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sexta-feira, 15 de abril de 2011

“Geração à Rasca” já é uma marca registada e dá lugar ao “Movimento 12 de Março”

Para todos aqueles que temiam ou que acreditavam que o protesto “Geração à Rasca”, que encheu no passado mês várias ruas do país, tinha os dias contados e morreria por si próprio, chegou uma resposta: os criadores do protesto acabam de fundar o “Movimento 12 de Março – M12M”.


Alexandre de Sousa Carvalho, António Frazão, João Labrincha e Paula Gil, o grupo de amigos que deu origem no Facebook ao protesto “Geração à Rasca”, avançou agora para o M12M, um movimento que descrevem como “um colectivo informal”, mas que “promete ser uma voz activa na promoção e defesa da democracia”. O grupo decidiu, também, registar a expressão “Geração à Rasca” como marca – uma iniciativa que pretende “evitar utilizações abusivas, nomeadamente em actividades com fins lucrativos, de cariz partidário, religioso ou violento”.

João Labrincha, em declarações ao PÚBLICO, insistiu que o “Movimento 12 de Março” será mesmo “um colectivo informal”, assegurando que nunca sentiram qualquer necessidade de “ter uma hierarquia ou uma estrutura”. Questionado sobre o porquê do novo nome, o também responsável pelo repto que culminou no passado dia 12 de Março com mais de 200 mil pessoas nas ruas de Lisboa e mais de 80 mil no Porto, justificou que o nome “Geração à Rasca” acabava por ser “um pouco redutor”, uma vez que “várias gerações” foram contagiadas e saíram à rua.

Labrincha espera que o movimento continue a contribuir para a “consciencialização das pessoas” e que consiga ser um espaço de “consubstanciação de vontades”, com a capacidade de envolver todos os que assim entenderem na vida pública e numa “melhor democracia”. No que diz respeito ao facto de o exemplo do protesto português estar já a ser replicado noutros países, entende este alastrar como “um sinal de vitória” e lembra que “só uma resposta conjunta permitirá encontrar soluções para os problemas que são globais”.

Os objectivos do M12M, a sua imagem e próximas iniciativas serão apresentadas publicamente em frente ao Museu do Fado na próxima quarta-feira, dia 20 de Abril, às 11h00.

O protesto do passado dia 12 de Março juntou mais de 300 mil pessoas nas ruas, sendo que quase 67 mil confirmações de adesão foram feitas através da página da “Geração à Rasca” no Facebook. Velhos, novos, desempregados, trabalhadores precários e mesmo pessoas com a vida estabilizada saíram à rua para protestar contra a actual crise e as condições de vida em Portugal.

A página original do movimento acabou por desaparecer após o protesto para dar origem a uma outra designada “Fórum das Geração12/3 e o Futuro”, que pretendia prolongar o debate e não deixar morrer o “potencial” que se criou. Conta neste momento com quase 20 mil seguidores.
 

Não sei porque mas começo a não gostar muito destes gajos da geração à rasca, apesar de ter nascido em 1979, e portanto ser também da geração à rasca, e apesar de também ter curso superior em engenharia e também estar desempregado, há aqui algo que não me agrada.
 
Primeiro porque esta gente, pelas ideias que leio, a única coisa que querem é ter os mesmos privilégios que os pais tiveram... opah os tempos mudam e as pessoas tem de se adaptar as novas circunstâncias, e onde estão as dificuldades é onde se devem encontrar as oportunidades.

Quem quer emprego certo para o resto da vida, progressões automáticas na carreira sem mérito, epah... esqueça... isso é do passado. Agora o trabalho é precário... aprendam a viver com isso. Tirem partido disso.
 
O grande problema é que andaram a perder tempo a especializar-se em áreas que não tem qualquer aplicação prática nestes tempos, ou cujo mercado já se encontra saturado e continuam a insistir que querem um emprego na área que estudaram!...  Oh meus amigos... paciência... não há trabalho... faça formação noutra área e continue...

Se não há emprego na sua area em Portugal, como é o meu caso, epah... vá-se embora... procure no estrangeiro, emigre, faça a sua vida... não fique a espera que as coisas lhes caiam nos braços... que é o que estou a fazer neste momento... preparar-me para emigrar, porque aqui foi chão que já deu uvas.

