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sexta-feira, 25 de março de 2011

Portugal diz que pagará o que for preciso para evitar a banca rota

Portugal poderá equacionar um empréstimo bancário e “pagar aquilo que for preciso” para obter a liquidez que falta para os reembolsos de dívida de Abril, dizem fontes europeias citadas pela Dow Jones. O objectivo é aguentar até às eleições sem pedir ajuda, assegurando que o País não entre em insolvência em Junho.

Fontes oficiais citadas pela agência dizem que Portugal está a equacionar uma colocação privada de dívida (uma espécie de “bridge-loan”) com vista a reforçar a liquidez de forma a pagar os reembolsos de dívida de Abril.

O País já emitiu acima de 13 mil milhões de euros em dívida este ano, mas utilizou já cerca de 10 mil milhões de euros no reembolso de dívida de curto prazo. O que, mesmo conseguindo mais alguma liquidez de curto prazo que permita o reembolso dos 4,2 mil milhões de euros em Obrigações do Tesouro em Abril, o Estado fica com os cofres depauperados antes do reembolso de Junho (4,9 mil milhões de euros). E com a solvência em risco.

Uma fonte, citada pela Dow Jones, disse que “ainda não está reunida toda a liquidez necessária para Abril, mas o Governo está confiante de que é possível cumprir com esse reembolso”.

Caso o Ministério das Finanças não consiga ir ao mercado colocar dívida de curto prazo, um empréstimo bancário seria uma medida provisória que permitiria ganhar algum tempo para negociar um pacote de resgate com a UE e com o FMI, que os responsáveis pretendem que, a acontecer, venha só depois das eleições.

Mas é “inevitável” que a ajuda chegue antes do reembolso de dívida de Junho, sendo necessário ainda ter em conta o pagamento de cupões anuais e o financiamento do novo défice.

Ambas as fontes europeias citadas pela agência dizem que um resgate é “inevitável”, mas estão convencidas que é possível encontrar uma medida provisória que permita aguentar até às eleições.

“Toda a Zona Euro, incluindo Portugal, está convencida que um resgate a Portugal é inevitável. O valor rondaria os 80 mil milhões de euros. Mas nenhum político em Portugal quer ter o ónus de pedir o resgate antes das eleições, portanto querem esperar até depois das eleições”, disse uma das fontes.

Portugal na banca rota daqui a 7 dias

Continhas simples. Em Abril (para os mais distraídos, é já daqui a 7 dias) Portugal necessita cerca de 5 mil milhões de euros para pagar juros (0.7) e redimir títulos de dívida vencidos (4.3). Segundo uma fonte do Insituto de Gestão do Crédito Público as disponibilidades serão cerca de 4 mil milhões. Pois é. Ou arranjamos rapidamente mil milhões de euros ou falhamos o pagamento. O termo mais usado é "bancarrota".
 

Sócrates a chorar... PEDI A DEMISSÃO...


Leia aqui a letra adaptada por Vasco Palmeirim:

Deitado na minha cama
estou chorando à luz das velas
O que é que vão dizer
os meus amigos de Bruxelas?
Tentei convencer a oposição aceitar o PEC...
... Estive a falar pró bonec...

Eram nove menos cinco
Fui a Belém pedir a demissão.
Demorei ainda um bocadinho
Porque o presidente estava de roupão.
Ai estou triste
Sou um 1º Ministre
que pediu a demissão.

Preciso de acalmar
Não gosto de whisky, vou fazer um chá
Preciso de espairecer
vou fazer jogging a ouvir Lady Gaga
A oposição não quis saber de soluções
Cambada de chumbões!

Eram nove menos cinco
Fui a Belém pedir a demissão.
Está uma confusao aqui, mas o Éfe éme i
nao precisa vir, não!
Ai estou triste
Sou um 1º Ministre
que pediu a demissão.

Via: Democracia em Portugal

quinta-feira, 24 de março de 2011

José Gomes Ferreira e António José Teixeira comentam crise política e eventual pedido de ajuda externa

Passos Coelho: só o Governo sabe se Portugal precisa do fundo de resgate

Caros amigos,

Tenho estado silencioso desde ontem, não fiz qualquer comentário aqui no blog sobre esta temática porque estive expectante a aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

Bem, vamos então analisar as várias questões. Comecemos pelos motivos que levaram a saída do Primeiro Ministro. A principal razão pela qual houve tanta polémica, foi o facto de José Sócrates se ter comprometido junto da comissão europeia em aplicar um conjunto de medidas de austeridade de forma a potenciar a consolidação das contas publicas, sem consultar o Presidente da Republica e o Parlamento.

