sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Faro a Andar - à descoberta do Concelho



A Câmara Municipal de Faro, numa iniciativa da Divisão de Desporto e Juventude em colaboração com o Museu Municipal de Faro e em parceria com as Juntas de Freguesia do concelho, pretende, com este projecto, desenvolver estratégias de sensibilização e dinamização dos percursos pedestres junto da população do município, criando um conjunto de caminhadas guiadas, que privilegiam o contacto com a natureza e o meio rural, pelas seis freguesias do concelho de Faro - Montenegro, São Pedro, Sé, Conceição, Santa Bárbara de Nexe e Estoi.

Convidamo-lo(a) à primeira caminhada deste ano desportivo!

Percurso Pedestre do Parque Natural da Ria Formosa (J. F. Montenegro)
21 de Novembro (3.º Domingo do mês)
Local: Universidade do Algarve - Campus de Gambelas (junto ao portão prinicipal)
Partida: 10:00h
Inscrição: Juntas de Freguesia da Área de Residência

Obs.:
- Caminhadas guiadas ao 3.º Domingo de cada mês;
- Inscrições obrigatórias até 4 dias antes da caminhada;
- Número de participantes limitado.
- Inscrições gratuitas nas Juntas de Freguesia da sua área de residência.

Divisão de Desporto e Juventude
Município de Faro
Telefone: +351 289 897 425
Fax: + 351 289 813 381

Website: www.cm-faro.pt>

FMI lamenta falência "quase certa" de Portugal

Perspectivas orçamentais de Portugal e Grécia até estão a melhorar, mas os mercados já assumem que falência é "quase certa".



Portugal está a ser empurrado para o abismo pelos mercados onde operam investidores e especuladores de dívida pública, reconhece o Fundo Monetário Internacional (FMI). Diz a instituição que os mercados já estão a apostar numa "quase certa" falência do país em breve, que assim será obrigado a recorrer ao fundo de apoio do FMI e da União Europeia (UE), à imagem da Grécia.

A instituição constata que as melhorias previstas nas contas públicas até são significativas (e não conta ainda com as medidas do Orçamento aprovado esta semana) e que em condições normais estas dariam resultados positivos no alívio dos estrangulamentos no crédito.

Num estudo ontem apresentado, intitulado "Fiscal Monitor", o FMI revela que, na verdade, "a ocorrência de eventos de crédito em algumas economias avançadas é quase certa" aos olhos dos mercados.

Um "evento de crédito" pode ser a falência (default) do país ou a ocorrência de falhas graves no pagamento das prestações devidas aos credores internacionais. Portugal, Grécia e Irlanda são apontados como os países onde a situação é mais negra. A Grécia já está a recorrer ao fundo FMI/UE.

O Fundo lamenta que os mercados possam estar a "sobrestimar" o risco de incumprimento (default) dos países problemáticos, mas concede que a probabilidade de ocorrerem estes eventos é mais alta hoje do que no passado. "O risco de materialização destes eventos permanece elevado em termos históricos no que respeita às economias avançadas - especialmente aquelas que já estão sob pressão dos mercados", escreve o FMI.

A instituição conta que "o crescente pessimismo [dos mercados] afectou alguns países da área do euro", que "o sentimento estabilizou em Maio-Junho nos países sob pressão (Grécia, Irlanda, Portugal) com a criação da Facilidade Europeia de Estabilidade Financeira", mas que "os receios dos investidores reemergiram recentemente, apesar das perspectivas orçamentais terem melhorado a um ritmo muito mais rápido que o esperado".

Os mercados estão a apostar quase a 100% na ocorrência de um default em Portugal. O FMI insiste que esses mercados - bancos e fundos estrangeiros que dantes compravam dívida portuguesa e que agora fecharam a torneira, ver págs. 18 e 19 - podem estar a "sobrestimar o risco de bancarrota" das nações mais problemáticas, impondo juros cada vez mais elevados. O pior, admite o FMI, é que a margem dos países altamente deficitários e endividados para inverter a noção e o sentimento que o exterior tem relativamente a eles é hoje mais estreita que nunca.

Ontem os "mercados" emitiram mais um alarme: a taxa das Obrigações do Tesouro a dez anos portuguesas atingiu os 6,8%, o valor mais alto desde que Portugal aderiu ao euro. Para Teixeira dos Santos, quando esta superar os 7%, mais vale recorrer ao fundo do FMI/UE. 


In: Jornal i

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Situação Financeira e Parcerias Público-Privadas

Caros,

Quero convida-los a assistir o programa Negócios da Semana com José Gomes Ferreira, esta semana o tema é a razão da subida dos juros após a aprovação do Orçamento de Estado.

Os convidados da semana são o jurista Carlos Moreno, juiz jubilado do Tribunal de Contas e Ventura Leite, economista.

Vão ver que são 50 minutos bem empregues, num programa de boa qualidade.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

Nova Ferrovia Portuguesa de Bitola Europeia - Debate

Caros, 
Vejam o debate referido no meu post anterior, e tirem as vossas conclusões.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

PARTE I

PARTE II

 
PARTE III
 
PARTE IV


TGV - Os grandes erros do projecto

PARTE I
 
 
PARTE II 
 
Vejam bem meus senhores, vejam o erro em que nós nos fomos meter!!! Não passa tudo de um logro, não é o actual TGV que nos interessa, mas sim uma ligação de mercadorias que vá directo a IRUN-HENDAYE para podermos receber mercadorias mais baratas.
 
Espanha está a mudar a bitola para bitola standard e nos andamos aqui a fazer asneiras com comboios de passageiros, e ainda por cima para Madrid... que não interessa nada.
 
 
Triste pais este... tristes politicos.
 
Vejam bem os videos... OBRIGATORIO VER!!!
Cumprimentos cordiais

Luís Passos

Juros da dívida portuguesa disparam para recorde



Os juros da dívida portuguesa a 10 anos estão a acentuar a subida, tendo já atingido um novo máximo histórico nos 6,655%, acima do anterior recorde de 28 de Setembro, fixado nos 6,554%.

Este é, desde a criação do euro, a contrapartida mais elevada que os investidores cobraram entre si para a negociação de dívida portuguesa.

Depois de ontem a Reserva Federal dos EUA anunciar novas medidas de estímulo, os investidores internacionais estão a acorrer aos mercados accionistas. O resultado é uma desvalorização das obrigações e, em simultâneo, um encarecimento dos juros.

"Há um claro afastamento dos investidores do mercado da dívida e uma procura por outros activos mais arriscados, como as acções e as matérias-primas", disse à Lusa Ricardo Marques, da IMF - Informação de Mercados Financeiros. "Hoje temos o preço da dívida a dez anos a cair [e os juros a subirem] em todos países europeus. Portugal e a Irlanda acabam por ser mais afectados porque já tinham outros problemas", acrescentou Filipe Silva, gestor do mercado de dívida do Banco Carregosa.

Os custos de financiamento da Irlanda estão a disparar 24 pontos base, para os 7,685%.

Os juros da Alemanha estão a subir três pontos base no prazo a 10 anos, levando a uma dilatação do “spread” entre a dívida portuguesa e a alemã para mais de 420 pontos, também próximo dos máximos desde a criação do euro.

In: Negócios Online

Hino Nacional - "A Portuguesa" - Versão Integral


Caros,

Aqui vos deixo a versão completa do nosso Hino Nacional, "A Portuguesa".

Normalmente, nas cerimonias oficiais apenas cantamos a primeira estrofe do Hino e o Refrão, mas o Hino é composto por 3 estrofes. Aqui as deixo para que as possam conhecer.

De facto não há Hino mais belo que o nosso!

Cumprimentos cordiais

Luís Passos


I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu, jucundo,
O oceano, a rugir de amor,
E o teu Braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Ás armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

A Assembleia Municipal de dia 3 de Novembro de 2010





Caros,

Ontem estive na Assembleia Municipal que se realizou no salão nobre dos Paços do Concelho. 
Sinceramente, fiquei estarrecido com o que lá vi e ouvi, vejamos:
 - Foi acordado que o ultimo ponto da ordem de trabalhos passasse para primeiro, de modo a que o publico pudesse se exprimir em primeiro lugar. Assim foi, houveram algumas intervenções bastante interessantes com perguntas directas e objectivas. O engenheiro Macário Correia mostrou uma notória falta de respeito por quem estava no uso da palavra, ao não olhar o orador nos olhos, manter a cara baixa e escondida atrás do écran do computador portátil, fazendo as vezes caretas e risinhos. Deu-me a ideia que devia estar a utilizar o messenger. Depois das perguntas, uma delas bastante importante sobre o realojamento dos pescadores na ilha de Faro e o programa Polis, deu uma resposta de 30 segundos, dizendo que não tinha conhecimento de nada. Foi lamentável.