Isto é a típica mentalidade portuguesa... à espera que outros lhes resolvam os problemas!
Para além disso, nunca gostei muito deste tipo de associações, registos de nome, copyrights, cheira-me que andam aqui outros interesses, vamos la ver se não me engano.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

domingo, 27 de março de 2011

Londres: 400 mil pessoas na rua contra austeridade

Os britânicos saíram hoje às ruas para protestar contra as medidas de austeridade do Governo. Os sindicatos dizem que o número de manifestantes pode chegar ao meio milhão

 

Click aqui para ver o video no site do expresso

Click aqui para ver video no site do jornal Guardian 

Cerca de 400 mil pessoas estão nas ruas de Londres a protestar contra as medidas de austeridade apresentadas pelo Governo para diminuir o défice.
"A Marcha pela alternativa" estava convocada desde outubro e sgundo o jornal inglês "The Guardian " é o maior protesto da década no país.
Estudantes, reformados, trabalhadores do setor público e privado vieram de várias regiões do Reino Unido para participar no protesto.

Marcha pacífica... com confrontos

Apesar de ser apresentada como uma marcha pacífica, já houve confrontos entre polícia e manifestantes, que terão atirado garrafas e tintas para montras de lojas em Oxford Street.
A manifestação foi convocada pelos principais sindicatos britânicos e apoiada por diversas organizações, entre as quais as de professores, pacifistas e de jovens. O Unite, o maior sindicato britânico, estima que venham a estar presentes nas ruas perto de meio milhão de pessoas.
"Não acabem com a Grã-Bretanha"; "não aos cortes", "defendamos os nossos serviços públicos", são as frases mais ouvidas no protesto.
Na frente, Brendan Barber, o secretário-geral do Trades Union Congress (TUC), plataforma que reúne 58 dos principais sindicatos do país, congratulou-se pela resposta ao apelo.
"Estamos aqui para enviar uma mensagem ao governo de que somos fortes e unidos", afirmou, prometendo continuar a lutar contra os "cortes selvagens" e para proteger "os serviços, empregos e vidas das pessoas".
Mas cedo percebeu-se que havia manifestantes interessados em fazer ouvir a voz de outra forma quando uma coluna de jovens vestidos de preto, alguns de caras tapadas e com bandeiras anarquistas, se separou.

Bombas de fumo e tinta

Várias centenas de pessoas, vigiadas de perto por polícias de intervenção, caminharam para Oxford Street e lançaram bombas de fumo e tinta contra lojas de roupa e bancos, chegando a estilhaçar vitrinas.
Era nesta artéria comercial que o movimento UK Uncut tinha apelado a ocupar lojas de empresas que acusa de evasão fiscal e cujos impostos poderiam ajudar a evitar os cortes orçamentais.

Loja de luxo invadida


Mais tarde, um grupo conseguiu entrar numa Fortnum and Mason, uma loja de luxo, originando alguns confrontos com a polícia à entrada.
Andrew, que seguiu o protesto alternativo segurando um cartaz onde se lia No Cuts [Não aos cortes], mostrou compreensão pelo que considera atos "não de violência, mas desobediência".
Alaistair, que viajou de Edimburgo para se juntar ao UK Uncut, afirmou à Lusa que os objetivos das duas frentes de protesto eram semelhantes, nomeadamente na defesa dos serviços públicos e da criação de empregos.
Porém, em vez dos políticos, prefere responsabilizar aqueles que estão na origem da crise económica. "Há imenso dinheiro por aí, milhares de milhões de lucros", argumentou.  

Parece que em Inglaterra também já existe uma população "à rasca", que das duas uma, ou está na mó de baixo, sem emprego, sem hipoteses de progressão e reclama condições mínimas e dignidade, outra, a população com muitos privilégios que os viu ser cortados.

Tal como em Portugal, existem essas duas variantes... vamos ver no que isto vai dar... O cerco está a apertar-se, o povo, que está em baixo está a ser esmifrado com impostos, condenado ao desemprego e a escravatura... A revolução francesa nasceu de algo semelhante, quando o povo de Paris estava mergulhado na miséria e na fome.

