sexta-feira, 1 de abril de 2011

Bem diziam os Romanos - No sul da peninsula há um povo que não se governa nem se deixa governar

 O Presidente da República entende que o Governo pode pedir ajuda externa, a Comissão Europeia há quinze dias que faz saber que o Governo, do ponto de vista de Bruxelas, pode pedir ajuda externa, a conselheira do FMI acha que só um milagre poderia evitar a necessidade do recurso à ajuda externa, o presidente do Eurogrupo considera que é uma questão de Lisboa definir quem é competente para pedir ajuda externa, o BCE julga que é "uma decisão que só Portugal pode tomar". "Portugal", porém, acha que não tem

- "legitimidade";
- "condições";
- "poder";
- e "a credibilidade que é necessária para poder merecer a confiança que é necessária por parte das entidades externas que nos podem ajudar".

Está finalmente claro por que razão o "Portugal" enterrou, no exacto momento em que enterrou, Portugal numa crise política?


Via Cachimbo de Magritte

Esta frase foi escrita por um general romano em serviço na Ibéria em carta enviada ao Imperador. É atribuída ao General Galba, que teria sido um dos primeiros governadores romanos na península, no Séc III antes de Cristo.

Referia-se o general romano aos Lusitanos, uma tribo guerreia que habitava também uma parte do actual território nacional. Não foi fácil às legiões romana dominarem os Lusitanos que ofereceram acesa resistência. Lembremos um dos seus chefes: Viriato.

Parece que a célebre frase aplicada aos nossos antepassados se pode igualmente aplicar aos portugueses da actualidade. Não nos governamos nem queremos que nos governem.

Num país endividado até ao tutano a quem não faltará muito os credores deixarão de emprestar dinheiro ou então fá-lo-ão com juros incomportáveis, os portugueses continuam a soprar para o lado:
- No Natal de 2010, os portugueses gastaram mais dinheiro do que no ano transacto.
- Ao contrário do que se verifica na Europa, em Portugal acelerou a compra de carros novos no último trimestre de 2010.
- Tudo o que era local de passagem de ano e tudo o que era avião pejou de portugueses.

Poupança? Prevenir o futuro? Investir? Nada disso. Gastar, gastar, gastar. Parece que o pensamento de muita gente anda por aqui: quem vier depois de nós que feche a porta, isto é, que pague as dívidas. Que direito temos nós de fazer pagar às gerações futuros as dívidas que elas não contraíram?

Existe uma burguesia média e média-alta citadinas para quem a máxima é gozar a vida, sem horizontes nem amanhãs. Parece que três deuses enchem por completo o coração desta gente: prazer, ter, e poder. Valores? Que valores? Cada um que se safe! Egoístas até ao fundo, só pensam no seu próprio bem-estar, o resto é paisagem.
E se pensarmos que é esta gente que, através de lobbys bem organizados e pouco ou nada transparentes, está por trás dos decisores políticos, económicos e jornalísticos, compreendemos que estamos bem entregues... A crise começa na ausência de valores, derivam muito daqui as crises económicas e sociais.

Há ainda a célebre mania nacional do dar nas vistas. Da primazia do parecer sobre o ser. "Se o meu vizinho goza, eu também tenho do gozar." Não interessa como, não interesse o futuro que se hipoteca...

Depois queixamo-nos dos políticos. É certo que, na maioria das vezes, com razão. Mas os políticos emergem do povo que somos, são portugueses como os outros. Se os políticos são fracos, é porque nos tornamos num povo fraco.
Ainda não nos habituamos a castigar nas urnas os mentirosos e falsos e a premiar quem nos diz a verdade, mesmo quando esta não nos é agradável. Vejamos o caso das últimas eleições legislativas. Quem é que o povo escolheu? Sócrates. Exactamente aquele que todos já sabiam que não cumpre o que promete, aquele que hoje diz uma coisa e daqui a dias o contrário...

Há ainda uma mentalidade dependentista na sociedade portuguesa. Parece que as Câmaras e o Estado é que têm de fazer tudo. Não queremos o comunismo, mas depois acabamos por proceder como se vivêssemos num estado comunista. Não há emprego? Culpa do Estado e das Câmaras. Não há empresas? Culpa do Estado e das Câmaras? Há pobres? O Estado e as Câmaras que resolvam...
Precisamos de despertar para a cidadania plena, tanto na reivindicação, na vigilância aos governos, na manifestação dos nossos pontos de vista, como na realização, na iniciativa, na solidariedade...
Quanto menos precisarmos dos políticos, menos dependência deles teremos, mas servidores os tornaremos, menos corrupção existirá...

Às vezes parecemos um povo infantil: só causas concretas e imediatas nos movem. Somos capazes de fazer uma manifestação porque na cantina de uma escola foi encontrada uma lagartixa na sopa, mas nunca nos movimentamos por valores.
Como é que um povo sente uma minoria de privilegiados (gestores, boys e muitos ricos) a ganhar loucuras e não se revolta, não se manifesta quando no mesmo país há reformas que não dão sequer para os medicamentos?
Via Viriatus15 
    
Realmente depois deste Carnaval todo... este pais não se governa nem se deixa governar.
O presidente da Republica é o grande culpado da situação actual, com os seus paninhos quentes, "cooperação estratégica" e falinhas mansas isto chegou onde chegou.
 
Neste momento o que Portugal precisa é que o  mais alto magistrado da nação tome as rédias e o pulso do pais no sentido de na ausência do governo tornar o pais governável e evitar um conflito institucional, bem como assegurar o regular funcionamento das instituições.
   
