sexta-feira, 25 de março de 2011

Sócrates a chorar... PEDI A DEMISSÃO...


Leia aqui a letra adaptada por Vasco Palmeirim:

Deitado na minha cama
estou chorando à luz das velas
O que é que vão dizer
os meus amigos de Bruxelas?
Tentei convencer a oposição aceitar o PEC...
... Estive a falar pró bonec...

Eram nove menos cinco
Fui a Belém pedir a demissão.
Demorei ainda um bocadinho
Porque o presidente estava de roupão.
Ai estou triste
Sou um 1º Ministre
que pediu a demissão.

Preciso de acalmar
Não gosto de whisky, vou fazer um chá
Preciso de espairecer
vou fazer jogging a ouvir Lady Gaga
A oposição não quis saber de soluções
Cambada de chumbões!

Eram nove menos cinco
Fui a Belém pedir a demissão.
Está uma confusao aqui, mas o Éfe éme i
nao precisa vir, não!
Ai estou triste
Sou um 1º Ministre
que pediu a demissão.

Via: Democracia em Portugal

Estudo conclui que empresas públicas aumentam o número de contratações imediatamente antes e depois das mudanças de governo

Estudo conclui que empresas públicas aumentam o número de contratações imediatamente antes e depois das mudanças de governo.

"No jobs for the boys", foi a famosa tirada de António Guterres na primeira reunião da direcção do PS depois da vitória nas legislativas de 1995. O aviso tinha o objectivo de acalmar o apetite do aparelho socialista, afastado há dez anos do poder. No entanto, os números mostram que os boys não só têm um apetite insaciável, como sempre tiveram jobs. Os períodos imediatamente antes e depois de todas as eleições legislativas entre 1980 e 2008 foram aqueles em que as empresas públicas mais trabalhadores contrataram. "É evidente que são casos de compadrio ou nepotismo."

A conclusão é de Pedro Martins, professor de Economia Aplicada na Faculdade Queen Mary, da Universidade de Londres, que realizou o estudo. "Os nossos resultados indicam um impacto sistemático do ciclo político nos timings das empresas públicas em Portugal", diz o estudo. "Encontramos provas significativas de um grande aumento de contratações logo a seguir a um novo governo tomar posse, principalmente se for de uma cor política diferente (esquerda ou direita) do governo anterior. Além disso, as contratações tendem a aumentar antes de o novo governo tomar posse, independentemente do resultado das eleições."

A análise de Pedro Martins recua 30 anos e, segundo o investigador, é a primeira a provar empiricamente a existência deste tipo de fenómeno. Foram consideradas empresas públicas aquelas em que o Estado detém ou detinha pelo menos 50% do capital accionista. Para evitar que os resultados fossem influenciados pela evolução da economia ou por efeitos sazonais, as empresas privadas foram incluídas como grupo de controlo. As observações mostram que nestas empresas se assiste ao efeito contrário: uma mudança nos cargos de topo tem como resultado um abrandamento das contratações "porque a nova administração ainda se está a adaptar", diz.

Também segundo o estudo, nas empresas públicas, os contratados têm um ordenado em média 17% mais alto que nas privadas. São mais novos, com mais escolaridade e normalmente ocupam uma posição mais baixa na hierarquia. Ficam também mais tempo na empresa.

laranja? rosa? tanto faz Os dados mostram que pouco importa qual o partido no governo. Os jobs são de todos os que chegam ao poder. O aumento do número de contratados é transversal a PS e PSD, que lideraram o país nos últimos 30 anos, com a ocasional participação do CDS.

Os resultados - ver infografia em baixo - permitem observar picos de contratação cada vez que que o poder muda de cor. Perto do período eleitoral, "o número de contratações pode chegar a aumentar 50%", refere Pedro Martins ao i.

O efeito não se nota só em cargos de topo, onde a amostra é mais reduzida. É nas posições médias que se regista mais este fenómeno. Para o investigador, o impacto dos ciclos eleitorais nas empresas públicas é de tal forma significativo que é um dos factores que ajudam a explicar a "diferença de desempenho entre as empresas privadas e públicas". E deixa duas recomendações: limitar as contratações no período imediatamente anterior às eleições e aumentar a transparência. 
 

Alguém viu Cavaco por aí?


O momento não será o mais adequado para que o Chefe do Estado esqueça uma palavrinha aos portugueses. De esclarecimento, de encorajamento... enfim, um sinal qualquer de que está vivo e no seu posto.
No entanto, ainda agora findos os noticiários televisivos, -  nada, silêncio absoluto.
Terá afirmado - quando?, onde? - que o Governo  mantém a "plenitude de funções até à aceitação" do pedido de demissão ontem apresentado pelo 1º Ministro.
Oxalá o Governo esteja de acordo com o Presidente da República e, de malas prontas embora, não seja criada uma crise institucional sobre a já famosa crise política.
Parece igualmente certo que amanhã receberá os representantes dos partidos políticos. E, logo na segunda-feira, o Príncipe Carlos de Inglaterra.
Talvez o Chefe do Estado aprenda algo - com esta última visita.

Portugal viu de novo o rating cortado pela S&P, desta vez para BBB - Lixo

No relatório que enviou acerca da sua decisão de cortar o rating da República Portuguesa para BBB, a Standard & Poor’s deixou em aberto a possibilidade de fazer um novo corte na classificação financeira de Portugal no prazo de uma semana, dependendo das decisões que saiam das reuniões do Conselho Europeu.

“Com base na informação e expectativas actuais, poderemos baixar o rating de Portugal em mais um nível, assim que os detalhes do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) sejam oficialmente anunciados”, refere a agência, minutos antes de essa decisão ser anunciada. “Em concreto, se acreditarmos que o MEE aumenta a probabilidade de os credores portugueses serem sujeitos a uma reestruturação em resultado dos termos do empréstimo do MEE, ficando subordinados ao crédito do MEE, ou se as obrigações portuguesas virem a sua liquidez reduzida materialmente, poderemos descer o rating de Portugal. Esperamos que essa decisão possa ter lugar tão cedo quanto a próxima semana.”
Caso se confirme um novo corte, o investimento em dívida portuguesa seria fixado em BBB- e ficaria apenas a um nível de ser considerado especulativo, isto é ‘lixo’ (junk).

Hoje de manhã veio a confirmação, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou nesta quinta-feira de "A-" para "BBB" a nota do crédito soberano a longo prazo de Portugal, após a rejeição do plano de austeridade apresentado pelo Governo português.
"Em nossa opinião", assinala a agência em comunicado, "o resultado (da rejeição) aumentou a incerteza política, o que poderia prejudicar a confiança do mercado e aguçar o risco de financiamento de Portugal".

"Achamos que o próximo Governo não terá outra opção senão adotar algum tipo de versão dessas propostas de reforma, dado o aparentemente fraco apetite dos investidores pela dívida de Portugal", assinalou Eileen Zhang, analista de crédito da agência.