Estamos a viver um tempo de mudança, grandes acontecimentos se avizinham...

Cumprimentos cordiais 

Luís Passos

domingo, 13 de março de 2011

O Futuro da Geração à Rasca

Não tenho qualquer dúvida de que a esmagadora maioria das pessoas que ontem saíram à rua o fez espontaneamente, farta que está do país em que vive e do governo que ele tem. Não enjeito chamar-lhes, a essas pessoas, como o fez o José Manuel Fernandes, o «Portugal desesperado» (sugiro que deixemos o «algo» de lado), em contraponto aos «filhos do Boaventura» com que a Helena Matos as baptizou. Mas também não tenho dúvidas, como a Helena, de que a maior parte dos jovens que ali esteve se considera com direito natural a um emprego, mais do que isso, a um emprego não «precário» (este foi, aliás, um dos temas da manifestação), isto é, um emprego para a vida, como acontecia antigamente e as lei laborais ainda dizem proteger, sem quaisquer considerações adicionais, como, por exemplo, o mérito para o manter ou a possibilidade da empresa lho continuar a garantir. Isto significa que a esmagadora maioria das pessoas que foram à manifestação e os muitos outros portugueses que, não tendo ido, partilham do mesmo sentimento de revolta, não perceberam o que lhes está a suceder e, não entendendo por que razão se encontram no estado em que estão, jamais conseguirão sair dele.


É natural que isto assim aconteça. A III República, a que se iniciou há 40 anos com o Marcelismo e de que o 25 de Abril foi uma mera aceleração inevitável por causa da guerra do Ultramar, fundou-se sobre os esteios da mentira, da inveja e do privilégio, isto é, sobre os paradigmas do socialismo marxista da luta de classes. As pessoas «aprenderam», sendo-lhes dito pelos seus governantes, que tinham direito a um mundo em que tudo o que lhes fosse essencial (sendo o conceito latíssimo) lhes seria dado, sem encargos, bastando, para tanto, acreditar na bondade das intenções de quem os governava e na justeza das suas «políticas». A mecânica era simples e também lhes foi «explicada»: os pobres só eram pobres, porque os ricos eram ricos. Logo, indo buscar alguma coisa aos ricos, desapareceriam os pobres. Sobre isto criou-se um mundo de privilégios: reformas aos 40 e poucos anos, por vezes acumulando duas e três simultâneas, pessoas com rendimentos médios e elevados a estudarem de graça e a beneficiarem de cuidados médicos gratuitos, toda a espécie de «garantias» laborais e de «direitos» do empregado face ao empregador, serviços públicos de toda a espécie, etc.

É devido a essa «racionalidade» social, que ainda hoje vemos e ouvimos toda a espécie de pessoas – desde os protagonistas políticos, aos anónimos comentadores da blogosfera – afirmar que a culpa deste estado de coisas é dos «ricos», dos tais que «estão cada vez mais ricos» e que a coisa só se resolve indo buscar-lhes o dinheiro para sustentar os mais pobres. Isto é, obviamente, o que qualquer governo quer ouvir, porque legitima os aumentos de impostos que tanto jeito lhes dá. Mas vou dizer-lhes uma coisa: não há mais «ricos» em Portugal. Infelizmente não os há. E, se os houvesse, ganharíamos todos com isso, porque a riqueza não é um conceito estático e suspenso no vácuo: ou se aplica, gerando emprego e prosperidade, ou desaparece. Portugal não tem «ricos» em abundância, não tem uma classe média próspera, que viva bem e que possa aspirar a viver ainda melhor. O que Portugal tem, tem muitos e feito cada vez mais, são pobres.

O que sucedeu a Portugal foi que estes 40 anos de privilégios empobreceram o país, sugaram-lhe os recursos, descapitalizaram as suas empresas, destruíram a classe média e reduziram os «ricos» a dois ou três figurões da célebre lista da Forbes, que servem ainda hoje de espantalhos para atiçar o ódio às multidões e desviar as atenções do que verdadeiramente está em causa. Quem destruiu a economia portuguesa não foram estes «ricos». Foi o estado, foram os seus sucessivos governos, a racionalidade do privilégio legal e não meritório, a voracidade com que rapinaram o nosso dinheiro e a nossa propriedade em troca de um mundo ideal que, não só nunca chegou, como é cada vez mais árduo e pior do que aquele em que vivíamos no dia anterior.