Nada disso está a acontecer, o pais está a partir-se aos bocados, provavelmente a assembleia da republica vai polarizar-se após as eleições, com os votos dispersos pelos partidos não sendo possível fazer compromissos à esquerda e à direita. Em resumo... é o caos completo.
     
O que era necessário era um entendimento entre partidos, a criação de um governo de salvação nacional, em que todos os partidos irão assumir a responsabilidade pelas medidas que irão ser necessárias de forma a tirar-mos o pais da situação actual.
    
De outra forma, como os partidos governam para as clientelas e para as eleições, não se vão fazer as reformas estruturais e vai-se empurrar com a barriga, excepto se conseguirem diabolizar uma entidade externa, como o FMI por exemplo e dizer... Vamos fazer isto mas é porque eles nos impõem, caso contrário... irá ficar sempre tudo na mesma. 
  
Portugal hoje precisa desesperadamente de um estadista, alguém com capacidade de gerir o problema institucional e com enorme sentido de estado. Cavaco não é nada disto. Quem quer não pode e quem pode não quer...
  
Assim vai Portugal!!!
   
Cumprimentos cordiais


Luis Passos 

 

A loucura a que este pais Chegou...

 Se bem percebo o país desatou a rir porque Paulo Futre anunciou que o futuro do Sporting passa por um jogador chinês. Vi o vídeo em questão e não percebo o que causou tal galhofa. Em primeiro lugar porque aos olhos de quem está de fora da mística e de tudo o mais que caracteriza os adeptos do futebol, as declarações de Paulo Futre em nada destoam daquilo que todos os dias outros dirigentes, candidatos a tal e a massa associativa (adoro esta expressão!) dizem a propósito dos mais variados assuntos. Por estranho que pareça, pelo menos aos ignorantes em matérias de esférico, como é o meu caso, os mais comedidos e razoáveis diante dos microfones parecem ser os jogadores.

Em segundo lugar também me causou perplexidade que não se entendesse a relevância do “tal jogador fantástico” chinês. Afinal não é de modo algum inédita a contratação de determinados jogadores por causa da sua nacionalidade ou pela especial ligação que mantêm a determinados regimes, sobretudo aqueles cujas contas públicas não são escrutinadas para não dar má imagem dos seus políticos. Ou será que Al-Saadi Kadafhi, filho do ditador líbio, envergou a camisola do Perugia, do Udinese e do Sampdoria por causa dos seus dotes enquanto jogador? Se os chineses estiverem dispostos a encher aviões de adeptos para verem o “tal jogador fantástico” chinês de que fala Paulo Futre não me parece que fosse mau negócio contratar o dito chinês que certamente não faria pior figura que Al-Saadi Kadafhi no campeonato italiano.

Mas o que mais me surpreende na reacção galhofeira à intervenção de Paulo Futre é o facto de se ter considerado delirante a antevisão de Futre de centenas de chineses a desembarcarem semanalmente na Portela donde rumariam a Alvalade, enquanto o Sporting cobraria comissões às companhias de aviação, aos hotéis, aos restaurantes, aos museus… frequentados pelos ditos chineses. Vão desculpar-me mas estão a rir-se de quê? Já se esqueceram das figuras patéticas observadas neste país aquando da visita a Portugal do presidente chinês em Novembro do ano passado? Os jornais de referência encheram-se então de títulos que em nada divergem dos arrebatamentos de Paulo Futre com o departamento chinês do Sporting: Homem mais poderoso do mundo em Lisboa para comprar dívida”; Hu Jintao está em Portugal para comprar a dívida”; “Presidente chinês garante: “O futuro é promissor“…E agora que Lula veio a Portugal os títulos gloriosos voltaram a sair da gaveta, só que onde em Novembro passado se lia China lê-se agora Brasil.

Confesso que sinto uma vergonha profunda durante aquelas horas em que só se fala do presidente do país mais poderoso do mundo, do governante da nação mais rica do planeta ou do líder do país mais irmão que vão resolver a nossa crise. Peço aos céus que ninguém naquelas comitivas veja a televisão portuguesa, ouça os noticiários das nossas rádios ou passe os olhos pela nossa imprensa pois de tudo aquilo emana um misto de sabujice, própria de quem está desesperado, e de chico-espertismo característico de quem viveu acima das suas possibilidades e agora espera sacar uns trocos a uns dirigentes que na verdade considera uns novos-ricos.

Poucas horas depois deste deprimente exercício, o presidente do país mais poderoso do mundo, o governante da nação mais rica do planeta e o líder do país mais irmão, partem com um ar que me parece ligeiramente escarninho e declarando que sim, que vão tomar em consideração o nosso caso. Estes visitantes não resolvem os nossos problemas mas poupam-nos o exercício de nos confrontarmos com os nossos erros e sobretudo fazem-nos companhia nas horas do medo. Por causa desse pavor ao momento em que nos veremos ao espelho, mal eles partem pegamos na fanfarra da GNR e nas borlas e capelos dos doutoramentos honoris causa até que outro presidente do país mais poderoso do mundo, governante da nação mais rica do planeta ou líder do país mais irmão aterre na Portela e o circo possa recomeçar.
Ao pé destes arrebatamentos com os salvadores da nossa ruína, arrebatamentos estes que foram precedidos e induzidos pelos arrebatamentos em torno dos modelos da riqueza – uns dias era finlandês, outros “escandinavo renovado” e outros ainda do MIT – as antevisões de Paulo Futre parecem-me um exemplo de equilíbrio e sensatez.