A S&P mantém a qualificação de "A-2" para o crédito a curto prazo, que segue na situação de "CreditWatch" (acompanhamento), na qual foi incluído em 30 de novembro de 2010, com implicações negativas. 

Caros,

Isto já nem com a queda do governo vai lá, o que significa que não era a falta de confiança dos governantes que estava a influenciar a economia. Eu sempre defendi aqui neste blog que o maior problema português era a falta de politicas de longo prazo e a ausência de reformas estruturais.

O resultado está a vista... já ninguem acredita que Portugal consiga cumprir, independentemente de quem esteja no poder. Além disso Passos Coelho não é factor de confiança, mas sim um galarote que quer chegar ao poder para tomar o orçamento de assalto, e toda a gente lá fora já viu isso.
Só vejo para a nossa salvação uma saida... Inssureição popular, acabar com a actual classe politica e começar tudo de novo, como uma nova folha de papel. Tomar medidas violentissimas de austeridade, tal como Salazar fez, acabar com a roubalheira, endireitar as contas publicas e depois... talvez consigamos algum progresso e prosperidade. 

Está nas nossas mãos.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

Wall Street Journal - Absentismo escolar em Portugal e seu impacto na economia

Portugal bateu no fundo


Um importante artigo no Wall Street Journal ("A Nation of Dropouts Shakes Europe" faz um diagnóstico deprimente mas certeiro da destruição causadas pelo socialismo. (minha tradução e meus destaques)

1. É preciso aumentar ainda mais os impostos:
"O estado da educação em Portugal diz muito acerca da razão pela qual este irá, com grande probabilidade, necessitar de ajuda externa e porque a factura será alta e difícil. Portugal necessita crescer o suficiente para conseguir pagar a enorme dívida acumulada."

2. É preciso evitar cortes na despesa pública a todo o custo:
"Cortes rápidos e dolorosos, que já estão a ser impostos por todo o continente, são o primeiro passo."

3. Aliás, foi o aumento da despesa que salvou o país da recessão
"A economia - tanto o sector privado como público - acumulou um défice externo superior a 130 mil milhões de euros durante a última década. O estado não tem um orçamento equilibrado, quanto mais um saldo positivo, há mais de 30 anos. (...) O peso da dívida pública, detida em parte por residentes, vai chegar esta ano aos 90% do PIB. A economia portuguesa, o que incluí tanto o sector público como privado, deve ao exterior um montante superior a dois anos de produção de riqueza."

4. O neo-liberalismo irlandês era um "tigre de papel"
"A Irlanda, apesar da brutal crise bancária, continua entre as nações mais ricas da Europa."

5. É preciso mais esquemas como as "novas oportunidades"
"Somente 28% da dos portugueses entre os 25 e os 64 anos terminou o ensino secundário. Na Alemanha são 95%, na República Checa 93% e nos EUA 89%."

6. Aliás, a educação pública é um modelo e a educação privada é uma ameaça aos ideias de justiça e igualdade
"O sistema [público de educação] está calcificado. A administração central exerce um controlo apertado. Os currículos são simultanêamente pouco exigentes e rígidos. As taxas de abandono são elevadas. (...) O Externato de Penafirme, tal outras 90 escolas com "contractos de associação" onde o estado paga uma taxa de gestão a uma entidade privada, segue as linhas gerais do currículo oficial mas selecciona os seus professores. (...) Os resultados dos exames colocam Penafirme nos melhores 15% de todos o país. É a melhor em Torres Vedras (...) Para a actual ministra, Isabel Alçada, direccionar os escassos recursos públicos para entidades privadas como Penafirme enquanto as escolas públicas sofrem de graves carências, "não é justo". 
 

Editorial do Financial Times... Violento


É demasiado tarde para os políticos portugueses culparem quem quer que seja senão eles próprios pela sua crise de dívida soberana. A Irlanda, Espanha e sem dúvida a Grécia podem justificadamente lamentar que, mesmo tendo apertado o cinto, as rendibilidades das suas obrigações estão a ser pressionadas pelo processo desorganizado de condução da política europeia. Mas, depois da turbulência do ano passado, Lisboa ainda não interiorizou a necessidade de viver à altura dos seus meios.

Falta a ambos, Governo e oposição, credibilidade. A austeridade do Governo foi fingida: a redução do défice no ano passado resultou de truques contabilísticos baseados na passagem à esfera pública de um fundo privado de pensões. (Não se podendo acusar a União Europeia por isto, ela é culpada de cumplicidade: as suas regras contabilísticas encorajam estes truques e penalizam aqueles que honram os compromissos dos seus fundos de pensões). A oposição mostrou que tem por prioridade a vantagem política, ao votar contra as novas medidas de austeridade, forçando a demissão de Sócrates. (...)

Política de Verdade

Represento uma política de verdade e de sinceridade, contraposta a uma política de mentira e de segredo. Advoguei sempre que se fizesse a política da verdade, dizendo-se claramente ao povo a situação do País, para o habituar à ideia dos sacri­fícios que haviam um dia de ser feitos, e tanto mais pesados quanto mais tardios.
Advoguei sempre a política do simples bom senso contra a dos gran­diosos planos, tão grandiosos e tão vastos que toda a energia se gastava em admirá-los, faltando-nos as forças para a sua execução.
Advoguei sempre uma política de administração, tão clara e tão sim­ples como a pode fazer qualquer boa dona de casa — política comezinha e modesta que consiste em se gastar bem o que se possui e não se despen­der mais do que os próprios recursos.
António de Oliveira Salazar


Apresentação de Medina Carreira na sala do Senado

 
 
Um video a não perder!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Fitch corta "rating" de Portugal em dois níveis devido à crise política

A agência de notação financeira tinha dito que a crise política não tinha implicações no "rating", mas acaba de cortar a notação do país em dois níveis, no dia seguinte ao da demissão de José Sócrates.

A agência de notação financeira Fitch anunciou hoje um corte de doís níveis no “rating” de Portugal, de A+ para A-, ameaçando novas reduções.

O corte do "rating" é justificado com a crise política em Portugal, depois de o chumbo do PEC, ontem no Parlamento, ter provocado a demissão do Governo.

“A revisão em baixa reflecte os riscos acrescidos em torno da implementação das políticas e do financiamento do défice à luz da inviabilização, pelo Parlamento português, das medidas de consolidação orçamental e da demissão do primeiro-ministro”, argumenta Douglas Renwick director da Fitch para o "rating" de soberanos.

A agência escreve que o facto de o Parlamento português ter inviabilizado as novas medidas de austeridade, levando à demissão do Governo, aumenta “significativamente as hipóteses de Portugal pedir assistência multilateral num prazo próximo”.

“A incapacidade do Parlamento aprovar as medidas (PEC IV), e a incerteza política decorrente, enfraqueceu a credibilidade do programa português de reformas orçamentais e estruturais”.

“Dada a falta de melhoria nas condições de financiamento, a Ficht não assume mais que Portugal consiga neste ano aceder aos mercados a taxas comportáveis”, avisa a agência de notação.