Se a «Geração à Rasca» continuar sem entender isto, se persistir em pensar que Portugal tem uma imensa riqueza escondida nos bolsos de meia-dúzia de capitalistas malfeitores, se se achar mesmo com direito a um emprego não precário, se não perceber que, por definição, tudo na vida é precário e que só o esforço e o mérito nos poderão dar melhores condições de vida, se continuar a pedir ao governo e ao estado uma vida melhor, em vez de lhes pedir que a deixem viver sem o peso asfixiante do seu paternalismo doentio e castrador, então, Portugal baterá ainda mais no fundo e o «à rasca» de hoje será um sonho de felicidade e abundância de um amanhã muito próximo.

sábado, 12 de março de 2011

Geração à Rasca - A Manifestação



Caros,

Aqui vos deixo a minha impressão da manifestação de Faro... Para mim foi uma desilusão completa a todos os níveis.

Primeiro porque esperava um Largo de São Francisco cheio... nem 1/4 estava... a mole humana mal chegava ao segundo desvio.
Depois foi o vazio completo de discursos e de ideias, entre umas poesias mais ou menos popularuchas, ninguém disse nada de jeito, não se foi ao âmago das questões, não se discutiu a economia, não se apontaram caminhos, não houve tertúlia, apenas uns quantos a lamentarem-se ao microfone por não terem emprego... sinceramente... eu esperava mais.

Espero sinceramente que a Manif de Lisboa tenha sido mais profícua que esta, que se tenham debatido ideias, levantado questões e sobretudo apresentado soluções e caminhos. 

Outra questão que me fez preocupar foi a ideia de que esta malta supostamente "à rasca" apenas quer ter os mesmos privilégios que a geração anterior teve, não está interessada em construir uma sociedade nova e mais equilibrada. Fiquei muito preocupado com o vazio de conteúdos, o vazio de ideias e a ausência de liderança.

Estou a pensar criar uma tertulia ou um forum de discussão sobre esta materia, ainda nao sei como o vou fazer... mas penso que o que faz falta e discussão... discussão e conteudo.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos


quinta-feira, 10 de março de 2011

Geração "à Rasca" - Manifestação dia 12 de Março

 
No próximo sábado, dia 12, vai realizar-se em Faro, no Largo de S. Francisco, pelas 15 horas, o protesto da "Geração à Rasca". Alguns políticos, alguns sectores da comunicação social, e sectores ligados, principalmente, aos partidos que tem sido alternância de Poder, tem procurado denegrir o protesto. Cabe ao cidadão comum pensar por si próprio e ver quem conduziu o País ao descalabro em que este se encontra.
A nós, não nos pedem, impõem-nos os sacrifícios. Aos boy's alcandorados nas administrações das empresas públicas, participadas e nas parcerias público-privadas pagam-se principescamente. 20 (vinte) gestores públicos ganham mensalmente o mesmo que 55.000 funcionários públicos com ordenados médios na ordem dos 908 euros ou dava para pagar a 100.000 desempregados. Entretanto, a TAP, empresa pública, não ficou sujeita aos cortes que o restante sector do Estado teve que se submeter. Como se não bastasse, aumentou em 76% os subsídios às chefias. Como é que é? Por um lado roubam-nos descaradamente para pagar a quem já ganha principescamente.
A Educação está num caos. Não se vislumbram medidas pedagógicas. Apenas uma estratégia economicista e vai daí prevê-se que fechem, no mínimo, 600 escolas. Não é só os professores que estão em casa, são os próprios alunos. Poderão dizer que são escolas primárias e é verdade. Mas imaginem uma criança que viva, por exemplo, em Cachopo. A quantos quilómetros fica da sede do concelho ou da escola mais próxima? Imaginem só os sacrifícios que são pedidos a essas crianças. Em lugar de se promover a solidariedade com o interior aposta-se na sua desertificação.
Na Justiça só se assiste a vergonhas. Por um lado o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e presidente do Conselho Superior de Magistratura pressionando o Juis Carlos Alexandre no caso "Face Oculta". Por outro lado, o Procurador Geral da República nomeando um ex-companheiro de governo de José Sócrates para o processo "Freeport". Poderá o Procurador Geral dizer que é por sorteio. Neste País quem é que ainda acredita neste Procurador e neste Presidente do Supremo Tribunal de Justiça? Só, talvez, gentes ligadas ao P"S", PSD e CDS.
Na Saúde pagamos para nos matarem mais depressa. Não por vontade dos médicos mas por vontade política. Cada vez pagamos mais e cada vez temos menos assistência medico-medicamentosa.
Cortam-se os subsídios de desemprego, os abonos de família mas paga-se mais às chefias da Segurança Social. As bolsas ao estudantes são cada vez mais cortadas, retirando a possibilidade às famílias mais carenciadas de proporcionar uma formação superior, ainda que os seus filhos tenham todas as capacidades. Nos empregos paga-se o ordenado mínimo mesmo a quem tenha formação superior que até chega a ter que abdicar de apresentar as suas verdadeiras habilitações se quiser um emprego na "caixa" de qualquer superfície comercial.
O protesto de sábado não vai resolver problema algum, é verdade, mas pode ser uma primeira manifestação do desagrado que todos sentimos. É preciso que as pessoas saiam à rua, que mostrem a sua indignação, que comecem a exigir transparência por parte dos nossos governantes, é preciso que se acabe com "cartão" do partido como forma de arranjar emprego, é preciso que as corporações percam o "peso" que detêm e que nos "amarram" às mais descaradas descriminações na saúde e na justiça, é preciso acabar com os salários milionários e as reformas douradas, é preciso restaurar a democracia.
Restaurar a democracia fazendo uma nova revolução, apeando toda a sorte de oportunistas e salafrários que à pala do partido nos tem roubado...
Participa este sábado no protesto em Faro
 
O Blog Faro é Faro apoia a iniciativa! Não Falte!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Geração "à Rasca"


Caros,

Aqui vos deixo o trabalho apresentado pela SIC sobre o estado actual do pais.

Estamos perante a geração mais qualificada de sempre, porém, esta não se consegue enquadrar na sociedade actual. Não há emprego, mesmo para as profissões mais qualificadas; as poucas propostas que vão aparecendo, dada a muita procura e a reduzida oferta apresentam salários baixíssimos e condições de trabalho que não dignificam a profissão. E é só para quem quer!

Empresas que continuam à espera que os clientes as procurem, sem terem um papel pro-activo nos desígnios das suas próprias empresas. Os empresários não têm visão e vivem na subsidio-dependência.

Os empresários no momento em que os “Contabilistas” os informam que vão ter lucro (muitas vezes miserável) o primeiro pensamento que lhes ocorre é, “vou comprar um carro para não pagar imposto em sede de IRC”, no entanto não sabem que a grosso modo a compra do carro apenas lhes permitem “poupar” ¼ do valor da viatura * Tx imposto, mas que para isso vão sofrer com as tributações autónomas durante o tempo de vida da viatura e estão muitas vezes a assumir a responsabilidade de um financiamento de l prazo que em boa verdade não sabem sequer se o vão conseguir pagar.

Ainda não se aperceberam que a concessão de crédito aos seus clientes é uma realidade bem perturbante, na medida em que o cliente só paga se quiser, não existe um planeamento de tesouraria ou tão pouco um planeamento de cobrança muitos apenas se lamentam que os clientes não pagam, mas em bom rigor nada fazem para cobrar.
 
Empresas com níveis de concentração que deitam por terra até a Lei de Pareto, empresas que com clientes com posições dominantes de 90% do volume de negócios e que vivem sorridentes achando que o mundo nunca vai mudar… tantas no sector eléctrico, que fornecem apenas para 1 ou 2 clientes (armazenistas e distribuidores).

Enfim acho que vivemos na sobra de 40 anos de erros, a banca como achava que era melhor emprestar ao estado ou a particulares para compra de habitação ou crédito pessoal do que emprestar ao empresariado dado que dado que o risco era maior e a margem de lucro menor, foi-se desguarnecendo a industria e fomentando os serviços. Agora temos um sector terciário gigante e um primário e secundário anões.