Para enquadrarmos bem o assunto teremos de regressar "Back in Time" ao período em que Cavaco Silva era Primeiro Ministro, aos anos 90, em que o dinheiro jorrava a rodos vindo dos fundos de coesão da então CEE. Devido as reformas da politica agrícola comum, ao excesso de produção de alguns produtos noutros países, na altura pensava-se que deveria haver complementaridade e não deveria haver duplicação de produção, assim não deveria haver países a produzir a mesma coisa, mas deviam complementar-se entre si e depois trocar os produtos. A ideia até não era má, era talvez utópica e impossível de implementar. Assim, para desmantelar os seus sectores produtivos na área da agricultura (em favor da França) e pescas (em favor da Espanha), Portugal recebeu perto de 2 milhões de contos (contos repito) à hora em fundos estruturais para encontrar novas áreas de produção e alterar o seu tecido e mix de produtos.

Portugal em vez de aplicar esse dinheiro eventualmente nalguma industria em que poderia ser competitivo, nas novas tecnologias e no sector do turismo, não... andou a gastar dinheiro mal gasto em infraestruturas, estradas com fartura, betão, betão, betão, tercearizou a economia e destruiu os sectores primário e secundário.

Na altura achava-se que Portugal iria ser a colónia de ferias dos países ricos, que não iríamos precisar de produzir nada porque eles dariam-nos tudo. Foi assim alegremente que entramos nos governos de Guterres.

Este senhor Guterres mais o seu amigo Pina Moura, delapidaram quais vampiros sequiosos todos os fundos que vieram da então CE e depois UE. No período do Cavaco começou o ataque a função publica, com a entrada de boys do partido em barda, subida de impostos, criação de fundações e institutos públicos, enfim, foi o inicio da grande roubalheira. Ainda me lembro dos protestos que marcaram o fim do Cavaquismo na ponte 25 de Abril.

Por certo, as pessoas que lêem este blog se recordam onde foi o primeiro comício do fim do Cavaquismo, foi aqui em FARO, foi um comício duplo, no Largo da Pontinha estava António Guterres, e no Jardim Manuel Bívar estava Fernando Nogueira, discípulo de Cavaco.

Ainda me recordo como se fosse hoje, de ouvir Guterres dizer quem está a favor do betão, do despesismo dos institutos públicos, dos jobs for the boys, das obras sem concurso publico, das adjudicações directas, do quero posso e mando, do aumento de impostos, etc etc, e só andar 500 metros que o lá é o seu lugar.

Pois bem, o reinado de Guterres foi o inicio do assalto ao orçamento, roubou-se o pais como nunca se tinha visto, adjudicou-se obras faraónicas, gastou-se a tripa forra, e o pais só aguentou neste período porque a conjuntura internacional ajudou, taxas de juro baixas e petróleo barato e em Portugal tínhamos uma situação de quase pleno emprego... a taxa de desemprego roçava os 2%.

Com todas estas medidas sem nexo, em que não se fizeram as reformas estruturais que eram necessárias, na Justiça, na Educação, na Banca, no funcionamento dos órgãos de governo, no plano do ordenamento do território (nº de Municípios e Freguesias); Portugal deitou literalmente uma década fora, e quando Durão Barroso chegou ao poder, o pais estava já completamente de tanga, com um estado monstruoso que já vinha do tempo de Cavaco e agravado pela acção dos Socialistas. Nunca se viu tanto job for the boys e tanta podridão como no tempo de Guterres, foi um ve se te havias de cargos, de posições, de obras publicas adjudicadas por ajuste directo e lesivas para o estado. Foi também o inicio das parcerias publico-privadas, transferindo o risco para o estado de obras que eram feitas por privados. Ou seja, se a coisa corresse bem, o privado recebia o lucro, se corresse mal, o estado pagava a diferença. Lindo!!! Assim também quero uma PPP.

Durão Barroso este pouco tempo no governo, mas também não fez nada que se visse, subiu os impostos para aumentar a receita, ainda conseguiu equilibrar um pouco o deficit, mas também falhou redondamente ao não fazer reformas estruturais. Ainda fez alguma coisa na educação, mas de resto... nada... foi um vazio completo, até que se pirou para Bruxelas para um tachito bom!!!

