segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
O Blog Faro é Faro já tem uma C-Box Online
Para podermos discutir ainda mais a nossa cidade, de forma construtiva e ponderada acabei de criar a C-BOX que podem encontrar no MENU à direita. Usem e abusem, discutam, falem dos problemas desta cidade e aproveitem para socializar.
O blog Faro é Faro sempre foi um blog aberto, sem censura, sem dogmas, tratando os problemas "Pelos cornos" sem rodeios ou floreados.
Tentei que nestes 3 meses de postagens, em que mais de 6500 pessoas visitaram o blog e foram publicados cerca de 380 posts, tentou-se elevar o nível da discussão, apresentando textos sobre os mais variados assuntos, desde a nossa historia, os nossos problemas, náutica, economia e política.
Tenho pena dos posts não serem muito comentados e não haver grande partilha de ideias e experiências, mas espero que com a C-Box as pessoas não fiquem tão "acanhadas".
Um abraço a todos, espero continuar a contar com a vossa preferência.
Cumprimentos cordiais
Luís Passos
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segunda-feira, fevereiro 07, 2011
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Plano-Inclinado: A divida externa de Portugal
Mais uma edição do programa com Medina Carreira e Mário Crespo, desta vez o convidado é o DR. Carlos Monjardino (Presidente da Fundação Oriente) para debaterem A Divida Externa de Portugal, a relação da China com Europa.
Cumprimentos cordiais
Luís Passos
Ruinas Romanas do Milreu
Imperdoável, quem for de Faro e nunca ter visitado este importante pedaço da nossa historia, em Estoi.
Faça uma visita guiada em fotografias aqui!
Faça uma visita guiada em fotografias aqui!
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segunda-feira, fevereiro 07, 2011
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Embarcações Farenses
Lancha "PRIMOS"
Lanchão-motor PRIMOS, 27,67m/108,58tb, construído em 1946 por António Geraldo, Faro, para Leonel Rosa Agostinho, Faro, saindo a barra do Douro, década de 60. / (c) foto de Rui Amaro /.
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segunda-feira, fevereiro 07, 2011
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Navios Portugueses
A reconstrução do SANTA MARIA MANUELA
Caros,
Este lugre, o Santa Maria Manuela é um dos 3 famosos lugres bacalhoeiros construídos nos estaleiros da CUF, a saber, o ARGUS, O CREOULA e o SANTA MARIA MANUELA.
Aqui vos deixo um pouco da historia do navio:
O Santa Maria Manuela era um lugre de 4 mastros construído nos estaleiros da Companhia União Fabril, em Lisboa durante 1937 no tempo recorde de 60 dias para a Empresa de Pesca de Viana.
O aço da construção, de grande qualidade, destinava-se originalmente a dois navios de guerra que, por diversas circunstâncias acabaram por se não construir, sendo finalmente utilizado na construção do Santa Maria Manuela e do seu irmão gémeo, o Creoula.
A partir daquele ano, realizou dezenas de campanhas de pesca do bacalhau na Terra Nova e Groenlândia. Em viagem normal navegava com 54 pescadores, 10 moços de convés, 2 cozinheiros, 3 oficiais de máquinas, 2 oficiais de ponte e capitão. Podia carregar mais de 12.000 quintais de bacalhau salgado e bem como cerca de 60 toneladas de óleo de figado de bacalhau.
Anualmente, durante o Inverno, era desmastreado sendo revisto todo o seu aparelho fixo e de laborar bem como as duas andainas de pano.
Navegava geralmente a motor e à vela obtendo, assim, a melhor velocidade e qualidades de manobra. Com mau tempo fazia boa capa podendo, com bom tempo, alcançar os 12/13 nós de velocidade percorrendo a distância até Portugal em cerca de 9 dias.
A forma do casco do Santa Maria Manuela é a dos tradicionais lugres à vela da primeira metade deste século utilizados na pesca do bacalhau que vieram a ser conhecidos internacionalmente no seu conjunto como a famosa "Portuguese White Fleet".
O aço da construção, de grande qualidade, destinava-se originalmente a dois navios de guerra que, por diversas circunstâncias acabaram por se não construir, sendo finalmente utilizado na construção do Santa Maria Manuela e do seu irmão gémeo, o Creoula.
A partir daquele ano, realizou dezenas de campanhas de pesca do bacalhau na Terra Nova e Groenlândia. Em viagem normal navegava com 54 pescadores, 10 moços de convés, 2 cozinheiros, 3 oficiais de máquinas, 2 oficiais de ponte e capitão. Podia carregar mais de 12.000 quintais de bacalhau salgado e bem como cerca de 60 toneladas de óleo de figado de bacalhau.
Anualmente, durante o Inverno, era desmastreado sendo revisto todo o seu aparelho fixo e de laborar bem como as duas andainas de pano.
Navegava geralmente a motor e à vela obtendo, assim, a melhor velocidade e qualidades de manobra. Com mau tempo fazia boa capa podendo, com bom tempo, alcançar os 12/13 nós de velocidade percorrendo a distância até Portugal em cerca de 9 dias.
A forma do casco do Santa Maria Manuela é a dos tradicionais lugres à vela da primeira metade deste século utilizados na pesca do bacalhau que vieram a ser conhecidos internacionalmente no seu conjunto como a famosa "Portuguese White Fleet".
Trata-se de um navio de quilha corrida e leme ordinário no seu prolongamento, grande calado, pequeno pontal e boca ficando assim com as formas afiadas que apresenta. A proa é de colher, saindo aí o gurupés. A popa é arredondada com um lançamento acentuado. A borda falsa é corrida tendo várias portas de mar, buzinas maiores para as espias e outras mais pequenas para passagem das escotas das extêndulas. O convés é em tabuado corrido, assente sobre vigas e longarinas, tendo um pequeno desnível a meia nau, interrompido por vários rufos, 4 mastros e cabrestantes.
A Empresa de Pesca de Viana manteve o navio em actividade até 1962, ano em que o vendeu a um armador da praça de Aveiro - a Empresa de Pesca Ribau - que ainda operou com o navio na sua forma original durante alguns anos.
No fim da década de sessenta, o navio iniciou uma fase de importantes transformações sendo-lhe retirados sucessivamente os mastros, acrescentado um novo convés, uma ponte de comando e nova motorização. Tais alterações foram ditadas por imperativos de viabilização económica bem como pelas inovações tecnológicas introduzidas na pesca do bacalhau tendo, em consequência, sido abandonada a pesca do bacalhau à linha em doris e introduzido o sistema de redes de emalhar com baleeiras de alumínio e alador directo do navio bem como o sistemas de "long-line".
Em 1993, apesar de todas as transformações sofridas, o navio é considerado obsoleto sendo abatido por demolição ao registo dos navios de pesca.
Em 1994, alguns membros fundadores da actual Fundação Santa Maria Manuela unidos pelos mesmos ideais, conscientes do valor dos salvados na eminência de serem vendidos para o estrangeiro e, com a prestimosa ajuda do Armador, decidiu comprar toda a sucata de ferro do navio (parte do casco e alguns equipamentos actualmente no Estaleiro de S.Jacinto, SA em Aveiro) e iniciar o presente processo de recuperação da réplica do Santa Maria Manuela segundo o projecto original, de 1937, tendo em vista alcançar os objectivos estatutários da Fundação.
A Empresa de Pesca de Viana manteve o navio em actividade até 1962, ano em que o vendeu a um armador da praça de Aveiro - a Empresa de Pesca Ribau - que ainda operou com o navio na sua forma original durante alguns anos.
No fim da década de sessenta, o navio iniciou uma fase de importantes transformações sendo-lhe retirados sucessivamente os mastros, acrescentado um novo convés, uma ponte de comando e nova motorização. Tais alterações foram ditadas por imperativos de viabilização económica bem como pelas inovações tecnológicas introduzidas na pesca do bacalhau tendo, em consequência, sido abandonada a pesca do bacalhau à linha em doris e introduzido o sistema de redes de emalhar com baleeiras de alumínio e alador directo do navio bem como o sistemas de "long-line".
Em 1993, apesar de todas as transformações sofridas, o navio é considerado obsoleto sendo abatido por demolição ao registo dos navios de pesca.
Em 1994, alguns membros fundadores da actual Fundação Santa Maria Manuela unidos pelos mesmos ideais, conscientes do valor dos salvados na eminência de serem vendidos para o estrangeiro e, com a prestimosa ajuda do Armador, decidiu comprar toda a sucata de ferro do navio (parte do casco e alguns equipamentos actualmente no Estaleiro de S.Jacinto, SA em Aveiro) e iniciar o presente processo de recuperação da réplica do Santa Maria Manuela segundo o projecto original, de 1937, tendo em vista alcançar os objectivos estatutários da Fundação.