O triste sintoma do estado de alienação a que chegámos é que o país desata a rir perante a descrição dos chineses salvando o Sporting e já não reage perante o espectáculo do presidente do país mais poderoso do mundo, do governante da nação mais rica do planeta e do líder do país mais irmão que, agora sim, desta vez é que vai ser resolverão o problema da nossa dívida

In: PÚBLICO Via Blasfémias

Sondagem do Faro é Faro

Vote na sondagem do Faro é Faro... na barra lateral...

Acha que Portugal vai entrar em default em Junho Próximo?

Agradeço as respostas, bastando clicar no quadrado da resposta respectiva e depois em VOTAR.

Apenas será considerado 1 voto por computador.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

Financial Times: - Portugal apenas ganhou tempo

Caros,
Este excelente artigo de hoje no Financial Times, assinado por Peter Wise, explica como Portugal apenas conseguiu ganhar tempo até as próximas eleições. A ajuda internacional terá de vir mais tarde.
Começo a pensar que Sócrates se vai candidatar as eleições para as perder, e que isto foi tudo um teatro, ou seja, Socrates não quer ganhar estas eleições! Como o pais está na bancarrota e o estado não tem mais dinheiro, provavelmente até poderá haver um colapso total, caso falte dinheiro para fazer face as despesas primárias, Socrates e o PS fizeram as asneiradas e agora saem de fininho, culpando os partidos da oposição da hecatombe causada pela sua acção de fazer cair o governo. Mais sabe ele que as hipoteses de ser reeleito são diminutas.
Realmente Socrates é ainda mais maquiavélico que o que se pensava. Agora não sei o que será melhor, se dar a governação a Passos Coelho para ele vir "assaltar o orçamento" (se é que ainda há orçamento) com os seus boys e continuar o mesmo regabofe, ou recolocar Socrates de novo no governo e fazê-lo pagar o odioso de ter de aguentar o barco em período do crise.
De qualquer modo, Portugal já perdeu a soberania há muito tempo, e estamos a ser governados de Bruxelas. Entre ter uma marioneta Socrates ou uma Coelho, é apenas uma questão de estilo.
Aqui vos deixo o artigo do FT.

“Portugal has gained time with this auction,” said Filipe Silva, head of debt trading with Banco Carregosa. “The operation was a success in that the government was able to borrow at below the market rate. But it’s still paying too high a yield for short-term debt”. 


Cumprimentos cordiais
Luís Passos

Warning raises heat on Portugal

Caros,
Leiam o excelente artigo publicado no Financial Times, que por motivos de copyright não o posso publicar aqui mas deixo um link para quem o quiser ler. Portugal está de facto a ser pressionado e muito dificilmente irá deixar de receber ajuda externa em Junho.
One investor said: “Portugal is the next trigger point. It is difficult to see how the country can avoid a bail-out, which could then trigger problems for Spain.”

http://www.ft.com/cms/s/0/9d8336d6-5bb2-11e0-b8e7-00144feab49a.html#ixzz1IGl1jNTM

Cumprimentos cordiais

Luis Passos

Herança Socialista

O povo é sereno...


Até quando???

Ainda não foi hoje que Portugal bateu na parede...

O IGCP colocou hoje no mercado 1.645 milhões de euros em Obrigações do Tesouro com um juro de 5,793%.
 
O instituto responsável pela gestão da dívida de Portugal colocou hoje no mercado 1.645 milhões de euros em Obrigações do Tesouro com maturidade em Junho de 2012, num leilão extraordinário onde a procura superou em 1,4 vezes a oferta.

Este rácio ficou, contudo, abaixo do verificado no último leilão comparável, realizado em Julho último, onde a procura superou em 2,3 vezes a oferta.

Os 1.645 milhões de euros colocados ficaram acima do montante indicativo de 1.500 milhões de euros anunciado pelo IGCP no dia de ontem, com um juro de 5,793%, abaixo das actuais taxas de mercado para os títulos de dívida com esta maturidade, acima de 6%.

Contudo, na última emissão comparável de Julho, o juro fixou-se nos 3,159%. Os operadores contactados pelo Diário Económico apontavam para juros de 6,4%. De acordo com as mesmas fontes de mercado, Portugal já tinha compradores, nomeadamente o Brasil e a China.

"Com este leilão, Portugal comprou mais tempo na sua luta para não pedir um 'bailout'. As amortizações de Abril deverão já estar asseguradas, embora para as de Junho se tenha de esperar para ver", comentou Filipe Silva, gestor de dívida do Banco Carregosa, à Reuters.

O mesmo especialista adiantou que "a taxa foi surpreendentemente mais baixa do que o mercado secundário está a negociar, que se situa acima dos 6%, e o montante foi também acima do indicativo. O Estado português continua a ter quem acredite que consegue amortizar a sua dívida. No entanto, mantém-se que a taxa é extremamente elevada".

  • OBRIGAÇÕES DO TESOURO COM MATURIDADE A JUNHO DE 2012

  Hoje Emissão anterior
Data da
Emissão
 1 de Abril de 2011 14 de Julho de 2010
Montante Indicativo 1.500 milhões 1.000 a 1.500 milhões 
Montante Colocado 1.645
milhões
877
milhões
Taxa Média Ponderada 5,793% 3,159%
Rácio Procura/Oferta 1,4 2,3

Fonte: IGCP

IN: ECONOMICO 


O estado lá conseguiu colocar a divida, para perfazer o total de 5 mil milhões de modo a pagar aos nossos credores... tinhamos 4 mil milhões, fomos buscar mais mil milhões e meio.

Em Junho vence novamente outra tranche  da divida, desta vez serão 6 mil milhões, conforme se pode verificar no quadro acima. Vamos ver como Portugal conseguirá arranjar o dinheiro, ou através de colocação de divida ou se terá de recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira. 

De qualquer modo, esse problema pertencerá apenas ao governo que sair das próximas eleições de 5 de Junho. Nessa altura terá de recorrer ao FEEF/FMI, não haverá alternativas, alias o ministro alemão das finanças já disse neste artigo que Portugal recorrerá ao fundo em Junho. 

Pensei que pudéssemos entrar em default já em Abril, tinha sido melhor e tinha-se antecipado o inadiável, assim vamos andar nesta agonia ate Junho, quando finalmente entrarmos em default.

O Presidente da Republica com o comunicado que fez ontem também não aqueceu nem arrefeceu, não mobilizou os Portugueses nem lhes deu alento... No momento de crise que se vive hoje precisava-se um Presidente que interviesse de forma positiva, mobilizasse a população para os sacrifícios que ai vêem e fosse o catalisador do nosso ressurgimento económico. Não, temos um Presidente que é apenas uma figura cinzenta e que não consegue galvanizar nem um caracol.

Temos os governantes que o pais merece...

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

HUMOR

Cavaco Silva encontra-se com Obama e Lula da Silva.

No meio da conversa, Lula abre a camisa e mostra o peito, - Isto é como o Brasil, forte e invejado!!!
Obama desce as calças, vira o rabo e diz, - Isto é como a América, impenetrável!!!
Cavaco, desce as calças e, mostrando o pirilau e diz, - Isto é como Portugal, nunca mais se vai levantar!!!

O nosso futuro anda a ser discutido assim...

PORTAGENS NA VIA DO INFANTE NÃO!MAS A EXISTIREM, SÓ A 2 CÊNTIMOS POR KM.

Comunicado da Faro 1540 - Associação de Defesa e Promoção do Património Ambiental e Cultural de Faro

A FARO 1540 vem pelo presente comunicado e com base no que foi discutido na última Conferência “Cidades pela Retoma – Acessibilidades e Transportes”, organizado por esta associação, manifestar o seu profundo desagrado pelo pagamento de portagens na Via do Infante (A22) que, ao que tudo indica, vão começar no dia 15 de Abril. Esta imposição será um forte rombo na economia da região e na vida dos algarvios.
Se bem que o conceito do utilizador-pagador, nos tempos de dificuldades financeiras que o país atravessa pareça correcto, não é menos válido o conceito SCUT, que visa diminuir e minimizar assimetrias entre o país procurando fomentar o dinamismo económico e a circulação célere de bens, pessoas e serviços nas zonas menos desenvolvidas ou mais periféricas de Portugal continental. Recorde-se que, a este propósito, entre 2006 e 2008, para manter esta estratégica económica, houve um aumento de 7,5 cêntimos por litro de combustível*1 (2,5 cêntimos/ano) para pagar as vias sem custo para o utilizador (SCUT). Curioso que, agora que as portagens estão em funcionamento já em quase todo o país, não tenha surgido ainda nenhuma indicação sobre o término deste imposto nos combustíveis.
No caso concreto da Via do Infante convém referir que o lanço desta estrada entre VRSA e Alcantarilha foi co-financiada em parte, com o apoio da União Europeia, nomeadamente através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e a restante parte financiada pelo Estado português. O restante troço, até Lagos foi concluído em 2003 pela Euroscut, grupo que passou a garantir a manutenção, construção e gestão da A22 desde o ano 2000.
Muitos especialistas defendem que esta via não pode ser considerada uma Auto-Estrada em virtude de não cumprir os requisitos técnicos impostos a estas estradas, para além de ter um escoamento manifestamente insuficiente e perigoso das águas pluviais; falta de condições próprias do pavimento betuminoso e betão em diversos locais ao longo de toda a via rápida; separador central em betão armado ao longo de toda a via rápida, o qual não garantiu nem pode garantir nunca, que em caso de acidente os veículos passem para o sentido inverso de circulação aumentando a gravidade do acidente; falta de raile de segurança nas laterais da via rápida ao longo de quase toda a A22 (condição obrigatória para definição de Auto-estrada) e perfil de estrada sinuoso o qual não obedece aos parâmetros de auto-estrada nem no traçado de curvas nem no perfil altimétrico (condição obrigatória para definição de Auto-estrada).
Para além destes pontos bastante pertinentes acresce a falta de uma alternativa viável à A22 uma vez que a EN 125 é praticamente uma rua que atravessa a maior parte das cidades algarvias não garantindo condições satisfatórias de segurança e de escoamento de tráfego. Como é evidente, as portagens na A22 vão provocar o aumento do tráfego automóvel na 125 que vai inevitavelmente provocar a diminuição da mobilidade no Algarve; maior desinteresse do turista pelo Algarve em comparação com Espanha e outros destinos concorrentes; diminuição da qualidade de vida do cidadão; diminuição da produtividade; mais mortes e acidentes que implicam despesas como a cobrança de seguros de vida, tratamentos hospitalares, aumento de dívidas incobráveis e gastos com pensões de invalidez e reformas.
Por tudo isto a FARO 1540 considera que as despesas directas e indirectas provocadas pela introdução de portagens vão ser sobejamente superiores às receitas geradas por estas e que devia prevalecer o bom senso mantendo a Via do Infante como SCUT.
No entanto, mesmo que se decida implementar portagens, (e uma vez que estas portagens visam pagar as despesas de manutenção das SCUTS) a  FARO 1540  não considera justo, que o valor previsto a ser cobrado na Via do Infante (7 cêntimos/km) seja somente 1 cêntimo mais barato que os preços praticados pela Brisa na A2, empresa esta que para além das despesas de manutenção e gestão ainda visa o lucro.
Por outro lado, tal como já alertado, dos 133 km da Via do Infante, 94 km foram construídos com recurso a fundos comunitários e somente 38,3 km (entre Alcantarilha e Lagos) foram pagos já num contrato SCUT. Assim considera-se que só esses 38,7 km são passíveis de serem portajados. Contudo a FARO 1540 não considera correcto que só o lado do Barlavento da Via do Infante esteja sujeita a portagens, tanto mais que vemos o Algarve como um todo indissociável. Neste sentido, o custo inerente a estas portagens no Barlavento devem ser diluídas por toda a Via do Infante passando o custo do km a representar 2 cêntimos em detrimento dos 7 cêntimos anunciados. Assim, uma viagem de ida e volta de Lagos a VRSA passaria a custar 5,32 €uros em vez dos 18,62 €uros que estão previstos.
A FARO 1540 considera que a existirem portagens, este valor dos 2 cêntimos por km é de facto o valor justo na Via do Infante pelas questões anteriormente mencionadas (inexistência de alternativa, não ser auto-estrada e construída em parte por fundos da União Europeia) e está convicta que poucos reflexos negativos teria na vida dos algarvios e na economia da região.