A agência Fitch alerta ainda que sem um pacote de apoio financeiro credível do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia, Portugal sofrerá novo corte de 'rating', possivelmente em vários níveis, nos próximos meses.


Ainda há dois dias, a Fitch afirmava que a disputa política entre PS e PSD não colocava em risco a notação de Portugal, porque não constituía uma ameaça imediata ao cumprimento da meta do défice para 2011, 4,6% do PIB.

Portugal, argumentava então a agência de notação, "já adoptou um orçamento de austeridade para 2011, por isso as disputas políticas não constituem um risco imediato para a meta do défice para este ano"

"O nosso rating para Portugal já é negativo, reflectindo as nossas preocupações sobre a redução do défice e o acesso ao mercado", afirmava o mesmo Douglas Renwick, em declarações à agência Lusa.

Angela Merkel lamenta que Parlamento português tenha chumbado medidas

José Gomes Ferreira e António José Teixeira comentam crise política e eventual pedido de ajuda externa

Passos Coelho: só o Governo sabe se Portugal precisa do fundo de resgate

Caros amigos,

Tenho estado silencioso desde ontem, não fiz qualquer comentário aqui no blog sobre esta temática porque estive expectante a aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

Bem, vamos então analisar as várias questões. Comecemos pelos motivos que levaram a saída do Primeiro Ministro. A principal razão pela qual houve tanta polémica, foi o facto de José Sócrates se ter comprometido junto da comissão europeia em aplicar um conjunto de medidas de austeridade de forma a potenciar a consolidação das contas publicas, sem consultar o Presidente da Republica e o Parlamento.

Para enquadrarmos bem o assunto teremos de regressar "Back in Time" ao período em que Cavaco Silva era Primeiro Ministro, aos anos 90, em que o dinheiro jorrava a rodos vindo dos fundos de coesão da então CEE. Devido as reformas da politica agrícola comum, ao excesso de produção de alguns produtos noutros países, na altura pensava-se que deveria haver complementaridade e não deveria haver duplicação de produção, assim não deveria haver países a produzir a mesma coisa, mas deviam complementar-se entre si e depois trocar os produtos. A ideia até não era má, era talvez utópica e impossível de implementar. Assim, para desmantelar os seus sectores produtivos na área da agricultura (em favor da França) e pescas (em favor da Espanha), Portugal recebeu perto de 2 milhões de contos (contos repito) à hora em fundos estruturais para encontrar novas áreas de produção e alterar o seu tecido e mix de produtos.

Portugal em vez de aplicar esse dinheiro eventualmente nalguma industria em que poderia ser competitivo, nas novas tecnologias e no sector do turismo, não... andou a gastar dinheiro mal gasto em infraestruturas, estradas com fartura, betão, betão, betão, tercearizou a economia e destruiu os sectores primário e secundário.

Na altura achava-se que Portugal iria ser a colónia de ferias dos países ricos, que não iríamos precisar de produzir nada porque eles dariam-nos tudo. Foi assim alegremente que entramos nos governos de Guterres.

Este senhor Guterres mais o seu amigo Pina Moura, delapidaram quais vampiros sequiosos todos os fundos que vieram da então CE e depois UE. No período do Cavaco começou o ataque a função publica, com a entrada de boys do partido em barda, subida de impostos, criação de fundações e institutos públicos, enfim, foi o inicio da grande roubalheira. Ainda me lembro dos protestos que marcaram o fim do Cavaquismo na ponte 25 de Abril.

Por certo, as pessoas que lêem este blog se recordam onde foi o primeiro comício do fim do Cavaquismo, foi aqui em FARO, foi um comício duplo, no Largo da Pontinha estava António Guterres, e no Jardim Manuel Bívar estava Fernando Nogueira, discípulo de Cavaco.

Ainda me recordo como se fosse hoje, de ouvir Guterres dizer quem está a favor do betão, do despesismo dos institutos públicos, dos jobs for the boys, das obras sem concurso publico, das adjudicações directas, do quero posso e mando, do aumento de impostos, etc etc, e só andar 500 metros que o lá é o seu lugar.

Pois bem, o reinado de Guterres foi o inicio do assalto ao orçamento, roubou-se o pais como nunca se tinha visto, adjudicou-se obras faraónicas, gastou-se a tripa forra, e o pais só aguentou neste período porque a conjuntura internacional ajudou, taxas de juro baixas e petróleo barato e em Portugal tínhamos uma situação de quase pleno emprego... a taxa de desemprego roçava os 2%.

Com todas estas medidas sem nexo, em que não se fizeram as reformas estruturais que eram necessárias, na Justiça, na Educação, na Banca, no funcionamento dos órgãos de governo, no plano do ordenamento do território (nº de Municípios e Freguesias); Portugal deitou literalmente uma década fora, e quando Durão Barroso chegou ao poder, o pais estava já completamente de tanga, com um estado monstruoso que já vinha do tempo de Cavaco e agravado pela acção dos Socialistas. Nunca se viu tanto job for the boys e tanta podridão como no tempo de Guterres, foi um ve se te havias de cargos, de posições, de obras publicas adjudicadas por ajuste directo e lesivas para o estado. Foi também o inicio das parcerias publico-privadas, transferindo o risco para o estado de obras que eram feitas por privados. Ou seja, se a coisa corresse bem, o privado recebia o lucro, se corresse mal, o estado pagava a diferença. Lindo!!! Assim também quero uma PPP.

Durão Barroso este pouco tempo no governo, mas também não fez nada que se visse, subiu os impostos para aumentar a receita, ainda conseguiu equilibrar um pouco o deficit, mas também falhou redondamente ao não fazer reformas estruturais. Ainda fez alguma coisa na educação, mas de resto... nada... foi um vazio completo, até que se pirou para Bruxelas para um tachito bom!!!

E finalmente temos então José Socrates, herdeiro do legado destes 3 senhores, Cavaco, Guterres e Barroso.
Na altura fizeram uma sindicancia as contas publicas, feita por Vitor Constâncio e foi apurado que o deficit era de 6,83%... 

O governo Socrático só veio pregar o ultimo prego no caixão português... foi o inicio do grande assalto ao orçamento, juntamente com empreiteiros do regime, adjudicaram obras faraónicas, estradas, pontes, viadutos que não eram necessários ou cuja necessidade não era imediata por preços exorbitantes, sempre com derrapagens, não fizeram as reformas estruturais que eram urgentes, desmantelou o que restava do nosso sector primário e secundário, lançando centenas de pessoas no desemprego, dado que os serviços não conseguiam absorver tanta gente, sobretudo com baixa formação académica.

Não percebem nada de finanças publicas e foram tomando medidas avulsas ao som da opinião publica sem se preocuparem com os possíveis malefícios futuros.
Foram barracadas, roubos, trafulhices, aldrabices, criação de fundações para esconder operações, desorçamentação grave, maquilhagem contabilistica, enfim... 

