deste combustível nos mercados internacionais esta semana.

O cálculo do preço da gasolina e do gasóleo é feito com base na cotação dos dois combustíveis na semana anterior nos mercados internacionais, e como o preço da gasolina registou um novo aumento estes dias, superior a oito por cento, a subida deverá reflectir-se a partir da próxima semana.

Portugal é já o sétimo país da União Europeia com o preço da gasolina mais alto e a verificar-se a subida com base nestas previsões, será um aumento para um recorde histórico – 1,6 euros, quando actualmente a cotação do preço da gasolina está nos 1,584 euros, escreve o Económico.

Já o gasóleo deverá ficar com os preços inalterados nas gasolineiras, porque a cotação manteve-se praticamente inalterada, nos 1,434 euros nos mercados internacionais, segundo a agência financeira Bloomberg.

O preço dos combustíveis tem estado em alta desde o início do ano, tanto no mercado de referência para a Europa, como nos Estados Unidos, reflectindo a instabilidade política no Médio Oriente e no Norte de África e, mais recentemente, a preocupação com a crise no Japão.
 

Amigos,

Só vos digo uma coisa... com estes preços não há economia que resista!
Teremos de voltar a andar de burro e de bicicleta.
Além disso deveriam investigar o cartel que existe em Portugal, onde a concorrência real não existe. 

Mas isto resolvia-se facilmente, bastava que as empresas de refinação fossem separadas da distribuição. Assim, as gasolineiras deixavam de ter marca, ou seja, o gasolineiro era livre de comprar a gasolina e o gasóleo no mercado (GALP, BP, REPSOL, ETC) a quem lhe fizesse o melhor preço e praticar o preço que bem entendesse. 

Assim havia verdadeira competição, as empresas de refinação (GALP, BP, ETC) para garantirem que o maior numero de gasolineiros lhes compravam a elas iriam baixar os preços para ganhar quota de mercado e assim beneficiava o cliente final. Deste modo não, os gasolineiros não podem escolher, os preços são decididos na cúpula e estes apenas jogam com a sua pequena margem.
Não há de facto real concorrência. É preciso mudar o estado de coisas.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

Assim

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

Vale a pena ler isto!

Campos e Cunha, antigo ministro das Finanças de José Sócrates, diz que "esta crise governamental foi desejada e planeada pelo Governo".
O professor universitário escreve hoje no Público que "há várias semanas que o Governo adivinhava o final desta semana e antecipou- se".
 Diz Campos e Cunha que "como o Governo sabia antecipadamente o que iria acontecer às contas de 2010 e quis precipitar a crise antes do descalabro final; assim, negociou e ajustou um conjunto de medidas (vulgo PEC- 4) apenas e só com os nossos parceiros europeus. Nesse pacote estava tudo o que o PSD tinha vetado em negociações anteriores (PEC- 2 e PEC- 3). Apresentou essas medidas, num primeiro momento, como inegociáveis. O PSD, orgulhoso da sua posição disse um "não" também inegociável.
No dia seguinte, o Governo, dando o dito por não dito, afirmou- se disposto a negociar. Mas o PSD caiu que nem um patinho e o Governo caiu como o próprio queria e planeou".
A partir de agora, continua Campos e Cunha, para Sócrates as culpas são do PSD: "A queda brutal dos ratings, a subidas das taxas de juro, o descalabro das contas públicas serão tudo culpa do PSD (...) que vai passar o tempo a justificar- se, ou seja, perdeu a discussão. Pode não ter perdido as eleições, a ver vamos, mas pode perder a maioria absoluta".
Para o antigo ministro de Sócrates, "estamos a viver um filme de terror em que o drácula culpa a vítima de lhe sugar o sangue. Estamos a viver o malbaratar dos dinheiros públicos durante muitos anos, com especial relevância nos últimos cinco. Estamos a sofrer as consequências da dita política keynesiana de 2009 que teria
permitido que a recessão fosse apenas de 2,6%. Muitos defenderam tal irracionalidade, mas também houve quem chamasse a atenção da idiotia de tal abordagem numa pequena economia, sem moeda própria e sem fronteiras económicas".
"A situação económico- financeira é de tal descalabro que não pode haver eleições antecipadas sem haver uma crise política, económica e financeira de acordo com vários ministros, começando pelo primeiro.
É a constituição e a democracia que está em causa", alerta o mesmo responsável.
Campos e Cunha deixa um alerta aos portugueses: "tudo isto tem um rosto e um primeiro responsável.
Lembrem- se disto no dia do voto e não faltem, nem que seja para votar em branco", conclui.

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FINANTIAL TIMES: Fitch close to junking Portugal

Portugal is left with one notch above speculative grade. It’s on negative watch. S&P currently has Portugal at BBB (negative), while Moody’s recent cut to A3 is now already looking an outlier.
We expect there’s a good chance Portugal will be junk at all three ratings agencies before or soon after a bailout is arranged. Fitch thinks EU/IMF support is positive for credit. However, we’d also point to potential credit risks to bondholders from this bailout, if further loans are needed after 2013. Those loans would be senior.
Fitch explains its action further:

“The severity of the downgrade by three notches mainly reflects Fitch’s concern that timely external support is much less likely in the near term following yesterday’s announcement of general elections to take place on 5 June,” says Douglas Renwick, Director in Fitch’s Sovereign Ratings Group. “Fitch identified timely external support as a key rating trigger when it downgraded Portugal to ‘A-’ on 24 March. The agency views external support as necessary to bolster the credibility of Portugal’s fiscal consolidation and economic reform effort, as well as secure its financing position.”

In addition, the significant upward revisions to the 2010 public debt and deficit figures (now 92.4% and 8.6% of GDP, respectively), also announced yesterday, have further weakened Portugal’s fiscal profile and underscores the magnitude of the fiscal consolidation challenge facing the new government. The rejection in parliament of measures to strengthen the 2011 budget and the upcoming elections mean that further consolidation will likely not be implemented until Q3 2011 at the earliest. Given the weak macroeconomic outlook, Fitch sees a significant risk of slippage from the official deficit/GDP target for this year of 4.6% of GDP.

Fitch views an IMF/EU financial support package with strict policy conditionality as necessary to secure sustainable financing and restore medium-term debt sustainability and investor confidence in Portugal. Any delay in securing a credible IMF/EU supported policy programme increases the risks to economic and financial stability, while the current crisis is likely to worsen the economic downturn.

Quick question: was ‘timely external support’ really ever that reliable enough to hang so many ratings notches on it? Indeed Portugal had been playing brinkmanship with the eurozone for months.
A less quickly answered question: what does the ECB do now?
It has already added Ireland to Greece in the sovereign bonds granted ratings waivers for banks pledging them as collateral. Portugal is looking next at this rate. Like we also said… it’s not ratings bringing sovereigns down, it’s the rules requiring ratings.
Related link:
Get yer collateralised Portuguese bonds here – FT Alphaville
This entry was posted by Joseph Cotterill on Friday, April 1st, 2011 at 18:19

Meus senhores... leiam bem com atenção este artigo do FT com a explicação oficial da Fitch com a justificação por que baixou o rating Português.
A razão é precisamente a que já anunciei em posts anteriores, porque a Fitch não acredita que o pais aguente sem ajuda externa até 5 de Junho, e ainda por cima com um governo que diz que não pode / não quer pedir a dita ajuda.
O presidente da Republica em vez de por ordem neste forrobodó, ainda ajuda a por gasolina na fogueira.

Estamos entregues à bicharada.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos