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terça-feira, 5 de abril de 2011

Portugal, um País próximo da Revolta Social?

O que começou por ser a “Revolução dos Jasmins” na Tunísia e que rapidamente se alastrou a outros países árabes, com maior ou menor sucesso, não pode deixar ninguém indiferente. Isto demonstra que sim, é possível. As pessoas quando o desejam, muitas vezes motivadas já pelo desespero, conseguem triunfar sobre a repressão, a corrupção e a tirania.

Africa é um continente de profundos contrastes. Possui imensos recursos naturais, tem das mais belas paisagens do Mundo e paradoxalmente continua subdesenvolvido. Infelizmente tem sido palco de muitos conflitos, sejam eles étnicos, tribais e religiosos. Com o patrocínio da ONU procurou-se instituir eleições “livres” em muitos dos países que aí se encontram. Estas “democracias” não são mais que cleptocracias ou autocracias. Tenho dúvidas se em África haverá mesmo alguma democracia digna desse nome. 

Claro que em Portugal a situação é totalmente diferente. Temos uma democracia “imperfeita” pois está assente numa partidocracia em que os dois partidos do arco governativo, pela situação confortável que têm, só estão interessados em manter o “status quo”. Isso viu-se recentemente quando ambos inviabilizaram uma proposta que pretendia limitar os vencimentos dos gestores públicos ao do Presidente da República. Na prática, estes partidos alternantes são iguais nos seus propósitos. Servirem-se do País quando chegam ao poder distribuindo cargos pelas respectivas clientelas. Até nas nossas embaixadas já se colocam “boys”. A única coisa que realmente muda, são os protagonistas. Tudo o resto se mantém. E é curioso que o que estes partidos da governação têm em comum são as clientelas externas que, indiferentemente de quem está no poder, pretendem continuar a beneficiar dos habituais tratamentos de “favor”. Por isso é que fazem “donativos” para ambos os partidos. Claro que devem alegar que assim contribuem para a consolidação do nosso sistema democrático!

Se tivermos em conta que estas revoltas sociais no Magrebe tiveram na sua génese o elevado desemprego, a miséria, a corrupção e o nepotismo, então pouco faltará para que Portugal tenha também esses ingredientes no peso certo. Não será por acaso que no Facebook e nos correios electrónicos de muita gente já circula um apelo à concentração de 1 milhão de pessoas a exigir a demissão de toda a classe política. Os argumentos são bastante válidos e pertinentes, os quais passo a transcrever de seguida:


““ Exmos, Senhores,
Cá vai um importante contributo, para que o Ministro das Finanças -e todos vocês não continue a fazer de nós parvos, dizendo com ar sonso que não sabe em que mais cortar. Acabou o recreio e o receio!Este e-mail vai circular hoje e será lido por centenas de milhares de pessoas. A guerra contra a chulice, está a começar. Não subestimem o povo que começa a ter conhecimento do que nos têm andado a fazer, do porquê de chegar ao ponto de ter de cortar na comida dos filhos!   
Estamos de olhos bem abertos e dispostos a fazer -quase-tudo, para mudar o rumo deste abuso.
    Todos os ''governantes'' [a saber, os que se governam...] de Portugal falam em cortes de despesas - mas não dizem quais - e aumentos de impostos a pagar.
    Nenhum governante fala em:
    1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três Presidentes da República retirados;
    2. Redução dos deputados da Assembleia da República e seus gabinetes, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode;
    3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego;
    4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.
    5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? e não são verificados como podem ser auditados?
    6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira, em 1821, etc...;
    7. Redução drástica das Juntas de Freguesia. Acabar com o pagamento de 200€ ? por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75€, ? nas Juntas de Freguesia.
    8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades;
    9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;
    10. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...
    11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores, mas maiores nos dispêndios públicos;
    12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc;
    13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis...
    14. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho. Então em Lisboa é o regabofe total. HÁ QUADROS (directores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES, QUE NÃO NOS DÁ COISA PÚBLICA...;
    15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES PRINCIPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder...
    16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar;
    17. Acabar com as várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.
    18. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP;
    19. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e Quejandos, onde quer que estejam e por aí fora.
    20. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.
    21. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam milhões ao erário público.
    22. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem a quadros do Partido Único (PS + PSD).
    23. Assim e desta forma Sr. Ministro das Finanças recuperaremos depressa a nossa posição e sobretudo, a credibilidade tão abalada pela corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros do Estado;
    24. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP, que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos contribuintes, fugindo ao controle seja de que organismo independente for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem"...;
    25. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do País, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efectivamente dela precisam;
    26. Controlar a actividade bancária por forma a que, daqui a mais uns anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise";
    27. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida;
    28. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.
    29. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.
    30. Pôr os Bancos a pagar impostos. “”
Perante isto, resta saber até quando a classe política vai continuar a subestimar os Portugueses, confiando sempre no chavão de que somos um povo de brandos costumes. É que já não há mais nenhuma face para dar tal é o número de “estaladas” que recebemos.
Na minha modesta opinião… a contagem decrescente já começou.


Caros,

Penso que só num caso extremo poderá dar-se uma revolta em Portugal semelhante à da Tunísia, por diversas razões:
 - O Povo português é manso, e avesso a essas aventuras;
 - Para tal acontecer teria de o pais bater na parede totalmente, sem hipótese de recuperar, ou seja, ficar sem dinheiro para pagar reformas e pensões e a economia entrar numa espiral recessiva que o desemprego chegue aos 30% ou mais, e pelo menos 60% nas camadas jovens.
 - Teria de haver um aumento da cidadania e consciência e espírito nacional, o povo português é muito individualista, só quando lhe forem ao bolso em forte é que vai tomar medidas, até lá, pimenta no cu dos outros... é refresco.
 - As pessoas militam nos partidos políticos como se de clubes de futebol se tratasse. Eu tenho vários amigos em alguns partidos, que quando os critico, mesmo eles sabendo que tenho razão, ficam ofendidos, era como se eu chegasse ao pé de um benfiquista e dissesse que o clube dele é uma bosta! Isso impede as pessoas de pensarem racionalmente e pela sua cabeça, levando a votarem com "clubite" e não no estrito interesse da nação.

Se repararem o 25 de Abril só aconteceu porque foi no decurso da crise dos oficiais milicianos, porque havia a guerra colonial e os militares já estavam fartos dela e por fim por pressões e "ajudas" americanas. 

Não estão criadas as condições para outro 25 de Abril, e tenho muitas duvidas que algo de bom saísse dele. Basta ver o nosso passado recente.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos 

Comissão nega possibilidade de empréstimos intercalares ao abrigo das regras actuais

A Comissão Europeia entende que de, acordo com os mecanismos actualmente disponíveis, não existe a possibilidade de recurso a empréstimos intercalares nos moldes que têm sido sugeridos em Portugal como solução de curto prazo.

A Comissão negou também, em Bruxelas que existam contactos do Governo português com vista à concessão de um empréstimo intercalar a Portugal, que seria uma solução em estudo para o país resolver as suas responsabilidades de curto prazo.

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse entretanto que desconhece a possibilidade de ser concedida ajuda intercalar europeia, mas garantiu que “a Comissão Europeia, a União Europeia estão prontas para ajudar qualquer pedido que Portugal queira fazer”.

“Não sei do que estão a falar”, afirmou hoje (citado pela agência Lusa), quando questionado por jornalistas sobre a possibilidade de ser concedida uma ajuda intercalar a Portugal. “O que está previsto, o mecanismo que temos, é um mecanismo financeiro, para a estabilidade financeira, um mecanismo da UE em que participa também o FMI (...); disso [ajuda intercalar], não sei do que estão a falar”, disse aos jornalistas, à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu.

Um dos cenários em estudo por responsáveis políticos portugueses e europeus, para o caso de o país não conseguir garantir todas as suas necessidades de financiamento até à entrada em funções do novo Governo, é justamente o da obtenção de um empréstimo intercalar. Uma vez em funções, o novo Governo poderá então recorrer ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), juntamente com o FMI.

No entanto, o PÚBLICO avançava também na sua edição impressa de hoje que, devido à incerteza sobre se um empréstimo desse tipo seria concedido por Bruxelas, mantinha-se em aberto a possibilidade de o solicitar ao FMI (Fundo Monetário Internacional).

Entretanto, soube-se hoje que os grandes bancos portugueses informaram ontem o governador do Banco de Portugal de que vão deixar de emprestar dinheiro ao Estado e que entendem que deveria ser pedido nos próximos dias um empréstimo intercalar à Comissão Europeia, num montante de 15 mil milhões de euros, segundo noticiou o Jornal de Negócios de hoje.


Como já tinha referido neste blog, a Comissão já tinha dito que não há empréstimos intercalares,  ou solicitam o fundo de estabilização, ou não há nada para ninguem.

As taxas de juro tem vindo a aumentar sucessivamente e a incerteza politica e orçamental que temos neste momento em Portugal não tem contribuído nada apaziguar os mercados, e a consequência é o que está a vista... Portugal para se financiar tem de pagar taxas de juro cada vez mais altas.

Com as empresas publicas já sem dinheiro para salários e com uma campanha eleitoral a porta, o pais não pode viver neste coma induzido até Junho, sob pena de morrer até lá. O presidente da Republica teve muita culpa nesta situação, dado que após o acto tresloucado do PSD, deveria ter nomeado um governo de salvação nacional, agora teríamos um governo em funções, capaz de negociar com a Comissão Europeia/FMI e já estaríamos a aplicar as medidas para nos tirar do buraco.

No entanto vamos andar neste fado até Junho...
Deus nos acuda.

Luís Passos

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ministro dos Transporte culpa oposição pela falta de dinheiro

Por seu lado, Ferreira do Amaral considera que o Estado transformou as empresas públicas em “depósitos de dívidas” e a privatização de algumas delas pode ser a solução para o endividamento. 
 
Se o Estado não tem dinheiro é por culpa do chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). A justificação é avançada pelo ministro dos Transportes, António Mendonça, perante a notícia divulgada hoje pelo jornal “Público”, segundo a qual as empresas de transportes de passageiros têm de pagar 935 milhões de euros de dívidas a curto prazo.

“É evidente que, a partir do momento em que o PEC foi chumbado na Assembleia, a situação alterou-se radicalmente. Temos que ter consciência disso. A situação do país era uma antes do chumbo do PEC e é outra depois do chumbo do PEC”, afirma o ministro. António Mendonça sublinha que, por isso, “tudo piorou”. “Os problemas, por menores que sejam, são problemas que estão agravados."

Ontem foram conhecidas as dificuldades do Metro do Porto, que diz correr o risco de não ter dinheiro para pagar salários. O ministro António Mendonça diz que não percebe porque se “fala agora dos problemas das empresas de transportes quando são problemas que existem há muitos anos”.

“Ainda recentemente recebi da administração da empresa do Metro do Porto uma proposta para desenvolver a segunda fase do Metro, de 2,5 milhões de euros, que implicava um acréscimo de custos operacionais para a empresa de cerca de 60 milhões de euros, a somar aos cerca de 120 milhões já negativos”, explica.

“Há uma contradição que não entendo”, afirma.

Empresas públicas são “depósitos de dívidas”
Opinião contrária tem o antigo titular da pasta, Joaquim Ferreira do Amaral. O ex-ministro dos Transportes do PSD acusa os últimos Governos de procurarem financiar-se através das empresas de transportes.

“A questão essencial é que o Estado decidiu pôr nas empresas públicas a dívida que ele próprio não podia pagar. As empresas públicas acabaram por servir de depósitos de dívidas”, acusa Ferreira do Amaral.

“O Estado, sem recursos para poder fazer investimentos, quis fazê-los na mesma. E a maneira de o fazer foi endividar as empresas públicas, porque elas tinham crédito e, portanto, o Estado julgou que, fazendo-as ir buscar financiamento, se livrava da dificuldade que tinha em encontrar recursos para fazer investimentos."

Ferreira do Amaral defende que o Estado deve assumir os passivos das empresas de transportes. “O Estado quis fazer política social - na minha opinião, erradamente -, porque, em grande parte, está a subsidiar os transportes de pessoas que não precisariam de subsídio algum”, explica.

“Aí não há nada de social, pelo contrário, mas quis fazê-lo à custa das próprias empresas públicas, que assim se tornaram rapidamente deficitárias sem ter as compensações devidas”, acrescenta Ferreira do Amaral.

Para o ex-ministro dos Transportes do PSD, a privatização de algumas explorações pode ser um caminho para resolver o problema do endividamento das empresas de transportes públicos. 
 
Metro do Porto está sem dinheiro para funcionar

A empresa Metro do Porto está sem dinheiro para funcionar e já deve dois mil milhões de euros à banca. Vários pedidos de empréstimo foram recusados.

Esta situação foi confirmada à Renascença pelo presidente do conselho de administração da empresa. “Nesta altura já investimos na casa dos 2.500 milhões de euros e a fundo perdido recebemos apenas cerca de 25% deste valor. Sendo um projecto desta dimensão, financiado maioritariamente por empréstimos bancários, que vencem juros - está aqui a origem da situação financeira actual da empresa”, explica Ricardo Fonseca.

Daqui a 15 dias tem de pagar 100 milhões de euros ao BCP.

A administração da Metro do Porto deu conhecimento da situação financeira da empresa à secretaria de Estado do Tesouro e Finanças, mas até agora não teve qualquer resposta.

Em carta ao Ministério das Finanças, a empresa expõe a situção: "É insustentável continuar neste modelo".

Fonte oficial do Ministério dos Transportes, contactada pela Renascença, garante que a tutela tem reunido com as administrações das diversas empresas de transportes e não apenas do Metro do Porto.

A mesma fonte remeteu para mais tarde outros esclarecimentos, mas garante que o Governo tudo fará para continuar a assegurar o serviço aos clientes nas actuais condições. 
 
IN: Rádio Renascença

Caros,
 
Grande parte do problema está na forma com as empresas são geridas. Todas elas, CP, Metro do Porto, Carris, Metro de Lisboa, Transtejo, Soflusa, Metro Sul do Tejo, etc, tem sido geridas sempre em déficit e os seus gestores com ordenados e regalias brutais.
Se por acaso se derem ao trabalho de ler o post Rumuneração dos gestores públicos facilmente verificarão os ordenados principescos que o Metro do Porto pagava (pág 49 em diante), o presidente do conselho de administração recebe 150122€, e ainda mais quase 8000€ adicionais em regalias os dois vogais recebem 136472 cada um e cerca de 7000€ adicionais em regalias. Os vogais não executivos (como Major Valentim Loureiro entre outros) que não faziam rigorosamente nada a não ser participar nas Assembleias (era um tacho politico-partidário) recebiam 18138€.
 
Depois se forem ver a pagina 51, onde vem especificados os outros benefícios... temos seguros de saude de quase 65000€ cada um dos membros, quase 3500€ de cobustivel, 1460€ de subsidio de refeição e quase 15000€ de ADSE/outros encargos.
 
Com esta gente a ganhar ordenados destes em que aquilo que produzem não é praticamente nada (são parasitas do sistema) como querem que a empresa seja auto-subsistente?
Epah... não há milagres. Quando uma empresa tem Cashflows negativos ano após ano, das duas uma, ou é subsidiada ou tem de fechar, porque não é viável.
 
Mas o que acontece no Metro do Porto é o espelho de todas as empresas publicas, grandes salários, produtividade baixíssima, cargos inventados para colocar amigos e clientelas dos partidos, enfim...  e só sacar ao zé povinho.
 
Enfim... é vergonhoso e a culpa é dos portugueses, porque toleram este tipo de comportamentos, e ainda há pessoas que quando critico e falo desta pouca vergonha ainda tem a lata e o desplante de me dizer... "Tu tens é inveja de não poderes estar lá também e usufruir". 
 
A leitura que faço disto é que as pessoas já não distinguem o bem do mal, e que a corrupção, o esbulho e a falcatrua já são coisas normais e moralmente aceitáveis.
 
Triste pais este...
 
Luís Passos 

Ernst & Young: Portugal vai entrar em recessão e deverá pedir ajuda externa antes de Junho

Portugal vai enfrentar uma recessão este ano, com uma quebra de 1,1% do PIB, e deverá pedir ajuda externa antes do mês de Junho, prevê a Ernst & Young num relatório hoje divulgado.

Segundo as previsões de primavera do "Ernst & Young Eurozone Forecast", o relatório trimestral que efectua a previsão da evolução macroeconómica em todos os países da Zona Euro, a demissão do primeiro-ministro, José Sócrates, no final de Março demonstra que "o país vai precisar de recorrer à ajuda externa, seja do Fundo Monetário Internacional (FMI), seja do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) antes de Junho, a data mais crítica nos reembolsos de dívida".

A Ernst & Young considera que, até ao momento, "os esforços para acalmar os mercados não têm tido os benefícios esperados", uma vez que a República Portuguesa terá de devolver ao mercado 10 mil milhões de euros, até Junho.

Apesar de as medidas de austeridade "começarem a dar sinais de melhoria das finanças públicas, é mais que provável que Portugal entre em recessão este ano", prevê a Ernst & Young, que estima uma queda do PIB de 1,1% este ano.

De acordo com a estimativa, o PIB português só deverá dar sinais de recuperação em 2012, ano em que deverá situar-se nos 0,7%. Em 2013, deverá crescer 1,4%, em 2014 1,6% e, em 2015, deverá subir 1,8%, de acordo com as previsões dos analistas.

Tal como aqui tinha previsto, muito provavelmente antes de Junho o pais vai bater na parede, dado que não há capital disponível para pagar os encargos da divida que vence no inicio de mês de Junho. Foi dinheiro que pedimos emprestado e que agora vamos ter de pagar.

Muito provavelmente com a instalação do FEEF/FMI aqui em Portugal, vai-se verificar um corte muito duro e cego na despesa publica bem como outras restrições que vão gerar acções recessivas. Espera-se um aumento da taxa de desemprego... muito em breve.

Quem puder... que vá já fazendo um pé de meia.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos
 

domingo, 3 de abril de 2011

Documentário: INSIDE JOB

Caros,

Para quem quiser saber mais sobre a actual crise económica e perceber o que aconteceu nos Estados Unidos com a bolha dos derivados (CDS) e do imobiliário, recomendo que veja o filme "Inside Job" que recentemente estreou nas salas de cinema.

Deixo-vos aqui o trailer do filme:

 
Se gostaram do trailer e quiserem ver o filme completo aqui tem um link para um site de filmes gratis:

Se o filme parar a meio, desligem o router, voltem a ligar e continuem do momento onde pararam.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

sábado, 2 de abril de 2011

A VERGONHA A QUE CHEGAMOS

António Nogueira Leite, hoje, no Correio da Manhã:

Vergonha

O país político definitivamente enlouqueceu. Parece que ninguém é culpado de nada. A Dívida Pública directa que era de 100 mil milhões em 2006 passou para 150 mil milhões em 2010, isto é, aumentou 50%.

O sector público administrativo (SPA) acumulou entre 2001 e 2005 défices de 26 mil milhões de euros, mas com o actual ministro das Finanças já acumulou 41 mil milhões de euros, ou seja, mais 57%. A despesa pública do SPA, que era em 2003 de 60 mil milhões de euros, já atingiu mais de 82 mil milhões de euros, ou seja, registou um aumento de 37%. O grande aumento nas prestações sociais – de 20 para 38 mil milhões – não resulta dos aumentos dos abonos às famílias pobres e numerosas ou das pensões mínimas.

Ou seja, criámos um estado insustentável num país que não cresce e que mantém enormes níveis de desigualdade. Eu, que tenho a sorte de ter rendimentos para pagar cada vez mais impostos, pergunto para onde vai esse dinheiro. E como eu, muitos outros cidadãos que cumprem e não têm a satisfação de ver esse cumprimento resultar em mais justiça. Só no aumento do malfadado pote!

Enquanto isto, o principal responsável pelo caos tem a ousadia de dizer que anda a defender Portugal e outros apenas sonham em exaurir o que resta do nosso pote colectivo. Uma vergonha!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Fitch corta ‘rating’ de Portugal em três níveis

A Fitch esmagou o ‘rating' de Portugal, baixando-o em três níveis, de ‘A-' para ‘BBB-'. O País fica a apenas um degrau da classificação de "lixo". 
 
O ‘downgrade' é justificado por ser agora menos provável que Portugal accione um pedido de ajuda externa, que a Fitch vê como indispensável, até às eleições legislativas de 5 de Junho.
"A severidade do ‘downgrade', de três níveis, reflecte sobretudo a preocupação da Fitch de que um pedido de ajuda externa é agora menos provável no curto prazo depois do anúncio, ontem, da realização de eleições a 5 de Junho", escreve Douglas Renwick, responsável da agência de notação financeira, num comunicado enviado à comunicação social.

Outra justificação invocada para o corte de ‘rating' foi a revisão em alta do défice português de 2010, que se cifrou em 8,6% do PIB, bem acima dos 7,3% prometidos a Bruxelas. Segundo a Fitch, tudo isto provoca um problema de calendário: "A rejeição parlamentar de medidas adicionais de austeridade e as próximas eleições significa que o reforço da consolidação orçamental não deverá avançar antes do terceiro trimestre de 2011". Por isso, segundo a Fitch, o objectivo de baixar o défice para 4,6% este ano está em perigo.

‘Rating' nacional à deriva

O ‘downgrade' de hoje significa que desde 24 de Março o ‘rating' português atribuído pela Fitch tombou cinco níveis, de ‘A+' para ‘BBB-'. E pode continuar a descer, dado que o ‘outlook' é negativo.
"O outlook negativo indica a probabilidade de um ‘downgrade' no curto prazo. A decisão será influenciada pela avaliação da agência em relação à evolução da situação orçamental, incluindo um eventual custo com o reforço do capital do sistema financeiro português. Também reflecte o risco de intensificação dos riscos macroeconómico e financeiro nos próximos meses, que a agência acredita que poderiam ser amenizados com uma intervenção da UE e do FMI", lê-se no mesmo relatório.

Portugal fica assim com um ‘rating' mais baixo que a própria Irlanda, já sob a alçada do FMI, sendo que há apenas um país na zona euro com uma classificação mais baixa: a Grécia
 
In: Economico

Tal como já havia referido no post anterior, este post vem justificar o meu comentário, ou seja, ninguém acredita que nos vamos aguentar ate 5 de Junho.
 
Por isso o Presidente da Republica deve agir já... decidindo depressa e bem. 
Caso contrário o pais vai pagar muito caro. Cavaco é co-responsável por esta crise, juntamente com José Socrates.
Cumprimentos cordiais
 
Luís Passos

Cavaco diz que corte de rating "é exagero muito grande"

O Presidente da República considerou hoje "um exagero muito grande" o corte do rating de Portugal em três níveis realizado pela agência de notação internacional Fitch, sublinhando que a situação portuguesa "não o justifica de forma nenhuma".

"Essa notícia não é uma boa notícia, mas entendo que a situação portuguesa não o justifica de forma nenhuma, considero um exagero muito grande aquilo que hoje foi feito por parte de uma agência de rating", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva.
Cavaco Silva falava aos jornalistas no final da cerimónia de inauguração de um hotel na Quinta da Marinha, em Cascais.
A agência de notação internacional Fitch cortou hoje o rating de Portugal em três níveis, de A- para BBB-, estando agora a um nível de ser considerado "lixo" ('junk').

In: DN ECONOMIA

Carissimos,

Já todos percebemos que Cavaco Silva não está a altura do cargo que ocupa. Em vez de se por com estas questões devia era urgentemente criar um governo de iniciativa presidencial composto por elementos de todos os partidos, e delinear já um plano de emergência e salvação nacional, de acção imediata com o auxilio do FEEF/FMI. 

Segundo João Duque, professor do ISEG, isso poderia poupar-nos 3 mil milhões de euros no curto prazo e ainda mais no longo prazo.

É urgente actuar, não nos podemos arrastar neste marasmo até 5 de Junho, isso seria uma loucura, 2 meses em que iríamos andar aqui ao sabor das ondas. 

As agências de rating já se aperceberam disso, e por isso desconfiam que tenhamos possibilidade de cumprir.

Além disso, as nossas contas estão cheias de contabilidade criativa, quase que de certo o nosso deficit externo não é 80% do PIB como é anunciado mas deve andar já entre 120% a 150% do PIB.

Isto é uma verdadeira doidice... nunca o pais vai conseguir pagar esta divida, a não ser que tenha taxas de crescimento da economia na ordem dos 7% ao ano ou mais... e mesmo assim tinha de ter muita austeridade.

A unica saida que vejo para isto seria correr com toda a classe politica, e criar-se um governo de união nacional para acabar com a situação actual... mesmo que para isso fosse necessário suspender a democracia por uns tempos.  

O tempo urge... cada hora, cada dia que passa, estamos mais perto do abismo... esta gente não tem noção do que está a fazer...  As próximas gerações estão comprometidas!

Agora é que se vem quem são os verdadeiros estadistas... quem tem ou não tem sentido de estado e de dever publico.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

Fitch corta 'rating' - Portugal está no limiar do 'lixo'

NOTICIA DE ULTIMA HORA

Fitch corta 'rating' - Portugal está no limiar do 'lixo'

A agência de notação internacional Fitch cortou hoje o 'rating' de Portugal em três níveis, para BBB-, deixando o nosso país a um nível de ser considerado 'lixo' ('junk').
"A severidade do corte do rating em três níveis reflecte sobretudo a preocupação da Fitch de que um pedido de ajuda externo atempado é muito menos provável no curto prazo, na sequência do anúncio de eleições legislativas antecipadas para 5 de Junho", escreve Douglas Renwick, director de ratings soberanos numa nota da agência.
"A Fitch já considerava que apoio externo atempado era um mecanismo-chave para o rating quando baixou Portugal para 'A-' a 24 de Março. A agência encara a ajuda externa como necessária para aumentar a credibilidade da consolidação fiscal de Portugal e o esforço de reforma económica, bem como para assegurar a sua posição financeira", acrescenta a mesma nota.
A Fitch cortou o rating soberano de longo prazo de A- para BBB- e de curto prazo para F3 (estava em F2), mantendo ambos em observação negativa.
A piorar o cenário, escreve a Fitch, a "revisão em alta significativa da dívida pública e do défice de 2010 (agora em 92,4 por cento e 8,6 por cento do PIB, respectivamente), também anunciados ontem [quinta-feira] enfraqueceram ainda mais o perfil de crédito de Portugal e sublinham a magnitude do desafio de consolidação fiscal que o novo governo enfrentará".
"A rejeição no Parlamento das medidas para fortalecer o orçamento para 2011 e as eleições que se avizinham significam que uma consolidação adicional não deverá ser implementada antes do terceiro trimestre de 2011, no mínimo", adianta a agência de notação.
A Fitch também tem pouca confiança que Portugal consiga cumprir o objectivo de reduzir o défice para 4,6 por cento este ano.
"Face à fraca perspectiva macroeconómica, a Fitch considera que há um risco significativo de derrapagem da meta do défice para este ano, de 4,6 por cento do PIB", indica a mesma nota.
Assim, a Fitch conclui que o pacote de ajuda financeira da UE/FMI - com condições severas em termos de políticas - é "necessário para assegurar um financiamento sustentável e para restaurar sustentabilidade da dívida de médio prazo e a confiança dos investidores em Portugal".
Qualquer atraso em aderir a um programa credível da UE/FMI "aumenta os riscos com vista a obter estabilidade económica e financeira", indica a agência, acrescentando que a "actual crise deverá agravar a recessão económica".


Meus amigos,

Isto faz-me lembrar um doente que está numa Unidade de Cuidados Intensivos em que os parentes estão todos à porta, a espera de noticias do paciente, entretanto vem um enfermeiro e diz... Um dos rins deixou de funcionar, passado um bocado vem outro medico e diz: - O fígado ta a fraquejar. Passado um bocado é o pulmão... e por ai fora...

Assim está Portugal, parece um doente em fase terminal em que os orgãos vão falecendo a pouco e pouco, até ao falecimento... ou seja... até a entrada do FEEF/FMI.

A coisa está negra... esta semana foi a Standard & Poor's a classificar Portugal com BBB.- agora foi a Fitch. A próxima semana vai ser decisiva! Muita coisa irá acontecer.

Aproveitem este fim de semana para descontrair!

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

Ainda o leilão da divida de hoje...

Caros,

Conforme foi publicado no post Ainda não foi hoje que Portugal bateu na parede... , aqui no blog Faro é Faro, a agencia REUTERS publica hoje um artigo de 3 páginas sobre o mesmo leilão com o titulo CORRECTED - WRAPUP2 - Portugal pays heavily to borrow, S&P cuts Ireland em que basicamente referem os mesmos tópicos também indicados no post aqui do FARO É FARO mas acrescentam algo:

 - "Portugal está agora a pagar, por um empréstimo a 15 meses, uma taxa de juro mais elevada que a Espanha para empréstimos a 10 ano - uma clara indicação do risco que os investidores agora associam a Portugal(...) Richard McGuire, um especialista em dívida do Rabobank, referiu que apesar do leilão de Sexta (01/04) ter demonstrado que Portugal ainda podia aceder aos mercados em caso de necessidade, a tendência não era animadora. "Na prática, (Portugal) está insolvente - ie está claramente numa situação em que a dívida está a ser emitida para cobrir o serviço da dívida [ie, juros e capital], o que resulta num [efeito] "bola de neve" de dívidas" - Ver pag 1 e 2 do artigo.

 Vem assim deste modo confirmar as minhas previsões que caso não batêssemos na parede hoje, iremos bater em Junho. O problema agora é que aparentemente ninguém quer ficar com o ónus te der de chamar o FEEF/FMI para intervir, porque sabe que isso poderá ter implicações a longo prazo, em termos eleitorais.

Assim, Portugal não se governa nem se deixa governar, e aqui anda ao sabor das ondas, como naufrago a tentar por a cabeça fora de água, até que não aguenta mais e se deixa afogar, quando poderia tudo isto ter sido evitado, tendo pedido socorro atempadamente.
O Presidente da Republica que com a sua acção determinada, forte e incisiva deveria ter apaziguado os mercados dando transmitindo sinais de confiança,  deveria ter posto fim a tempo e horas ao conflito institucional vigente, servindo de mediador entre as partes (PS e restantes partidos) no sentido de evitar a situação actual. Cavaco foi um factor de instabilidade, pondo em primeiro plano ódios e cóleras pessoais em vez do interesse nacional.

O problema português e estrutural e de crescimento económico,  ou seja, para sustentar o actual modelo social a economia nacional precisa crescer, e o estado precisa racionalizar recursos e diminuir a despesa. Isto é básico.  A receita já a muito tempo que se sabe qual é... Resta saber é quem é que "os tem no sitio" para implementar estas medidas.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos



Bem diziam os Romanos - No sul da peninsula há um povo que não se governa nem se deixa governar

 O Presidente da República entende que o Governo pode pedir ajuda externa, a Comissão Europeia há quinze dias que faz saber que o Governo, do ponto de vista de Bruxelas, pode pedir ajuda externa, a conselheira do FMI acha que só um milagre poderia evitar a necessidade do recurso à ajuda externa, o presidente do Eurogrupo considera que é uma questão de Lisboa definir quem é competente para pedir ajuda externa, o BCE julga que é "uma decisão que só Portugal pode tomar". "Portugal", porém, acha que não tem

- "legitimidade";
- "condições";
- "poder";
- e "a credibilidade que é necessária para poder merecer a confiança que é necessária por parte das entidades externas que nos podem ajudar".

Está finalmente claro por que razão o "Portugal" enterrou, no exacto momento em que enterrou, Portugal numa crise política?


Via Cachimbo de Magritte

Esta frase foi escrita por um general romano em serviço na Ibéria em carta enviada ao Imperador. É atribuída ao General Galba, que teria sido um dos primeiros governadores romanos na península, no Séc III antes de Cristo.

Referia-se o general romano aos Lusitanos, uma tribo guerreia que habitava também uma parte do actual território nacional. Não foi fácil às legiões romana dominarem os Lusitanos que ofereceram acesa resistência. Lembremos um dos seus chefes: Viriato.

Parece que a célebre frase aplicada aos nossos antepassados se pode igualmente aplicar aos portugueses da actualidade. Não nos governamos nem queremos que nos governem.

Num país endividado até ao tutano a quem não faltará muito os credores deixarão de emprestar dinheiro ou então fá-lo-ão com juros incomportáveis, os portugueses continuam a soprar para o lado:
- No Natal de 2010, os portugueses gastaram mais dinheiro do que no ano transacto.
- Ao contrário do que se verifica na Europa, em Portugal acelerou a compra de carros novos no último trimestre de 2010.
- Tudo o que era local de passagem de ano e tudo o que era avião pejou de portugueses.

Poupança? Prevenir o futuro? Investir? Nada disso. Gastar, gastar, gastar. Parece que o pensamento de muita gente anda por aqui: quem vier depois de nós que feche a porta, isto é, que pague as dívidas. Que direito temos nós de fazer pagar às gerações futuros as dívidas que elas não contraíram?

Existe uma burguesia média e média-alta citadinas para quem a máxima é gozar a vida, sem horizontes nem amanhãs. Parece que três deuses enchem por completo o coração desta gente: prazer, ter, e poder. Valores? Que valores? Cada um que se safe! Egoístas até ao fundo, só pensam no seu próprio bem-estar, o resto é paisagem.
E se pensarmos que é esta gente que, através de lobbys bem organizados e pouco ou nada transparentes, está por trás dos decisores políticos, económicos e jornalísticos, compreendemos que estamos bem entregues... A crise começa na ausência de valores, derivam muito daqui as crises económicas e sociais.

Há ainda a célebre mania nacional do dar nas vistas. Da primazia do parecer sobre o ser. "Se o meu vizinho goza, eu também tenho do gozar." Não interessa como, não interesse o futuro que se hipoteca...

Depois queixamo-nos dos políticos. É certo que, na maioria das vezes, com razão. Mas os políticos emergem do povo que somos, são portugueses como os outros. Se os políticos são fracos, é porque nos tornamos num povo fraco.
Ainda não nos habituamos a castigar nas urnas os mentirosos e falsos e a premiar quem nos diz a verdade, mesmo quando esta não nos é agradável. Vejamos o caso das últimas eleições legislativas. Quem é que o povo escolheu? Sócrates. Exactamente aquele que todos já sabiam que não cumpre o que promete, aquele que hoje diz uma coisa e daqui a dias o contrário...

Há ainda uma mentalidade dependentista na sociedade portuguesa. Parece que as Câmaras e o Estado é que têm de fazer tudo. Não queremos o comunismo, mas depois acabamos por proceder como se vivêssemos num estado comunista. Não há emprego? Culpa do Estado e das Câmaras. Não há empresas? Culpa do Estado e das Câmaras? Há pobres? O Estado e as Câmaras que resolvam...
Precisamos de despertar para a cidadania plena, tanto na reivindicação, na vigilância aos governos, na manifestação dos nossos pontos de vista, como na realização, na iniciativa, na solidariedade...
Quanto menos precisarmos dos políticos, menos dependência deles teremos, mas servidores os tornaremos, menos corrupção existirá...

Às vezes parecemos um povo infantil: só causas concretas e imediatas nos movem. Somos capazes de fazer uma manifestação porque na cantina de uma escola foi encontrada uma lagartixa na sopa, mas nunca nos movimentamos por valores.
Como é que um povo sente uma minoria de privilegiados (gestores, boys e muitos ricos) a ganhar loucuras e não se revolta, não se manifesta quando no mesmo país há reformas que não dão sequer para os medicamentos?
Via Viriatus15 
    
Realmente depois deste Carnaval todo... este pais não se governa nem se deixa governar.
O presidente da Republica é o grande culpado da situação actual, com os seus paninhos quentes, "cooperação estratégica" e falinhas mansas isto chegou onde chegou.
 
Neste momento o que Portugal precisa é que o  mais alto magistrado da nação tome as rédias e o pulso do pais no sentido de na ausência do governo tornar o pais governável e evitar um conflito institucional, bem como assegurar o regular funcionamento das instituições.
   
Nada disso está a acontecer, o pais está a partir-se aos bocados, provavelmente a assembleia da republica vai polarizar-se após as eleições, com os votos dispersos pelos partidos não sendo possível fazer compromissos à esquerda e à direita. Em resumo... é o caos completo.
     
O que era necessário era um entendimento entre partidos, a criação de um governo de salvação nacional, em que todos os partidos irão assumir a responsabilidade pelas medidas que irão ser necessárias de forma a tirar-mos o pais da situação actual.
    
De outra forma, como os partidos governam para as clientelas e para as eleições, não se vão fazer as reformas estruturais e vai-se empurrar com a barriga, excepto se conseguirem diabolizar uma entidade externa, como o FMI por exemplo e dizer... Vamos fazer isto mas é porque eles nos impõem, caso contrário... irá ficar sempre tudo na mesma. 
  
Portugal hoje precisa desesperadamente de um estadista, alguém com capacidade de gerir o problema institucional e com enorme sentido de estado. Cavaco não é nada disto. Quem quer não pode e quem pode não quer...
  