Criaram o IEP e varreram o lixo todo que havia nas Estradas de Portugal para lá de modo a que essas despesas não aparecessem no orçamento, e por isso não contassem como deficit, quem diz o IEP diz outros organismos similares. Criaram mais PPP com condições de exploração pornográficas. Tomaram de assalto os órgãos de poder e decisão, meteram a justiça no bolso, esticaram os tentáculos do polvo as autarquias e ao poder local... enfim... o poder socrático tornou-se omnipresente.

Durante estes anos estes senhores do PS tomaram conta do pais, fizeram o que quiseram e o que toda a gente sabe. O deficit neste momento é monstruoso e ninguém sabe dizer quanto é com exactidão, dada a maquilhagem que existe nas contas publicas e o numero de gatos que existem com rabo de fora. Só uma auditoria é que conseguirá apurar esses valores.

Entretanto, dada a situação do pais a comissão europeia teve de intervir e Portugal ao contrário do que muitos pensam já vem a ser ajudado, tendo  BCE comprado divida portuguesa para ajudar a baixar as taxas de juro, porque caso contrário estas já estariam mais altas que as da Grécia ou da Irlanda.
O PEC I, o PEC II e o PEC III foram ditados pelos técnicos e burocratas em Bruxelas, Sócrates foi lá chamado deve ter levado um belo puxão de orelhas e devem ter-lhe dito... ou fazes isto... ou então... fechamos-vos a torneira.

Agora com o PEC IV foi o mesmo, na semana anterior, Sócrates foi chamado a BERLIN com carácter de urgência pela Chanceler Merkel, dado que na semana anterior tinham estado peritos em Portugal que descobriram um enorme buraco nas contas públicas. A Senhora MERKEL deve-lhe ter dito que teria de fazer aumentar a receita para tapar o buraco encontrado e fazer outros cortes.
Assim, foi-lhe ordenado um conjunto de medidas para que as aplicasse com carácter de urgência. Foi o que Socrates fez, e se as coisas corressem mal e ele tivesse de se demitir... melhor ainda... assim já tem uma desculpa airosa para sair desta trampa toda que provocou.

A oposição aqui, neste caso, mostraram ser um bando de irresponsáveis. Ao chumbarem o PEC IV e com a demissão de Sócrates, Portugal vai ficar quase 60 dias sem governo, não podendo tomar medidas de fundo. Neste momento isso é suicida. E a verdade é que as taxas de juro ja ultrapassaram os 8%. Diriam alguns que a subida das taxas tinha a ver com a falta de credibilidade do governo... MENTIRA!!!!!

Nada mais falso. As taxas de juro elevadas tem a ver com Portugal no seu todo, governo e oposição e a capacidade de pagar as dividas. Portugal tem taxas de crescimento anémicas, rastejantes, na ordem do 1% ao ano... e temos um endividamento na ordem dos 85% do PIB. Assim não é possível. Socrates já a algum tempo que não passava de uma marioneta de Bruxelas e Berlin, o governo já há muito tempo que entrou em "Piloto Automático". Só não vê quem não quer.

Estar lá o Pedro Passos Coelho ou José Socrates não vai fazer diferença nenhuma, porque não é nenhum dos dois que manda... é a Sra. Merkel.

Passos coelho disse hoje ao Expresso em Bruxelas que só o Governo pode dizer se Portugal precisa de recorrer ao fundo de resgate europeu, já que a oposição não tem conhecimento da verdadeira situação financeira do país. Pedro Passos Coelho, que falava à entrada para uma cimeira do Partido Popular Europeu (PPE), disse ainda acreditar que os seus parceiros da maior família política europeia, entre os quais se contam a chanceler alemã Angela Merkel, entenderão o "chumbo"  do PSD ao Programa de Estabilidade e Crescimento, que precipitou a demissão do primeiro-ministro José Sócrates, pois perceberão que o pior para Portugal seria continuar a ter "um governo fraco".

A senhora Merkel já tinha dito hoje de manhã que o facto do PEC IV ter sido chumbado foi um acto tresloucado de gente irresponsável. E de facto tem razão. Portugal vai dentro de 2 semanas fazer mais uma emissão de divida, e sinceramente não sei o que irá acontecer... sem governo, com orçamento em duodecimos, e em plena campanha eleitoral.

A coisa está mesmo feia, e o pior é que Passos Coelho não é alternativa a Sócrates, e já hoje disse que irá aumentar 1 a 2 pontos percentuais o IVA e eventualmente estudar outras medidas que levem ao aumento da receita, ou seja, mais do mesmo.

Além disso, neste preciso momento em que estou a escrever este texto acabo de saber que a agencia FITCH acaba de baixar o rating de Portugal em 2 níveis. Agora é vão ser elas!

As taxas de juro vão ser monumentais, eu já estava a espera disto, cambada de irresponsáveis!!!!
Era preferível cozinhar o Socrates em banho Maria até Novembro para poder aplicar as medidas anti-crise, conseguir baixar a taxa de juro e eventualmente começar a fazer as reformas, do que isto! Agora vamos pagar todos... segure-se quem poder. Que grande tiro no pé!

E pelo que estou a ver não vai haver auditoria alguma, assim como não vai haver qualquer reforma racional do aparelho de Estado. E não vai, porque, no primeiro caso, ainda descobriam algum rabo de palha do tempo dos governos do PSD/CDS; no segundo, porque acabava com a possibilidade de assistir clientelas. Reformar o Estado deve ser, antes de mais, acabar com serviços inúteis, facilmente substituíveis como direcções gerais, regionais, etc., que são o albergue da rapaziada.

Só me resta dizer... QUE DEUS NOS AJUDE!!!!

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

quarta-feira, 23 de março de 2011

Curso de Politico em 10 lições...

TOP 15 - Momentos Mais Engraçados da Política Portuguesa

Socrates sem tento na lingua...

 
Faz o que eu digo... não faças o que eu faço!!!

Mia Couto - Geração à Rasca - A Nossa Culpa

Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. 
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. 
E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
  
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.  
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
 
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
  
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
  
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
  
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
  
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a
diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
  
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
  
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
  
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
  
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme
convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem
fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço? “
Mia Couto

Clube da bancarrota: Portugal sobe ao 5º lugar

O risco de default voltou a disparar e o país ultrapassou a Argentina. Os juros da dívida a cinco anos estão, de novo, perto dos 8% no mercado secundário. Risco da Grécia e Irlanda volta a disparar.


