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sexta-feira, 15 de abril de 2011

“Geração à Rasca” já é uma marca registada e dá lugar ao “Movimento 12 de Março”

Para todos aqueles que temiam ou que acreditavam que o protesto “Geração à Rasca”, que encheu no passado mês várias ruas do país, tinha os dias contados e morreria por si próprio, chegou uma resposta: os criadores do protesto acabam de fundar o “Movimento 12 de Março – M12M”.


Alexandre de Sousa Carvalho, António Frazão, João Labrincha e Paula Gil, o grupo de amigos que deu origem no Facebook ao protesto “Geração à Rasca”, avançou agora para o M12M, um movimento que descrevem como “um colectivo informal”, mas que “promete ser uma voz activa na promoção e defesa da democracia”. O grupo decidiu, também, registar a expressão “Geração à Rasca” como marca – uma iniciativa que pretende “evitar utilizações abusivas, nomeadamente em actividades com fins lucrativos, de cariz partidário, religioso ou violento”.

João Labrincha, em declarações ao PÚBLICO, insistiu que o “Movimento 12 de Março” será mesmo “um colectivo informal”, assegurando que nunca sentiram qualquer necessidade de “ter uma hierarquia ou uma estrutura”. Questionado sobre o porquê do novo nome, o também responsável pelo repto que culminou no passado dia 12 de Março com mais de 200 mil pessoas nas ruas de Lisboa e mais de 80 mil no Porto, justificou que o nome “Geração à Rasca” acabava por ser “um pouco redutor”, uma vez que “várias gerações” foram contagiadas e saíram à rua.

Labrincha espera que o movimento continue a contribuir para a “consciencialização das pessoas” e que consiga ser um espaço de “consubstanciação de vontades”, com a capacidade de envolver todos os que assim entenderem na vida pública e numa “melhor democracia”. No que diz respeito ao facto de o exemplo do protesto português estar já a ser replicado noutros países, entende este alastrar como “um sinal de vitória” e lembra que “só uma resposta conjunta permitirá encontrar soluções para os problemas que são globais”.

Os objectivos do M12M, a sua imagem e próximas iniciativas serão apresentadas publicamente em frente ao Museu do Fado na próxima quarta-feira, dia 20 de Abril, às 11h00.

O protesto do passado dia 12 de Março juntou mais de 300 mil pessoas nas ruas, sendo que quase 67 mil confirmações de adesão foram feitas através da página da “Geração à Rasca” no Facebook. Velhos, novos, desempregados, trabalhadores precários e mesmo pessoas com a vida estabilizada saíram à rua para protestar contra a actual crise e as condições de vida em Portugal.

A página original do movimento acabou por desaparecer após o protesto para dar origem a uma outra designada “Fórum das Geração12/3 e o Futuro”, que pretendia prolongar o debate e não deixar morrer o “potencial” que se criou. Conta neste momento com quase 20 mil seguidores.
 

Não sei porque mas começo a não gostar muito destes gajos da geração à rasca, apesar de ter nascido em 1979, e portanto ser também da geração à rasca, e apesar de também ter curso superior em engenharia e também estar desempregado, há aqui algo que não me agrada.
 
Primeiro porque esta gente, pelas ideias que leio, a única coisa que querem é ter os mesmos privilégios que os pais tiveram... opah os tempos mudam e as pessoas tem de se adaptar as novas circunstâncias, e onde estão as dificuldades é onde se devem encontrar as oportunidades.

Quem quer emprego certo para o resto da vida, progressões automáticas na carreira sem mérito, epah... esqueça... isso é do passado. Agora o trabalho é precário... aprendam a viver com isso. Tirem partido disso.
 
O grande problema é que andaram a perder tempo a especializar-se em áreas que não tem qualquer aplicação prática nestes tempos, ou cujo mercado já se encontra saturado e continuam a insistir que querem um emprego na área que estudaram!...  Oh meus amigos... paciência... não há trabalho... faça formação noutra área e continue...

Se não há emprego na sua area em Portugal, como é o meu caso, epah... vá-se embora... procure no estrangeiro, emigre, faça a sua vida... não fique a espera que as coisas lhes caiam nos braços... que é o que estou a fazer neste momento... preparar-me para emigrar, porque aqui foi chão que já deu uvas.

Isto é a típica mentalidade portuguesa... à espera que outros lhes resolvam os problemas!
Para além disso, nunca gostei muito deste tipo de associações, registos de nome, copyrights, cheira-me que andam aqui outros interesses, vamos la ver se não me engano.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A geração lixada pelos 'direitos adquiridos'

Um casal jovem paga uma renda 25 vezes superior à renda do casalinho de 60 anos (por um apartamento idêntico no mesmo prédio). Este é o exemplo maior de uma política que beneficiou quem se instalou primeiro, isto é, uma política que lixou a minha geração.


I. A lei das rendas , a segurança social e as leis laborais criaram um ambiente que se tornou inimigo das gerações mais novas. Portugal está bloqueado em locais-chave, porque leis e direitos protegem uma geração em detrimento das mais novas. E não há maior exemplo disso do que o mercado de arrendamento. No centro de Lisboa, pessoas têm casas arrendadas por 15, 20 euros. Porquê? Porque estas rendas foram congeladas há décadas. E os políticos nunca tiveram coragem de enfrentar esta geração de inquilinos privilegiados (que têm direito a habitação quase gratuita). Resultado: a minha geração ficou sem um meio que é absolutamente central no começo da vida adulta em qualquer país civilizado e incivilizado: o mercado de arrendamento. Mais: sem a solução de um mercado de rendas competitivo (i.e., barato), a minha geração enforcou-se no crédito à habitação, contribuindo assim para o nosso maior problema: o endividamento. Mas, de forma inacreditável, os políticos não falam disto. Há um silêncio de morte sobre este assunto, porque, então, pá, há direitos adquiridos a proteger. E também não podemos reclamar contra as reformas, porque isso é ir contra os direitos adquiridos (cala-te, paga estas reformas a 80% do último salário, e terás como recompensa uma reforma nos 40%, se tiveres sorte; cala-te e trabalha). Também é pecado falar de reformas da lei laboral que deem aos empresários mais meios para criarem novos empregos (cala-te, pá, que isso é fascismo; cala-te e emigra, vai trabalhar para terras onde os direitos não são adquiridos mas trabalhados todos os dias).
II. Uma carta de uma leitora do Expresso (último sábado), Joana Cansado Carvalho, diz tudo o que há a dizer sobre a geração lixada pelos direitos adquiridos. É ler e espalhar:
"Tenho 29 anos e trabalho a recibos verdes. Para que fique claro, aqui vai a tradução: sou jovem, não vivo do subsídio de desemprego; e não tenho contrato de trabalho, não gozando assim dos direitos a ele associados (baixa, férias, etc.). Não lamento a instabilidade da minha situação (...) e gosto do que faço. No entanto, escutando os nossos políticos, os manifestantes das ruas, os participantes em debates televisivos, nunca se ouve falar do milhão de portugueses que, como eu, dependem de si próprios para se sustentarem nesta época de crise. Ninguém diz, por exemplo, que o crescimento extraordinário do país que se seguiu à entrada da CEE se fez apesar da nossa lei laboral, e não por causa dela; foi o elemento de flexibilidade representado pelos trabalhadores de recibos verdes que compensou a rigidez de um sistema baseado em direitos adquiridos por uma geração que viveu o PREC - não era mais produtiva, não estava mais bem preparada, simplesmente estava lá em 1974 (...) E quem afirma, sem papas na língua, que o dinheiro que descontamos para a segurança social é pura caridade, porque nunca vamos recuperá-lo? A questão é matemática e bastante fácil de compreender: havia muito mais gente a descontar para pagar as pensões dos reformados quando o sistema foi concebido do que há hoje em dia (...) para qualquer trabalhador a recibos verdes, as recentes alterações ao código contributivo são um insulto (...) Está na altura de lembrar aos senhores que viveram o PREC e aos políticos que têm filhos e netos na minha situação que só lhes ficava bem se percebessem que o nosso futuro depende da sua capacidade de facilitarem as urgentes reformas estruturais, abdicando dos famosos direitos adquiridos que mais não são do que privilégios inexplicados pelo passado e inexplicáveis face ao que aí vem". 

In: Expresso