 - Depois deste primeiro ponto foi votada uma moção do Bloco de Esquerda, que previa a suspensão da iluminação de Natal em Faro. Houve uma unanimidade geral em que tal medida poderia prejudicar o já depauperado comércio local e foi por isso rejeitada.

 - Seguidamente votou-se o aumento das taxas e derramas municipais, tendo sido a votação ponto a ponto, tendo sido aprovado todos os aumentos excepto o aumento de 5% sobre a generalidade das taxas, dado que estas já tinham sido aumentadas em 34%, supostamente uma actualização da inflação que tão pouco foi uma actualização mas um aumento generalizado encapotado. Foi chumbado este aumento. Dentro do mesmo pacote foi também votado o orçamento para 2011. Talvez devido a uma falha de comunicação por parte do presidente da mesa, Sr. Luís Coelho, e os demais grupos parlamentares, que o orçamento seria votado e discutido à parte, tudo foi enfiado no mesmo saco, e depois de iniciar uma votação já não se pode voltar a discussão, o orçamento foi votado sem ter sido sequer discutido. Foi aprovado o orçamento.

 - Após o orçamento e taxas, prosseguiu-se com  a analise da Declaração de Desequilíbrio Financeiro Estrutural. Aqui é que  a porca torceu o rabo, todas as bancas demonstraram que o documento estava cheio de erros, quer ao nível da matemática pura (formulas de calculo) quer como os resultados não estavam correctamente aplicados com havia situações em que o próprio relatório se contradizia. O partido socialista fez uma intervenção de quase 40 minutos analisando o relatório, batendo e criticando este fortemente. Mas depois deste Carnaval todo, quando foi hora de votar, e apesar de ter criticado com violência, chegando mesmo a afirmar que este relatório seria "um garrote inaceitável as gerações futuras" abstém-se, viabilizando assim a passagem do relatório. Vergonhosa a atitude do PS!!!

Além disso o executivo também não saiu bem na fotografia, porque para sanear as dividas de curto prazo, a Câmara necessitaria de perto de 30 milhões. Na verdade vão solicitar um empréstimo de perto de 50 milhões. A única explicação que eu encontro é que como a Câmara não tem dinheiro, e o Sr. Macário quer fazer obra para ganhar as próximas eleições, então vai logo pedir esse adicional de 20 milhões que vai ser pago nos próximos 20 a 25 anos. É de facto um garrote financeiro, dado que este empréstimo poderá ter encargos anuais que poderão chegar aos 11 milhões de euros, e neste período muito dificilmente vai ser feita alguma das obras estruturais que a cidade precisa. É de facto... Vergonhoso para não usar outro termo.

 - Foram depois aprovados mais alguns regulamentos, como bolsas de estudo, regulamento das zonas pedonais da baixa de Faro, regulamento este que mais parece um código militar em que por exemplo, um morador da rua Vasco da Gama, que queira mover a mobília ou comprar uma mobília nova para a sua casa, deve informar a câmara 10 dias antes para poder autorizar a carrinha das entregas a poder descarregar ou carregar a mobília nova, enfim... sem comentários...
 - Foi aprovado alienar o terreno junto às piscinas (onde estão as barracas do centro de exposições) para construção de um Hotel. Isto sim parece-me uma ideia peregrina. Quem raio quer construir um hotel naquele lugar? Fica longe do centro depois das 20H nao há transportes públicos para o centro, ou seja, um hospede que de noite queira vir beber um café ao café do coreto e passear na rua de Santo António, ou vem a pé desde as piscinas, ou então tem de vir de táxi.
O local fica ao lado de um recinto desportivo, logo seria bem mais adequado que esse terreno se destinasse a uma ampliação das piscinas e a novas instalações desportivas. Enfim... fica aqui o meu protesto.

 - Foi ainda aprovado o regulamento para trens turísticos, carroças, charretes e afins, mas parece que o regulamento é de tal forma fundamentalista, que define tudo, desde a cor das rodas das carroças, até a indumentária do condutor... e segundo foi dito, parece que já existem empresas que já compraram o equipamento para esse serviço de transporte... Pergunto-me se não será a empresa SILNIDO... se for é escandaloso!!!!
Quanto a bomba de gasolina do farense, acho foi adiado para outra assembleia.

Quanto ao comportamento dos deputados e membros da assembleia, verifiquei alguns comportamentos extremamente reprováveis e indignos, como por exemplo o já aludido facto do presidente não olhar as pessoas que estão no uso da palavra nos olhos, o facto de os deputados de algumas bancadas durante toda a assembleia (pelo menos os que estavam com os computadores virados para mim) a falar no messenger e a passear no facebook e a ver fotografias.
Outra atitude indigna foi levada a cabo pelo Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Estoi, que em pleno plenário com os trabalhos a decorrer se pôs a ler o Jornal, e como se isso não bastasse, depois de ler o Jornal ainda deitou a cabeça para atrás e pôs-se a fazer uma soneca. VERGONHOSO!!!! FALTA DE RESPEITO!!!! E o presidente da mesa não podia dizer a este senhor que não são maneiras de estar numa Assembleia Municipal?

Enfim... é nesta gente e nestes partidos que votamos... minha nossa senhora... estamos entregues a bicharada!

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O melhor de Socrates - 2009/2010

5 regras fundamentais de uma boa gestão do orçamento doméstico

A nossa sociedade encontra-se hoje baseada numa economia em que o factor consumo assume um papel importante. O problema é que a dada altura as pessoas começaram a consumir mais do que realmente tinham como rendimento disponível, e aqui entrou o papel dos bancos que através de um dinamismo comercial agressivo levaram as pessoas a consumir cada vez mais com dinheiro que não tinham, através de empréstimos e créditos.
Só que, como em tudo, deve existir um equilíbrio e, neste caso a grande maioria dos agregados familiares não teve o cuidado de equilibrar convenientemente as suas finanças pessoais.
Assim, hoje são muitas as pessoas que necessitam de um aconselhamento financeiro de modo a serem orientadas na melhor gestão do seu orçamento doméstico.
Cada caso é um caso, mas actualmente menos de 5% da população portuguesa consegue manter a sua situação financeira dentro das recomendações de equilíbrio.
As recomendações de equilíbrio financeiro vão servir de referência para que saiba como deve proceder a partir do momento em que decide dar uma maior e séria atenção à sua vida financeira.
As pessoas que praticam exercício regularmente estão entre os 5% da população com melhor condição física, aqueles que adoptam hábitos nutricionais equilibrados estão entre os que mais saudáveis são. Aqueles que decidem dedicar parte do seu tempo à sua família e lazer estão entre os mais felizes. Todos podemos fazer escolhas, desde que saibamos o que fazer. Não é de todo condição necessária nascer-se rico ou ganhar a lotaria para se conseguir fazer boas poupanças. A maior necessidade é conseguir-se obter um padrão de vida que nos permita continuar a ter o que queremos sem descorar o equilíbrio das nossas finanças pessoais.
Ao longo dos próximos artigos vou explanar todas as recomendações de modo a orientar o leitor na melhor gestão do seu orçamento doméstico.
Nesta primeira abordagem e por agora deixo aqui 5 regras fundamentais de uma boa gestão do orçamento doméstico para o leitor ler, analisar e reflectir:

1º Ter consciência dos seus proveitos e dos seus gastos
2º Prever as suas despesas
3º Antecipar outros encargos
4º Manter alguma liquidez
5º Realizar poupanças


Tendo consciência e compreendendo realmente o que significa seguir estas 5 regras, ao coloca-las em prática juntamente com um conjunto de métodos, irá conseguir obter uma boa gestão das suas finanças pessoais de modo a conseguir um equilíbrio financeiro sustentável.
Passo a explicar um pouco mais cada uma das 5 regras expostas:

1- Ter consciência dos seus proveitos e dos seus gastos

Proveitos – deve ter consciência do valor do seu salário face às suas despesas mensais, depósitos que efectuou, dividendos que tenha recebido, rendas recebidas e qualquer outro tipo de rendimento que obtém.
Gastos – deve ter noção dos pagamentos que efectua, das compras, levantamentos em dinheiro e para que serviram, e todos os débitos registados na sua conta bancária devem ser cuidadosamente seguidos.
Para tal, é necessário que analise periodicamente os extractos de todas as suas contas bancárias, registar os movimentos num quadro (que pode ser em Excel ou em registo manual). Deverá assim registar todas as operações do período em causa (que pode ser mensal, bimensal, trimestral, semestral ou até anual) por rubricas de proveitos e de despesas.
Estou disponível para lhe apresentar um quadro tipo de registo das operações financeiras (contacte-me para o email disponibilizado).