A probabilidade de default - incumprimento da dívida soberana - da República Portuguesa, num horizonte de cinco anos, voltou a disparar hoje no mercado dos credit default swaps (acrónimo cds, seguros contra o risco de incumprimento na designação em inglês). Ao início da tarde, o risco elevou-se para mais de 38%, quase quatro pontos percentuais acima do valor de fecho de sexta-feira passada, segundo dados da CMA DataVision.
O preço dos cds para Portugal disparou para mais de 530 pontos base, o que implica um spread (diferencial) em relação ao custo dos cds para a dívida alemã (que serve de referência na zona euro) muito superior ao nível crítico de 450 pontos base. Esta situação reflete a deterioração rápida das condições de crédito.
Deste modo, Portugal subiu para a 5ª posição no TOP 10 mundial do risco de default, ultrapassando, de novo, a Argentina.
O aumento significativo da probabilidade de default é hoje extensível à Grécia e à Irlanda, com o primeiro país com o custo dos cds, de novo, acima de 1000 pontos base e com um risco de mais de 57%, e com o segundo país referido na ordem dos 635 pontos base e mais de 42% de risco.
Portugal, Irlanda, Espanha, Grécia e Itália - o grupo jocosamente apelidado de PIIGS - estão, por ora, entre os oito países com maior subida diária do risco, segundo o monitor da CMA DataVision que abarca mais de 80 países.
O disparo no risco, segundo analistas da Eurointelligence, deve-se à ameaça de queda do governo e convocação de eleições antecipadas em Lisboa, ao impasse na renegociação do acordo de resgate à Irlanda pelo novo governo em Dublin (coligação Fine Gael/Trabalhistas) com o Eurogrupo (zona euro) e ao provável bloqueio parlamentar na Finlândia (membro da zona euro) ao potencial acordo a firmar na cimeira da União Europeia esta semana.

Juros a cinco anos perto dos 8%


Ao início da tarde, as yields (juros implícitos) relativas às Obrigações do Tesouro (OT) situam-se nos 7,98%, continuando a tendência de aproximação ao patamar dos 8% e acima dos juros das OT com maturidades a dez anos, segundo dados da Bloomberg. Durante a manhã já chegaram aos 8,02%.
Também nas maturidades a 3 e 10 anos se está a assistir a um disparo, com os juros das OT a três anos nos 7,31% e os a dez anos em 7,46%, ao final da manhã. Os juros de OT a dois anos já estão em 6,45%.
O TOP 10 mundial do risco de default tem como membros: Grécia (que lidera), Venezuela, Paquistão, Irlanda, Portugal, Argentina, Ucrânia, Dubai, Líbano e Egito, por ordem decrescente.
A título indicativo, as yields de titulos soberanos com maturidades a 10 anos, ao início da tarde, eram para os PIIGS: 12,52% para Grécia, 9,77% para Irlanda, 7,46% para Portugal, 5,18% para Espanha e 4,76% para Itália.

domingo, 20 de março de 2011

Milhares contra portagens

Foram milhares os algarvios que ontem participaram na marcha lenta na A22, Via do Infante, contra a introdução de portagens. Com cartazes alusivos à iniciativa, entre as 16h00 e as 18h00 circularam pela via, num claro sinal do descontentamento face à medida que é posta em prática a 15 de Abril.

"É uma vergonha, esta estrada já está paga com dinheiro comunitário", reclamava um popular, por entre buzinas, no cortejo que ligou Vale Paraíso, perto de Albufeira, ao Parque das Cidades, em Faro. "É a única estrada em condições, a EN125 não é alternativa", dizia outro, numa referência à nacional que liga o Algarve de ponta a ponta e que está em fase de requalificação.
A última tentativa das entidades regionais junto do Governo foi precisamente que a introdução de portagens na Via do Infante só fosse concretizada após a conclusão das obras na EN125. Mas nem isso foi atendido pelo poder central. Agora, teme-se os efeitos negativos da medida.

"Estou totalmente contra", disse ao Correio da Manhã Desidério Silva, presidente da Câmara de Albufeira e um dos participantes da marcha lenta. "As portagens vão ter um efeito muito negativo no turismo, em especial entre os turistas espanhóis", explicou o autarca. Na marcha, apelidada de ‘Algarve Livre sem Portagens’, participaram ainda outras figuras da região, como Manuel da Luz, presidente da Câmara de Portimão, ou Macário Correia, autarca de Faro e presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (ver discurso directo).

A participação acabou por superar as expectativas da organização, a cargo do ‘Movimento Algarve – Portagens na A22 Não’ e da Comissão de Utentes da Via do Infante. "Ficou demonstrada a insatisfação da população à introdução de portagens na importante via rodoviária", disseram. 
TODAS AS SCUT PAGAS A 15 DE ABRIL
A Auto-estrada A27, que liga Viana do Castelo a Ponte de Lima, e o troço norte da A28, entre Viana e Caminha, também terão portagens a partir de 15 de Abril.
De acordo com fonte do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, o alargamento da cobrança àqueles troços, incluídos na concessão Norte Litoral, vai acontecer na mesma data da entrada em vigor das portagens electrónicas nas Scut Interior Norte, Beiras Litoral e Alta, Beira Interior e Algarve.
O Conselho de Ministros de 9 de Setembro de 2010 fixou o início da cobrança de portagens nas Scut do Norte Litoral, Grande Porto e Costa de Prata em 15 de Outubro e nas restantes quatro concessões "até 15 de Abril". 

COSTA CONFIA NO BOM SENSO
António Costa, vice-presidente do PS, confia no "bom senso" e na "maturidade política" do PSD para evitar uma crise política que "seria negativa para o País". Costa falava no Funchal, onde se deslocou para apresentar a moção de estratégia que tem como subscritor o secretário-geral José Sócrates. O dirigente admitiu que "se o PSD não se comportar responsavelmente na próxima semana" poderá haver eleições antecipadas, sustentando "não ser possível em Democracia as pessoas recusarem-se a negociar".  

DISCURSO DIRECTO
"GOVERNO TEM ATITUDE AUTISTA": Macário Correia, Pres. Comunidade Intermunicipal Algarve
Correio da Manhã – Ainda é possível evitar as portagens?
Macário Correia – O protesto é sempre meritório, mas o Governo está com uma atitude autista, de arrogância, por isso parece-me uma inevitabilidade.
– Falou com o PSD?
– Falei, mas a resposta não foi no sentido que queríamos nem foi coerente com o que o PSD sempre defendeu.
– Nem há hipótese de se esperar pela requalificação da EN125?
– Foi isso que Governo e PSD disseram, que se esperava pela obra, mas não esperaram. 