*1 http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/aumento-dos-combustiveis-paga-scut

INE e Eurostat revêem em alta défice do Estado dos últimos 4 anos


Depois da Visita Diálogo (a expressão é do INE, ver aqui “Procedimento dos Défices Excessivos“) que o Eurostat realizou em Portugal nos passados dias 17 e 18 de Janeiro ficou acente proceder à revisão do défice público dos anos de 2007 a 2010 por incorporação das responsabilidades relativas à reclassificação de algumas empresas públicas de transportes (REFER, Metro de Lisboa e Metro do Porto) bem como pela incorporação das garantias executadas, prestadas pelo Estado ao BPP e pelas imparidade assumidas no BPN após a sua nacionalização.
No quadro seguinte apresentam-se os cenários antes e depois destas alterações, surgindo sublinhado o valor de 2010, hoje conhecido pela primeira vez:
Défice Público em % do PIB
  Antes da revisão
  2007 2008 2009 2010
  2,7 3 9,5 6,8
  Acréscimo (em pontos percentuais)
Refer, ML e MP 0,4 0,5 0,5 0,5
BPN 0 0 0 1
BPP 0 0 0 0,3
  Depois da revisão
  2007 2008 2009 2010
  3,1 3,5 10 8,6

Fonte: http://economiafinancas.com/

 
Em Setembro de 2009, o défice orçamental prometido por José Sócrates e Teixeira dos Santos, quando foram a eleições, fixava-se em 5,9%.

Ontem, descobrimos que afinal é de 10%. Já este ano, o primeiro-ministro e o ministro das Finanças garantiram que o défice orçamental de 2010 seria inferior a 7%. Ontem, o INE divulgou que é de 8,6%. 

É urgente que se faça uma auditoria correcta e minuciosa as contas públicas, de modo a que o governo, seja ele qual for, que saia das eleições de 5 de Julho não tenha desculpa para futuras asneiradas e disparates e saiba exactamente com o que conta. O próprio presidente da Republica deveria ser o garante do regular funcionamento das instituições e deveria ser o primeiro a exigir que se conheça a realidade dos números.

Lá por a União Europeia ter o rabo preso... e de o governo Socrates estar entalado, não quer dizer que os Portugueses tenham de ficar entalados. É preferível saber a realidade, e traçar um plano realista e serio para nos tirar desta situação, fazendo os sacrifícios que tiverem de ser feitos.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

Primeiro Ministro da Islandia julgado por negligência

Segundo o jornal Washington Times, o Parlamento da Islândia (Alþingi) aprovou por 33 votos a 30 que o ex-primeiro-ministro conservador Geir H. Haarde seja julgado em um tribunal especial por suposta negligência durante seu mandato, no qual houve um colapso bancário no país em Outubro de 2008. 

Segundo o jornal Washigton Times, o primeiro ministro Islandês Geir Haarde será o primeiro líder mundial a comparecer perante um tribunal especial para julgar actos de negligência  na condução dos negócios públicos, na sequência da crise financeira que o pais atravessou. Este artigo já tem uns meses, é de Outubro do ano passado, e pode ser lido aqui.

REYKJAVIK, Iceland (AP) — Iceland‘s former prime minister has become the first world leader to be referred to a special court for possible prosecution on charges that he acted negligently in the lead-up to the country’s financial crisis.
Tuesday’s parliament vote means that former Prime Minister Geir Haarde will appear before a special court for allegedly failing to prevent the financial crash of 2008.
Iceland‘s debt-fueled financial system collapsed at the height of the worldwide financial crisis, sending its currency tumbling and unemployment soaring.
 
Aqui na nossa santa terrinha, os políticos cometeram todo o tipo de crimes, aldrabaram, mentiram, praticaram gestão danosa, porventura até roubaram, etc, etc, e ninguém os faz enfrentar um julgamento.

É pela certeza de impunidade que os nossos políticos estão descansados e como o povo é sereno e carneiro, mais descansados ainda ficam.

Julgo que no final destas eleições dever-se-ia constituir uma comissão composta por juizes e economistas que iriam avaliar a performance dos nossos políticos e deveriam ser condenados pelos crimes de atentado contra o estado português sob forma de negligência no exercício de funções governativas e / ou outros crimes que vierem a ser apurados.