Para manter o estado social, gerar empregabilidade e sustentabilidade social é necessário melhorarmos a nossa economia, e para o fazer e preciso produzir produtos que lá fora queiram comprar, que nos consigamos produzir bem e com valor acrescentado. Caso contrário, dentro de 5 anos vamos bater na parede.

O que é grave é que o estado gastou uma fortuna para formar estas gerações e agora a única alternativa é a emigração. Assim além de estarmos a financiar a economia de outros países estamos a destruir o estado social, dado que esses países nada contribuíram para a formação daquelas pessoas. Vão diminuir as contribuições para a segurança social, e como temos uma população cada vez mais envelhecida, não auguro nada de positivo. Não é possível fazer omeletes sem ovos. O estado social tem os dias contados.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos 

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Tudo o que espoliámos à “geração sem remuneração”

 
Quando o FMI chegou pela segunda vez a Portugal, em 1983, eu tinha 26 anos. Num daqueles dias de ambiente pesado, quando havia bandeiras pretas hasteadas nos portões das fábricas da periferia de Lisboa, quando nos admirávamos com ser possível continuar a viver e a trabalhar com meses e meses de salários em atraso, almocei com um incorrigível optimista no Martinho da Arcada. Nunca mais me esqueci de uma sua observação singela: “Já reparaste como, apesar de todos os actuais problemas, a nossa geração vive melhor do que as dos nossos pais? Tenta lembrar-te de como era quando eras miúdo…”
Era verdade: a minha geração viveu e vive muito melhor do que a dos seus pais. E eles já viveram melhor do que os pais deles. Mas quando olho para a geração dos meus filhos, e dos que são mais novos do que eles, sinto, sei, que já não vai ser assim. E não vai ser assim porque nós estragámos tudo – ou ajudámos a estragar tudo. Talvez aqueles que são um bocadinho mais velhos do que eu, os verdadeiros herdeiros da “geração de 60”, os que ocuparam o grosso dos lugares do poder nas últimas três décadas, tenham um bocado mais de responsabilidade. Mas ninguém duvide que o futuro que estamos a deixar aos mais novos é muito pouco apetecível. E que o seu presente já é, em muitos aspectos, insuportável.
Começámos por lhes chamar a “geração 500 euros”, pois eram licenciados e muitos não conseguiam empregos senão no limiar do salário mínimo. Agora é ainda pior. Quase um em cada quatro pura e simplesmente não encontram emprego (mais de 30 por cento se tiverem um curso superior). Dos que encontram, muitos estão em “call centers”, em caixas de supermercados, ao volante de táxis, até com uma esfregona e um balde nas mãos apesar de terem andado pela Universidade e terem um “canudo”. Pagam-lhes contra recibos verdes e, agora, o Estado ainda lhes vai aplicar uma taxa maior sobre esse muito pouco que recebem. Vão ficando por casa dos pais, adiando vidas, saltitando por aqui e por ali com medo de compromissos.
Há 30 anos, quando Rui Veloso fixou um estereótipo da minha geração em “A rapariguinha do Shopping”, a letra do Carlos Tê glosava a vaidade de gente humilde em ascensão social, fosse lá isso o que fosse: “Bem vestida e petulante/Desce pela escada rolante/Com uma revista de bordados/Com um olhar rutilante/E os sovacos perfumados/…/Nos lábios um bom batom/Sempre muito bem penteada/Cheia de rimel e crayon…”
Hoje, quando os Deolinda entusiasmam os Coliseus de Lisboa e do Porto, o registo não podia ser mais diferente: “Sou da geração sem remuneração/E não me incomoda esta condição/Que parva que eu sou/Porque isto está mal e vai continuar/Já é uma sorte eu poder estagiar…” Exacto: “Já é uma sorte eu poder estagiar”, ou mesmo trabalhar só pelo subsídio de refeição, ou tentar a bolsa para o pós-doc depois de ter tido bolsa para o doutoramento e para o mestrado e nenhuma hipótese de emprego. Sim, “Que mundo tão parvo/Onde para ser escravo é preciso estudar…”
É a geração espoliada. A geração que espoliámos.