sábado, 19 de março de 2011

O caldo vai entornar!!!! LOL


Primeiro que tudo é bom sabermos onde estamos. E onde estamos é simples de definir: não há memória de um governo ter conduzido o país a uma situação tão desesperada. Nunca, nos últimos 160 anos, a dívida pública, em percentagem do PIB, foi tão elevada. E a dívida externa é a maior dos últimos 120 anos, isto é, a maior desde que o país declarou bancarrota em 1892. Nunca, nos últimos 80 anos, o crescimento potencial da economia foi tão baixo (temos de regressar aos anos da I Guerra para vermos números tão maus). Nunca o desemprego foi tão elevado, nunca houve tantos desempregados de longa duração, nem tantos desempregados qualificados. E desde o início da década de 1970 que não se emigrava tanto, e só o rápido aumento do número dos que abandonam Portugal tem evitado uma taxa de desemprego ainda mais estrastrosférica. Tudo isto sucede depois de vários anos a divergir, de novo, da Europa e de, na “década perdida” de 2000-2010, Portugal ter sido o terceiro país do mundo crescer menos.
Convém ter estes dados bem presentes sempre que nos vêm com a ladainha da “crise internacional”: esta só agravou o que já estava muito mal, esta só permitiu a acumulação de novos erros (como os dos orçamentos eleitoralistas de 2008 e 2009). É por isso que, ao contrário do que sugere José Sócrates (repetiu-o na entrevista à SIC), não é verdade que “o que se passa no nosso país passa-se nos outros países europeus”, pois não há dificuldades semelhantes na Alemanha, na Holanda, na Áustria, na Dinamarca, na Suécia. A situação de Portugal só tem comparação com a da Grécia, em parte com a da Irlanda, e lá, como cá, tem a mesma justificação: governos irresponsáveis que fragilizaram os respectivos países ao ponto de estes ficarem à beira da bancarrota, quando estalou a crise internacional. Mas se esta não tivesse chegado, as crises grega, irlandesa e portuguesa não deixariam de ocorrer: estavam escritas nas estrelas da desgovernação.
O facto de existirem governos maus ou muito maus não é, em democracia, razão suficiente para se interromperem ciclos políticos. Mas já é se esses governos colocarem em causa aquilo que a nossa Constituição define como “regular funcionamento das instituições”. Ora Portugal foi conduzido a um desses impasses por obra e graça da actual maioria e do seu chefe, um José Sócrates que tem da democracia uma visão instrumental em tudo semelhante à dos líderes autoritários. Isso voltou a ficar patente nos últimos dias, em que construiu mais uma teia de mentiras e de logros que um PS amestrado se tem apressado a repetir.
A primeira mentira é que Portugal não precisa de ajuda externa. Não só precisa, como já está a recebê-la. Se não fosse o Banco Central Europeu a emprestar aos bancos portugueses, estes já teriam secado. Se o mesmo BCE não tivesse andado a comprar títulos da dívida portuguesa no mercado secundário, esta não estaria entre os sete e os oito por cento, mas muito acima, talvez acima da Irlanda.
A segunda mentira é que Portugal não negociou o apoio externo, porque não o pediu. Na verdade, foi exactamente isso que o Governo português esteve a fazer nas últimas semanas, e, se não chegaram a Lisboa os senhores do FMI, estiveram por aí técnicos da Comissão Europeia e do BCE. Foram-se esses técnicos que se foram embora poucas horas antes de Teixeira dos Santos anunciar o PEC IV.
A terceira mentira é que Portugal decidiu “antecipar-se” e apresentar o PEC IV na cimeira de sexta-feira. Não foi isso que aconteceu. O que aconteceu foi que a missão da Comissão e do BCE detectaram um buraco nas contas de 2011 e preparavam-se para o reportar ao Eurogrupo. Foi para evitar que isso sucedesse que Sócrates se precipitou. Tudo porque, como reconheceu na SIC, os cenários macroeconómicos do Banco de Portugal, do BCE e da Comissão “não eram tão bons” como os do Governo. Pois não: eram apenas realistas.
A quarta mentira é que o Governo está disposto a negociar as medidas, tal como esteve disposto a negociar uma coligação em 2009. Só que o que então foi uma farsa encenada é agora uma tragédia pontuada por proclamações grandiloquentes. Sócrates não quis negociar nessa altura, como tentou sabotar a negociação do Orçamento do Estado, como não quer negociar agora. Primeiro porque, como se assinala nos telegramas do WikiLeaks, não sabe partilhar o poder, nem sabe negociar. Depois, porque não suportaria ter de voltar a ceder ao PSD e ver este partido reivindicar pequenas vitórias. Finalmente, porque teme que por cada semana que passe seja maior a irritação do eleitorado e maior o futuro desastre eleitoral. Como sempre, é calculista.
A quinta mentira é que Portugal ficaria pior, se recorresse formalmente à ajuda externa. Porém, não ficaria pior nos juros que é obrigado a pagar, pois tanto a Grécia como a Irlanda já estão a pagar juros mais baixos. Também não é certo que ficasse pior nas medidas a tomar, pois Portugal já adoptou um ritmo de consolidação orçamental mais rápido do que o exigido a esses países. Por fim é até provável que ficasse melhor, pois não andaria de PEC em PEC e teria uma política mais coerente e não feita de ilusões entremeadas com sobressaltos.
A sexta e maior mentira de todas é a de que o nosso problema é a confiança dos mercados. Não é: o nosso maior problema é a incapacidade da nossa economia de crescer. Os mercados pedem juros mais elevados porque sabem que, continuando a crescer ao ritmo anémico da última década, Portugal não terá qualquer hipótese de pagar os juros da dívida, quanto mais de começar a amortizá-la. Os mercados sabem que emprestar a Portugal é muito mais arriscado do que emprestar à Alemanha, ou à Holanda, ou à República Checa, e não custa perceber porquê.

Pode-se viver muito tempo com mentiras destas, se elas não significarem o sistemático torpedear do funcionamento da democracia. Ora sucede que, para José Sócrates, a democracia não é o que devia ser – “regras que estabelecem como chegar à decisão política e não o que decidir”, como escreveu Norberto Bobbio -, antes uma formalidade com que o seu formidável ego tem de transigir. As manobras dos últimos dias são apenas os mais recentes atropelos ao normal convívio institucional e tão-somente mais uma demonstração de que, nele, nunca é possível confiar. Não é possível selar um acordo com um aperto de mão, porque no minuto seguinte já o está a trair. Não é possível estabelecer princípios comuns, porque não tem princípios. Não é possível conversar porque só sabe gritar, uma sua especialidade parlamentar.
Nas últimas semanas têm-se sucedido situações que, só por si, teriam feito cair ministros, desde o episódio dos cartões únicos no dia das eleições até às condições em que a mulher do ministro da Justiça viu serem-lhe pagos, pelo ministério, 72 mil euros, passando por uma demissão por razões de perseguição política numa direcção regional do Ministério da Educação. Mas com Sócrates nada se passa. Há muito que, fiéis seguidores do “chefe”, os seus ajudantes perderam qualquer noção de ética. E o pior é que esta degradação dos costumes políticos parece contaminar o país, onde já ninguém se indigna ou sobressalta.
Ao fim de seis anos o país não está só economicamente de pantanas – começa a estar moralmente corroído, começa a achar normal o que é anormal, começa a tolerar, ou mesmo a compreender e a justificar, comportamentos que qualquer democracia adulta rejeitaria com indignação. O estilo de Sócrates, a sua “combatividade” sem regras nem princípios, é a projecção no terreno da política dos métodos do projectista da Guarda, do licenciado da Independente e do ministro do Freeport. É um estilo que contamina tudo em redor e reduz a discussão pública às dicotomias tipicamente caudilhistas do “ou eu ou o caos”.
É também por isso que, esgotada qualquer legitimidade, cortadas por vontade própria todas as pontes, a política portuguesa necessita de abrir as janelas e permitir a renovação do ar contaminado. Ao contrário do que parece conveniente dizer, nem todos são iguais e nem Sócrates é apenas mais um “entre eles”. Tem de se regressar a uma política mais respirável, a um espaço público menos condicionado por jogadas baixas e jogos de spin, mas os tempos de crispação que vivemos só se ultrapassam removendo a infecção. Como no PS só Mário Soares parece ainda vivo, o acto higiénico passa por dar a voz aos eleitores. Todo o tempo que passar até lá é tempo perdido.
 