Características
- Comprimento fora a fora: 62,83 m.
Comprimento entre perpendiculares: 50,20 m.
Boca: 9,9 m.
Pontal: 5,94 m.
Imersão média: 4,55 m.
Deslocamento máximo: 1237 ton.
Água doce: 184 m3
Combustível: 80 m3
Motor: Diesel de 150 KW
Instruendos: 26
Convidados (máx.): 6
Para ficarem a saber ainda mais sobre como era a vida a bordo destas embarcações convido-os a ver o documentários "White Ships", rodado a bordo do Santa Maria Manuela quando este ainda estava no activo.
Cumprimentos cordiais
Luís Passos
A geração lixada pelos 'direitos adquiridos'
Um casal jovem paga uma renda 25 vezes superior à renda do casalinho de 60 anos (por um apartamento idêntico no mesmo prédio). Este é o exemplo maior de uma política que beneficiou quem se instalou primeiro, isto é, uma política que lixou a minha geração.
I. A lei das rendas , a segurança social e as leis laborais criaram um ambiente que se tornou inimigo das gerações mais novas. Portugal está bloqueado em locais-chave, porque leis e direitos protegem uma geração em detrimento das mais novas. E não há maior exemplo disso do que o mercado de arrendamento. No centro de Lisboa, pessoas têm casas arrendadas por 15, 20 euros. Porquê? Porque estas rendas foram congeladas há décadas. E os políticos nunca tiveram coragem de enfrentar esta geração de inquilinos privilegiados (que têm direito a habitação quase gratuita). Resultado: a minha geração ficou sem um meio que é absolutamente central no começo da vida adulta em qualquer país civilizado e incivilizado: o mercado de arrendamento. Mais: sem a solução de um mercado de rendas competitivo (i.e., barato), a minha geração enforcou-se no crédito à habitação, contribuindo assim para o nosso maior problema: o endividamento. Mas, de forma inacreditável, os políticos não falam disto. Há um silêncio de morte sobre este assunto, porque, então, pá, há direitos adquiridos a proteger. E também não podemos reclamar contra as reformas, porque isso é ir contra os direitos adquiridos (cala-te, paga estas reformas a 80% do último salário, e terás como recompensa uma reforma nos 40%, se tiveres sorte; cala-te e trabalha). Também é pecado falar de reformas da lei laboral que deem aos empresários mais meios para criarem novos empregos (cala-te, pá, que isso é fascismo; cala-te e emigra, vai trabalhar para terras onde os direitos não são adquiridos mas trabalhados todos os dias).
II. Uma carta de uma leitora do Expresso (último sábado), Joana Cansado Carvalho, diz tudo o que há a dizer sobre a geração lixada pelos direitos adquiridos. É ler e espalhar:
"Tenho 29 anos e trabalho a recibos verdes. Para que fique claro, aqui vai a tradução: sou jovem, não vivo do subsídio de desemprego; e não tenho contrato de trabalho, não gozando assim dos direitos a ele associados (baixa, férias, etc.). Não lamento a instabilidade da minha situação (...) e gosto do que faço. No entanto, escutando os nossos políticos, os manifestantes das ruas, os participantes em debates televisivos, nunca se ouve falar do milhão de portugueses que, como eu, dependem de si próprios para se sustentarem nesta época de crise. Ninguém diz, por exemplo, que o crescimento extraordinário do país que se seguiu à entrada da CEE se fez apesar da nossa lei laboral, e não por causa dela; foi o elemento de flexibilidade representado pelos trabalhadores de recibos verdes que compensou a rigidez de um sistema baseado em direitos adquiridos por uma geração que viveu o PREC - não era mais produtiva, não estava mais bem preparada, simplesmente estava lá em 1974 (...) E quem afirma, sem papas na língua, que o dinheiro que descontamos para a segurança social é pura caridade, porque nunca vamos recuperá-lo? A questão é matemática e bastante fácil de compreender: havia muito mais gente a descontar para pagar as pensões dos reformados quando o sistema foi concebido do que há hoje em dia (...) para qualquer trabalhador a recibos verdes, as recentes alterações ao código contributivo são um insulto (...) Está na altura de lembrar aos senhores que viveram o PREC e aos políticos que têm filhos e netos na minha situação que só lhes ficava bem se percebessem que o nosso futuro depende da sua capacidade de facilitarem as urgentes reformas estruturais, abdicando dos famosos direitos adquiridos que mais não são do que privilégios inexplicados pelo passado e inexplicáveis face ao que aí vem".
In: Expresso
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segunda-feira, fevereiro 07, 2011
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domingo, 6 de fevereiro de 2011
Pesca do bacalhau os dias de glória e de miséria
Convido-os a ver este fabuloso documentário sobre a pesca do bacalhau na Terra Nova.
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domingo, fevereiro 06, 2011
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A tasca das Fodinhas
LOL... ;)
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domingo, fevereiro 06, 2011
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sábado, 5 de fevereiro de 2011
Praia de Faro, anos 70
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sábado, fevereiro 05, 2011
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PRAIA DE FARO
RENAULT 4L
Um pouco de Historia
O Renault 4 apareceu no final dos anos 50. Os carros populares que faziam sucesso em França eram o Citroën 2CV, projectado em 1936 e lançado em 1948, e o Renault 4CV, cujo lançamento datava de Agosto de 1947. Para a necessária substituição do velhinho Renault, Pierre Dreyfus (presidente) reuniu a sua melhor equipe de técnicos e engenheiros. Dreyfus exigiu-lhes um automóvel simples, moderno, barato e funcional, capaz de atender a tudo e todos, eficaz em estradas e no campo.
Estava também definido que o novo Renault teria por volta de 600 cm3 e 20cv e que herdaria boa parte da mecânica do 4CV, mas a tracção seria obrigatoriamente dianteira, o primeiro Renault com esta configuração. Em 3 de Agosto de 1961 era apresentado o Renault 4L, mas ficaria para sempre apelidado como R4. O seu primeiro motor tinha quatro cilindros, caixa de três velocidades em linha e 603 cm3. A potência de 20 cv ás 4.700 rpm permitia velocidade máxima de 95 km/h e um consumo médio de 15 km/l. O capô abria-se de trás para a frente e a suspensão era independente nas quatro rodas, com barras de torção em ambos os eixos. E tinha uma grande primazia: o primeiro sistema de refrigeração selado do mundo, que evitava a perda e consequente reposição do liquido de refrigeração. Uma peculiaridade do novo Renault 4L era a distância entre eixos maior no lado direito, 2,45 contra 2,40 metros, uma imposição do tipo de suspensão traseira.
Por dentro a 4L era extremamente simples. Acomodava bem quatro passageiros em bancos muito simples, que só tinham forro, sendo que a estrutura era visível por trás e de lado. O espaço para bagagem também era razoável, podendo chegar a 950 litros sem assentos traseiros. À frente do volante de três raios ficavam apenas velocímetro e marcador de combustível, e o retrovisor no centro do painel do habitáculo.
Em 1962 era lançada a versão Super e passava a existir uma motorização de 747 cm3 de 27 cv. Um novo câmbio de quatro marchas estava também disponível e a velocidade máxima rompia agora os 100 km/h. Outra novidade era a versão Fourgonette (furgão em francês) que tinha a capacidade de carga aumentada. A parte traseira era mais alta e mais larga a cabine e o cliente podia optar por porta traseira de abertura lateral ou vertical bipartida.
Em 1964 eram atingidas as primeiras 500000 unidades matriculadas. A versão de passageiros da versão Fourgonette apenas veio em 1965. Neste ano chegava também a versão Parisiénne, criada em parceria com a revista feminina Elle. Esta versão tinha a particularidade de ter, nas laterais, uma pintura quadriculada escocesa, vermelha e preta, ou com tons bege e preto. Nesta versão os bancos dianteiros eram individuais. Era bastante bonito, chamava a atenção e tinha um certo charme, principalmente diante do público feminino. O motor crescia, passava a 845 cm3 e 34 cv. A velocidade máxima era agora de 115 km/h. Um ano depois o R4 ganhava uma grade maior, com aspecto mais moderno, que ocupava toda a largura da frente. O painel era redesenhado e todos os bancos ganhavam forras integrais. No inicio de 1966 o primeiro milhão de unidades matriculadas era atingido.