2- Prever as suas despesas

Na prática deverá saber prever, no sentido de ter consciência, as suas despesas futuras, tais como as despesas de habitação, dos impostos, dos seguros…em suma as suas despesas fixas, já que são mais fáceis de prever, e deverá também tentar prever eventuais despesas variáveis (ida ao dentista, dias de férias, etc…)
Quanto às fixas poderá optar por aderir a um sistema de débitos directos que as instituições bancárias disponibilizam. Assim não tem que se preocupar em efectuar o movimento. Tenha aqui só atenção em relação a eventuais despesas bancárias e, claro está, em ter sempre a sua conta provisionada.

3- Antecipar outros encargos

O seu carro avariou? O seu filho vai entrar para a faculdade, e esta é privada? O seu micro-ondas avariou? Tenha sempre um montante de reserva para eventuais encargos extra, para que possa suportar quando surgirem sem comprometer o seu equilíbrio financeiro.

4- Manter alguma liquidez

Se chega ao fim do mês e tem sobras de dinheiro deve deixar à ordem uma parte deste suficiente para os gastos do mês seguinte (já que há meses em que os gastos são maiores do que noutros). Caso esse valor sobrante seja relativamente elevado aproveite e pondere investi-lo numa aplicação.

5- Realizar poupanças

Aos poucos e de acordo com os valores que sobram do mês (caso sobrem) assim como de acordo com a possível existência de ganhos provenientes de rendimentos extra-ordinários deverá aplica-los numa carteira de poupança/investimento. Esta deverá ser gerida de modo a que mais tarde seja possível utilizar este rendimento na concretização de projectos pessoais (por exemplo a compra de um carro novo, de uma casa, ida de férias, etc…).

No próximo artigo vou desenvolver a regra nº 1 apresentada, que consiste em efectuar um diagnóstico da sua situação financeira. Aliás esta é também a 1ª etapa do trabalho de orientação financeira de um agregado familiar a que me proponho.

Pedro Miguel Matos

(facebook – finpessoais@gmail.com)

Ensaio de Alfredo Barroso: Cavaco Silva, a realidade e o mito






Devo esclarecer, antes de mais, que nunca subestimei Cavaco Silva, cujo pendor autoritário, mesclado de demagogia e populismo, e alicerçado num apurado sentido da oportunidade, fizeram dele, não só um adversário temível, mas também um dos políticos mais previsíveis que conheci em toda a minha vida activa, que já vai em quase meio século. Há, aliás, duas frases que retive na memória, da autoria de Cavaco Silva, que caracterizam bastante bem o político completamente previsível que ele é.

Uma delas foi proferida em 2005, tornou-se famosa e diz o seguinte: "Pessoas inteligentes, com a mesma informação, chegam às mesmas conclusões." Quem tenha alguns conhecimentos de história, seja do país ou do mundo, seja das ideias ou dos factos políticos, sabe perfeitamente que tal afirmação não é verdadeira. Porque, regra geral, pessoas inteligentes, com princípios, ideias e opções políticas distintas, chegam a conclusões diferentes, mesmo quando possuem a mesma informação. É isso, aliás, que está na base dos sistemas democráticos, pluralistas e pluripartidários.

Mas a frase proferida por Cavaco Silva há cinco anos é característica do discurso político dominante nos diversos partidos que alternam no poder em quase todas as democracias ocidentais. É uma frase que traduz aquilo que alguns já designam como "o fim da política".

Para políticos que dizem situar-se rigorosamente ao centro, como é o caso de Cavaco Silva, a política na sua dimensão conflitual é considerada como algo pertencente ao passado. O tipo de democracia que recomendam é uma democracia consensual, totalmente despolitizada, não partidarizada, sem confronto entre adversários, submetida aos princípios tecnocráticos e burocráticos implícitos naquilo que os banqueiros, gestores e empresários "modernos" designam por "boa governança", seja lá isso o que for.

Esta concepção aparentemente moderna teve a sua tradução histórica em Portugal com a instauração de uma "democracia orgânica" por Salazar, em 1933. Uma "democracia" em que só era consentido o partido único - a União Nacional - e em que os adversários políticos eram colocados fora da lei, considerados subversivos, perseguidos pela polícia política e forçados, muitas vezes, a passar à clandestinidade, para fugir à prisão.

Claro que Cavaco Silva não quer instituir uma democracia orgânica e tem respeitado sempre as regras da democracia pluralista, ascendendo aos mais altos cargos políticos através de eleições. Mas o seu desejo ardente de uma democracia consensual, sem conflitos entre adversários, sem "ilusões" e "utopias", virada para o "futuro" e cheia de "esperança", dominada pelo discurso politicamente correcto e esvaziada do confronto de ideias - que só pode subverter o consenso -, é qualquer coisa de genético e intrínseco, que está sempre implícito (e explícito) no discurso de Cavaco Silva.

A outra frase de Cavaco Silva que retive na memória, já esquecida mas também famosa, foi proferida por ele há oito anos, em 2 de Março de 2002, durante uma conferência na Faculdade de Economia do Porto.

A propósito da sustentabilidade da Segurança Social e referindo-se à quantidade de funcionários públicos em Portugal (cujo numero, diga-se de passagem, aumentou significativamente durante os dez anos em que ele foi primeiro-ministro), Cavaco Silva disse, às tantas: "Como é que nos vemos livres deles? Reformá-los não resolve o problema, porque deixam de descontar para a Caixa Geral de Aposentações e, portanto, diminui também a receita do IRS. Só resta esperar que acabem por morrer."

Esta extraordinária declaração proferida por Cavaco Silva, que revela uma total insensibilidade humana, não lhe deve ser levada a mal, porque é característica dos tecnocratas da política, sempre mais preocupados com os números do que com as pessoas. Cavaco Silva é isso mesmo, um tecnocrata da política. Considera-se, acima de tudo, um economista, e foi assim, como economista, que quis ser eleito Presidente da República há cinco anos.

Em reforço desta tese, não resisto à tentação de citar uma passagem da entrevista que Cavaco Silva concedeu ao "Expresso", publicada em 23 de Outubro, que ilustra bastante bem o lado acentuadamente tecnocrático, mas também burocrático, da personalidade política de Cavaco Silva.

Quando diz que chamou os partidos, "na sequência da afirmação de que o Governo não teria condições para governar sem a aprovação do Orçamento do Estado", Cavaco Silva salienta: "Forneci às forças políticas toda a informação relativa às consequências de uma crise, no caso da não aprovação do Orçamento. E forneci informação bastante detalhada relativamente à dependência da economia portuguesa dos mercados financeiros internacionais."

Tanta minúcia comove. Dá vontade de perguntar como é que Cavaco Silva terá fornecido aos partidos toda aquela informação. Terá sido em dossiers repletos de relatórios escritos em folhas A4? Ou ter--se-á limitado a proferir uma lição, do tipo magister dixit, aos pobres ignorantes que foram a Belém em representação dos partidos?

A minha curiosidade é grande. Mas a declaração citada revela bem que Cavaco Silva não é apenas um tecnocrata. É também um verdadeiro burocrata da política que dedica muito do seu tempo em Belém a coligir informação (em jornais, estudos, pareceres, relatórios oficiais), a qual, uma vez fornecida a políticos inteligentes, só pode, em sua opinião, obrigá--los a chegar às mesmas conclusões. É a escola do pensamento único em todo o seu esplendor. É a democracia consensual, sem conflitos e sem alternativas, elevada por Cavaco Silva a um patamar nunca antes alcançado.



2. Ao longo dos anos, tem sido construído um mito à volta de Cavaco Silva, que o próprio vem alimentando desde que exerceu as funções de primeiro-ministro, entre 1985 e 1995. Aliás, na já citada entrevista ao "Expresso", ele não perde a oportunidade de declarar, às tantas: "Eu sei bem a situação em que deixei Portugal em 1995 e tenho muito orgulho."