IN: Publico Via Blasfémias

sexta-feira, 18 de março de 2011

Não há inocentes!

Por: Nuno Garoupa
In: Negócios Online

O PEC IV mostrou ao País o abismo em que Portugal tem alegremente caminhado nos últimos meses. 

(1) O PEC IV mostrou ao País o abismo em que Portugal tem alegremente caminhado nos últimos meses. Os portugueses começam a compreender que afinal os Velhos do Restelo tinham razão. Eles andaram a avisar durante anos que vinha a crise total e a ruína. Chegou agora no seu esplendor (devo dizer que bem pior que as previsões dos mais pessimistas). E percebem que o PEC IV não vai ser o último. Na verdade, a desgraça e a penúria começam agora para prolongar-se durante muitos anos, possivelmente toda a década. Claro que ninguém, mas absolutamente ninguém, acredita no PEC IV. Os mercados financeiros nem reagiram. Os líderes europeus disseram o mesmo de sempre, pois Portugal está já completamente isolado e à completa mercê dos seus credores. A própria Merkel voltou a repetir as mesmas palavras da semana anterior aquando da visita de Sócrates a Berlim (quando os "Abrantes" diziam que a interpretação correcta dessas palavras é que não havia necessidade de mais medidas). Depois do PEC IV virá o PEC V e assim por diante. Sem fim. E com muito sofrimento de muitos portugueses.

Só o ego cego do primeiro-ministro e a mais completa falta de realismo do PS podem explicar este PEC IV. Porque o PEC IV apenas responde à necessidade de corrigir a má execução orçamental (que estava óptima no dia anterior ao PEC IV). Basta comparar a Parte I do PEC IV com as Partes II e III. O PEC IV só é claro no que toca a novos impostos e taxas, subir receitas para o Estado e pedir ao contribuinte que pague o descontrole orçamental (neste caso concreto, tapar o buraco descoberto pelas instituições europeias na semana passada). A segunda e a terceira parte, que supostamente falam das reformas estruturais que Portugal precisa, são um conjunto de generalidade, vacuidades, promessas vazias, muitas delas já feitas no passado. O capítulo da justiça, por exemplo, mostra como o Governo não tem qualquer ideia de como resolver o imbróglio em que estamos metidos. Igualmente na saúde ou na educação.

(2) O tempo dos inocentes acabou. A ruína dos portugueses é responsabilidade de um regime perdulário e de uma classe política que governou com demagogia e facilitismo durante os últimos 20 anos. Todos têm culpa. A começar pelos eleitores que votaram sempre alegremente em quem lhes prometia um nível de vida alemão, um Estado social sueco com a produtividade portuguesa. Mas quem governou nos últimos seis anos foi o PS. Foram o PS e o seu primeiro-ministro que desenharam esta estratégia de pseudo-resistência que nos levou ao abismo; foram o PS e o seu primeiro-ministro que enganaram as contas públicas de 2009 e 2010 (basta ler a reacção duríssima do "Financial Times" e do "Wall Street Journal" aos truques orçamentais com o fundo de pensões da PT para perceber que o Ministro das Finanças tem credibilidade zero a nível internacional); foram o PS e o seu primeiro-ministro que falharam todas as reformas estruturais ao ponto de voltar a prometer pela enésima vez o que supostamente já tinha sido feito de 2005 a 2009; são o PS e o seu primeiro-ministro que não conseguem executar o orçamento porque estão dependentes de uma cultura de desperdício que alimenta as suas claques; são o PS e o seu primeiro-ministro que arrasaram o prestígio de Portugal. Em Março de 2010 havia outras alternativas, outros caminhos, outras possibilidades. Mas o PS, prisioneiro do ego cego do primeiro-ministro, decidiu esta alternativa, este caminho que nos levou até ao PEC IV.

O tempo dos inocentes esgotou-se. O Presidente da República fez finalmente o discurso que tinha que ser feito na tomada de posse. Lamenta-se que tinha sido tão tarde. O PSD compreendeu finalmente que o caminho trilhado pelo Primeiro Ministro não tem saída. Muitos milhares de portugueses saíram às ruas e manifestaram-se porque estão fartos. Houve moção de censura, mas um conjunto de artimanhas constitucionais mantém um governo minoritário, sem credibilidade interna e externa, no poder.

Estamos onde estamos porque o primeiro-ministro só tem uma preocupação e um objectivo, a sua sobrevivência política. Não há estratégia. Não há reformismo. Não há programa. Não há solução. Não há conteúdo. Não há Governo. Há resistência. Porque a Europa nos vai resolver o problema do endividamento externo? Não. Porque vamos ter reformas estruturais que vão reduzir drasticamente a necessidade de financiamento externo? Não. Porque milagrosamente isto tem solução? Não. Apenas e só porque o ego cego do Primeiro Ministro e o oportunismo das elites do PS querem sobreviver dia após dia. Enquanto o Primeiro Ministro achar que ainda lhe resta uma última oportunidade eleitoral, vamos cavar o buraco mais e mais. Enquanto o PS achar que se pode manter no poder, ninguém no partido vai abrir a boca para perguntar onde está o tal Estado social que dizem defender.

A coligação governamental irlandesa perdeu 3/4 dos seus deputados nas eleições de Março. O PSOE de Zapatero, depois do pior resultado de sempre na Catalunha em Novembro, prepara-se para uma sova eleitoral sem precedentes em Maio, onde possivelmente perderá os seus feudos históricos (ao ponto de Zapatero anular a sua agenda eleitoral a pedido do partido para que não apareça). Segundo as sondagens, em Portugal, 30-35% gostam e agradecem o primeiro-ministro que temos. Boa sorte!

Professor de Direito da University of Illinois
nuno.garoupa@gmail.com

Análise da execução Orçamental - Janeiro e Fevereiro

Agora que os números da execução orçamental de Fevereiro já estão disponíveis, podemos finalmente tentar perceber o que é propaganda e o que é realidade nas nossas finanças públicas. Ora, há boas e más notícias em relação à execução orçamental. A boa notícia é que não só o saldo global do subsector Estado melhorou, mas também as despesas finalmente começaram a baixar. As más notícias é que as coisas não ficam por aqui. O problema é que estas melhorias só são reais em relação às péssimas execuções orçamentais de 2009 e de 2010 e não aos anos anteriores. Mais: a descida das despesas deveu-se inteiramente ao corte dos salários dos funcionários públicos, bem como a uma surpreendente baixa dos juros. Sim, leu bem. Numa altura em que o Estado se financia a taxas de juros recordes, o nosso governo alcançou a proeza de conseguir fazer baixar os juros da execução orçamental. Simplesmente extraordinário. No entanto, e como veremos mais à frente, persistem os sintomas de que o despesismo do Estado continua de boa saúde, pois não só as aquisições de bens e serviços aumentaram de forma significativa, mas também as receitas fiscais são ainda o principal motivo para a melhoria da consolidação orçamental.