Em Setembro de 1970 o modelo Rodeo era apresentado, de desenho muito simples e com mecânica do R4, tinha carroçaria em plástico reforçado com fibra-de-vidro. Tinha duas portas e capota de lona. Era um concorrente directo do Mehari, derivado do Citroën 2CV. A concorrência começava a aumentar. Na mesma faixa de preço, além dos antigos "inimigos", estavam também Ford Escort, o Opel Kadett e o Fiat 127.
Em 1975 o R4 ganhava novos pára-choques e a grade tornava-se rectangular. O novo painel, com acabamento quase todo preto, era maior e mais seguro, com protecção de borracha. A alavanca de câmbio e o retrovisor continuavam no mesmo sitio. Os bancos estavam mais anatómicos, confortáveis e com encostos para a cabeça. Em 1977 eram celebradas cinco milhões de unidades produzidas. Número que confirmava o sucesso alcançado pelo pequeno Renault.
Travões dianteiros de disco eram introduzidos em 1983, bem como um motor de maior cilindrada, que equipava uma nova versão denominada GTL, com 1.108 cm3, 34 cv às 4.000 rpm e velocidade final de 122 km/h. Em 1991 existiam as versões TL, GTL e GTL 4x4, com tracção nas quatro rodas. Foi um carro bastante comum nos correios e nas empresas de entrega rápida, mas também podia ser encontrado frequentemente nos quartéis da polícia e dos bombeiros. A Renault 4L é um dos carros mais vendidos com mais de 8 milhões de viaturas matriculadas.
Estava também definido que o novo Renault teria por volta de 600 cm3 e 20cv e que herdaria boa parte da mecânica do 4CV, mas a tracção seria obrigatoriamente dianteira, o primeiro Renault com esta configuração. Em 3 de Agosto de 1961 era apresentado o Renault 4L, mas ficaria para sempre apelidado como R4. O seu primeiro motor tinha quatro cilindros, caixa de três velocidades em linha e 603 cm3. A potência de 20 cv ás 4.700 rpm permitia velocidade máxima de 95 km/h e um consumo médio de 15 km/l. O capô abria-se de trás para a frente e a suspensão era independente nas quatro rodas, com barras de torção em ambos os eixos. E tinha uma grande primazia: o primeiro sistema de refrigeração selado do mundo, que evitava a perda e consequente reposição do liquido de refrigeração. Uma peculiaridade do novo Renault 4L era a distância entre eixos maior no lado direito, 2,45 contra 2,40 metros, uma imposição do tipo de suspensão traseira.
Por dentro a 4L era extremamente simples. Acomodava bem quatro passageiros em bancos muito simples, que só tinham forro, sendo que a estrutura era visível por trás e de lado. O espaço para bagagem também era razoável, podendo chegar a 950 litros sem assentos traseiros. À frente do volante de três raios ficavam apenas velocímetro e marcador de combustível, e o retrovisor no centro do painel do habitáculo.
Em 1962 era lançada a versão Super e passava a existir uma motorização de 747 cm3 de 27 cv. Um novo câmbio de quatro marchas estava também disponível e a velocidade máxima rompia agora os 100 km/h. Outra novidade era a versão Fourgonette (furgão em francês) que tinha a capacidade de carga aumentada. A parte traseira era mais alta e mais larga a cabine e o cliente podia optar por porta traseira de abertura lateral ou vertical bipartida.
Em 1964 eram atingidas as primeiras 500000 unidades matriculadas. A versão de passageiros da versão Fourgonette apenas veio em 1965. Neste ano chegava também a versão Parisiénne, criada em parceria com a revista feminina Elle. Esta versão tinha a particularidade de ter, nas laterais, uma pintura quadriculada escocesa, vermelha e preta, ou com tons bege e preto. Nesta versão os bancos dianteiros eram individuais. Era bastante bonito, chamava a atenção e tinha um certo charme, principalmente diante do público feminino. O motor crescia, passava a 845 cm3 e 34 cv. A velocidade máxima era agora de 115 km/h. Um ano depois o R4 ganhava uma grade maior, com aspecto mais moderno, que ocupava toda a largura da frente. O painel era redesenhado e todos os bancos ganhavam forras integrais. No inicio de 1966 o primeiro milhão de unidades matriculadas era atingido.
Em Setembro de 1970 o modelo Rodeo era apresentado, de desenho muito simples e com mecânica do R4, tinha carroçaria em plástico reforçado com fibra-de-vidro. Tinha duas portas e capota de lona. Era um concorrente directo do Mehari, derivado do Citroën 2CV. A concorrência começava a aumentar. Na mesma faixa de preço, além dos antigos "inimigos", estavam também Ford Escort, o Opel Kadett e o Fiat 127.
Em 1975 o R4 ganhava novos pára-choques e a grade tornava-se rectangular. O novo painel, com acabamento quase todo preto, era maior e mais seguro, com protecção de borracha. A alavanca de câmbio e o retrovisor continuavam no mesmo sitio. Os bancos estavam mais anatómicos, confortáveis e com encostos para a cabeça. Em 1977 eram celebradas cinco milhões de unidades produzidas. Número que confirmava o sucesso alcançado pelo pequeno Renault.
Travões dianteiros de disco eram introduzidos em 1983, bem como um motor de maior cilindrada, que equipava uma nova versão denominada GTL, com 1.108 cm3, 34 cv às 4.000 rpm e velocidade final de 122 km/h. Em 1991 existiam as versões TL, GTL e GTL 4x4, com tracção nas quatro rodas. Foi um carro bastante comum nos correios e nas empresas de entrega rápida, mas também podia ser encontrado frequentemente nos quartéis da polícia e dos bombeiros. A Renault 4L é um dos carros mais vendidos com mais de 8 milhões de viaturas matriculadas.
Neste momento de crise que este pais atravessa, seria uma boa ideia voltar aos conceitos originais. Um carro barato de adquirir, barato de manter, que atinja uma velocidade ate 160 km/h fazendo um consumo de perto de 4 a 5 litros aos 100 km/h; esta seria a premissa para os dias de hoje.
De facto a malta quer é BMW, Audi, Mercedes e outras bombas, porém anda a compra-las com dinheiro emprestado. Depois manter esses carros custa caríssimo, pneus, revisões, acessórios, etc.
O que Portugal precisava para reduzir o deficit externo era um carro de fabrico nacional, com as premissas que levaram a construção do 4L, adaptado aos tempos actuais, de baixo consumo, barato de adquirir (no máximo custar 7500€), muito fiável e simples. Será que é possivel?
Cumprimentos cordiais
Luís Passos
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sábado, fevereiro 05, 2011
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A geração do Baby-boom - Os destruidores de Portugal
Retirado dos Comentários do Blasfémias:
Aprecio a capacidade da nomenclatura que nos desgoverna e que vive bem neste sistema, de dar a volta ao texto e de hipocritamente passar as culpas para uma geração inteira.
A culpa na verdade é única e exclusiva dum sistema político que pôs o Estado ao serviço de uma suposta elite que, para se governar economicamente, desgovernou este país.
A tríade banqueiros, empresas de construção civil e grandes escritórios de advogados, corromperam os políticos para olharem para o lado enquanto saqueavam os impostos dos contribuintes e as remessas da CEE.
Este dinheiro fácil levou aos investimentos sem risco na compra das EDPs, Galps, PTs, Brisas, e a investimentos desnecessários para encher os bolsos a algumas Mota Engil deste país.
Naturalmente que os investimentos com algum risco, como por exemplo, a renovação da indústria textil, do calçado, na metalomecânica, nos moldes, nos componentes electrónicos e na transformação de matéria prima nacional ficaram na gaveta ou foram feitos por quem não tinha capacidade financeira para os potenciar.
E mesmo que tenham sucesso nestes empreendimentos, como não têm o suporte da banca e dos grandes lobies dos partidos do alterne, são obrigados a suportar impostos de caixão à cova, para produzirem têm de pagar à EDP balúrdios pela energia de má qualidade, para exportarem os produtos que fabricam têm de pagar os combustíveis a preços nas nuvens e circular e transportá-los em auto estradas com custos de luxo.
Pois são estes investimentos que geram o maior número de empregos e o maior número de exportações!
Pode, por exemplo, o Berardo ser acusado de não investir na indústria de produção dos chamados “bens transacionáveis” se ganha milhões na especulação bolsista sem qualquer risco?
Quem foram os responsáveis pela implementação desta política que destruiu o tecido produtivo português e que não permite a sua reconstrução impedindo o crescimento económico deste país e a criação de empregos de qualidade e com salários mais justos?