Mas não me parece que em Portugal haja gente com "eles" no sitio para desencadear um processo destes. Só mesmo na Islândia e países com nível de civilização superior ao nosso.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

quinta-feira, 31 de março de 2011

Administrador dos CTT falsifica CV e suspende mandato

Sempre estive convencido que o meu percurso académico com 8 anos de frequência universitária e elevado número de cadeiras concluídas, em mais do que um plano de estudos curriculares, correspondesse a um curso superior," diz na justificação enviada aos trabalhadores. Veja ao lado o comunicado de Marcos Baptista a pedir suspensão do mandato dos CTT e o comunicado da administração dos Correios.

O administrador dos CTT Marcos Baptista, ex-sócio do secretário de Estado Paulo Campos e por este nomeado, adulterou o currículo, afirmando ser licenciado pelo ISEG, como consta no despacho de nomeação publicado em Diário da República. O curso não foi concluído, apurou o i, não tendo Marcos Baptista completado as cadeiras suficientes para concluir uma licenciatura pós Bolonha, caso o curso tivesse sido realizado após a entrada em vigor deste acordo comunitário.
Na sequência da investigação, o i procurou esclarecer o assunto junto do administrador durante o dia de ontem, sem sucesso. Hoje, Marcos Baptista suspendeu o mandato na administração da empresa pública, alegando “razões pessoais” e mostrando-se “surpreendido por dúvidas” sobre a sua formação académica.  “Devo referir que sempre estive convencido que o meu percurso académico com 8 anos de frequência universitária e elevado número de cadeiras concluídas, em mais do que um plano de estudos curriculares, correspondesse a um curso superior à luz das equivalências automáticas do Processo de Bolonha. Solicitei, por isso, hoje ao ISEG a devida avaliação curricular”, referiu no comunicado interno que enviou aos trabalhadores.
Recorde-se que o secretário de Estado Paulo Campos, que tem a tutela dos CTT, nomeou no ano em que assumiu o cargo no ministério (2005) Marcos Baptista como administrador dos CTT. Marcos Baptista tinha sido sócio de Paulo Campos  na empresa Puro Prazer. Já em 2009, Paulo Campos leva para o grupo Luís Manuel Pinheiro Piteira, outro dos sócios da empresa. O secretário de Estado justificou na altura que as escolhas “basearam-se no escrupuloso cumprimento da lei e recaíram na escolha de pessoas com perfil adequado para cada cargo”. Hoje o i noticia que Marcos Baptista não completou a licenciatura em economia, tendo falsificado o currículo publicado em Diário da República.

Filipa Martins 

Mais um da linha socrática, um acabou o curso ao domingo, este nem sequer o acabou... 

Esta gente do PS é uma verdadeira lástima, porque raio querem fazer parecer ter mais habilitações literárias que as que realmente têm? Opah... 

Cumprimentos cordiais
Luís Passos

Cavaco Silva marca eleições legislativas para 5 de Junho

Cavaco defende governo de "elevado consenso politico"

Cavaco Silva anunciou hoje a dissolução do Parlamento e a antecipação das legislativas para 5 de Junho. Deixou uma mão cheia de avisos, fez uma espécie de “guião” para a campanha eleitoral e deu luz verde ao Governo em gestão se quiser pedir ajuda externa. O Presidente defendeu uma solução governativa de maioria, ao dizer que as eleições devem permitir “alcançar um compromisso estratégico de médio prazo” e que resulte num “alargado consenso político e social”.
 
Mas disse mais em directo nas televisões. Se o país precisar de ajuda externa, o Governo, agora em gestão, tem condições para requerer essa ajuda do fundo de estabilização europeu e o FMI. Foi quando disse que o Executivo “não está impedido de praticar os actos necessários à condução dos destinos do país, tanto no plano interno como no plano externo”.


Um “dever tanto mais acrescido” tendo em conta o momento de “grande exigência e responsabilidade”. Noutro ponto da comunicação – cerca de 10 minutos – Cavaco advertiu ainda que Portugal vive, “porventura, um dos momentos mais críticos da vida nacional desde que foi instaurado o regime democrático”. “Temos a obrigação de defender o regime democrático, a nossa economia e o bem-estar dos cidadãos e das suas famílias”, dramatizou.

O próprio fez a promessa de dar todo o seu apoio “para que não deixem de ser adoptadas as medidas indispensáveis a salvaguardar o superior interesse nacional e assegurar os meios de financiamento necessários” à economia.

Numa campanha eleitoral que se antevê dura, o Presidente fez um apelo à moderação, para que se evite a crispação. Cavaco forneceu um guião para o que não se deve fazer na campanha.

“Ninguém deve prometer aquilo que não poderá ser cumprido. Este não é o tempo de vender ilusões ou falsas utopias. Prometer o impossível – ou esconder o inadiável – seria tentar enganar os portugueses e explorar o seu descontentamento. Confio na maturidade cívica do nosso povo”, afirmou.

Disse mais: “A próxima campanha deve ser sóbria nos meios e esclarecedora nas propostas que cada partido irá fazer ao eleitorado. Estas propostas têm de ser construtivas, realistas e credíveis e a campanha deve decorrer com elevação nas palavras e nas atitudes”.

Humor - Standard & Poor's e os seus ratings

Portugal marca leilão de dívida extraordinário para amanhã

O instituto responsável pela gestão de dívida de Portugal vai tentar colocar amanhã 1,5 mil milhões de euros em Obrigações do Tesouro.