Sem questionar o "muito orgulho" a que Cavaco Silva tem direito, é bom salientar que o balanço de dez anos de "cavaquismo" está longe de ser brilhante, tal como convém lembrar as circunstâncias excepcionais em que Cavaco Silva acedeu ao poder, dando provas do seu proverbial sentido da oportunidade, que alguns qualificam como puro oportunismo político.

Refira-se, para começar, que Cavaco Silva se afastou sempre da vida política e do poder quando previa momentos difíceis (recusou-se, em 1980, a fazer parte dos governos da AD chefiados por Francisco Balsemão) e regressou à política para reconquistar o poder quando outros já tinham feito o trabalho mais difícil (Mário Soares e o Governo do "bloco central", em 1985) ou estavam a fazê-lo (primeiro governo de Sócrates, em 2005).

Depois de ter sido o ministro das Finanças do primeiro governo da AD, chefiado por Sá Carneiro (VI Governo constitucional), Cavaco Silva não aceitou continuar como ministro das Finanças dos governos chefiados por Francisco Balsemão, porventura por conhecer bem, como certamente conhecia, as consequências da política económica e financeira que ele próprio tinha adoptado em 1979-1980 - a saber: perda de competitividade da economia; agravamento brutal do défice externo; enorme endividamento em dólares das empresas públicas; recusa de financiamento por parte do sistema financeiro internacional, face um défice externo recorde.

Quando estes gravíssimos problemas foram resolvidos pelo Governo do "bloco central", chefiado por Mário Soares, entre 13 Junho de 1983 e 6 Novembro de 1985 (a saber: recuperação da competitividade da economia; controlo das contas públicas; eliminação do défice externo; restauração da credibilidade do país face às instituições internacionais; abertura do processo de reprivatização da economia; assinatura do Tratado de Adesão à CEE), Cavaco Silva decidiu regressar à vida política activa, conquistando a liderança do PSD, no congresso da Figueira da Foz, derrubando o governo do "bloco central", com a conivência do Presidente da República, Ramalho Eanes, e provocando, assim, eleições legislativas antecipadas.

Como primeiro-ministro, Cavaco Silva beneficiou dos excelentes resultados das políticas levadas a cabo pelo Governo do "bloco central" - designadamente, do excedente da balança de transacções correntes, da abertura do mercado espanhol propiciada pela integração na CEE e das abundantes transferências de fundos estruturais provenientes de Bruxelas - o que, naturalmente, favoreceu um crescimento rápido da economia, a descida da inflação e dos défices, e o aumento do emprego.

No entanto, conforme salienta a economista Teodora Cardoso, numa pormenorizada "análise crítica" publicada em 2005 (sob o título "Cavaco Silva, a ciência económica e a política"), o que "começou por faltar" a Cavaco Silva foi "uma orientação inequívoca, no sentido de aproveitar esta fase ímpar, mas passageira, para preparar a economia para um tipo de competição completamente diferente daquela que enfrentara no passado. (...) O caminho para Portugal não podia continuar a ser o da falta de qualificação e dos baixos salários".

Teodora Cardoso esclarece o seu ponto de vista: "Ao contrário da moda recente de criticar a opção pelas infra-estruturas, não me parece que esta tenha sido um erro. Erros sim - e graves - foram a incapacidade de usar eficazmente os fundos de formação profissional; de levar a cabo uma reforma do sistema de ensino que privilegiasse as necessidades da sociedade e da economia; de proceder a um correcto reordenamento do território e a uma reforma do processo orçamental que permitisse a descentralização racional da gestão pública; ou (a incapacidade) de criar uma administração pública e parceiros sociais preparados para encaminhar o país no sentido que a integração europeia e mundial lhe impunham. Ao contrário do que às vezes se deixa entender, o facto de se construírem estradas não impedia que se melhorasse a qualificação dos portugueses. Pelo contrário, face à abundância dos fundos estruturais e ao crescimento rápido da economia e da sua capacidade de financiamento, ambas as opções eram não só possíveis como indispensáveis."

Aproveitando "uma folga financeira irrepetível", Cavaco Silva criou um novo sistema retributivo (NSR) da administração pública, que podia ter sido a contrapartida ideal para levar por diante as reformas indispensáveis, mesmo que impopulares. Mas não foi. Cavaco Silva não quis correr riscos, e nem sequer mexeu nos múltiplos esquemas "especiais" que continuaram a proliferar durante os seus governos. Por isso mesmo, conforme conclui a professora Teodora Cardoso: "O que Cavaco Silva nos legou reduziu-se à expansão dos regimes especiais, ao reforço da rigidez e da incapacidade de gestão e inovação, e, sobretudo, a um aumento dos encargos com a função pública que correspondeu, em termos reais, à mais que duplicação da massa salarial das administrações públicas entre 1985 e 1995."

Mas os graves erros cometidos por Cavaco Silva não se ficaram por aqui. Como recordou António Perez Metelo, num artigo publicado no "DN Economia", em 12 de Julho de 2006: "Em termos de Segurança Social é bem sabido que, entre 1985 e 1995, o Estado não pagou integralmente as verbas devidas ao correcto financiamento dos sistemas não. Criou-se, aí, um défice, que acelerou as tensões à volta do financiamento sustentado de toda a Segurança Social pública." E essas verbas, esclarecia Perez Metelo, situaram-se "na casa dos milhares de milhões de euros".

Antecipando as consequências dos seus erros - défices excessivos do sector público administrativo; aumento da despesa pública superior a 12%, entre 1990 e 1995; taxa de crescimento muito baixa (0,8 %, em vez dos 2,8 % que tinha prometido, entre 1991 e 1994); taxa de desemprego a crescer (superior a 7% em 1994) - Cavaco Silva, depois de alimentar o famoso "tabu", decidiu mais uma vez afastar- -se, quer da chefia do governo quer da chefia do PSD, deixando a "batata quente" nas mãos de Fernando Nogueira, que lhe sucedeu como presidente do partido e acabou por ser derrotado por António Guterres nas eleições legislativas de 1995.

3. Cavaco Silva ainda disputou a eleição presidencial de 1996 - mais para tentar provar que não "fugia" do que convencido de que a ganharia - mas, uma vez derrotado, afastou-se da vida política activa e remeteu-se a um silêncio algo ruidoso. Prevendo a crise que se agravou a partir de 2001, Cavaco Silva ajudou a derrubar o governo de coligação entre o seu próprio partido e o CDS-PP (o governo de Santana Lopes), e continuou a preparar discretamente a sua nova candidatura a Belém, alimentando mais um "tabu". E quando o governo do PS (saído das eleições de Fevereiro de 2005 e chefiado por José Sócrates) tomou as medidas duríssimas e impôs as políticas de austeridade que são conhecidas, Cavaco Silva não hesitou em considerar que era chegado o momento de regressar à política activa. E a verdade é que, como diria Júlio César, regressou, viu e venceu.

Cavaco não é, de facto, um político para os momentos difíceis. Mas é um político que sabe tirar partido deles. Em relação à gravíssima crise que o país actualmente atravessa, já sacudiu a água do capote. Na declaração de recandidatura a Belém, já teve o cuidado - e a falta de pudor - de afirmar, sem se rir, que o país ainda estaria pior se não fossem os avisos e os alertas que ele dispensou com tanta generosidade, durante cinco anos. É assim que o Presidente economista pretende ultrapassar a frustração de não ter sido capaz de cumprir o que prometeu na eleição de 2005. Ou seja: com ele em Belém, o país nunca poderia chegar ao ponto a que agora chegou.

Que pena não terem lido, tanto em Portugal como lá fora, todas as informações coligidas e fornecidas urbi et orbi por Cavaco Silva. Porque, se as tivessem lido, todos teriam chegado às mesmas conclusões e o mundo estaria bem melhor, porventura a caminho de amanhãs que cantam!

Os mitos são sempre muito duros e resistem bastante à realidade, por mais evidente que ela seja. Cavaco Silva sabe disso - e a direita que o quer transportar num andor, também. Esta crise brutal - somada ao inevitável parecer positivo da sua augusta família - veio de novo favorecer os desígnios de Cavaco Silva e tornar mais difícil a tarefa daqueles que o vão enfrentar. Porque agora ele já não se candidata apenas como o economista capaz de resolver as crises. Candidata-se em nome de Portugal, como ele próprio disse, sugerindo a imagem quase subliminar de partido único, numa democracia consensual totalmente despolitizada e despartidarizada. Cavaco Silva advoga "o fim da política". E isso é um perigo para a democracia.