Foi toda uma geração ou foram só alguns como o Mário Soares, Cavaco Silva e a sua quadrilha de futuros malfeitores, Durão Barroso, Vitor Constâncio, José Sócrates e o seu bando de abutres, António Guterres, Pina Moura, Durão Barroso, Teixeira dos Santos, etc.?
E com isto não pretendo ilibar “Este povo não presta” de Luís Manuel Cunha, que votou nesta escumalha, pois foi enganado por uma comunicação social e pelos fazedores de opinião bem conhecidos que vivem nesta lama como o peixe na água.
A culpa na verdade é única e exclusiva dum sistema político que pôs o Estado ao serviço de uma suposta elite que, para se governar economicamente, desgovernou este país.
A tríade banqueiros, empresas de construção civil e grandes escritórios de advogados, corromperam os políticos para olharem para o lado enquanto saqueavam os impostos dos contribuintes e as remessas da CEE.
Este dinheiro fácil levou aos investimentos sem risco na compra das EDPs, Galps, PTs, Brisas, e a investimentos desnecessários para encher os bolsos a algumas Mota Engil deste país.
Naturalmente que os investimentos com algum risco, como por exemplo, a renovação da indústria textil, do calçado, na metalomecânica, nos moldes, nos componentes electrónicos e na transformação de matéria prima nacional ficaram na gaveta ou foram feitos por quem não tinha capacidade financeira para os potenciar.
E mesmo que tenham sucesso nestes empreendimentos, como não têm o suporte da banca e dos grandes lobies dos partidos do alterne, são obrigados a suportar impostos de caixão à cova, para produzirem têm de pagar à EDP balúrdios pela energia de má qualidade, para exportarem os produtos que fabricam têm de pagar os combustíveis a preços nas nuvens e circular e transportá-los em auto estradas com custos de luxo.
Pois são estes investimentos que geram o maior número de empregos e o maior número de exportações!
Pode, por exemplo, o Berardo ser acusado de não investir na indústria de produção dos chamados “bens transacionáveis” se ganha milhões na especulação bolsista sem qualquer risco?
Quem foram os responsáveis pela implementação desta política que destruiu o tecido produtivo português e que não permite a sua reconstrução impedindo o crescimento económico deste país e a criação de empregos de qualidade e com salários mais justos?
Foi toda uma geração ou foram só alguns como o Mário Soares, Cavaco Silva e a sua quadrilha de futuros malfeitores, Durão Barroso, Vitor Constâncio, José Sócrates e o seu bando de abutres, António Guterres, Pina Moura, Durão Barroso, Teixeira dos Santos, etc.?
E com isto não pretendo ilibar “Este povo não presta” de Luís Manuel Cunha, que votou nesta escumalha, pois foi enganado por uma comunicação social e pelos fazedores de opinião bem conhecidos que vivem nesta lama como o peixe na água.
Enquanto este pais não perceber que em vez de andar com joguinhos de especulação bolsista e imobiliária tem de investir no sector dos bens transaccionáveis porque é isso que produz riqueza, gera emprego e coloca o dinheiro a circular permitindo uma repartição mais justa, não vai a lado nenhum. De facto esta geração do Baby-Boom deixou o nosso pais de gatas.
Vamos ver se a geração de 80 e 90 tem unhas para o re-erguer!
Cumprimentos cordiais
Luís Passos
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sábado, fevereiro 05, 2011
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Economia Nacional,
Portugal Real
Adeus, até ao meu regresso - Documentário
Caros,
O blog Faro é Faro convida os seus leitores a verem este excelente documentário - "Adeus, até ao meu regresso - Soldados do Império", como forma de homenagear os nossos soldados que tombaram sob o fogo inimigo enquanto defendiam a pátria.
Cumprimentos cordiais
Luís Passos
PARTE I
Parte II
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Africa,
Documentários,
Guerra Colonial,
Portugal
Assim nos foi apresentado o inicio da Guerra Colonial
Foi assim que Salazar se dirigiu a população, solicitando a coesão nacional, de modo a que "rapidamente e em força", se pusesse termo as hostilidades, que infelizmente duraram mais de 10 anos.
Se não fosse a Abrilada, que precipitou o fim da Guerra Colonial, depois de tanto sangue ter sido derramado, entregando os territórios de mão beijada, retirando de forma trágica deixando para trás uma guerra ainda pior que a guerra colonial (a guerra entre facções), quer em numero de mortos, quer em anos de duração.
Não foi de facto a melhor hora portuguesa... Foi uma derrota trágica, a Guerra Colonial estava praticamente ganha, só na Guiné é que a coisa estava pior, mas era possível ainda dominar a situação. O 25 de Abril precipitou o processo que estava em curso desde 1970 para a condução dos processos de independência nos antigos territórios ultramarinos.
Hoje, Portugal devia honrar os que morreram e se sacrificaram pela Pátria, mas não, cospe-lhes em cima.
É o pais que temos...
Cumprimentos cordiais
Luís Passos
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sábado, fevereiro 05, 2011
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Tudo o que espoliámos à “geração sem remuneração”
Quando o FMI chegou pela segunda vez a Portugal, em 1983, eu tinha 26 anos. Num daqueles dias de ambiente pesado, quando havia bandeiras pretas hasteadas nos portões das fábricas da periferia de Lisboa, quando nos admirávamos com ser possível continuar a viver e a trabalhar com meses e meses de salários em atraso, almocei com um incorrigível optimista no Martinho da Arcada. Nunca mais me esqueci de uma sua observação singela: “Já reparaste como, apesar de todos os actuais problemas, a nossa geração vive melhor do que as dos nossos pais? Tenta lembrar-te de como era quando eras miúdo…”
Era verdade: a minha geração viveu e vive muito melhor do que a dos seus pais. E eles já viveram melhor do que os pais deles. Mas quando olho para a geração dos meus filhos, e dos que são mais novos do que eles, sinto, sei, que já não vai ser assim. E não vai ser assim porque nós estragámos tudo – ou ajudámos a estragar tudo. Talvez aqueles que são um bocadinho mais velhos do que eu, os verdadeiros herdeiros da “geração de 60”, os que ocuparam o grosso dos lugares do poder nas últimas três décadas, tenham um bocado mais de responsabilidade. Mas ninguém duvide que o futuro que estamos a deixar aos mais novos é muito pouco apetecível. E que o seu presente já é, em muitos aspectos, insuportável.
Começámos por lhes chamar a “geração 500 euros”, pois eram licenciados e muitos não conseguiam empregos senão no limiar do salário mínimo. Agora é ainda pior. Quase um em cada quatro pura e simplesmente não encontram emprego (mais de 30 por cento se tiverem um curso superior). Dos que encontram, muitos estão em “call centers”, em caixas de supermercados, ao volante de táxis, até com uma esfregona e um balde nas mãos apesar de terem andado pela Universidade e terem um “canudo”. Pagam-lhes contra recibos verdes e, agora, o Estado ainda lhes vai aplicar uma taxa maior sobre esse muito pouco que recebem. Vão ficando por casa dos pais, adiando vidas, saltitando por aqui e por ali com medo de compromissos.
Há 30 anos, quando Rui Veloso fixou um estereótipo da minha geração em “A rapariguinha do Shopping”, a letra do Carlos Tê glosava a vaidade de gente humilde em ascensão social, fosse lá isso o que fosse: “Bem vestida e petulante/Desce pela escada rolante/Com uma revista de bordados/Com um olhar rutilante/E os sovacos perfumados/…/Nos lábios um bom batom/Sempre muito bem penteada/Cheia de rimel e crayon…”
Hoje, quando os Deolinda entusiasmam os Coliseus de Lisboa e do Porto, o registo não podia ser mais diferente: “Sou da geração sem remuneração/E não me incomoda esta condição/Que parva que eu sou/Porque isto está mal e vai continuar/Já é uma sorte eu poder estagiar…” Exacto: “Já é uma sorte eu poder estagiar”, ou mesmo trabalhar só pelo subsídio de refeição, ou tentar a bolsa para o pós-doc depois de ter tido bolsa para o doutoramento e para o mestrado e nenhuma hipótese de emprego. Sim, “Que mundo tão parvo/Onde para ser escravo é preciso estudar…”
É a geração espoliada. A geração que espoliámos.