As Obrigações do Tesouro terão maturidade em Junho de 2012 e um juro de cupão de 5%.
Os leilões de dívida não costumam realizar-se à sexta-feira, e decorrem, por norma, às quartas-feiras.
O anúncio desta emissão surge no dia em que o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que o défice português ficou em 8,6% no ano passado, acima da meta de 7,3% definida pelo Governo, um cenário que aumenta a pressão sobre Portugal para pedir ajuda.

Sinal do nervosismo dos mercados os títulos de dívida de Portugal renovam hoje novos máximos. O juro das OT a 5 anos, por exemplo, superou os 9,5% pela primeira vez desde a criação do euro.
Apesar da escalada dos juros, a porta-voz do FMI já fez saber que Portugal não pediu ajuda, mas admitiu que o País está numa "situação difícil".

Também hoje, o IGCP revelou que tenciona emitir até 7 mil milhões de euros em títulos de dívida de curto prazo nos próximos três meses, enquanto a emissão de obrigações ficará sujeita às condições de mercado, podendo "tomar a forma de leilões regulares ou de leilões extraordinários."


Caros,

Como eu já havia previsto nos posts anteriores, o estado Português tem de arranjar mil milhões de euros até amanhã... 
A forma como o vai arranjar já está vista... vai tentar colocar a divida... Resta saber se alguém quer comprar essa divida... 

Se ninguem comprar... vamos bater na parede!!!!! E ai instala-se o FMI de vez!
Cumprimentos cordiais

Luís Passos

Barry Eichengreen: "Portugal terá de reestruturar a sua dívida"

A revista Economist considerou-o um dos cinco economistas com ideias mais importantes para o mundo pós-crise, lado a lado de Raghuram Rajan, Robert Shiller, Kenneth Rogoff e Nouriel Roubini.
Para o norte-americano Barry Eichengreen, que foi consultor do FMI no final dos anos 90, a Grécia, a Irlanda e Portugal vão ter de fazer haircuts (corte no montante da dívida), de preferência com garantias colaterais do fundo de resgate do euro. O professor da Universidade de Berkely, na Califórnia, diz que não podem ser só os contribuintes a pagar a factura do ajustamento orçamental.

Portugal vai conseguir evitar um resgate da UE e do FMI?
Duvido muito. A questão não é se consegue evitar, mas quando será esse resgate.

Mas recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) será suficiente para resolver os problemas de Portugal e também da Grécia ou da Irlanda?
Acrescentar mais dívida ao FEEF em cima de dívida já existente não vai, por si só, resolver o problema. Uma solução duradoura requer também a reestruturação de dívidas que são insustentáveis (o que inclui a dívida da Grécia, da Irlanda e de Portugal).

Teremos, então, de reestruturar a dívida?
Tornou-se claro que Portugal, tal como a Grécia e a Irlanda, terá de reestruturar a sua dívida. Os mercados, ao penalizarem os títulos de dívida portugueses como o têm feito, indicam que já chegaram à mesma conclusão. Usar dinheiro do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira e do Fundo Monetário Internacional para "adocicar" o acordo com os detentores de obrigações, de modo a fazer esta reestruturação da forma mais ordeira possível, seria melhor do que outro empréstimo de resgate, como os empréstimos iniciais à Grécia e à Irlanda, que negam a necessidade de reestruturação. Não podemos ser bem-sucedidos a fazer uma desvalorização interna (reduzindo salários, pensões e outros custos), num país altamente endividado, se deixarmos intocado o valor da dívida. Esta é a contradição fundamental que está no âmago das actuais dificuldades europeias.

Mas a reestruturação da dívida não coloca o risco de contágio dentro da zona euro?
Uma reestruturação da dívida feita como deve ser e tranquilizando os investidores de que a Europa está, finalmente, a pôr a crise para trás das costas, não tem de ser uma fonte de contágio.

O que devia a Europa fazer para eliminar esse risco de contágio? Os países deveriam, por exemplo, reestruturar a dívida ao mesmo tempo?
Seria ideal ter a Grécia, Portugal e Irlanda a renegociar a dívida em simultâneo, embora a capacidade de a União Europeia (UE) orquestrar isto seja questionável.

A Espanha também estaria envolvida nesse processo?
Do meu ponto de vista, a Espanha é um caso diferente, não só por ter um nível menor de dívida, mas porque metade do seu sistema bancário está nas mãos de dois grandes bancos, que têm a maior parte dos seus negócios fora da Europa e, por isso, estão numa posição financeira mais forte.

Acha que é possível criar um consenso na Europa sobre a necessidade de aqueles países reestruturarem a dívida?
Eventualmente, os mercados irão forçar a isso, provavelmente já no Verão, se as autoridades europeias, começando pela chanceler alemã Angela Merkel, não o fizerem.

Que tipo de reestruturação da dívida pode ser feita?
Em primeiro lugar, os governos têm de reiterar o seu compromisso com o rigor orçamental no futuro. Em segundo, devem oferecer aos investidores um menu de novas obrigações em troca dos seus títulos antigos. Alguns irão manter a quantia principal inalterada, mas a taxa de juro será reduzida e a maturidade será alargada. Os bancos irão, provavelmente, preferir esta alternativa, de modo a não serem obrigados a registar perdas nos seus balanços. Noutros casos, os títulos serão reduzidos a metade, mas terão maturidades mais reduzidas e serão facilmente vendidos. Os fundos de investimento irão, provavelmente, preferir esta solução. O FEEF poderá fornecer garantias colaterais a estas novas obrigações, garantindo que são seguras, o que encorajaria os investidores a aceitar este acordo.