E finalmente temos então José Socrates, herdeiro do legado destes 3 senhores, Cavaco, Guterres e Barroso.
Na altura fizeram uma sindicancia as contas publicas, feita por Vitor Constâncio e foi apurado que o deficit era de 6,83%... 

O governo Socrático só veio pregar o ultimo prego no caixão português... foi o inicio do grande assalto ao orçamento, juntamente com empreiteiros do regime, adjudicaram obras faraónicas, estradas, pontes, viadutos que não eram necessários ou cuja necessidade não era imediata por preços exorbitantes, sempre com derrapagens, não fizeram as reformas estruturais que eram urgentes, desmantelou o que restava do nosso sector primário e secundário, lançando centenas de pessoas no desemprego, dado que os serviços não conseguiam absorver tanta gente, sobretudo com baixa formação académica.

Não percebem nada de finanças publicas e foram tomando medidas avulsas ao som da opinião publica sem se preocuparem com os possíveis malefícios futuros.
Foram barracadas, roubos, trafulhices, aldrabices, criação de fundações para esconder operações, desorçamentação grave, maquilhagem contabilistica, enfim... 

Criaram o IEP e varreram o lixo todo que havia nas Estradas de Portugal para lá de modo a que essas despesas não aparecessem no orçamento, e por isso não contassem como deficit, quem diz o IEP diz outros organismos similares. Criaram mais PPP com condições de exploração pornográficas. Tomaram de assalto os órgãos de poder e decisão, meteram a justiça no bolso, esticaram os tentáculos do polvo as autarquias e ao poder local... enfim... o poder socrático tornou-se omnipresente.

Durante estes anos estes senhores do PS tomaram conta do pais, fizeram o que quiseram e o que toda a gente sabe. O deficit neste momento é monstruoso e ninguém sabe dizer quanto é com exactidão, dada a maquilhagem que existe nas contas publicas e o numero de gatos que existem com rabo de fora. Só uma auditoria é que conseguirá apurar esses valores.

Entretanto, dada a situação do pais a comissão europeia teve de intervir e Portugal ao contrário do que muitos pensam já vem a ser ajudado, tendo  BCE comprado divida portuguesa para ajudar a baixar as taxas de juro, porque caso contrário estas já estariam mais altas que as da Grécia ou da Irlanda.
O PEC I, o PEC II e o PEC III foram ditados pelos técnicos e burocratas em Bruxelas, Sócrates foi lá chamado deve ter levado um belo puxão de orelhas e devem ter-lhe dito... ou fazes isto... ou então... fechamos-vos a torneira.

Agora com o PEC IV foi o mesmo, na semana anterior, Sócrates foi chamado a BERLIN com carácter de urgência pela Chanceler Merkel, dado que na semana anterior tinham estado peritos em Portugal que descobriram um enorme buraco nas contas públicas. A Senhora MERKEL deve-lhe ter dito que teria de fazer aumentar a receita para tapar o buraco encontrado e fazer outros cortes.
Assim, foi-lhe ordenado um conjunto de medidas para que as aplicasse com carácter de urgência. Foi o que Socrates fez, e se as coisas corressem mal e ele tivesse de se demitir... melhor ainda... assim já tem uma desculpa airosa para sair desta trampa toda que provocou.

A oposição aqui, neste caso, mostraram ser um bando de irresponsáveis. Ao chumbarem o PEC IV e com a demissão de Sócrates, Portugal vai ficar quase 60 dias sem governo, não podendo tomar medidas de fundo. Neste momento isso é suicida. E a verdade é que as taxas de juro ja ultrapassaram os 8%. Diriam alguns que a subida das taxas tinha a ver com a falta de credibilidade do governo... MENTIRA!!!!!

Nada mais falso. As taxas de juro elevadas tem a ver com Portugal no seu todo, governo e oposição e a capacidade de pagar as dividas. Portugal tem taxas de crescimento anémicas, rastejantes, na ordem do 1% ao ano... e temos um endividamento na ordem dos 85% do PIB. Assim não é possível. Socrates já a algum tempo que não passava de uma marioneta de Bruxelas e Berlin, o governo já há muito tempo que entrou em "Piloto Automático". Só não vê quem não quer.

Estar lá o Pedro Passos Coelho ou José Socrates não vai fazer diferença nenhuma, porque não é nenhum dos dois que manda... é a Sra. Merkel.