Sem pieguices, sejamos honestos: na loucura revolucionária do pós-25 de Abril, primeiro, depois na euforia da adesão à CEE, por fim na corrida suicida ao consumo desencadeada pela adesão à moeda única e pelos juros baixos, desbaratámos numa geração o rendimento de duas gerações. Talvez mais. As nossas dívidas, a pública e a privada, já correspondem a três vezes o produto nacional – e não vamos ser nós a pagá-las, vamos deixá-las de herança.
Quisemos tudo: bons salários, sempre a subir, e segurança no emprego; casa própria e casa de férias; um automóvel para todos os membros da família; o telemóvel e o plasma; menos horas de trabalho e a reforma o mais cedo possível. Pensámos que tudo isso era possível e, quando nos avisaram que não era, fizemos como as lapas numa rocha batida pelas ondas: enquistámos nas posições que tínhamos alcançado. Começámos a falar de “direitos adquiridos”. Exigimos cada vez mais o impossível sem muita disposição para darmos qualquer contrapartida. Eram as “conquistas de Abril”.
Veja-se agora o país que deixamos aos mais novos. Se quiserem casa, têm de comprá-la, pois passaram-se décadas sem sermos capazes de ter uma lei das rendas decente: continuamos com os centros das cidades cheios de velhos e atiramos os mais novos para as periferias. Se quiserem emprego, mesmo quando são mais capazes, mesmo quando têm muito mais formação, ficam à porta porque há demasiada gente instalada em empregos que tomaram para a vida. Andaram pelas Universidades mas sabem que, nelas, os quadros estão praticamente fechados. Quando têm oportunidade num instituto de investigação, dão logo nas vistas, mas são poucas as oportunidades para tanta procura. Pensaram ser professores mas foram traídos pela dinâmica demográfica e pela diminuição do número de alunos. Sonharam com um carreira na advocacia, mas agora até a sua Ordem se lhes fecha. Que lhes sobra? As noites de sexta-feira e pensarem que amanhã é outro dia…
E observe-se como lhes roubámos as pensões a que, teoricamente, um dia teriam direito: a reforma Vieira da Silva manteve com poucas alterações o valor das reformas para os que estão quase a reformar-se ao mesmo tempo que estabelecia fórmulas de cálculo que darão aos jovens de hoje reformas que corresponderão, na melhor das hipóteses, a metade daquelas a que a geração mais velha ainda tem direito. Eles nem deram por isso. Afinal como poderia a “geração ‘casinha dos pais’” pensar hoje no que lhe acontecerá daqui a 30 ou 40 anos?
Esta geração nunca se revoltará, como a geração de 60, por estar “aborrecida”, ou “entediada”, com o progresso “burguês”. Esta geração também não se mobilizará porque… “talvez foder”. Mas esta geração, que foi perdendo as ilusões no Estado protector – ela sabe muito bem como está desprotegida no desemprego, por exemplo… –, habituou-se também a mudar, a testar, a arriscar e, sobretudo, a desconfiar dos “instalados”.
Esta geração talvez já tenha percebido que não terá uma vida melhor do que a dos seus pais, pelo menos na escala que eles tiveram relativamente aos seus avós. Por isso esta geração não segue discursos políticos gastos, nem se deixa encantar com retóricas repetitivas, nem acredita nos que há muito prometem o paraíso.
Por isso esta geração pode ser mobilizada para o gigantesco processo de mudança por que Portugal tem de passar – mais do que um processo de mudança, um processo de reinvenção. Portugal tem de deixar de ser uma sociedade fechada e espartilhada por interesses e capelinhas, tem de se abrir aos seus e, entre estes, aos que têm mais ambição, mais imaginação e mais vontade. E esses são os da geração “qualquer coisa” que só quer ser “alguma coisa”. Até porque parvoíce verdadeira é não mudar, e isso eles também já perceberam…
In: Publico (4/10/2011) via Blasfémias
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sábado, fevereiro 05, 2011
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Recordando o Paquete Infante D. Henrique
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Vivemos num pais de imensa tradição marítima, mas onde apenas nos preocupamos com futebol ou com escândalos políticos e nada fazemos para salvaguardarmos o que culturalmente nos pertence ou pertenceu. Tudo isto é absurdo, porque não podemos pensar no futuro sem salvaguardar o passado. A revolução de Abril de 74 deu a machadada final e nos anos que se seguiram ao terrível dia a maioria dos navios que compunham a nossa imensa frota marítima, quer de guerra quer mercante, foi vergonhosamente abatida ou doada aos movimentos terroristas nas nossas províncias africanas.
Poucos foram os casos em que entidades públicas e privadas portuguesas se esforçaram por concretizar actos de conservação do nosso património.
Poucos foram os casos em que entidades públicas e privadas portuguesas se esforçaram por concretizar actos de conservação do nosso património.
O "Infante D. Henrique" foi o sonho do armador Bernardino Corrêa, o fundador da Companhia Colonial de Navegação, que nunca o chegou a ver. Foi construído na Bélgica nos estaleiros da Jonh Cockeril, em Hobboken, o mesmo estaleiro onde já tinham sido construídos o Vera Cruz e o Santa Maria. A 21 de Setembro de 1961 entrou na barra de Lisboa embandeirado em arco, iniciando assim um serviço promissor para a Marinha Portuguesa. Com a sua aquisição fechou-se o ciclo de renovação da frota, iniciada ao abrigo do chamado despacho 100, elaborado pelo então Ministro da Marinha, Américo Thomaz.
O Infante era um navio clássico com a sua famosa chaminé em formato de gota de água com uma enorme grelha de ventilação na parte frontal; com os seus 195,50 m de comprimento, 24,5 de boca e 24.000 toneladas de deslocamento, atingia uma velocidade de cruzeiro de 21 nós, podendo atingir uma máxima de 22-23 nós se as condições o permitissem. Aquando do lançamento do casco de côr cinzento esverdeado, a côr tradicional da CCN, foi utilizada uma garrafa de vinho do Porto, cuja marca ninguém sabe. Talvez um «Porto Ferreira», em vez da tradicional garrafa de champanhe. A madrinha foi a esposa do administrador da companhia, que na altura, rezam os manuscritos, era José Soares da Fonseca .Na época foi bastante criticado por ser bom demais e era o maior navio de passageiros da carreira de África.
Em qualquer porto era motivo de atracção e registo. A sua imponência e o perfil majestoso despertavam o interesse de todos os curiosos. Era um excelente embaixador português á semelhança do navio-escola Sagres.
Em qualquer porto era motivo de atracção e registo. A sua imponência e o perfil majestoso despertavam o interesse de todos os curiosos. Era um excelente embaixador português á semelhança do navio-escola Sagres.
(clickar para ampliar)
Já o então Presidente da República, o Almirante Américo Thomaz, gostou tanto do navio que no dia seguinte à chegada a Lisboa voltou a visitá-lo, segundo as crónicas da época. No interior, era um excelente navio, de um luxo impressionante. A decoração foi entregue a decoradores e artistas portugueses sob a responsabilidade do arquitecto José Manuel Barreto. Funcional e moderno, a luz privilegiava a amplitude dos espaços, o que tornava o navio mais bonito.
Uma estátua de bronze revestida a Ouro, do escultor Álvaro Brèe, perpetuava a figura do Infante, tendo como fundo um fresco representando o planisfério de Mecia de Viladestes, no vestíbulo da 1ª Classe.
Uma estátua de bronze revestida a Ouro, do escultor Álvaro Brèe, perpetuava a figura do Infante, tendo como fundo um fresco representando o planisfério de Mecia de Viladestes, no vestíbulo da 1ª Classe.
Na véspera do 5 de Outubro de 1961, com lotação esgotada, o Infante D. Henrique fez-se ao mar, dando inicio á sua primeira Viagem pelo Império português no continente africano.
O navio era movido por dois grupos de turbinas a vapor, que accionavam duas hélices, navegando a uma velocidade de 21 nós. Por cada dia de navegação o Infante D. Henrique consumia 150 toneladas de fuel e 200 de água. Um sistema de estabilizadores avançado neutralizava o balanço provocado pela ondulação em dias impróprios para os mais sensíveis passageiros. Dispunha de ar condicionado em todos os compartimentos e zonas de lazer, assim como um moderníssimo sistema de navegação e comunicações e de combate a incêndios.
O navio era movido por dois grupos de turbinas a vapor, que accionavam duas hélices, navegando a uma velocidade de 21 nós. Por cada dia de navegação o Infante D. Henrique consumia 150 toneladas de fuel e 200 de água. Um sistema de estabilizadores avançado neutralizava o balanço provocado pela ondulação em dias impróprios para os mais sensíveis passageiros. Dispunha de ar condicionado em todos os compartimentos e zonas de lazer, assim como um moderníssimo sistema de navegação e comunicações e de combate a incêndios.