Assim vai Portugal!!!
   
Cumprimentos cordiais


Luis Passos 

 

A loucura a que este pais Chegou...

 Se bem percebo o país desatou a rir porque Paulo Futre anunciou que o futuro do Sporting passa por um jogador chinês. Vi o vídeo em questão e não percebo o que causou tal galhofa. Em primeiro lugar porque aos olhos de quem está de fora da mística e de tudo o mais que caracteriza os adeptos do futebol, as declarações de Paulo Futre em nada destoam daquilo que todos os dias outros dirigentes, candidatos a tal e a massa associativa (adoro esta expressão!) dizem a propósito dos mais variados assuntos. Por estranho que pareça, pelo menos aos ignorantes em matérias de esférico, como é o meu caso, os mais comedidos e razoáveis diante dos microfones parecem ser os jogadores.

Em segundo lugar também me causou perplexidade que não se entendesse a relevância do “tal jogador fantástico” chinês. Afinal não é de modo algum inédita a contratação de determinados jogadores por causa da sua nacionalidade ou pela especial ligação que mantêm a determinados regimes, sobretudo aqueles cujas contas públicas não são escrutinadas para não dar má imagem dos seus políticos. Ou será que Al-Saadi Kadafhi, filho do ditador líbio, envergou a camisola do Perugia, do Udinese e do Sampdoria por causa dos seus dotes enquanto jogador? Se os chineses estiverem dispostos a encher aviões de adeptos para verem o “tal jogador fantástico” chinês de que fala Paulo Futre não me parece que fosse mau negócio contratar o dito chinês que certamente não faria pior figura que Al-Saadi Kadafhi no campeonato italiano.

Mas o que mais me surpreende na reacção galhofeira à intervenção de Paulo Futre é o facto de se ter considerado delirante a antevisão de Futre de centenas de chineses a desembarcarem semanalmente na Portela donde rumariam a Alvalade, enquanto o Sporting cobraria comissões às companhias de aviação, aos hotéis, aos restaurantes, aos museus… frequentados pelos ditos chineses. Vão desculpar-me mas estão a rir-se de quê? Já se esqueceram das figuras patéticas observadas neste país aquando da visita a Portugal do presidente chinês em Novembro do ano passado? Os jornais de referência encheram-se então de títulos que em nada divergem dos arrebatamentos de Paulo Futre com o departamento chinês do Sporting: Homem mais poderoso do mundo em Lisboa para comprar dívida”; Hu Jintao está em Portugal para comprar a dívida”; “Presidente chinês garante: “O futuro é promissor“…E agora que Lula veio a Portugal os títulos gloriosos voltaram a sair da gaveta, só que onde em Novembro passado se lia China lê-se agora Brasil.

Confesso que sinto uma vergonha profunda durante aquelas horas em que só se fala do presidente do país mais poderoso do mundo, do governante da nação mais rica do planeta ou do líder do país mais irmão que vão resolver a nossa crise. Peço aos céus que ninguém naquelas comitivas veja a televisão portuguesa, ouça os noticiários das nossas rádios ou passe os olhos pela nossa imprensa pois de tudo aquilo emana um misto de sabujice, própria de quem está desesperado, e de chico-espertismo característico de quem viveu acima das suas possibilidades e agora espera sacar uns trocos a uns dirigentes que na verdade considera uns novos-ricos.

Poucas horas depois deste deprimente exercício, o presidente do país mais poderoso do mundo, o governante da nação mais rica do planeta e o líder do país mais irmão, partem com um ar que me parece ligeiramente escarninho e declarando que sim, que vão tomar em consideração o nosso caso. Estes visitantes não resolvem os nossos problemas mas poupam-nos o exercício de nos confrontarmos com os nossos erros e sobretudo fazem-nos companhia nas horas do medo. Por causa desse pavor ao momento em que nos veremos ao espelho, mal eles partem pegamos na fanfarra da GNR e nas borlas e capelos dos doutoramentos honoris causa até que outro presidente do país mais poderoso do mundo, governante da nação mais rica do planeta ou líder do país mais irmão aterre na Portela e o circo possa recomeçar.
Ao pé destes arrebatamentos com os salvadores da nossa ruína, arrebatamentos estes que foram precedidos e induzidos pelos arrebatamentos em torno dos modelos da riqueza – uns dias era finlandês, outros “escandinavo renovado” e outros ainda do MIT – as antevisões de Paulo Futre parecem-me um exemplo de equilíbrio e sensatez.

O triste sintoma do estado de alienação a que chegámos é que o país desata a rir perante a descrição dos chineses salvando o Sporting e já não reage perante o espectáculo do presidente do país mais poderoso do mundo, do governante da nação mais rica do planeta e do líder do país mais irmão que, agora sim, desta vez é que vai ser resolverão o problema da nossa dívida

In: PÚBLICO Via Blasfémias

Warning raises heat on Portugal

Caros,
Leiam o excelente artigo publicado no Financial Times, que por motivos de copyright não o posso publicar aqui mas deixo um link para quem o quiser ler. Portugal está de facto a ser pressionado e muito dificilmente irá deixar de receber ajuda externa em Junho.
One investor said: “Portugal is the next trigger point. It is difficult to see how the country can avoid a bail-out, which could then trigger problems for Spain.”

http://www.ft.com/cms/s/0/9d8336d6-5bb2-11e0-b8e7-00144feab49a.html#ixzz1IGl1jNTM

Cumprimentos cordiais

Luis Passos

Herança Socialista

Ainda não foi hoje que Portugal bateu na parede...

O IGCP colocou hoje no mercado 1.645 milhões de euros em Obrigações do Tesouro com um juro de 5,793%.
 
O instituto responsável pela gestão da dívida de Portugal colocou hoje no mercado 1.645 milhões de euros em Obrigações do Tesouro com maturidade em Junho de 2012, num leilão extraordinário onde a procura superou em 1,4 vezes a oferta.

Este rácio ficou, contudo, abaixo do verificado no último leilão comparável, realizado em Julho último, onde a procura superou em 2,3 vezes a oferta.

Os 1.645 milhões de euros colocados ficaram acima do montante indicativo de 1.500 milhões de euros anunciado pelo IGCP no dia de ontem, com um juro de 5,793%, abaixo das actuais taxas de mercado para os títulos de dívida com esta maturidade, acima de 6%.

Contudo, na última emissão comparável de Julho, o juro fixou-se nos 3,159%. Os operadores contactados pelo Diário Económico apontavam para juros de 6,4%. De acordo com as mesmas fontes de mercado, Portugal já tinha compradores, nomeadamente o Brasil e a China.

"Com este leilão, Portugal comprou mais tempo na sua luta para não pedir um 'bailout'. As amortizações de Abril deverão já estar asseguradas, embora para as de Junho se tenha de esperar para ver", comentou Filipe Silva, gestor de dívida do Banco Carregosa, à Reuters.

O mesmo especialista adiantou que "a taxa foi surpreendentemente mais baixa do que o mercado secundário está a negociar, que se situa acima dos 6%, e o montante foi também acima do indicativo. O Estado português continua a ter quem acredite que consegue amortizar a sua dívida. No entanto, mantém-se que a taxa é extremamente elevada".