Passos coelho disse hoje ao Expresso em Bruxelas que só o Governo pode dizer se Portugal precisa de recorrer ao fundo de resgate europeu, já que a oposição não tem conhecimento da verdadeira situação financeira do país. Pedro Passos Coelho, que falava à entrada para uma cimeira do Partido Popular Europeu (PPE), disse ainda acreditar que os seus parceiros da maior família política europeia, entre os quais se contam a chanceler alemã Angela Merkel, entenderão o "chumbo"  do PSD ao Programa de Estabilidade e Crescimento, que precipitou a demissão do primeiro-ministro José Sócrates, pois perceberão que o pior para Portugal seria continuar a ter "um governo fraco".

A senhora Merkel já tinha dito hoje de manhã que o facto do PEC IV ter sido chumbado foi um acto tresloucado de gente irresponsável. E de facto tem razão. Portugal vai dentro de 2 semanas fazer mais uma emissão de divida, e sinceramente não sei o que irá acontecer... sem governo, com orçamento em duodecimos, e em plena campanha eleitoral.

A coisa está mesmo feia, e o pior é que Passos Coelho não é alternativa a Sócrates, e já hoje disse que irá aumentar 1 a 2 pontos percentuais o IVA e eventualmente estudar outras medidas que levem ao aumento da receita, ou seja, mais do mesmo.

Além disso, neste preciso momento em que estou a escrever este texto acabo de saber que a agencia FITCH acaba de baixar o rating de Portugal em 2 níveis. Agora é vão ser elas!

As taxas de juro vão ser monumentais, eu já estava a espera disto, cambada de irresponsáveis!!!!
Era preferível cozinhar o Socrates em banho Maria até Novembro para poder aplicar as medidas anti-crise, conseguir baixar a taxa de juro e eventualmente começar a fazer as reformas, do que isto! Agora vamos pagar todos... segure-se quem poder. Que grande tiro no pé!

E pelo que estou a ver não vai haver auditoria alguma, assim como não vai haver qualquer reforma racional do aparelho de Estado. E não vai, porque, no primeiro caso, ainda descobriam algum rabo de palha do tempo dos governos do PSD/CDS; no segundo, porque acabava com a possibilidade de assistir clientelas. Reformar o Estado deve ser, antes de mais, acabar com serviços inúteis, facilmente substituíveis como direcções gerais, regionais, etc., que são o albergue da rapaziada.

Só me resta dizer... QUE DEUS NOS AJUDE!!!!