Tinha capacidade para 1018 passageiros distribuídos por três classes: 1ª Classe, Turística e Turística B.
Além de quatro grandes salões e bares, o Infante D. Henrique dispunha de dois restaurantes, biblioteca, sala de leitura, sala de escrita e duas salas para crianças, cabeleireiro, hospital e duas capelas, cujos altares foram fabricados com pedra do promontório de Sagres. Impressionante no mínimo !
Além de quatro grandes salões e bares, o Infante D. Henrique dispunha de dois restaurantes, biblioteca, sala de leitura, sala de escrita e duas salas para crianças, cabeleireiro, hospital e duas capelas, cujos altares foram fabricados com pedra do promontório de Sagres. Impressionante no mínimo !
De 1961 a 1976, efectuou inúmeras viagens ao continente africano como navio de transporte de passageiros, realizou vários cruzeiros e transportou o Presidente da República Américo Thomaz em viagens oficiais.
Com a revolução de Abril e devido à situação politica nas províncias Portuguesas, as viagens alteraram-se radicalmente. Ou seja, o navio quando rumava para Sul, viajava completamente vazio e regressava cheio de espoliados e refugiados fugidos ao terroristas separatistas a quem os traidores entregaram as nossas províncias africanas.
Realizou o seu último cruzeiro ao Funchal de Dezembro de 1976 a 3 de Janeiro de 1977, ficando fundeado no mar da Palha até Maio de 1977, ano em que o GAS ( Gabinete da área de Sines) o adquiriu para acomodar alguns dos milhares de trabalhadores do complexo da área de Sines. Foi colocado numa lagoa artificial tornando-se uma presença bizarra e cara por terras alentejanas, degradando-se rapidamente.
Ao contrário do que acontecera a outros navios portugueses, cujo o fim era Kaohsiung, o cemitério de navios para a sucata, na Ilha Formosa, no ano de 1986, com o crescimento do mercado de cruzeiros no mundo, o armador grego George Potamianos adquiriu-o e transformou-o num paquete de luxo. Totalmente renovado interiormente, mantendo as linhas clássicas, o navio chegou a Lisboa em 1988, com o nome de «Vasco da Gama». Potamianos fez renascer este navio que, durante seis anos, realizou cruzeiros nas Caraíbas e deu a volta ao mundo por diversas vezes. Continuou a ser motivo de admiração e registo em qualquer porto a que aportava.
Em 1994, foi vendido á Premier Cruises, companhia americana, para cruzeiros nas Caraíbas, o seu nome foi mudado novamente para Seawind Crown. No ano 2000, ficou sedeado na Europa, em Barcelona, para cruzeiros no Mediterrâneo, mas sem grande sucesso, devido á forte concorrência de outras companhias, como a Costa Crociere, o que provocou, uma vez mais, a sua imobilização. Por falência da companhia e por ordem da Autoridade do Porto de Barcelona, o navio ficou arrestado nesse mesmo ano. O seu último comandante foi Amadeu Albuquerque.
Em Abril de 2000 o SEAWIND CROWN iniciou em Barcelona os cruzeiros da Pullmantur, que obtiveram enorme êxito e foram interrompidos inesperadamente em Setembro desse ano na sequência da falência da empresa armadora Premier Cruises, seguindo-se um longo período de imobilização arrestado em Barcelona que acabou em 2003 com a venda do navio a interesses indianos e a largada a 28-12-2003 para a China, com o nome BARCELONA e bandeira da Geórgia. O nosso antigo INFANTE DOM HENRIQUE foi desmantelado em Março - Maio de 2004 na Republica Popular da China.
Durante os três anos que permaneceu acostado ao molhe norte do porto de Barcelona aguardando que alguém novamente o pusesse a navegar pelos quatro cantos do mundo ou simplesmente o adquirisse para o tornar num ex-libris, nenhum interessado apareceu. Encontrava-se em excelentes condições podendo assim navegar por mais uns 40 anos, mas a má sorte bateu de vez à porta e resta-nos apenas recordá-lo com orgulho e muita saudade.
Ficha Técnica
Características:
Arqueação bruta - 23 306 toneladas
Comprimento - 195.5 metros
Boca - 24.5 metros
Lotação - 1 018 passageiros
Arqueação bruta - 23 306 toneladas
Comprimento - 195.5 metros
Boca - 24.5 metros
Lotação - 1 018 passageiros
Potência - 22000 Cv
Propulsão - 2 Grupos de Turbinas, 2 veios, Hélices de 4 pás
Velocidade de cruzeiro - 21 nós
Velocidade de cruzeiro - 21 nós
Construtor - Estaleiros John Cockeril, em Hobboken,
(fonte: "100 anos 100 barcos" Museu de Marinha, 2000)
Fases da vida do Navio
1961 - 1977
1988 - 1995
1995 - 2004
Ao meu amigo Alváro Forra...
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sexta-feira, fevereiro 04, 2011
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Deputados do PCP pedem explicações ao Governo sobre ZEP na Ria Formosa
«Os deputados do PCP, João Ramos e Miguel Tiago apresentaram na Assembleia da República um requerimento dirigido ao ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, sobre a eventual criação de Zona Especial de Protecção (ZEP) na Ria Formosa, alegando que algumas organizações de pescadores e mariscadores do Algarve contactaram o grupo parlamentar do PCP preocupados com o anúncio feito pelo secretário de Estado do Ambiente, sobre esta matéria.
Os deputados admitem que a classificação de Parque Natural de nível superior à de ZPE, geram algumas dúvidas quanto a novas restrições à pesca, mas também quanto à necessidade de criação da referida zona, na medida em que existe o receio de eventuais novas restrições que acrescerão àquelas que já existem maiores dificuldades aos pescadores e mariscadores.
Por isso, solicitaram “com carácter de urgência”, que o Governo, através do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, esclareça o seguinte:
Em que fase se encontra o processo de criação da ZPE? E quando estará concluído? A criação de uma ZPE na Ria Formosa implicará novas restrições à actividade de pescadores, mariscadores e viveiristas?»
Os deputados admitem que a classificação de Parque Natural de nível superior à de ZPE, geram algumas dúvidas quanto a novas restrições à pesca, mas também quanto à necessidade de criação da referida zona, na medida em que existe o receio de eventuais novas restrições que acrescerão àquelas que já existem maiores dificuldades aos pescadores e mariscadores.
Por isso, solicitaram “com carácter de urgência”, que o Governo, através do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, esclareça o seguinte:
Em que fase se encontra o processo de criação da ZPE? E quando estará concluído? A criação de uma ZPE na Ria Formosa implicará novas restrições à actividade de pescadores, mariscadores e viveiristas?»
In: Região Sul
Até que enfim que alguem percebe a anormalidade que se estava a passar na Ria Formosa.
Queriam fazer na nossa Ria o mesmo que fizeram na zona da Arrábida, criando uma zona de interdição total, em que nada nem ninguém poderia lá circular, recolher marisco ou praticar actividades desportivas. Tudo para não incomodar os passarinhos.
Bullshit, o que se estava a preparar era o retirar das pessoas dos locais, o desvincular das tradições para que de depois mais facilmente se entregasse aquele território a entidades privadas para exploração turística.
É preciso que as pessoas estejam alerta para este problema e que lutem para que isso não aconteça.
A Ria é de todos os Farenses.
Eu não tenho particular simpatia pelo Partido Comunista, mas aplaudo e saúdo esta iniciativa.
Cumprimentos cordiais
Luís Passos
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sexta-feira, fevereiro 04, 2011
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Os exemplos vêm de cima - Recado para a actual classe Politica
Via Corta Fitas
Gostaria de ver os políticos actuais, por motivos de solidariedade nacional para com a situação do pais abdicar de 20% de todos os rendimentos reais em favor da nação.
Alguns nem querem aceitar os cortes de 5% no vencimento, quanto mais dar 20% da riqueza gerada...
Não há duvida... há exemplos que vêm de cima!
Cumprimentos cordiais
Luís Passos
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quinta-feira, fevereiro 03, 2011
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Sisa de Cavaco foi paga com base na avaliação da casa que nunca existiu
As Finanças de Albufeira avaliaram a propriedade onde Cavaco Silva tem a sua casa de férias no pressuposto de que lá estava uma moradia, quando, afinal, estava lá uma outra com quase o dobro da área.