Dito isto, vejamos então com mais pormenor os números agora publicados sobre os primeiros dois meses do ano, comparando-os com as execuções orçamentais de Janeiro e de Fevereiro nos últimos 5 anos. Comecemos com as receitas efectivas (que são iguais às receitas correntes mais as receitas de capital). Como podemos ver no Gráfico 1, as receitas efectivas nos meses de Janeiro e de Fevereiro melhoraram substancialmente em 2011 relativamente a 2010 e até 2009. Todavia, se recuarmos mais no tempo,  facilmente percebemos que as receitas fiscais ainda estão abaixo das colectas obtidas quer em 2007, quer em 2008. Por outras palavras, nem a subida do IVA, nem o terrível agravamento da carga fiscal em 3 pacotes de austeridade, foram suficientes para fazer recuperar as receitas fiscais para os níveis de 2007 e 2008. 
 
Receita Efectiva - Janeiro e Fevereiro
 
Se atentarmos agora para a despesa efectiva, podemos igualmente verificar que, sem dúvida, houve uma descida de 257,6 milhões de euros em relação a 2010. Porém, mais uma vez, e como podemos ver no gráfico 2, a despesa efectiva dos dois primeiros meses de 2011 é substancialmente superior a 2008, a 2007 e a 2006. Ou seja, só houve  uma redução de despesa se nos compararmos às terríveis execuções orçamentais de 2009 e de 2010. Contudo, esta aparente descida da despesa não foi concretizada relativamente aos anos anteriores. Isto apesar de um corte sem precedentes dos salários nominais dos funcionários públicos, bem como 3 pacotes de austeridade. Para mal dos nossos pecados, as despesas do nosso Estado permanecem a níveis historicamente muito elevados.
 
Despesa Efectiva em Janeiro e Fevereiro
E já que o governo andou semanas a propagar a descida  "histórica" da despesa e do saldo global do subsector Estado, vale a pena ainda observarmos a evolução do saldo global deste ano e nos anos precedentes. Como podemos ver no gráfico 3, a mensagem é exactamente a mesma: apesar da propagada descida de 841 milhões de euros, a verdade é que o saldo global em 2011 é o terceiro pior desde 2006 (ou o terceiro melhor, se formos generosos com o governo). No entanto, as melhorias só são "marcantes", porque o governo está a comparar números mais-que-péssimos (em 2009 e 2010) com números maus. Porquê maus? Porque, como sabemos, este "magnífico" saldo global foi alcançado à custa do referido corte de salários e com agravamentos fiscais absolutamente brutais. Porém, nem mesmo assim o saldo global do Estado melhorou em relação a 2008, a 2007 ou a 2006. 
 
Saldo Global do Sub-sector Estado em Janeiro e Fevereiro
Porém, as surpresas não acabam aí. Como já mencionei, porventura o facto mais notável desta execução orçamental tem a ver com a evolução dos juros. Numa altura em que o Estado se financia a taxas de juros recordes (desde que entrámos no euro), todos esperávamos que as despesas com os juros aumentassem. Mas não, por um milagre qualquer, os juros pagos pelo Estado baixaram. Assim, enquanto nos dois primeiros meses do ano de 2010 as despesas com juros atingiram 155,6 milhões de euros, no período homólogo de 2011 os juros caíram para 150,3 milhões de euros, uma variação homóloga de -3,4%. No entanto, este valor é cerca de 83 milhões de euros menor do que em 2009, 186 milhões de euros menor do que em 2008, e 425 milhões de euros inferior aos valores referentes a 2006. Não surpreende que tal tenha acontecido, pois a execução orçamental desta rubrica é de apenas 2,4%, substancialmente abaixo da média da execução orçamental das restantes rubricas de despesas e de receitas, que têm médias de execução entre os 15% e os 20%. Por isso, urge perguntar: o que é que terá acontecido aos juros? Porquê uma execução orçamental tão baixa? E, mais importante, quando e como é que vamos orçamentar as subidas dos juros do nosso Estado? Seria bom se o ministro das Finanças nos esclarecesse estas dúvidas.
 
Juros e outros Encargos do Sub-sector Estado em Janeiro e Fevereiro
Refira-se ainda que a execução orçamental das despesas de capital (8,6%) também é significativamente inferior à média das restantes rubricas. Por outras palavras, inflaciona-se a execução orçamental das receitas, e deflaciona-se o valor de algumas importantes despesas que poderiam fazer facilmente derrapar a propagada descida da receita.
Finalmente, vale ainda a pena olhar para a evolução das aquisições dos bens e serviços do Estado. Como é sabido, os chamados consumos intermédios têm crescido muito nos últimos anos. Por isso, a cortar o despesismo do nosso Estado, não há lugar melhor por onde começar do que na aquisição de bens e serviços. Neste sentido, poderíamos estar tentados a pensar que a austeridade já tinha afectado o comportamento do nosso Estado. Se pensamos assim, estamos muito enganados. As aquisições de bens e serviços aumentaram nada mais nada menos do que 49%. Sim, leu bem. Quarenta e nove por cento. Quem é que disse que o nosso Estado estava em crise? A austeridade é só para os funcionários públicos, para os contribuintes, e (agora) para os pensionistas. Porém, a austeridade não chega ao nosso Estado, que continua a comportar-se como se a crise não existisse, ou como se o Estado estivesse acima das restrições que são impostas aos portugueses. Lamentável, no mínimo.
 
Aquisição de bens e serviços - Janeiro e Fevereiro
Moral da história: é verdade que a despesa caiu em relação a 2010. E ainda bem. Porém, não só as despesas públicas permanecem bem acima dos valores de 2008 e de 2007, como também há todo um número de indicadores que sugerem que ainda estamos bem longe de ter as finanças públicas controladas.
Aliás, perante estes números, e sabendo que os técnicos da missão da União Europeia e do BCE decerto não se deixam enganar pela publicidade enganosa e pelos sucessivos malabarismos contabilísticos deste governo, começamos agora a perceber melhor por que razão os nossos parceiros europeus forçaram o executivo português a apresentar novas medidas de austeridade num mês que, supostamente e de acordo com o governo, tinha sido de uma execução orçamental imaculada. Enfim, uma vergonha. Uma verdadeira vergonha. E o problema é que as irresponsabilidades e as incúrias deste governo ainda vão ter repercussões muito graves. Depois todos estes truques e de toda a propaganda descarada, vamos andar anos (sim, anos) a tentar recuperar a credibilidade do país e das nossas finanças públicas. Uma tarefa que, face às nossas enormes dívidas e às manipulações contabilísticas levadas a cabo nos últimos anos, será verdadeiramente herculeana.
 
IN: Desmistos