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

quarta-feira, 23 de março de 2011

sábado, 19 de março de 2011

O caldo vai entornar!!!! LOL


Primeiro que tudo é bom sabermos onde estamos. E onde estamos é simples de definir: não há memória de um governo ter conduzido o país a uma situação tão desesperada. Nunca, nos últimos 160 anos, a dívida pública, em percentagem do PIB, foi tão elevada. E a dívida externa é a maior dos últimos 120 anos, isto é, a maior desde que o país declarou bancarrota em 1892. Nunca, nos últimos 80 anos, o crescimento potencial da economia foi tão baixo (temos de regressar aos anos da I Guerra para vermos números tão maus). Nunca o desemprego foi tão elevado, nunca houve tantos desempregados de longa duração, nem tantos desempregados qualificados. E desde o início da década de 1970 que não se emigrava tanto, e só o rápido aumento do número dos que abandonam Portugal tem evitado uma taxa de desemprego ainda mais estrastrosférica. Tudo isto sucede depois de vários anos a divergir, de novo, da Europa e de, na “década perdida” de 2000-2010, Portugal ter sido o terceiro país do mundo crescer menos.
Convém ter estes dados bem presentes sempre que nos vêm com a ladainha da “crise internacional”: esta só agravou o que já estava muito mal, esta só permitiu a acumulação de novos erros (como os dos orçamentos eleitoralistas de 2008 e 2009). É por isso que, ao contrário do que sugere José Sócrates (repetiu-o na entrevista à SIC), não é verdade que “o que se passa no nosso país passa-se nos outros países europeus”, pois não há dificuldades semelhantes na Alemanha, na Holanda, na Áustria, na Dinamarca, na Suécia. A situação de Portugal só tem comparação com a da Grécia, em parte com a da Irlanda, e lá, como cá, tem a mesma justificação: governos irresponsáveis que fragilizaram os respectivos países ao ponto de estes ficarem à beira da bancarrota, quando estalou a crise internacional. Mas se esta não tivesse chegado, as crises grega, irlandesa e portuguesa não deixariam de ocorrer: estavam escritas nas estrelas da desgovernação.
O facto de existirem governos maus ou muito maus não é, em democracia, razão suficiente para se interromperem ciclos políticos. Mas já é se esses governos colocarem em causa aquilo que a nossa Constituição define como “regular funcionamento das instituições”. Ora Portugal foi conduzido a um desses impasses por obra e graça da actual maioria e do seu chefe, um José Sócrates que tem da democracia uma visão instrumental em tudo semelhante à dos líderes autoritários. Isso voltou a ficar patente nos últimos dias, em que construiu mais uma teia de mentiras e de logros que um PS amestrado se tem apressado a repetir.
A primeira mentira é que Portugal não precisa de ajuda externa. Não só precisa, como já está a recebê-la. Se não fosse o Banco Central Europeu a emprestar aos bancos portugueses, estes já teriam secado. Se o mesmo BCE não tivesse andado a comprar títulos da dívida portuguesa no mercado secundário, esta não estaria entre os sete e os oito por cento, mas muito acima, talvez acima da Irlanda.
A segunda mentira é que Portugal não negociou o apoio externo, porque não o pediu. Na verdade, foi exactamente isso que o Governo português esteve a fazer nas últimas semanas, e, se não chegaram a Lisboa os senhores do FMI, estiveram por aí técnicos da Comissão Europeia e do BCE. Foram-se esses técnicos que se foram embora poucas horas antes de Teixeira dos Santos anunciar o PEC IV.
A terceira mentira é que Portugal decidiu “antecipar-se” e apresentar o PEC IV na cimeira de sexta-feira. Não foi isso que aconteceu. O que aconteceu foi que a missão da Comissão e do BCE detectaram um buraco nas contas de 2011 e preparavam-se para o reportar ao Eurogrupo. Foi para evitar que isso sucedesse que Sócrates se precipitou. Tudo porque, como reconheceu na SIC, os cenários macroeconómicos do Banco de Portugal, do BCE e da Comissão “não eram tão bons” como os do Governo. Pois não: eram apenas realistas.
A quarta mentira é que o Governo está disposto a negociar as medidas, tal como esteve disposto a negociar uma coligação em 2009. Só que o que então foi uma farsa encenada é agora uma tragédia pontuada por proclamações grandiloquentes. Sócrates não quis negociar nessa altura, como tentou sabotar a negociação do Orçamento do Estado, como não quer negociar agora. Primeiro porque, como se assinala nos telegramas do WikiLeaks, não sabe partilhar o poder, nem sabe negociar. Depois, porque não suportaria ter de voltar a ceder ao PSD e ver este partido reivindicar pequenas vitórias. Finalmente, porque teme que por cada semana que passe seja maior a irritação do eleitorado e maior o futuro desastre eleitoral. Como sempre, é calculista.
A quinta mentira é que Portugal ficaria pior, se recorresse formalmente à ajuda externa. Porém, não ficaria pior nos juros que é obrigado a pagar, pois tanto a Grécia como a Irlanda já estão a pagar juros mais baixos. Também não é certo que ficasse pior nas medidas a tomar, pois Portugal já adoptou um ritmo de consolidação orçamental mais rápido do que o exigido a esses países. Por fim é até provável que ficasse melhor, pois não andaria de PEC em PEC e teria uma política mais coerente e não feita de ilusões entremeadas com sobressaltos.
A sexta e maior mentira de todas é a de que o nosso problema é a confiança dos mercados. Não é: o nosso maior problema é a incapacidade da nossa economia de crescer. Os mercados pedem juros mais elevados porque sabem que, continuando a crescer ao ritmo anémico da última década, Portugal não terá qualquer hipótese de pagar os juros da dívida, quanto mais de começar a amortizá-la. Os mercados sabem que emprestar a Portugal é muito mais arriscado do que emprestar à Alemanha, ou à Holanda, ou à República Checa, e não custa perceber porquê.