  • OBRIGAÇÕES DO TESOURO COM MATURIDADE A JUNHO DE 2012

  Hoje Emissão anterior
Data da
Emissão
 1 de Abril de 2011 14 de Julho de 2010
Montante Indicativo 1.500 milhões 1.000 a 1.500 milhões 
Montante Colocado 1.645
milhões
877
milhões
Taxa Média Ponderada 5,793% 3,159%
Rácio Procura/Oferta 1,4 2,3

Fonte: IGCP

IN: ECONOMICO 


O estado lá conseguiu colocar a divida, para perfazer o total de 5 mil milhões de modo a pagar aos nossos credores... tinhamos 4 mil milhões, fomos buscar mais mil milhões e meio.

Em Junho vence novamente outra tranche  da divida, desta vez serão 6 mil milhões, conforme se pode verificar no quadro acima. Vamos ver como Portugal conseguirá arranjar o dinheiro, ou através de colocação de divida ou se terá de recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira. 

De qualquer modo, esse problema pertencerá apenas ao governo que sair das próximas eleições de 5 de Junho. Nessa altura terá de recorrer ao FEEF/FMI, não haverá alternativas, alias o ministro alemão das finanças já disse neste artigo que Portugal recorrerá ao fundo em Junho. 

Pensei que pudéssemos entrar em default já em Abril, tinha sido melhor e tinha-se antecipado o inadiável, assim vamos andar nesta agonia ate Junho, quando finalmente entrarmos em default.

O Presidente da Republica com o comunicado que fez ontem também não aqueceu nem arrefeceu, não mobilizou os Portugueses nem lhes deu alento... No momento de crise que se vive hoje precisava-se um Presidente que interviesse de forma positiva, mobilizasse a população para os sacrifícios que ai vêem e fosse o catalisador do nosso ressurgimento económico. Não, temos um Presidente que é apenas uma figura cinzenta e que não consegue galvanizar nem um caracol.

Temos os governantes que o pais merece...

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

quinta-feira, 31 de março de 2011

Barry Eichengreen: "Portugal terá de reestruturar a sua dívida"

A revista Economist considerou-o um dos cinco economistas com ideias mais importantes para o mundo pós-crise, lado a lado de Raghuram Rajan, Robert Shiller, Kenneth Rogoff e Nouriel Roubini.
Para o norte-americano Barry Eichengreen, que foi consultor do FMI no final dos anos 90, a Grécia, a Irlanda e Portugal vão ter de fazer haircuts (corte no montante da dívida), de preferência com garantias colaterais do fundo de resgate do euro. O professor da Universidade de Berkely, na Califórnia, diz que não podem ser só os contribuintes a pagar a factura do ajustamento orçamental.

Portugal vai conseguir evitar um resgate da UE e do FMI?
Duvido muito. A questão não é se consegue evitar, mas quando será esse resgate.

Mas recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) será suficiente para resolver os problemas de Portugal e também da Grécia ou da Irlanda?
Acrescentar mais dívida ao FEEF em cima de dívida já existente não vai, por si só, resolver o problema. Uma solução duradoura requer também a reestruturação de dívidas que são insustentáveis (o que inclui a dívida da Grécia, da Irlanda e de Portugal).

Teremos, então, de reestruturar a dívida?
Tornou-se claro que Portugal, tal como a Grécia e a Irlanda, terá de reestruturar a sua dívida. Os mercados, ao penalizarem os títulos de dívida portugueses como o têm feito, indicam que já chegaram à mesma conclusão. Usar dinheiro do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira e do Fundo Monetário Internacional para "adocicar" o acordo com os detentores de obrigações, de modo a fazer esta reestruturação da forma mais ordeira possível, seria melhor do que outro empréstimo de resgate, como os empréstimos iniciais à Grécia e à Irlanda, que negam a necessidade de reestruturação. Não podemos ser bem-sucedidos a fazer uma desvalorização interna (reduzindo salários, pensões e outros custos), num país altamente endividado, se deixarmos intocado o valor da dívida. Esta é a contradição fundamental que está no âmago das actuais dificuldades europeias.

Mas a reestruturação da dívida não coloca o risco de contágio dentro da zona euro?
Uma reestruturação da dívida feita como deve ser e tranquilizando os investidores de que a Europa está, finalmente, a pôr a crise para trás das costas, não tem de ser uma fonte de contágio.

O que devia a Europa fazer para eliminar esse risco de contágio? Os países deveriam, por exemplo, reestruturar a dívida ao mesmo tempo?
Seria ideal ter a Grécia, Portugal e Irlanda a renegociar a dívida em simultâneo, embora a capacidade de a União Europeia (UE) orquestrar isto seja questionável.

A Espanha também estaria envolvida nesse processo?
Do meu ponto de vista, a Espanha é um caso diferente, não só por ter um nível menor de dívida, mas porque metade do seu sistema bancário está nas mãos de dois grandes bancos, que têm a maior parte dos seus negócios fora da Europa e, por isso, estão numa posição financeira mais forte.

Acha que é possível criar um consenso na Europa sobre a necessidade de aqueles países reestruturarem a dívida?
Eventualmente, os mercados irão forçar a isso, provavelmente já no Verão, se as autoridades europeias, começando pela chanceler alemã Angela Merkel, não o fizerem.

Que tipo de reestruturação da dívida pode ser feita?
Em primeiro lugar, os governos têm de reiterar o seu compromisso com o rigor orçamental no futuro. Em segundo, devem oferecer aos investidores um menu de novas obrigações em troca dos seus títulos antigos. Alguns irão manter a quantia principal inalterada, mas a taxa de juro será reduzida e a maturidade será alargada. Os bancos irão, provavelmente, preferir esta alternativa, de modo a não serem obrigados a registar perdas nos seus balanços. Noutros casos, os títulos serão reduzidos a metade, mas terão maturidades mais reduzidas e serão facilmente vendidos. Os fundos de investimento irão, provavelmente, preferir esta solução. O FEEF poderá fornecer garantias colaterais a estas novas obrigações, garantindo que são seguras, o que encorajaria os investidores a aceitar este acordo.


O que os testes de stress que estão a ser aplicados à banca devem supostamente identificar é precisamente esse risco. Espero que estes testes sejam agora feitos de uma maneira mais séria e credível do que da última vez, embora tenha dúvidas acerca disso. A testes de stress realistas, que incluem cenários realistas de reestruturação dos títulos de dívida, deveria juntar-se a injecção de fundos públicos para fortalecer os bancos mais fracos. O problema é que em países como a Alemanha há uma discussão em curso sobre quem deve pagar pela injecção de capital: os Estados, o governo federal ou outra entidade. A Alemanha tem de se apressar e tomar decisões.

Num artigo recente, avisou de que estamos a caminho de uma nova crise financeira, que seria precipitada pelo aumento das taxas de juro nos EUA. Quando é que isso irá acontecer e que países serão afectados?
Os mercados emergentes, que estão agora a receber os últimos fluxos de capital dos países avançados, irão assistir a uma reversão desses fluxos, o que irá deixar os seus bancos e mercados financeiros em sérias dificuldades - pelo menos naqueles países emergentes que estão menos preparados. Quando isso pode acontecer? Quando a Fed aumentar as taxas de juro. Suspeito que começará a fazê-lo em 2012. Por isso, é melhor prepararmo-nos.

In: Publico

Renegociar dívida antes que seja inevitável pode ser solução

Uma das razões que justificaram a ajuda à Grécia, quando rebentou a crise da dívida soberana, foi tentar evitar a reestruturação da dívida.

Mas, agora, depois de a Grécia ter pedido ajuda, de a Irlanda lhe ter seguido os passos e de Portugal ameaçar fazer o mesmo, a renegociação da dívida pública, eventualmente não pagando a totalidade da dívida aos credores, está no centro do debate. Cada vez mais economistas alertam que a crise da zona euro não será resolvida sem recorrer a este expediente, que, até agora, parecia destinado a aplicar-se apenas a países emergentes (ver caixa).