A avaliação feita refere-se a um terreno com uma casa cuja construção foi licenciada em 1994, com uma área coberta de 252 m2, mas que acabou por nunca ser erguida. Em vez dela foi feita uma outra, a Gaivota Azul, que o então professor de Economia adquiriu em 1998, quando ela se encontrava em fase adiantada de construção na aldeia da Coelha, dando em troca a sua antiga vivenda Mariani, situada em Montechoro.
Cavaco Silva e a empresa então proprietária do lote da Coelha e da casa aí em construção, a Constralmada, atribuíram às duas propriedades o mesmo valor de 135 mil euros (27 mil contos). Por isso mesmo não houve lugar a pagamento de sisa na altura da permuta, tendo as Finanças aberto de imediato um processo de avaliação da propriedade da Coelha, como mandava o Código da Sisa, devido ao facto de a mesma não estar ainda registada nas Finanças. A avaliação tinha por objecto a determinação do valor patrimonial sobre o qual o imóvel seria futuramente tributado, nomeadamente em sede de contribuição predial, actual IMI, mas também o cálculo da sisa que seria devida pela permuta, no caso de ser atribuído a um dos prédios um valor superior ao do outro.
De acordo com o comunicado anteontem divulgado pela Presidência da República foi isso mesmo que aconteceu, já que as Finanças entenderam que o valor patrimonial da Gaivota Azul era superior em 81.133 euros ao da Mariani, tendo notificado Cavaco Silva para pagar a sisa correspondente, no valor de 8133 euros, o que foi feito em data não revelada.
A leitura dos "dados de avaliação" constantes da caderneta predial do prédio (terreno mais a casa) da Coelha, emitida pelas Finanças, conjugada com a informação existente no processo camarário de licenciamento da Gaivota Azul e num outro antes aprovado para o mesmo local, permite concluir que os 252 m2 de área coberta que constituem o principal elemento de valorização tido em conta na avaliação do prédio da Gaivota Azul não têm nada a ver com essa moradia.
O que esse valor representa é a área coberta a que se refere a licença de obras número 768, emitida em 23 de Novembro de 1994 pela Câmara de Albufeira para uma casa a construir no lote 19 da urbanização. Este lote, cuja junção ao 18 foi autorizada pela autarquia em 1997, dando origem a uma única parcela de 1891 m2, que ficou com o número 18 e se tornou propriedade de Cavaco Silva através da permuta de 1998, pertencia então à empresa Galvana, de que Carapeto Dias, ex-assessor do antigo primeiro-ministro, era um dos rostos.
A obra licenciada em 1994 para o lote 19 correspondia a um projecto tipo da autoria de um engenheiro civil, que tinha sido aprovado em 1990 para as 20 moradias a construir na urbanização. Além de contemplar os 252 m2 de área coberta, o projecto licenciado para o lote 19, tal como o que estava programado para o antigo 18, previa uma área bruta de construção, em dois pisos, de 318 m2.
A obra do 19, contudo, nunca foi por diante, tendo a Galvana decidido juntar os dois lotes num só e pedido à câmara, em Outubro de 1996, o licenciamento de uma única moradia a erguer no espaço conjunto do lote 18 e 19, que ainda estavam legalmente separados.
O projecto entregue não tinha qualquer semelhança com o projecto-tipo e era da autoria de Olavo Dias, um arquitecto das relações de Cavaco Silva, que já anteriormente tinha trabalhado na remodelação do seu apartamento de Lisboa.
Nos termos da memória descritiva e das plantas assinadas por Olavo Dias, a moradia, que veio a ser licenciada e tinha os toscos praticamente prontos, quando Cavaco Silva se tornou dono da propriedade, dois anos depois, tem uma área coberta de 464 m2 e uma área bruta de construção de 620 m2. Nesses documentos, Olavo Dias defende a aprovação do projecto com o argumento de que as suas áreas são inferiores à soma das que estavam licenciadas para o lote 19 e previstas para o lote 18.
Cavaco Silva e a empresa então proprietária do lote da Coelha e da casa aí em construção, a Constralmada, atribuíram às duas propriedades o mesmo valor de 135 mil euros (27 mil contos). Por isso mesmo não houve lugar a pagamento de sisa na altura da permuta, tendo as Finanças aberto de imediato um processo de avaliação da propriedade da Coelha, como mandava o Código da Sisa, devido ao facto de a mesma não estar ainda registada nas Finanças. A avaliação tinha por objecto a determinação do valor patrimonial sobre o qual o imóvel seria futuramente tributado, nomeadamente em sede de contribuição predial, actual IMI, mas também o cálculo da sisa que seria devida pela permuta, no caso de ser atribuído a um dos prédios um valor superior ao do outro.
De acordo com o comunicado anteontem divulgado pela Presidência da República foi isso mesmo que aconteceu, já que as Finanças entenderam que o valor patrimonial da Gaivota Azul era superior em 81.133 euros ao da Mariani, tendo notificado Cavaco Silva para pagar a sisa correspondente, no valor de 8133 euros, o que foi feito em data não revelada.
A leitura dos "dados de avaliação" constantes da caderneta predial do prédio (terreno mais a casa) da Coelha, emitida pelas Finanças, conjugada com a informação existente no processo camarário de licenciamento da Gaivota Azul e num outro antes aprovado para o mesmo local, permite concluir que os 252 m2 de área coberta que constituem o principal elemento de valorização tido em conta na avaliação do prédio da Gaivota Azul não têm nada a ver com essa moradia.
O que esse valor representa é a área coberta a que se refere a licença de obras número 768, emitida em 23 de Novembro de 1994 pela Câmara de Albufeira para uma casa a construir no lote 19 da urbanização. Este lote, cuja junção ao 18 foi autorizada pela autarquia em 1997, dando origem a uma única parcela de 1891 m2, que ficou com o número 18 e se tornou propriedade de Cavaco Silva através da permuta de 1998, pertencia então à empresa Galvana, de que Carapeto Dias, ex-assessor do antigo primeiro-ministro, era um dos rostos.
A obra licenciada em 1994 para o lote 19 correspondia a um projecto tipo da autoria de um engenheiro civil, que tinha sido aprovado em 1990 para as 20 moradias a construir na urbanização. Além de contemplar os 252 m2 de área coberta, o projecto licenciado para o lote 19, tal como o que estava programado para o antigo 18, previa uma área bruta de construção, em dois pisos, de 318 m2.
A obra do 19, contudo, nunca foi por diante, tendo a Galvana decidido juntar os dois lotes num só e pedido à câmara, em Outubro de 1996, o licenciamento de uma única moradia a erguer no espaço conjunto do lote 18 e 19, que ainda estavam legalmente separados.
O projecto entregue não tinha qualquer semelhança com o projecto-tipo e era da autoria de Olavo Dias, um arquitecto das relações de Cavaco Silva, que já anteriormente tinha trabalhado na remodelação do seu apartamento de Lisboa.
Nos termos da memória descritiva e das plantas assinadas por Olavo Dias, a moradia, que veio a ser licenciada e tinha os toscos praticamente prontos, quando Cavaco Silva se tornou dono da propriedade, dois anos depois, tem uma área coberta de 464 m2 e uma área bruta de construção de 620 m2. Nesses documentos, Olavo Dias defende a aprovação do projecto com o argumento de que as suas áreas são inferiores à soma das que estavam licenciadas para o lote 19 e previstas para o lote 18.
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Um retrato de Portugal actual
Uma Historia que se repete
1896 - 2011
1896 - 2011
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro, 1896.
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Portugal Real
Qualquer semelhança é pura coincidência - II
Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado: doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder ? O poder não sai de uns certos grupos, como uma pela que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos. (?) Ora tudo isto nos faz pensar ? que quanto mais um homem prova a sua incapacidade, tanto mais apto se torna para governar o seu país. (?) A política chegou a tal miséria, que nem a polidez instintiva coíbe os homens.
(Eça de Queiroz, 1871 In "Uma Campanha Alegre")
(Eça de Queiroz, 1871 In "Uma Campanha Alegre")
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quarta-feira, fevereiro 02, 2011
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Qualquer semelhança é pura coincidência - I
"ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política ao acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?"
(Eça de Queiroz, 1867 in "O distrito de Évora")
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quarta-feira, fevereiro 02, 2011
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XUTOS & PONTAPES: Sem eira nem beira
HINO AO PORTUGAL ACTUAL!!!!!
O que é preciso neste momento são musicas de intervenção como esta... no tempo da ditadura tinhamos o Zeca Afonso, o Fernando Tordo e outros... agora... o que temos?
Tivemos os Xutos e agora recentemente os Deolinda (ver post anterior).