Pode-se viver muito tempo com mentiras destas, se elas não significarem o sistemático torpedear do funcionamento da democracia. Ora sucede que, para José Sócrates, a democracia não é o que devia ser – “regras que estabelecem como chegar à decisão política e não o que decidir”, como escreveu Norberto Bobbio -, antes uma formalidade com que o seu formidável ego tem de transigir. As manobras dos últimos dias são apenas os mais recentes atropelos ao normal convívio institucional e tão-somente mais uma demonstração de que, nele, nunca é possível confiar. Não é possível selar um acordo com um aperto de mão, porque no minuto seguinte já o está a trair. Não é possível estabelecer princípios comuns, porque não tem princípios. Não é possível conversar porque só sabe gritar, uma sua especialidade parlamentar.
Nas últimas semanas têm-se sucedido situações que, só por si, teriam feito cair ministros, desde o episódio dos cartões únicos no dia das eleições até às condições em que a mulher do ministro da Justiça viu serem-lhe pagos, pelo ministério, 72 mil euros, passando por uma demissão por razões de perseguição política numa direcção regional do Ministério da Educação. Mas com Sócrates nada se passa. Há muito que, fiéis seguidores do “chefe”, os seus ajudantes perderam qualquer noção de ética. E o pior é que esta degradação dos costumes políticos parece contaminar o país, onde já ninguém se indigna ou sobressalta.
Ao fim de seis anos o país não está só economicamente de pantanas – começa a estar moralmente corroído, começa a achar normal o que é anormal, começa a tolerar, ou mesmo a compreender e a justificar, comportamentos que qualquer democracia adulta rejeitaria com indignação. O estilo de Sócrates, a sua “combatividade” sem regras nem princípios, é a projecção no terreno da política dos métodos do projectista da Guarda, do licenciado da Independente e do ministro do Freeport. É um estilo que contamina tudo em redor e reduz a discussão pública às dicotomias tipicamente caudilhistas do “ou eu ou o caos”.
É também por isso que, esgotada qualquer legitimidade, cortadas por vontade própria todas as pontes, a política portuguesa necessita de abrir as janelas e permitir a renovação do ar contaminado. Ao contrário do que parece conveniente dizer, nem todos são iguais e nem Sócrates é apenas mais um “entre eles”. Tem de se regressar a uma política mais respirável, a um espaço público menos condicionado por jogadas baixas e jogos de spin, mas os tempos de crispação que vivemos só se ultrapassam removendo a infecção. Como no PS só Mário Soares parece ainda vivo, o acto higiénico passa por dar a voz aos eleitores. Todo o tempo que passar até lá é tempo perdido.
 
IN: Publico Via Blasfémias

sexta-feira, 18 de março de 2011

Análise da execução Orçamental - Janeiro e Fevereiro

Agora que os números da execução orçamental de Fevereiro já estão disponíveis, podemos finalmente tentar perceber o que é propaganda e o que é realidade nas nossas finanças públicas. Ora, há boas e más notícias em relação à execução orçamental. A boa notícia é que não só o saldo global do subsector Estado melhorou, mas também as despesas finalmente começaram a baixar. As más notícias é que as coisas não ficam por aqui. O problema é que estas melhorias só são reais em relação às péssimas execuções orçamentais de 2009 e de 2010 e não aos anos anteriores. Mais: a descida das despesas deveu-se inteiramente ao corte dos salários dos funcionários públicos, bem como a uma surpreendente baixa dos juros. Sim, leu bem. Numa altura em que o Estado se financia a taxas de juros recordes, o nosso governo alcançou a proeza de conseguir fazer baixar os juros da execução orçamental. Simplesmente extraordinário. No entanto, e como veremos mais à frente, persistem os sintomas de que o despesismo do Estado continua de boa saúde, pois não só as aquisições de bens e serviços aumentaram de forma significativa, mas também as receitas fiscais são ainda o principal motivo para a melhoria da consolidação orçamental.

Dito isto, vejamos então com mais pormenor os números agora publicados sobre os primeiros dois meses do ano, comparando-os com as execuções orçamentais de Janeiro e de Fevereiro nos últimos 5 anos. Comecemos com as receitas efectivas (que são iguais às receitas correntes mais as receitas de capital). Como podemos ver no Gráfico 1, as receitas efectivas nos meses de Janeiro e de Fevereiro melhoraram substancialmente em 2011 relativamente a 2010 e até 2009. Todavia, se recuarmos mais no tempo,  facilmente percebemos que as receitas fiscais ainda estão abaixo das colectas obtidas quer em 2007, quer em 2008. Por outras palavras, nem a subida do IVA, nem o terrível agravamento da carga fiscal em 3 pacotes de austeridade, foram suficientes para fazer recuperar as receitas fiscais para os níveis de 2007 e 2008. 
 