O antigo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kenneth Rogoff, ou o antigo conselheiro da instituição, Barry Eichengreen (ver entrevista na página ao lado), têm defendido isso. Em Portugal, o PÚBLICO falou com economistas de vários quadrantes ideológicos e quase todos defendem que partir já para uma reestruturação da dívida, de preferência concertada a nível europeu, evitará um cenário pior de default (incumprimento) no futuro.

"Com juros tão elevados como os actuais e com a perspectiva de recessão na economia, não há alternativa à reestruturação da dívida", defende José Reis, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. João Duque, presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) partilha da mesma opinião, defendendo que, "quanto mais depressa agirmos, mais margem de manobra teremos para negociar as condições". Trata-se de evitar, não um default agora, mas um default futuro, conclui. João César das Neves repete o aviso: "Quanto mais tempo passar, maior será o corte da dívida e maiores as perdas dos investidores".

Uma renegociação da dívida é uma espécie de default negociado, em que os Estados acordam com os investidores um rescalonamento da dívida (alongando, por exemplo, a maturidade dos títulos e reduzindo as taxas de juro). Se necessário, há um haircut (corte), ou seja, o Estado só irá pagar uma parte da dívida que lhes foi emprestada. Além disso, enquanto renegoceiam a dívida, os países podem suspender as amortizações e o pagamento dos juros.

O principal risco num processo de reestruturação é o seu impacto nos mercados e, particularmente, no sistema bancário. Na Europa, a Alemanha e França opuseram-se, desde o início da crise, a uma reestruturação, pois os seus bancos estão bastante expostos aos títulos dos países periféricos. Os novos testes de stress pedem, aliás, que os bancos que detenham dívida pública portuguesa assumam uma perda de 19,8% no valor dos títulos a dez anos que detêm, o valor mais alto entre todos os países da União Europeia.

Ciente destes riscos, o Governo irlandês começou agora a usar a ameaça de incumprimento parcial, não só para pressionar uma redução dos juros do empréstimo europeu, mas também para conseguir mais ajudas à banca."Pelo caminho que os planos de austeridade estão a seguir, a reestruturação da dívida coloca-se inevitavelmente, não só na Grécia e na Irlanda, mas, eventualmente, em Espanha (dependendo da evolução da banca) e em Portugal (dependendo da evolução dos mercados)", considera José Castro Caldas, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

Para o economista, é uma questão de opção: "Portugal pode reestruturar a dívida em extremo desespero, depois de vários anos de austeridade, ou fazê-lo de forma pró-activa". Além disso, salienta, um avanço para a renegociação da dívida poderia levar a alterações dos tratados europeus, que permitissem, por exemplo, que o Banco Central Europeu (BCE) passasse a comprar títulos dos países em risco no mercado primário.

Mas nem todos partilham desta opinião. A economista-chefe do BPI, Cristina Casalinho, acha que, no curto prazo, a reestruturação da dívida não se coloca. "Só se faz isso em casos-limite, como última opção, devido ao impacto significativo que pode ter no sistema bancário, nomeadamente de países como a Alemanha, a França ou a Espanha, que têm nos seus balanços muita dívida portuguesa, grega e irlandesa", salienta. A isso junta-se o risco de ter taxas de juro ainda mais elevadas. "A História mostra que, na sequência de uma reestruturação, Portugal teria de pagar, durante mais de uma década, juros acima dos que pagava anteriormente", conclui.

A possibilidade de renegociação da dívida não está, contudo, fora dos planos europeus. Na última cimeira, os líderes europeus parecem ter deixado a porta aberta a que a reestruturação possa ser um pré-requisito para aceder ao mecanismo de ajuda europeu, em vigor a partir de 2013.

Ana Rita Faria In: Publico

Situação da banca espanhola está negra - Problema das "CAJAS"


Caros
Convido-os a ler este excelente artigo do Jornal "EL PAÍS" sobre a situação complicada que se vive em Espanha com situação do projecto de fusão das varias "Cajas" depois da falencia do banco Base.

A situação é similar ao nosso BPN, também com um enorme buraco financeiro.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

Portugal cada vez mais próximo de pedir ajuda

O comentário de Nicolau Santos, diretor-adjunto do Expresso, sobre a subida dos juros da dívida portuguesa e a ajuda internacional.


Veja o vídeo do expresso em que Nicolau Santos brilhantemente faz o ponto da situação actual, e tal como já aqui havia dito no FARO É FARO, a situação está a ficar mais complicada devido ao rating muito baixo que a República Portuguesa tem atribuído. 

Não é normal pedir-se dinheiro nos mercados com taxas de juro acima dos 8 e 9% e com uma recessão de 1,4%, mas tem sido possível colocar a divida e a perspectiva que temos pela frente é terrível, porque com a baixa do rating Português a maioria dos países que poderiam ajudar Portugal comprando divida soberana não o poderão fazer por imposição legal (como o caso do Brasil) dado que para o fazerem teria a divida de estar classificada como A ou superior, tal como tinha antecipado neste post - http://faroefaro.blogspot.com/2011/03/que-salvejeria-pah.html

Assim vai ser cada vez mais difícil Portugal se financiar nos mercados, primeiro porque as taxas estão cada vez mais altas e Portugal não vai conseguir pagar os juros dos empréstimos, bem como chegaremos a um ponto que não conseguiremos quem nos empreste mais dinheiro devido ao rating, e será uma pescadinha de rabo na boca... Nessa situação não haverá outra situação se não recorrer ao fundo europeu de estabilização financeira e deixar o FMI instalar-se de vez em Portugal.

E já não falta muito, portugal amanhã terá de pagar 5 mil milhões de euros a credores! Vamos lá ver como corre a operação.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos

Boicote as Lojas Chinesas, Compre Produtos Nacionais e ajude a nossa economia a recuperar

Eu sei que pode parecer pouco. Mas depois da bancarrota Sócrates, quando precisamos mesmo de sair do buraco, os pequenos gestos podem fazer a diferença. A ideia é simples: como todos somos consumidores, se o produto for parecido, vale a pena consumir em português (parece que o código de barras começa por 560). Ainda por cima a qualidade é muitas vezes melhor do que algumas chinezisses, sem ofensa, que por aí andam. Estima-se que se cada português consumir, por ano, 150€ de produtos nacionais, a economia estaria bem melhor e seriam criados postos de trabalho. E já agora vale a pena comprar no comércio tradicional, essencial para a vida e segurança das nossas cidades, vilas e aldeias. Abaixo a bimbalhada dos shopings e afins. Até dói ver tantas lojas de rua a fechar. Vamos a isso camaradas, é uma questão de mentalidade.


Como já havia referido neste blog, com a crise que ai se avizinha é imperativo que a população ajuda a economia a levantar-se, preferindo comprar produtos nacionais.

Outra situação a evitar é a compra de produtos em lojas chinesas, tal como já tinha alertado neste post, Lojas Chinesas - Nascem como Cogumelos, em que salientava a má qualidade dos produtos vendidos em que a diferença de preço para os nossos não é significativa, para além destes últimos serem de muito melhor qualidade.

O comércio chinês não gera emprego nacional, tem isenções fiscais, não contribui para o aumento do PIB, muito pelo contrário, para a sua contracção dado que todo do dinheiro gerado é enviado para a Republica Popular da China.

Eu já boicoto as lojas chinesas, e quero convidá-lo a si leitor a começar a boicotar também.

Cumprimentos cordiais

Luís Passos