Alfredo Barroso  In: Jornal i

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Hino da Função Publica

Caros,

Aqui vos deixo o Hino da Função Publica cantado pelos funcionários do Departamento Técnico de Planeamento e Urbanismo da Câmara Municipal de Portimão.

Qual Monserrat Caballé.... Portimão é ke é!!!! LOL 

Divirtam-se... 

Plano-Inclinado: Pobreza em Portugal

Caros,

Aqui vos deixo mais uma edição do programa "Plano Inclinado" com Mário Crespo, Prof. Medina Carreira e desta vez como convidado com o presidente das Misericórdias de Portugal.

Num tempo de pobreza e de desemprego, este tema nao podia estar mais actual.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

DJ Pete tha Zouk entre os 100 melhores do mundo

Votaram quinhentas mil pessoas, de 235 países no ranking da revista britânica DJ Mag e os DJ’s Pete tha Zouk (natural de Olhão) e DJ Vibe ficaram entre os primeiros cem escolhidos. Armin Van Buuren, David Guetta e Tiësto no podium.

Pete tha Zouk alcançou o 81º lugar, enquanto DJ Vibe que já figurou por diversas vezes na lista, este ano desceu, ficando precisamente no 100º posto.

Avotação decorre anualmente por iniciativa da revista britânica, DJ Mag, referência mundial da música criada por DJ’s.

O DJ holandês Armin Van Buuren, mantém-se como primeiro classificado, lugar que já obtivera em 2009, em segundo surge o francês David Guetta seguindo-se Tiësto, igualmente originário da Holanda.

Nascido em 1978, como António Pedro, na cidade algarvia de Olhão, Pete tha Zouk hoje é, literalmente, um cidadão do mundo em países actuando da Europa, Ásia, América do Norte e Brasil, país onde a cada dois meses não deixa de marcar presença com uma tour.

Pete Tha Zouk lançou em Fevereiro deste ano "I am Back Again", juntamente com Abigail Bailey, cantora de vários Hits a nível mundial e Mastercris. O videoclip do single foi filmado na ilha de Florianópolis, pelo realizador português, Leonel Vieira. (ver vídeo)

Em 2008 mixou a compilação "Sasha Summer Sessions", que atingiu o Galardão de Ouro e conquistou mais um prémio, "Melhor Dj Nacional", atribuído por Prémios Noite.pt

Pete Tha Zouk é um dos DJ mais requisitado nos últimos anos em Portugal, razão pela qual criou à sua volta uma autêntica legião de fãs, transformando as suas actuações em espectáculos de música, alegria e paixão.

In: Observatório do Algarve


Aqui vos deixo o video do recente hit: I'm back again:



Para quem gosta destas coisas, deixo também o making of deste videoclip:

Muita contenção e 48 milhões de euros para resolver problemas da Câmara de Faro

Macário Correia foi o convidado de mais um programa radiofónico «Impressões», dinamizado em conjunto pelo «barlavento» e pela Rádio Universitária do Algarve RUA FM. 



As dificuldades financeiras da autarquia, o Plano de Reequilíbrio Financeiro recentemente aprovado, a redução de pessoal, as portagens na Via do Infante e o Orçamento de Estado para 2011 são alguns dos assuntos sobre os quais o presidente da Câmara de Faro se pronunciou.

Impressões- Tomou posse como presidente da Câmara de Faro há praticamente um ano. Que balanço que faz deste período?

Macário Correia- Estou satisfeito e tenho trabalhado noite e dia com uma equipa que constituí. Temos resolvido problemas do concelho. Obviamente que não se resolve tudo num ano, nem daqui a quatro estarão resolvidos.
Mas o nosso sentido de dedicação e o horário alargado que praticamos é reconhecido e julgo que é bem vivido.
Faro tem falta de infraestruturas e é uma cidade que carece de planeamento e organização. Esta é uma autarquia que criou uma crise dentro de si própria antes da crise geral e agora temos duas para resolver.
 
I- A Câmara de Faro trabalhava mal?

M.C.- A Câmara tinha um problema interno de organização e tem outro grave de ordem financeira. No que toca à organização, o problema prende-se com o facto de a Câmara estar distribuída por muitos edifícios, com dispersão de funcionários e documentos. Isto dificulta a relação funcional.
Depois, os sistemas de trabalho em termos de organização, metodologia, regulamentos, de suportes informáticos, equipamentos e material de trabalho estão hoje muito melhor do que estavam há um ano, mas ainda muito longe daquilo que nós julgamos ser necessário. A organização interna, em termos de eficácia, deixava muito a desejar. Hoje, penso que do ponto de vista genérico, ganhámos 20 por cento de produtividade.
Ou seja, com menos 20 por cento das pessoas, fazemos o mesmo trabalho. O que significa que, se esta decisão que eu tomei tivesse sido tomada antes, a Câmara hoje teria menos alguns milhões de euros de passivo.
Quando nós fazemos a mesma coisa com menos 200 pessoas, é a prova que havia subutilização dos recursos humanos e despesismo.

I- Estas mudanças foram bem aceites pelos funcionários da autarquia?

M.C.- Em 90 por cento dos casos foram bem assumidas e compreendidas. Há sempre um ou outro caso que não é fácil de resolver. E eu explico porquê: como é que reduzimos o número de pessoas, sem tratar mal ninguém?
A autarquia tinha contratos de prestação de serviços com empresas de limpeza ou vigilância, às quais não pagava há muito tempo, em alguns casos há mais de dois anos. Não fazia sentido manter esta dívida a correr.
Nos casos da vigilância e limpeza, colocámos os funcionários da Câmara que têm essa categoria de assistentes operacionais a fazer o trabalho e, hoje em dia, em vários edifícios da Câmara, estas funções estão a ser asseguradas por funcionários da autarquia. Houve alguns casos em que a renovação dos contratos não era legalmente possível, mesmo que eu quisesse.
Também houve uma dúzia de aposentações e outros que pediram transferência para outras instituições. Neste conjunto, temos menos 130 empregos diretos e menos umas dezenas de indiretos. Poupei dois milhões de euros para continuar a fazer as mesmas tarefas e funções.
Tenho que dizer que há algumas dezenas de pessoas que estão em funções, mas fora do serviço, em alguns casos com atestados médicos leais e honestos. Mas há casos de pessoas que têm atestados cuja doença só eles é que sabem.
E tenho casos concretos de pessoas que, quando é dito que têm de mudar de serviço, no dia seguinte apresentam baixa médica.
E dizem-me, de resto, que apresentam atestado se os tentar mudar de serviço. Houve mesmo uma pessoa que me disse o dia em que ia adoecer e quando tempo estaria doente. 
 
I- Na passada semana, foi aprovado em Reunião de Câmara o Plano de Reequilíbrio Financeiro da autarquia. Já é possível dizer com certeza qual a dívida global?
 
M.C.- Apuradas as contas, hoje temos 31 milhões de euros em faturação vencida e não paga, desde 2001 para cá. Também temos um conjunto de compromissos de natureza pública, que a Câmara tem que honrar, que não estão saldados.
Devemos, por exemplo, três milhões de euros à Sociedade Polis, onde não foram sequer subscritas as ações. Também devemos às associações de solidariedade social, as chamadas IPSS, ao abrigo dos programas Pares e POPH, cerca de dois milhões de euros.
Depois há um conjunto de situações ligadas às empresas municipais. Há um desequilíbrio nessas empresas de cerca de 5,5 milhões de euros. No conjunto, chegamos a uma deficiência de liquidez na ordem dos 48 milhões de euros, neste momento.
A autarquia, quando tomámos posse, tinha dívidas a pagar desde o ano 2000 a 2009. Dez anos estavam com faturação vencida.
Havia muita documentação que não estava sequer organizada, muitas faturas que não estavam associadas a nenhum procedimento concursal e outras, no valor de alguns milhões de euros, nem sequer estavam cabimentadas.

I- E o que é que o plano prevê, para fazer face à situação?