Receita Efectiva - Janeiro e Fevereiro
 
Se atentarmos agora para a despesa efectiva, podemos igualmente verificar que, sem dúvida, houve uma descida de 257,6 milhões de euros em relação a 2010. Porém, mais uma vez, e como podemos ver no gráfico 2, a despesa efectiva dos dois primeiros meses de 2011 é substancialmente superior a 2008, a 2007 e a 2006. Ou seja, só houve  uma redução de despesa se nos compararmos às terríveis execuções orçamentais de 2009 e de 2010. Contudo, esta aparente descida da despesa não foi concretizada relativamente aos anos anteriores. Isto apesar de um corte sem precedentes dos salários nominais dos funcionários públicos, bem como 3 pacotes de austeridade. Para mal dos nossos pecados, as despesas do nosso Estado permanecem a níveis historicamente muito elevados.
 
Despesa Efectiva em Janeiro e Fevereiro
E já que o governo andou semanas a propagar a descida  "histórica" da despesa e do saldo global do subsector Estado, vale a pena ainda observarmos a evolução do saldo global deste ano e nos anos precedentes. Como podemos ver no gráfico 3, a mensagem é exactamente a mesma: apesar da propagada descida de 841 milhões de euros, a verdade é que o saldo global em 2011 é o terceiro pior desde 2006 (ou o terceiro melhor, se formos generosos com o governo). No entanto, as melhorias só são "marcantes", porque o governo está a comparar números mais-que-péssimos (em 2009 e 2010) com números maus. Porquê maus? Porque, como sabemos, este "magnífico" saldo global foi alcançado à custa do referido corte de salários e com agravamentos fiscais absolutamente brutais. Porém, nem mesmo assim o saldo global do Estado melhorou em relação a 2008, a 2007 ou a 2006. 
 
Saldo Global do Sub-sector Estado em Janeiro e Fevereiro
Porém, as surpresas não acabam aí. Como já mencionei, porventura o facto mais notável desta execução orçamental tem a ver com a evolução dos juros. Numa altura em que o Estado se financia a taxas de juros recordes (desde que entrámos no euro), todos esperávamos que as despesas com os juros aumentassem. Mas não, por um milagre qualquer, os juros pagos pelo Estado baixaram. Assim, enquanto nos dois primeiros meses do ano de 2010 as despesas com juros atingiram 155,6 milhões de euros, no período homólogo de 2011 os juros caíram para 150,3 milhões de euros, uma variação homóloga de -3,4%. No entanto, este valor é cerca de 83 milhões de euros menor do que em 2009, 186 milhões de euros menor do que em 2008, e 425 milhões de euros inferior aos valores referentes a 2006. Não surpreende que tal tenha acontecido, pois a execução orçamental desta rubrica é de apenas 2,4%, substancialmente abaixo da média da execução orçamental das restantes rubricas de despesas e de receitas, que têm médias de execução entre os 15% e os 20%. Por isso, urge perguntar: o que é que terá acontecido aos juros? Porquê uma execução orçamental tão baixa? E, mais importante, quando e como é que vamos orçamentar as subidas dos juros do nosso Estado? Seria bom se o ministro das Finanças nos esclarecesse estas dúvidas.
 
Juros e outros Encargos do Sub-sector Estado em Janeiro e Fevereiro
Refira-se ainda que a execução orçamental das despesas de capital (8,6%) também é significativamente inferior à média das restantes rubricas. Por outras palavras, inflaciona-se a execução orçamental das receitas, e deflaciona-se o valor de algumas importantes despesas que poderiam fazer facilmente derrapar a propagada descida da receita.
Finalmente, vale ainda a pena olhar para a evolução das aquisições dos bens e serviços do Estado. Como é sabido, os chamados consumos intermédios têm crescido muito nos últimos anos. Por isso, a cortar o despesismo do nosso Estado, não há lugar melhor por onde começar do que na aquisição de bens e serviços. Neste sentido, poderíamos estar tentados a pensar que a austeridade já tinha afectado o comportamento do nosso Estado. Se pensamos assim, estamos muito enganados. As aquisições de bens e serviços aumentaram nada mais nada menos do que 49%. Sim, leu bem. Quarenta e nove por cento. Quem é que disse que o nosso Estado estava em crise? A austeridade é só para os funcionários públicos, para os contribuintes, e (agora) para os pensionistas. Porém, a austeridade não chega ao nosso Estado, que continua a comportar-se como se a crise não existisse, ou como se o Estado estivesse acima das restrições que são impostas aos portugueses. Lamentável, no mínimo.
 