O que os testes de stress que estão a ser aplicados à banca devem supostamente identificar é precisamente esse risco. Espero que estes testes sejam agora feitos de uma maneira mais séria e credível do que da última vez, embora tenha dúvidas acerca disso. A testes de stress realistas, que incluem cenários realistas de reestruturação dos títulos de dívida, deveria juntar-se a injecção de fundos públicos para fortalecer os bancos mais fracos. O problema é que em países como a Alemanha há uma discussão em curso sobre quem deve pagar pela injecção de capital: os Estados, o governo federal ou outra entidade. A Alemanha tem de se apressar e tomar decisões.

Num artigo recente, avisou de que estamos a caminho de uma nova crise financeira, que seria precipitada pelo aumento das taxas de juro nos EUA. Quando é que isso irá acontecer e que países serão afectados?
Os mercados emergentes, que estão agora a receber os últimos fluxos de capital dos países avançados, irão assistir a uma reversão desses fluxos, o que irá deixar os seus bancos e mercados financeiros em sérias dificuldades - pelo menos naqueles países emergentes que estão menos preparados. Quando isso pode acontecer? Quando a Fed aumentar as taxas de juro. Suspeito que começará a fazê-lo em 2012. Por isso, é melhor prepararmo-nos.

In: Publico

Renegociar dívida antes que seja inevitável pode ser solução

Uma das razões que justificaram a ajuda à Grécia, quando rebentou a crise da dívida soberana, foi tentar evitar a reestruturação da dívida.

Mas, agora, depois de a Grécia ter pedido ajuda, de a Irlanda lhe ter seguido os passos e de Portugal ameaçar fazer o mesmo, a renegociação da dívida pública, eventualmente não pagando a totalidade da dívida aos credores, está no centro do debate. Cada vez mais economistas alertam que a crise da zona euro não será resolvida sem recorrer a este expediente, que, até agora, parecia destinado a aplicar-se apenas a países emergentes (ver caixa).

O antigo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kenneth Rogoff, ou o antigo conselheiro da instituição, Barry Eichengreen (ver entrevista na página ao lado), têm defendido isso. Em Portugal, o PÚBLICO falou com economistas de vários quadrantes ideológicos e quase todos defendem que partir já para uma reestruturação da dívida, de preferência concertada a nível europeu, evitará um cenário pior de default (incumprimento) no futuro.

"Com juros tão elevados como os actuais e com a perspectiva de recessão na economia, não há alternativa à reestruturação da dívida", defende José Reis, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. João Duque, presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) partilha da mesma opinião, defendendo que, "quanto mais depressa agirmos, mais margem de manobra teremos para negociar as condições". Trata-se de evitar, não um default agora, mas um default futuro, conclui. João César das Neves repete o aviso: "Quanto mais tempo passar, maior será o corte da dívida e maiores as perdas dos investidores".

Uma renegociação da dívida é uma espécie de default negociado, em que os Estados acordam com os investidores um rescalonamento da dívida (alongando, por exemplo, a maturidade dos títulos e reduzindo as taxas de juro). Se necessário, há um haircut (corte), ou seja, o Estado só irá pagar uma parte da dívida que lhes foi emprestada. Além disso, enquanto renegoceiam a dívida, os países podem suspender as amortizações e o pagamento dos juros.

O principal risco num processo de reestruturação é o seu impacto nos mercados e, particularmente, no sistema bancário. Na Europa, a Alemanha e França opuseram-se, desde o início da crise, a uma reestruturação, pois os seus bancos estão bastante expostos aos títulos dos países periféricos. Os novos testes de stress pedem, aliás, que os bancos que detenham dívida pública portuguesa assumam uma perda de 19,8% no valor dos títulos a dez anos que detêm, o valor mais alto entre todos os países da União Europeia.

Ciente destes riscos, o Governo irlandês começou agora a usar a ameaça de incumprimento parcial, não só para pressionar uma redução dos juros do empréstimo europeu, mas também para conseguir mais ajudas à banca."Pelo caminho que os planos de austeridade estão a seguir, a reestruturação da dívida coloca-se inevitavelmente, não só na Grécia e na Irlanda, mas, eventualmente, em Espanha (dependendo da evolução da banca) e em Portugal (dependendo da evolução dos mercados)", considera José Castro Caldas, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

Para o economista, é uma questão de opção: "Portugal pode reestruturar a dívida em extremo desespero, depois de vários anos de austeridade, ou fazê-lo de forma pró-activa". Além disso, salienta, um avanço para a renegociação da dívida poderia levar a alterações dos tratados europeus, que permitissem, por exemplo, que o Banco Central Europeu (BCE) passasse a comprar títulos dos países em risco no mercado primário.

Mas nem todos partilham desta opinião. A economista-chefe do BPI, Cristina Casalinho, acha que, no curto prazo, a reestruturação da dívida não se coloca. "Só se faz isso em casos-limite, como última opção, devido ao impacto significativo que pode ter no sistema bancário, nomeadamente de países como a Alemanha, a França ou a Espanha, que têm nos seus balanços muita dívida portuguesa, grega e irlandesa", salienta. A isso junta-se o risco de ter taxas de juro ainda mais elevadas. "A História mostra que, na sequência de uma reestruturação, Portugal teria de pagar, durante mais de uma década, juros acima dos que pagava anteriormente", conclui.

A possibilidade de renegociação da dívida não está, contudo, fora dos planos europeus. Na última cimeira, os líderes europeus parecem ter deixado a porta aberta a que a reestruturação possa ser um pré-requisito para aceder ao mecanismo de ajuda europeu, em vigor a partir de 2013.

Ana Rita Faria In: Publico