Sem pieguices, sejamos honestos: na loucura revolucionária do pós-25 de Abril, primeiro, depois na euforia da adesão à CEE, por fim na corrida suicida ao consumo desencadeada pela adesão à moeda única e pelos juros baixos, desbaratámos numa geração o rendimento de duas gerações. Talvez mais. As nossas dívidas, a pública e a privada, já correspondem a três vezes o produto nacional – e não vamos ser nós a pagá-las, vamos deixá-las de herança.
Quisemos tudo: bons salários, sempre a subir, e segurança no emprego; casa própria e casa de férias; um automóvel para todos os membros da família; o telemóvel e o plasma; menos horas de trabalho e a reforma o mais cedo possível. Pensámos que tudo isso era possível e, quando nos avisaram que não era, fizemos como as lapas numa rocha batida pelas ondas: enquistámos nas posições que tínhamos alcançado. Começámos a falar de “direitos adquiridos”. Exigimos cada vez mais o impossível sem muita disposição para darmos qualquer contrapartida. Eram as “conquistas de Abril”.
Veja-se agora o país que deixamos aos mais novos. Se quiserem casa, têm de comprá-la, pois passaram-se décadas sem sermos capazes de ter uma lei das rendas decente: continuamos com os centros das cidades cheios de velhos e atiramos os mais novos para as periferias. Se quiserem emprego, mesmo quando são mais capazes, mesmo quando têm muito mais formação, ficam à porta porque há demasiada gente instalada em empregos que tomaram para a vida. Andaram pelas Universidades mas sabem que, nelas, os quadros estão praticamente fechados. Quando têm oportunidade num instituto de investigação, dão logo nas vistas, mas são poucas as oportunidades para tanta procura. Pensaram ser professores mas foram traídos pela dinâmica demográfica e pela diminuição do número de alunos. Sonharam com um carreira na advocacia, mas agora até a sua Ordem se lhes fecha. Que lhes sobra? As noites de sexta-feira e pensarem que amanhã é outro dia…
E observe-se como lhes roubámos as pensões a que, teoricamente, um dia teriam direito: a reforma Vieira da Silva manteve com poucas alterações o valor das reformas para os que estão quase a reformar-se ao mesmo tempo que estabelecia fórmulas de cálculo que darão aos jovens de hoje reformas que corresponderão, na melhor das hipóteses, a metade daquelas a que a geração mais velha ainda tem direito. Eles nem deram por isso. Afinal como poderia a “geração ‘casinha dos pais’” pensar hoje no que lhe acontecerá daqui a 30 ou 40 anos?
Esta geração nunca se revoltará, como a geração de 60, por estar “aborrecida”, ou “entediada”, com o progresso “burguês”. Esta geração também não se mobilizará porque… “talvez foder”. Mas esta geração, que foi perdendo as ilusões no Estado protector – ela sabe muito bem como está desprotegida no desemprego, por exemplo… –, habituou-se também a mudar, a testar, a arriscar e, sobretudo, a desconfiar dos “instalados”.
Esta geração talvez já tenha percebido que não terá uma vida melhor do que a dos seus pais, pelo menos na escala que eles tiveram relativamente aos seus avós. Por isso esta geração não segue discursos políticos gastos, nem se deixa encantar com retóricas repetitivas, nem acredita nos que há muito prometem o paraíso.
Por isso esta geração pode ser mobilizada para o gigantesco processo de mudança por que Portugal tem de passar – mais do que um processo de mudança, um processo de reinvenção. Portugal tem de deixar de ser uma sociedade fechada e espartilhada por interesses e capelinhas, tem de se abrir aos seus e, entre estes, aos que têm mais ambição, mais imaginação e mais vontade. E esses são os da geração “qualquer coisa” que só quer ser “alguma coisa”. Até porque parvoíce verdadeira é não mudar, e isso eles também já perceberam…

In: Publico (4/10/2011) via Blasfémias

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

DEOLINDA: - O HINO DA GERAÇÃO ADIADA



Sou da geração sem remuneração
E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração “casinha dos pais”
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração “vou queixar-me pra quê?”
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou
Sou da geração “eu já não posso mais!”
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar