Caros,
Tive conhecimento que a Comissão Europeia, nomeadamente a Direcção Geral de Ambiente, respondeu à denuncia efectuada pelo grupo "Somos Olhão", subscrita pelo Sr. António Manuel Ferro Terramoto.
A comissão disse que recebeu a denuncia e os elementos probatórios e que os vai analisar e acompanhar a situação. Penso que isto poderá ser o primeiro passo para uma lenta alteração do estado de coisas na Ria Formosa.
Não conheço o Sr. António Manuel Ferro Terramoto, mas pelo que vi no Blog "Polvo do Algarve" tenho admiração pela coragem e determinação deste homem.
Houvesse Farenses como ele... Bem haja!!!
Cumprimentos cordiais
Luis Passos
As aves, na sua maioria patos-reais (Anas platyrhynchos), frisadas (Anas strepera), marrequinhas (Anas crecca) e galeirões (Fulica atra), começaram a chegar ao RIAS a 28 de Agosto, na sequência de um problema na ETAR do Salgados, em Faro.
Até à passada segunda-feira, o RIAS já tinha recebido 125 aves, segundo revelou ao «barlavento» Fábia Azevedo, responsável pelo centro.
Algumas das aves morreram nas imediações da ETAR, tendo sido recolhidas por funcionários da empresa Águas do Algarve e por técnicos do ICNB, já que a estação de tratamento de esgotos se situa à beira da Ria Formosa, ainda há poucos dias eleita como uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal.
Houve também aves que morreram no Centro de Recuperação, mas também há animais que estão a recuperar e já estão a voar no recinto fechado do RIAS.
Até agora, segundo Fábia Azevedo, a taxa de sucesso na recuperação das aves gravemente debilitadas é de 50 por cento.
Na origem do problema, que já terá provocado a morte a centenas de aves selvagens, deverá estar, segundo a médica veterinária do RIAS, o botulismo, uma doença de origem bacteriana, que se desenvolve em zonas de águas paradas e com altas temperaturas.
Carla Ferreira, em declarações ao Diário de Notícias, disse que «a sintomatologia e o elevado número de mortes são compatíveis com a doença».
Uma hipótese que parece ganhar força pelo facto de no Sul de Espanha também ter sido detetado um surto de botulismo. No entanto, as certezas só poderão chegar após os exames laboratoriais, cujos resultados ainda não são conhecidos.
Com este anormal afluxo de aves doentes, o Centro de Recuperação depressa esgotou a sua capacidade de trabalho e ficou a braços com grandes despesas.
Por isso, na semana passada divulgou um apelo pela Internet, dizendo que «este tratamento requer um grande esforço, quer a nível de mão-de-obra, quer económico. Apesar do enorme empenho da nossa equipa e dos vários voluntários que nos têm ajudado, o RIAS necessita da sua ajuda!».
Se quiser ajudar, contacte o RIAS através do email rias.aldeia@gmail.com, do telemóvel 927659313 ou procure mais informação em rias-aldeia.blogspot.com.
O «barlavento» procurou saber, junto das Águas do Algarve, se, sendo esta empresa responsável pela ETAR que causou o problema, iria tomar alguma providência para ajudar o Centro de Recuperação, mas até agora não recebemos qualquer resposta.
Recorde-se que já não é a primeira vez que esta ETAR de Faro causa problemas e mortalidade entre as aves da Ria Formosa.
Em Julho de 2008, já tinha havido um outro episódio de mortandade de aves, causado pela mesma Estação de Tratamento de Esgotos.