Esperemos que mais apareçam para mobilizar as pessoas para mudarmos o nosso pais!
Não podemos desperdiçar outra geração!
Cumprimentos cordiais
Luís Passos
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DEOLINDA: - O HINO DA GERAÇÃO ADIADA
Sou da geração sem remuneração
E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
Sou da geração “casinha dos pais”
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
Sou da geração “vou queixar-me pra quê?”
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou
Sou da geração “eu já não posso mais!”
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
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quarta-feira, fevereiro 02, 2011
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AS PEQUENAS DIFERENÇAS!!!!
Caros,
Durante a campanha eleitoral alguém proferiu a frase - "É preciso nascerem duas vezes, duas vezes, para serem mais honestos que eu!". Devem já ter adivinhado de quem se trata, trata-se do professor Cavaco Silva, recentemente re-eleito presidente, que emitiu recentemente o seguinte comunicado, no site da Presidência da Republica - http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=50618, sobre o caso da sisa e da permuta da sua casa nova na Urbanização da Coelha.
Bem, para quem não sabe nada sobre a Sisa, imposto que até já foi extinto, deixo aqui um cheirinho sobre isso, http://info.portaldasfinancas.gov.pt/pt/informacao_fiscal/codigos_tributario/sisa/sisa_001-019.htm#A19.
Aqui a uns bons anos, em Novembro de 1997, estávamos no Governo de António Guterres, e António Vitorino era Ministro da Defesa Nacional.
Um jornal da época noticia que António Vitorino comprou um Monte Alentejano por cerca de 15 000€, quando na verdade teria pago cerca de 37 500€. Mais tarde misteriosamente foi ilibado pela DGCI, mas no entanto demitiu-se das funções de Ministro da Defesa no dia seguinte a publicação da noticia no jornal, se bem me lembro, alegando que não se recordava se estaria em falta ou não, mas se estivesse, essa conduta não era compatível com a postura de um Ministro da Defesa e nº 2 do Governo.
É de louvar a sua postura, séria e integra.
No caso de Cavaco Silva, a coisa ganha outros contornos:
- Pagou a SISA tardiamente ? Prestou falsas declarações na escritura? A permuta formal não corresponde à permuta real? E os valores declarados são escandalosamente irreais!!! Esqueceu-se onde foi o notário??? Simplesmente porque lhe era então inconveniente dizer que foi no escritório do Catróga??? (onde se deslocou o ajudante de notário). A isto chama-se “desonestidade intelectual” (não obstante ser honesto e só ter nascido uma vez) .
Será que também pagou o IRS (pelas mais valias) pelo ganho obtido entre o valor patrimonial da Mariani e os 70 mil contos ? E a historia continua mal contada !!!
Com efeito, o ora tardio comunicado do cidadão Cavaco Silva, o ora respeitável Presidente de todos (?) os portugueses refere : “ em resultado da diferença entre os valores patrimoniais dos bens permutados” quando o Codigo da SISA refere :
“… tomar-se-á para base da liquidação a diferença declarada de valores , quando superior
à diferença entre os valores matriciais “.
Será que também pagou o IRS (pelas mais valias) pelo ganho obtido entre o valor patrimonial da Mariani e os 70 mil contos ? E a historia continua mal contada !!!
Com efeito, o ora tardio comunicado do cidadão Cavaco Silva, o ora respeitável Presidente de todos (?) os portugueses refere : “ em resultado da diferença entre os valores patrimoniais dos bens permutados” quando o Codigo da SISA refere :
“… tomar-se-á para base da liquidação a diferença declarada de valores , quando superior
à diferença entre os valores matriciais “.
E nada está esclarecido sem conhecermos o valor matricial (VM) da vivenda Mariani e a avaliação fiscal da Gaivota Azul, pois, estará correcto : Gaivoita Azul-Mariani = 81.334,00 euros ??? Cavaco Silva tinha posto à venda a Vivenda Mariani por 80 mil contos. Há vivendas na Aldeia do Cavaquistão transaccionadas por
150 mil contos !!! “ Não bate a bota com a perdigota”.
150 mil contos !!! “ Não bate a bota com a perdigota”.
Penso que se Cavaco Silva, com o comunicado não esclareceu nada e ainda complicou mais.
Se Cavaco tivesse a rectidão de pessoas como António Vitorino, à muito que se teria demitido, pois Vitorino demitiu-se por muito, muito menos do que poderia levar a demissão de Cavaco. E vamos ver se este aguentará até ao final do mandato. Não sei por que... mas anda no ar um cheiro a Nixon.
Cumprimentos cordiais
Luís Passos
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quarta-feira, fevereiro 02, 2011
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Portugal, um pais sem Futuro
Um país num beco sem saída. É esta a imagem com que ficamos quando chegamos à última página do livro ‘Segurança Social – O Futuro Hipotecado’, de Fernando Ribeiro Mendes. Ninguém pode dizer que o autor não sabe do que fala: Ribeiro Mendes foi secretário de Estado da Segurança Social entre 1995 e 1999, era ministro Vieira da Silva e primeiro-ministro António Guterres.
O economista conhece a realidade como poucos e, no livro que hoje é lançado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos – mais um serviço público da instituição privada dirigida por António Barreto –, traça um retrato assustador do futuro do País. É ele próprio quem assume que as chamadas "reformas" que se fizeram nos últimos anos foram largamente insuficientes, para não dizer pior. Crescimento e competitividade são as únicas receitas para combater esta sucessiva hipoteca do País. Mas já não chegam para remediar a situação.
Quem estiver hoje na casa dos 40/50 anos deve simplesmente esquecer os valores da pensão que o Estado lhe prometeu e para a qual descontou décadas a fio. É literalmente no poupar que está o ganho – e a aposta deve ser na poupança privada. As pensões já foram reduzidas em 2007 e, provavelmente, a idade da reforma terá de vir a ser de novo aumentada. Como explica Ribeiro Mendes no livro com pouco mais de 100 páginas, poderá haver no futuro próximo, num cenário a médio prazo, tectos para as reformas a partir dos quais estas não serão pagas. Leiam com atenção: a mensagem deste livro não é pessimista, mas apenas realista.
Continuamos a viver acima das possibilidades e quem vai pagar a factura no fim da festa serão os nossos filhos e os nossos netos. Mas todos nós, também: não suspirem de alívio os mais velhos, porque o preço da dívida já se vai começar a sentir este ano e no próximo, cada vez mais.
É obrigatório que os políticos comecem a dizer a verdade aos portugueses. Ribeiro Mendes lembra que já em 2009 era mais do que conhecido o estado incomportável da Segurança Social. Mas, como se estava em ano de eleições, nada se disse sobre o assunto. Bem pelo contrário, voltou a prometer-se bolsas e subsídios.
Parece claro o diagnóstico, mas não há soluções milagrosas para a doença que afecta Portugal. A manta pública vai ter de ser mais curta e não irá chegar para cobrir tudo e todos. Defender menos Estado e melhor Estado vai deixar de ser um ‘slogan’ e passar a ser uma exigência nacional.
Muito interessante esta crónica, praticamente está tudo dito, dificilmente poderei acrescentar algo sem repetir o autor. É urgente que o povo se mentalize que esta é a realidade, não vale a pena andar com paninhos quentes, os tempos que ai vêm vão ser muito duros, o pais vai retroceder muitos anos no que toca a aspectos que achávamos que eram direitos adquiridos.
Tal como aconteceu no estado novo, a guerra colonial e a situação politica vigente foram o catalisador para a eclosão de uma mudança de regime, no momento presente penso que o catalisador será a ECONOMIA, tal como Medina Carreira também já referiu.
Será pela ECONOMIA (ou pela falta dela mais concretamente) que se irão opera mudanças dramáticas neste pais. Era preferível que essas mudanças se dessem de forma tranquila e gradativa, mas julgo que há semelhança da Tunísia e Egipto, essas mudanças vão ocorrer de uma forma violenta, rápida, intempestiva e não é pelo facto de estarmos na U.E. que essas situações não deixarão de acontecer...
É uma pena... este poderia ser o melhor pais da Europa para se viver... e no entanto... e uma desgraça a todos os níveis, estamos ao mesmo nível do Brasil no período do Color de Mello. A corrupção é por todos os lados, a roubalheira, o safe-se quem puder. O pais não consegue aguentar mais tanta paulada... alguma coisa vai ceder... É aguardar os próximos episódios...
Cumprimentos cordiais
Luís Passos
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terça-feira, fevereiro 01, 2011
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