M.C.- Com o Plano de Reequilíbrio, vamos tentar obter um financiamento da banca para pagar todos estes compromissos e traduzir estas faturas, que são milhares, num único crédito.
É transformar uma dívida de curto prazo noutra a 20 anos, com juros que nesta altura tendem a ser elevados.
Para isso, ainda temos de obter autorização dos órgãos internos da autarquia, a aprovação da Direção Geral das Autarquias e do Tesouro, ver isso publicado em Diário da República e depois ter proposta de um banco ou de um conjunto de bancos e obter um visto do Tribunal de Contas.
Estes procedimentos levarão alguns meses, até que, desejavelmente, tenhamos o empréstimo bancário.
Ao mesmo tempo, vamos levar a cabo um conjunto de medidas de contenção interna, ao nível de despesas de pessoal, funcionamento, aquisição de bens e serviços, tudo o que é despesa não geradora de investimento, vamos conter e reduzir para ganhar folga entre a receita e a despesa.
Na casa de cada um de nós, quando temos dívidas para pagar, temos de ter ao final do mês ou do ano, mais receita que despesa, para poder poupar algum no futuro, para começar a pagar, de forma credível, o passado.
E isto vai demorar 20 anos a pagar na plenitude.
 
I- O que vai ser feito, exatamente, para equilibrar a balança?

M.C.- Além do que já fizemos, estamos a cortar em todos os outros aspetos de funcionamento da máquina. Vamos reduzir ainda mais as despesas no pessoal. Há pessoas que se reformam que nós não vamos repor e outras cujos contratos terminam e não podem ser renovados. Vamos tentar, com os que cá estão, cobrir essas lacunas.
Também vamos tentar fazer poupança nos contratos de fornecimento de serviços de água, eletricidade e gás. Ao mesmo tempo, estamos a fazer um esforço para ter maior eficiência no uso do material, para poder poupar nisso tudo.
Não há renovação de frotas, a viatura que eu ando fez 80 mil quilómetros num ano, tem 400 mil e esperemos que aguente muito mais tempo, porque não há dinheiro para pagar mais nenhuma.
Queremos fazer muitas coisas, como creches, escolas, jardins e outros equipamentos, mas a verdade é que neste momento estamos a pagar dívidas.
O Orçamento de 2011 tem 90 por cento do seu conteúdo já comprometido com faturas vencidas.
Só dez por cento é de investimento novo e mesmo assim já comprometido com aquilo que consideramos essencial, que é proteger a entrada de fundos europeus em pequenos investimentos, nomeadamente escolas. Ao nível da receita, é complicado aumentá-las neste momento.
Esperemos que a crise se atenue, para que comecem a ser de novo levantados os alvarás e licenças pendentes.
Também há a atividade da autarquia enquanto agente económico, seja na venda de terrenos e edifícios ou na prestação de serviços, entre outros.
No campo imobiliário, colocámos à venda algum património este ano e só conseguimos vender um terreno e um edifício. Os outros concursos ficaram com as hastas públicas desertas.
 
I- Como avalia a proposta de Orçamento de Estado para 2011 e a redução de verbas para Faro?

M.C.- O Estado vai-nos dar sete milhões de euros em 2011, menos do que deu nos anos anteriores. Já houve um corte em Junho passado e agora há outro no Orçamento de Estado.
O Governo, nos últimos anos, não tem sido nada generoso em relação ao Algarve, naquilo que seria legítimo.
O distrito de Faro, segundo a Direção de Finanças, é o quarto entre os dezoito do país ao nível da cobrança de receita. Produzimos muito dinheiro para os cofres de Lisboa e em troca recebemos tostões. Se fizer uma retrospetiva do PIDDAC, há uma rampa decrescente.
Temos hoje um valor semelhante ao que tínhamos há dez ou doze anos. E muitas das coisas inscritas não são realizáveis.
Há o caso de um Porto de Pesca inscrito há 15 anos, sem nunca se ter feito nada de nada. Ou seja, aquele milhão já contou quinze vezes.
No caso de Faro, no OE 2011, há uns tostões para o projeto das novas instalações da Policia Judiciária e uma referência ao edifício de Medicina da Universidade do Algarve, com mais expressão.
Mas o resto quase não se vê. Tirando a Variante Norte, não há qualquer obra do Estado em curso no concelho.

I- A AMAL veio recentemente a público admitir a cobrança de portagens na Via do Infante, depois de concluída a requalificação da EN125. Mas, a título individual e por vezes mandatados pelas Assembleias Municipais, muitos presidentes de Câmara mostraram-se incondicionalmente contra a medida. Como explica esta aparente contradição?

M.C.- Nós, ao longo dos últimos seis anos, tivemos um discurso que teve uma triste coerência. Houve sempre uma matriz de argumentação que dizia que o Algarve não tinha condições para a introdução de portagens porque não havia alternativa.
Foi um discurso que veio ao longo do tempo. Durante seis anos, não houve qualquer sinal de obra de requalificação da EN125. Mas, pela primeira vez, começou a obra.
Por isso, mantivemos o mesmo discurso: agora que há obra visível, continua a não haver razão lógica para a colocação de portagens, salvo quando estiver concluída a obra.
Todavia, nós solicitámos uma entrevista ao primeiro-ministro, que me mandou uma carta a dizer que não podia, mas que o ministro das Obras Públicas nos iria receber. Depois o ministro disse que também não podia, que tinha de ser o secretário de Estado.
É provável que ainda vamos receber uma carta a dizer que vamos ser recebidos pelo chefe dos contínuos. A dignidade dos presidentes das Câmaras do Algarve não merece humilhações.
Ou o Governo quer falar connosco ou não quer. Se quer, fala com dignidade. Agora não manda recados em cascata de uns para os outros desta maneira que não é nobre. 
 
2 de Novembro de 2010 | 09:30
hugo rodrigues/pedro duarte

sábado, 30 de outubro de 2010

AS ORIGENS DO "MONSTRO"

Há uns anos atrás, Cavaco Silva escreveu um influente artigo de opinião, onde o crescimento explosivo da despesa pública foi apelidado como um "monstro". Sabendo que a situação actual se deve exactamente ao facto deste "monstro" estar fora de controlo (bem como devido ao nosso elevado endividamento externo), é importante perceber as origens do elevado crescimento da despesa pública nacional. Neste sentido, vale a pena perguntar: quando é que o monstro "apareceu"? Será que foi nos tempos dos governos de António Guterres? Nos governos actuais? Ou será que foi anteriormente? Para podermos responder adequadamente a estas questões, vale a pena olharmos para o passado e vermos então a evolução da despesa pública nacional. 
Assim, num trabalho recente, eu e o João Jalles, da Universidade de Cambridge, tentámos perceber melhor as grandes tendências do crescimento económico nacional nas últimas décadas e calculámos uma série de indicadores económicos, entre os quais se encontra a despesa pública.
Os resultados em relação ao consumo público e o PIB nacional são bastante elucidativos sobre as origens do “monstro”. Neste sentido, o gráfico abaixo mostra o crescimento de tendência (isto é, sem flutuações) do consumo público e do PIB nacional nos últimos 100 anos. Como podemos ver, e contrariamente ao que às vezes se apregoa, o crescimento do “monstro” começou durante o regime Salazarista, principalmente a partir dos anos 1950, quando os gastos públicos aumentaram tremendamente. Assim, a ideia de que o regime Salazarista controlou as despesas do Estado é mais um mito do que a realidade. A verdade é que a chamada “ditadura” financeira foi levada a cabo principalmente nas primeiras 3 décadas do regime salazarista, mas foi posteriormente relaxada nas décadas seguintes. Assim, a partir dos anos 50, e seguindo as tendências de outros países, as despesas estatais aumentaram muito rapidamente.   
                          Gráfico _ Crescimento de tendência do consumo público em Portugal, 1910-2009
 
O crescimento do Estado não só continuou na década seguinte, como foi até mais impulsionado com o advento das guerra coloniais. Quando o PIB abrandou a partir da década de 1970, mas os gastos públicos mantiveram um elevado crescimento, estavam criadas as condições para um crescimento exponencial do nosso Estado. Como podemos ver, o pico do crescimento dos gastos públicos ocorreu em meados dos anos 1970, quando os governos democráticos mantiveram a rápida expansão do Estado, investindo em Educação, na Saúde e na Segurança Social. É natural que tal tenha acontecido, pois, como José da Silva Lopes argumenta num excelente artigo editado no volume “História Económica de Portugal”, editado por Pedro Lains e Álvaro Ferreira da Silva, as despesas públicas nacionais nessas áreas eram muito inferiores à média dos outros países no mundo ocidental. 
E foi assim que nessa década, as despesas públicas aumentaram 9,5% ao ano, apesar de o crescimento da economia ter abrandado para os 1,5% ao ano. 
É verdade que desde então o ritmo de crescimento do consumo público baixou de ritmo, mas, mesmo assim, permaneceu vários pontos percentuais acima da taxa de crescimento da economia nacional. Com efeito, é perfeitamente patente que, nos últimos 60 anos, o crescimento dos gastos do Estado tem sido muitíssimo mais acentuado do que o crescimento do produto nacional (linha picotada).
Vale igualmente a pena realçar que o declínio da taxa de crescimento dos gastos públicos foi travado no final dos anos 90, quando, durante o crescimento do Estado foi mais uma vez impulsionado pelos governos de António Guterres, quando o crescimento anual das despesas públicas foi muito elevado. A partir dessa altura, a taxa de crescimento de tendência do consumo público tem permanecido praticamente inalterada, e nenhum dos governos da última década conseguiu travar o despesismo do Estado. Os gastos públicos continuaram a crescer a ritmos mais elevados do que o PIB nacional, aumentando inexoravelmente o peso do Estado na economia. Como a economia estagnou na última década, estavam criadas as condições para que o "monstro" ficasse fora de controlo, contribuindo para a lamentável situação actual.

80% dos portugueses diz que governação é "má" ou "muito má"



Segundo o DN, a contribuir para a queda do PS no Barómetro de Outubro está a análise que é feita da actuação do Governo. Isto porque 80% dos inquiridos definiu como "má" ou "muito má" a governação socialista.

Deste "bolo", 41% definem mesmo como "muito má" a actuação do Executivo liderado por José Sócrates, um valor que aumentou em 11% relativamente a Junho.
Relevante é que nenhum dos inquiridos avaliou como "muito bom" o trabalho do Governo. Já o "bom" foi apenas dado por 12 % dos inquiridos, o que, mesmo assim, significa uma queda de 8% relativamente à última sondagem.

Caderneta de Cromos


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Navio "SERPA PINTO" da Companhia Colonial de Navegação

Caros,

Aqui vos deixo uma foto do antigo paquete "Serpa Pinto" que em tempos já foi o melhor navio de passageiros português.


Fonte: SHIPS & THE SEA - BLOGUE dos NAVIOS e do MAR

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Nos próximos dez anos não podemos investir em betão

Esta é a solução para o país, apelidada de "simples" por Fernando Ulrich, presidente do BPI, esta manhã numa conferência. João Salgueiro foi outro dos intervenientes que focou que o país só vai sair da armadilha da dívida, quando crescer o suficiente para pagar os juros

  

A receita para endireitar as contas do país é "simples", garantiu hoje Fernando Ulrich no IX Seminário de Reflexão Estratégica organizado pela Centromarca, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.
Radical, o presidente do Banco BPI revelou a solução: "Os dez milhões de portugueses têm que perceber que nos próximos dez anos não se vai investir em autoestradas, aeroportos, TVG (comboio de alta velocidade), nem na construção de escolas ou universidades".

"É simples", enfatizou com ironia Ulrich. O patrão do BPI fica boquiaberto com o facto de, mesmo apesar da crise, "ainda existirem pessoas que não mudaram de visão". "É impressionante a quantidade de pessoas que ainda pensam em betão!".

"O pouco dinheiro que houver será para o essencial, para delinear estratégias que tornem o país mais competitivo", avisa. Uma mensagem que Ulrich 'desafia' o Presidente da República, primeiro-ministro e restantes governantes.

O tema em cima da mesa foi ambicioso, "Reflexão sobre a organização empresarial, a sua responsabilidade na sociedade portuguesa, perspetivas para o futuro e novos caminhos", e o painel, além de Ulrich, incluiu D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal e advogado Pedro Rebelo de Sousa, enquanto presidente do Instituto Português de Corporate Governance.

Subsídio de desemprego paga trabalho em empresas 

Voltando à participação do presidente do BPI e ao seu discurso, regra geral provocatório, Ulrich deixou no ar uma sugestão para amenizar a subida do desemprego e, ao mesmo tempo, ser uma boa ação de responsabilidade social por parte das empresas. "Quem está empregado está integrado socialmente, quem perdeu o emprego acaba por ficar excluído pois não evolui, refletiu.

Uma solução, que ajudaria à coesão social, seria "acomodar parte do subsídio de desemprego para uma série de pessoas desempregadas irem trabalhar para as empresas que estivessem dispostas a recebê-las", sugeriu, acrescentando que "neste momento o BPI não precisa de recursos humanos, mas estaria disposto a aderir a uma iniciativa deste tipo, desde que a lei não me obrigasse a ficar com esses quadros". 

Nesse período, frisou o gestor, as pessoas não estariam estagnadas, ganhavam competências e a empresa beneficiaria também com a experiências desses novas colaboradores.
"Se esta partilha de custos (Estado e sector privado) for um imperativo nacional, o BPI até podia incorporar 500 trabalhadores, assim como estou convencido que grandes empresas como a PT ou EDP teriam capacidade para isso. Mas as pequenas também, integrando um ou dois trabalhadores em situação de desemprego".

Ou, então, "diminuem-se os salários a todos para as empresas integrarem mais pessoas", atirou.
Esta questão levou às mudanças que se esperam para o mercado de trabalho. Um novo modelo de desenvolvimento económico passa por adaptar a realidade "ao facto da idade da reforma vir a aumentar, por exemplo, e isso obriga-nos a encontrar soluções como horários reduzidos", interveio Pedro Rebelo de Sousa. O advogado não resistiu a introduzir também alguma polémica no debate: "Como é que se pode pagar 14 salários a quem trabalha dez meses?".

A economia tem que crescer para pagar a dívida

João Salgueiro, ex-presidente da Associação Portuguesa de Bancos, e uma das vozes mais incómodas no que toca a apontar os grandes erros de política económica de finanças públicas cometidos nos últimos anos, participou na sessão de abertura do debate.

Para o economista não há voltar a dar: "Para se sair desta armadilha do custo da dívida externa é necessário que a economia cresça mais do que os juros que nos são cobrados". Não será fácil, reconhece Salgueiro, mas é possível com "políticas de longo prazo que invertam o défice de poupança nacional (os italianos financiam o próprio défice, por exemplo) e que estimulem a economia a produzir e criar riqueza". Os eixos e que o tecido empresarial tem que se focar são: exportação, quadros válidos e terem produtos inovadores.

"Os tiros na banca e no off-shore da Madeira são tiros errados porque não é assim que se cria confiança para a poupança em Portugal".

Os outros pilares devem ser uma "educação profissionalizante e mais exigente, justiça em tempo útil e acabar com a burocracia do Estado que ainda emperra a atividade económica".

Além disso, "tem que nos ser dito de onde veio o descontrolo orçamental de 2009, em que estado está a dívida acumulada entretanto, quais são as responsabilidades do país que aí vêm com os custos das parcerias público-privadas, com a sub-dotação das empresas públicas e também com o BPN". Estas foram algumas das questões lançadas por João Salgueiro, cujas respostas é que permitirão traçar uma estratégia.

A crise das finanças públicas não se resolve "com aumento de impostos, transferências de fundos de pensões ou com a venda de imóveis não nos leva a lado nenhum. Só apagam fogos".

Muitas vezes apelidado de pessimista, João Salgueiro referiu que, "pela primeira vez os portugueses acreditam que temos um problema". "Hoje quem diz que temos que mudar já não é um pessimista, mas sim um otimista", concretizou.

E alertou que "ao falarem da possíbilidade da vinda do Fundo Monetário Internacional (FMI), governantes e ex-governantes estão a dizer que acham que esta crise é igual às outras crises". Nada podia ser mais errado, considera João Salgueiro, para quem "esta crise é de mudança de paradigma".

"Seja qual for o Orçamento do Estado não nos vai dar uma saída", referiu, porque "nos falta o trabalho de casa, nomeadamente a concretização, no devido tempo, do PRACE - Programa de Re-estruturação da Administração Central do Estado, onde já estava a lista de fusões e extinções de organismos públicos". João Salgueiro frisou que "estava tudo previsto", mas não se fez.
A culpa? "Grande parte do problema é a classe dirigente política. Em França ou na China, por exemplo, é difícil entrar para a política, enquanto por cá se recruta nas jotas...".

1º responsabilidade social da empresa é ser competitiva

A mudança, opinou Carlos Costa, passa também por alterar o modelo social vigente, "que confunde proteção do trabalhador com proteção do posto de trabalho". "Determinadas funções de coesão estão a ser transferidas para as empresas", critica o governador do Banco de Portugal. "A proteção do rendimento e do trabalho é necessário, mas não pode impedir a reorganizaçãop das empresas". Caso contrário "não será possível a necessária transformação".

A primeira responsabilidade social da empresa, referiu Carlos Costa, é "manter-se competitiva e garantir a satisfação das expetativas dos stakeholders". Para isso é necessário transparência nas contas e um dado que, neste campo, causa alarme "e me preocupa é o rácio de alavancagem das empresas. Assistimos a uma lógica de desinvestimento de quem participa no capital das empresas". Ou seja, Carlos Costa põe o dedo na ferida: "há desconfiança". "Tem que haver compromisso e consenso entre cada uma das partes interessadas na empresa. Não podem estar lá com um pé de fora. O auto-financiamento das empresas dá confiança aos trabalhadores, por exemplo".

E enfatiza "tenho toda a simpatia por ações de responsabilidade social das empresas, mas isso não é a sua função, é apenas um contributo. O que lhes compete é serem produtivas". É nesta medida que, na opinião do governador, as empresas "criam coesão, que é um fator crítico do seu sucesso".
O resumo de Carlos Costa não é animador: "temos um sector produtivo que é fraco e um Estado que assumiu responsabilidades que não pode cumprir".

Urge uma sociedade que "seja capaz de regenerar os seus valores em torno da transformação e da inclusão. É fundamental integrar as novas realidades sociais e não deixar que as empresas fiquem reféns de quadros normativos que as limitam em termos de competitividade".

As pessoas têm que saber a verdade

"Quando recebi o convite pensei se convidam um homem de Deus para um debate destes é porque isto está muito mau", a tirada pertenceu a D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa e arrancou risos à plateia.
O bispo focou a ganância e a cobiça subjacentes à crise atual e apelou a "uma racionalização dos bens, optar pela austeridade não agrada a economia, mas é o único modo de corrigir o consumismo".

A longo prazo, considera D. Carlos Azevedo, a estratégia (que se inclui nas ações de responsabilidade social) deve passar por "estar presente em países que são necessitados", mas frisa que "a deslocalização só para a exploração não é sustentável".

Também o bispo auxiliar de Lisboa avizinha tempos em que "as pessoas vão ter que encontrar modos de trabalhar menos horas e de partilhar o emprego, o que vai obrigar a uma mudança nos estilos de vida".
"É, por isso, necessário que seja bem explicado à sociedade as razões desta situação. Tem que haver honestidade e as engenharias financeiras e políticas não nos dão a conhecer a realidade", concluiu.

In: Expresso

China pondera comprar dívida pública portuguesa

O presidente chinês Hu Jintao vem a Lisboa na próxima semana e na bagagem pode trazer "dinheiro" para investir na dívida pública portuguesa. 




 De acordo com a agência de notícias Bloomberg, a China está a considerar apostar na compra de dívida pública portuguesa, no âmbito da visita oficial que o presidente chinês Hu Jintao vai efectuar a Portugal na próxima semana.

A "China sempre teve uma posição positiva e favorável em considerar" a compra de dívida pública de países onde faz uma visita oficial, disse a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros, Fu Ying, citado pela agência de notícias.

"A situação económica e financeira em Portugal tem sido sempre o centro das nossas atenções", disse a vice-ministra dos Negócios Estrangeiras chinesa, Fu Ying, ao ser questionada pela agência Lusa em Pequim sobre a possibilidade de a China adquirir parte da dívida portuguesa.

Segundo realçou, "a Europa tem sido sempre um dos principais mercados para o investimento das reservas da China em divisas".

"Temos vontade para participar nos esforços dos países europeus para recuperar da crise", afirmou Fu Ying, antiga embaixadora da China em Londres e responsável pelas relações com a Europa, citada pela Lusa.

Referindo-se ainda a Portugal, Fu Ying manifestou-se confiante que o país conseguirá ultrapassar a crise atual.

"Acreditamos que as medidas tomadas pelo Governo português conduzirão à recuperação dos sectores económico e financeiro de Portugal", disse.

O presidente chinês Hu Jintao vai realizar na próxima semana uma visita de Estado a Portugal e a França.

China dá a mão à Grécia a troco de negócios no porto do Pireu
A China parece estar disposta a entrar em força na Europa, através da porta escancarada pelos países mais endividados, aproveitando oportunidades de negócio a preços de saldo a troco da compra de dívida pública.

Já no início do mês, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, fizera uma escala em Atenas a caminho de Bruxelas para participar na cimeira anual UE-China. Na capital grega, ofereceu apoio através da compra de obrigações do Tesouro grego. Em contrapartida, assinou contratos chorudos: A China vai fornecer seis navios para os armadores gregos, entre eles dois de carga e um petroleiro.

O contrato foi assinado no quadro de um acordo bilateral que prevê a criação de um fundo de cinco mil milhões de euros para financiar a compra de navios chineses pelos armadores gregos, e duplicar o comércio bilateral, para oito mil milhões de euros, até 2015.

Já em Junho, o gigante naval chinês Cosco "atracara" no porto ateniense do Pireu, assumindo a gestão de um dos molhes, após a assinatura de um contrato por 35 anos, no valor de 3,3 mil milhões de euros, estando em curso a construção de um terceiro, que quase triplicará o volume de carga que o porto grego pode comportar.

O "Daily Telegraph" escrevia então que os chineses querem construir a partir do Pireu uma "rota da seda moderna", e que esse será o ponto de partida de uma rede de portos, centros de logística e caminhos-de-ferro para distribuírem os seus produtos por toda a Europa e concorrer com Roterdão – o maior porto da Europa.

 In: Jornal de Negocios

Portugal vai fazer uma triste figura no Conselho Europeu

Excelente video da SIC publicado num excelente artigo do expresso:

Artº de João Vieira Pereira na SIC

Cumprimentos cordiais

Luis Passos

Debate sobre o Orçamento de estado - Obrigatorio Ver!!!!

Caros,

Vejam bem este debate moderado por Judite de Sousa com José Cantiga Esteves, José Silva Lopes e ainda com João Salgueiro.

Debate RTP sobre o Orçamento

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

A proposito de Cavaco Silva, no Blasfémias

A proposito de Cavaco Silva, no Blasfémias

Se quisermos ser honestos não podemos dissociar Cavaco Silva da actual crise e do mais que provável desastre nacional.
Há causas próximas e causas remotas.
As causas remotas prendem-se com a actividade politica de Cavaco já desde o final da década de 70 como Ministro das Finanças e como 1º Ministro.
A sua influência no modelo económico que Portugal optou, após a entrada na CEE, foi um fiasco completo.
Foi bom para quem enriqueceu à custa dos subsídios, privatizações pré-concertadas e especulação bolsista.
Cavaco deixou o Governo em 1995 com um déficit à volta de 7%.
As causas mais próximas, prendem-se com a história da boa e má moeda e principalmente como PR.
Segundo os especialistas económicos deste blogue, Cavaco é o típico «caneisiano tuga».
O que mais me impressiona, como é que a direita liberal económica e a direita dos valores, aposta em Cavaco.
E ainda estranho mais como é que o PSD vive há mais de 25 anos refém dos humores de Cavaco e com uma reverência a este que roça o mais ridículo e primário.
Mas todos nós sabemos que a Direita tuga é uma anedota pegada!
Os maiorais do regime – que são basicamente os mesmos que emergiram ncom o 25 de Abril e que formam o bloco central de interesses – até já têm um «coelho» para tirarem da cartola.
Em 2005 os mesmos maiorais tinham um «inginheiro», a tal «boa moeda» no entender de Cavaco.
Business as usual.

Arlindo da Costa

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A situação em Portugal - Vista por Timothy Bancroft-Hinchey

Caros,

Leiam este texto fabuloso publicado no jornal Russo PRAVDA. O artigo e fa-bu-lo-so e descreve a situação portuguesa de uma forma tão clara, cristalina e objectiva que me deixou de queixo a banda... literalmente!!!

Pena que está escrito em inglês... quem não souber ler inglês... poix... digam que se forem muitos eu traduzo o artigo todo, que ainda é grande e posto aqui.


Leitura Obrigatória!!!!!

Cumprimentos cordiais 

Luís Passos