Aquisição de bens e serviços - Janeiro e Fevereiro
Moral da história: é verdade que a despesa caiu em relação a 2010. E ainda bem. Porém, não só as despesas públicas permanecem bem acima dos valores de 2008 e de 2007, como também há todo um número de indicadores que sugerem que ainda estamos bem longe de ter as finanças públicas controladas.
Aliás, perante estes números, e sabendo que os técnicos da missão da União Europeia e do BCE decerto não se deixam enganar pela publicidade enganosa e pelos sucessivos malabarismos contabilísticos deste governo, começamos agora a perceber melhor por que razão os nossos parceiros europeus forçaram o executivo português a apresentar novas medidas de austeridade num mês que, supostamente e de acordo com o governo, tinha sido de uma execução orçamental imaculada. Enfim, uma vergonha. Uma verdadeira vergonha. E o problema é que as irresponsabilidades e as incúrias deste governo ainda vão ter repercussões muito graves. Depois todos estes truques e de toda a propaganda descarada, vamos andar anos (sim, anos) a tentar recuperar a credibilidade do país e das nossas finanças públicas. Uma tarefa que, face às nossas enormes dívidas e às manipulações contabilísticas levadas a cabo nos últimos anos, será verdadeiramente herculeana.
 
IN: Desmistos

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mais uma tacada!



Governo prepara redução do IVA para o golfe.... Sócrates foi sensível a argumentos do sector. Praticantes poderão pagar apenas 6% de imposto, em vez dos 23% actuais. Solução passará por nova interpretação da lei.

É para dar que fazer aos reformados com pensões acima dos 1.500 euros, a quem acaba de taxar com um "contributo especial", e todos os restantes com reformas de 200 e 300 euros que foram entretanto congeladas  que irão ver o poder de compra reduzido. Enquanto o taco vai e vem folgam as costas!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Governo não informou Belém

Cavaco Silva, Presidente da República, não sabia do pacote de austeridade hoje anunciado pelo Governo

O Governo não informou o Presidente da República sobre o pacote de medidas de austeridade que o ministro Teixeira dos Santos anunciou hoje, em conferência de imprensa.
"O Presidente não tem conhecimento oficial", disse ao Expresso fonte oficial de Belém.
É a primeira vez que o primeiro-ministro não informa Belém, previamente, sobre um assunto desta relevância.


Acho que isto vai acabar mal!!!!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

domingo, 14 de novembro de 2010

Timor-Leste disponível para comprar dívida portuguesa

Timor-Leste poderá vir a comprar, em breve, títulos de dívida pública portuguesa, disse hoje em Macau o Presidente timorense, José Ramos-Horta.  



Depois da visita do presidente Chinês Hu-Jintao que veio assinar uma serie de diplomas, da maioria dos quais eram parcerias em negócio com entidade portuguesa (claro, com interesse estratégico para a China), mas da divida publica, Hu-Jintao nem quis saber...

Ou seja, os Chinocas vieram comer as polpinhas e os ossos... os cães que os comam.
Timor que está na situação que todos conhecemos, em que Portugal tem dado apoio monetário, humano e ao nível de equipamentos e infraestruturas, vai agora usar o dinheiro do fundo petrolífero para comprar divida portuguesa?

A compra de dívida pública portuguesa é avaliada à luz da diversificação de investimentos do Fundo do Petróleo timorense, que terá mais de 6 000 milhões de dólares (€4,38 mil milhões).  

Instado a comentar quanto poderia Timor-Leste investir, Ramos-Horta disse que é um tema que não lhe compete, mas assegurou que o investimento poderá ser "discutido quando o senhor primeiro ministro Sócrates visitar Timor-Leste".  Espero que o possa fazer muito brevemente tendo já manifestado interesse em visitar (Timor-Leste)", disse, salintando que Sócrates "agora está muito interessado em visitar" o país.  

Leiam o artigo e vejam o vídeo do Expresso aqui

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nós Por Cá - Sócrates não tem caneta para anotar as Perguntas

 
Socrates tem mentido tanto e roubado tanto que já ninguém confia nele, nem sequer para lhe emprestar uma simples caneta, eehehe... quanto mais... um pais inteiro...

Cumprimentos cordiais

Luis Passos